quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Como Evitar Desequilíbrios Religiosos
Por: Arthur W. Pink
Vigilância, oração, autodisciplina e aquiescência inteligente aos propósitos de Deus são indispensáveis para qualquer progresso real na santidade. Existem certas áreas de nossas vidas em que os nossos esforços para sermos corretos nos podem conduzir ao erro, a um erro tão grande que leva à própria deformação espiritual. Por exemplo:
1. Quando, em nossa determinação de nos tornarmos ousados, nos tornamos atrevidos. Coragem e mansidão são qualidades compatíveis; ambas eram encontradas em perfeitas proporções em Cristo, e ambas brilharam esplendidamente na confrontação com os seus adversários. Pedro, diante do sinédrio, e Paulo, diante do rei Ágripa, demonstraram ambas essas qualidades, ainda que noutra ocasião, quando a ousadia de Paulo temporariamente perdeu o seu amor e se tornou carnal, ele houvesse dito ao sumo sacerdote: "Deus há de ferir-te, parede branqueada". No entanto, deve-se dar um crédito ao apóstolo, quando, ao perceber o que havia feito, desculpou-se imediatamente (At 23.1-5).
2. Quando, em nosso desejo de sermos francos, tornamo-nos rudes. Candura sem aspereza sempre se encontrou no homem Cristo Jesus. O crente que se vangloria de sempre chamar de ferro o que é de ferro, acabará chamando tudo pelo nome de ferro. Até o fogoso Pedro aprendeu que o amor não deixa escapar da boca tudo quanto sabe (1 Pe 4.8).
3. Quando, em nossos esforços para sermos vigilantes, ficamos a suspeitar de todos. Posto que há muitos adversários, somos tentados a ver inimigos onde nenhum deles existe. Por causa do conflito com o erro, tendemos a desenvolver um espírito de hostilidade para com todos quantos discordam de nós em qualquer coisa. Satanás pouco se importa se seguimos uma doutrina falsa ou se meramente nos tornamos amargos. Pois em ambos os casos ele sai vencedor.
4. Quando tentamos ser sérios e nos tornamos sombrios. Os santos sempre foram pessoas sérias, mas a melancolia é um defeito de caráter e jamais deveria ser mesclada com a piedade. A melancolia religiosa pode indicar a presença de incredulidade ou pecado, e, se deixarmos que tal melancolia prossiga por muito tempo, pode conduzir a graves perturbações mentais. A alegria é a grande terapia da mente. "Alegrai-vos sempre no Senhor" ( Fp 4.4).
5. Quando tencionamos ser conscienciosos e nos tornamos escrupulosos em demasia. Se o diabo não puder destruir a consciência, seus esforços se concentrarão na tentativa de enfermá-la. Conheço crentes que vivem em um estado de angústia permanente, temendo que venham a desagradar a Deus. Seu mundo de atos permitidos se torna mais e mais estreito, até que finalmente temem atirar-se nas atividades comuns da vida. E ainda acreditam que essa auto-tortura é uma prova de piedade.
Enquanto os filósofos religiosos buscam corrigir essa assimetria (que é comum à toda raça humana), pregando o "meio-termo áureo", o cristianismo oferece um remédio muito mais eficaz. O cristianismo, estando de pleno acordo com todos os fatos da existência, leva em consideração este desequilíbrio moral da vida humana, e o medicamento que oferece não é uma nova filosofia, e sim uma nova vida. O ideal aspirado pelo crente não consiste em andar pelo caminho perfeito, mas em ser conformado à imagem de Cristo.
John Wesley, uma vida longa em poucas palavras
A vida de um homem que com sua paixão por Deus mexeu com a vida espiritual dos ingleses e com a estrutura social de seu país.
Por Christian History & Biography
John Wesley nasceu em 1703 e sua infância foi fortemente influenciada por sua mãe, uma mulher rígida e piedosa. Seu pai era um homem difícil de se agradar. Sua mãe acreditava que os desejos das crianças deviam ser subjugados e que eles deveriam ser disciplinados quando não se comportassem. John era o décimo quarto filho. Ele teria morrido em um incêndio em Epworth Rectory se não tivesse sido arrancado das chamas por um vizinho. Na época tinha sete anos e depois disso sua mãe o lembrou várias vezes que ele era “um tição colhido do fogo”. Mais tarde ele teve a certeza de que tinha sido poupado por um propósito, servir a Deus.
Samuel, o pai de John, era um erudito, que por muitos anos trabalhou em uma obra monumental sobre o livro de Jó. Um pregador severo, para não dizer implacável, uma vez exigiu que uma adúltera andasse nas ruas em sua vergonha. Ele também forçou o casamento de uma de suas filhas depois que ela tentou fugir com um homem que não era o escolhido de seu pai. Com seu pai e sua mãe, John Wesley desenvolveu excelentes hábitos de estudo e também se acostumou com o sofrimento físico.
John Wesley foi para Charterhouse School em 1714, para Christ Church College, em 1720, e em 1726 foi eleito membro na Lincoln College em Oxford. Depois de ser pastor auxiliar em Wroote, Lincolnshire, de 1727 a 1729, ele voltou à Oxford não apenas para continuar seus estudos, mas também para começar a viver uma vida mais devota e santa. Muitos outros jovens brilhantes tinham um curriculum como o de Wesley, mas poucos tinham a sua dedicação. Ele dominava pelo menos sete idiomas e desenvolveu uma visão verdadeiramente abrangente em todas as áreas da investigação. Quando ele voltou de Wroote para Oxford, ele assumiu a liderança de um grupo chamado Holy Club (Clube Santo), iniciado por seu irmão Charles. Lá era onde eles reforçavam a fé através do estudo das Escrituras e buscavam a santidade na vida de cada membro.
O Clube Santo fazia muito mais do que refletir e orar. Eles iam às prisões levar a palavra de salvação aos prisioneiros. Embora eles fossem ridicularizados por seus companheiros de Oxford, de seu grupo de uma classe social mais baixa saíram homens que se tornaram importantes para aquele tempo, particularmente os irmãos Wesley, além de George Whitefield. O modo de vida de John Wesley exigia jejuns periódicos, encontros regulares para estudo e auto-avaliação pessoal. Somente muito tempo depois foi que ele percebeu que seu grupo seguia mais a letra do que o espírito do cristianismo.
Em 1735 grandes mudanças atingiram John e Charles Wesley. O seu pai morreu e ambos foram para a colônia da Georgia, nos Estados Unidos, com a bênção e encorajamento de sua mãe. Lá foi uma prova para John, que entendeu que realmente não gostava muito dos índios e sua rigidez não era muito apreciada pelas pessoas da Georgia. Mas importante que isto, foi o contato de John na sua viagem com um pequeno grupo de morávios. Estes homens e mulheres destemidamente cantavam hinos durante terríveis tempestades no mar, ao mesmo tempo em que o próprio Charles se desesperava. Isso o fez querer conhecer mais sobre a fé que eles demonstravam ter. Em 1737 ele retornou à Inglaterra.
Devemos apreciar a humildade de John Wesley, pois ele podia ser crítico o bastante consigo mesmo para parar suas atividades religiosas naquele momento e pensar que era um ministro experiente demais para examinar sua falta de fé. Peter Boehler, um morávio, deu-lhe a chave – pregar a fé até que ele a tivesse, e então ele pregava a fé. John Wesley lutou com sua falta de fé até 24 de maio, uma quarta-feira, em 1738, no famoso encontro de Aldersgate, foi quando ele teve uma conversão, uma profunda e inconfundível experiência de fé. Seu “coração foi estranhamente aquecido”. Então seu verdadeiro trabalho começou.
Como tinha uma mente brilhante e aberta, John Wesley ainda conseguia retirar os melhores recursos das melhores mentes do seu tempo. William Law, por exemplo, foi seu professor, amigo e mentor por vários anos; mas Wesley achou que um ingrediente importante estava faltando no programa de Law para uma vida devota. Os discípulos de Platão conseguiram comunicar a Wesley uma estrutura intelectual que era mais espiritual do que material, mas os hábitos mentais de Wesley estavam moldados mais pelo modelo de análise de Newton do que pelo platonismo. Os morávios eram o mais perto de uma síntese de todos os elementos que ele desejava e pôde encontrar. Ele até mesmo visitou Herrnhut para saber como sua comunidade trabalhava. Mas algo estava faltando lá, como em todo lugar, e em 1740, ele e seus seguidores romperam com os morávios, mas não antes que ele tivesse aprendido a pregar sermões ao ar livre, o que veio a ser mais tarde uma parte essencial de seu ministério.
John Wesley tinha 37 anos de idade quando começou a viajar e pregar. Ele freqüentemente exagerava o número daqueles que vinham ouvi-lo. Muitas vezes, as mesmas pessoas que precisaram de sua ajuda eram as mesmas que mais o perseguiam. Ele pregava em púlpitos até que eles fossem fechados para ele, e ele então pregava nos campos abertos. Ele pregava três vezes por dia, começando às 5 da manhã, uma vez que os trabalhadores poderiam parar para ouvi-lo enquanto andavam para o trabalho.
Algumas vezes ele andava 60 milhas (mais de 90 quilômetros) por dia a cavalo. As condições do tempo não importavam; ele fazia seu programa e o cumpria, não importavam as dificuldades. Ele fugia de uma multidão zangada pulando num lago gelado, nadava para fora dele e continuava a pregar novamente. E tinha uma certa habilidade de trazer as pessoas hostis para o seu lado.
Em 1741 foi para Gales do Sul, para o norte da Inglaterra em 1742, Irlanda em 1747, e Escócia em 1751. No total, foi à Irlanda quarenta e duas vezes e à Escócia vinte e duas vezes. Ele retornou à algumas cidades várias vezes. Houve ocasiões em que ele retornava anos depois de sua última visita e registrava que a pequena sociedade que ele ajudara ainda estava intacta e fiel. Ele examinava cada membro de cada sociedade pessoalmente para buscar crescimento espiritual e de fé. As sociedades então formadas proviam a organização local para seu movimento.
O que Wesley pregava? Santidade, honestidade, salvação, boas relações familiares, vários outros temas, mas acima de tudo a fé em Cristo. Ele não pedia aos seus ouvintes para deixarem suas igrejas, mas para continuarem indo nelas. Ele lhes deu o refrigério espiritual que eles não achavam. Quando suas décadas de provação produziram décadas de triunfo, as multidões aumentaram. Ricos e pobres vinham para ouvi-lo falar. Ele desenvolveu redes de assistentes leigos. Suas exortações para viver perfeitamente em amor hoje parecem duras, mas considere os efeitos em suas congregações. Os xingamentos nas fábricas pararam, os homens e as mulheres começaram a se preocupar com vestimentas limpas e simples, extravagâncias como chá caro e vícios como o gim foram deixados por seus seguidores, vizinhos deram um ao outro ajuda mútua através das sociedades.
Wesley ensinou tanto pelo exemplo como pelos seus sermões. Ele publicou muitos de seus textos para serem usados em devocionais e direcionou o lucro para projetos, como um local de ajuda para os pobres. Sua vida pessoal estava além de reprovação. Ele traduziu hinos, interpretou as Escrituras, escreveu centenas de cartas, discipulou centenas de homens e mulheres e manteve em seus diários um registro da energia investida, que dificilmente tem um rival na história ocidental. Sua maneira de falar na linguagem do homem comum teve um impacto imensurável no surgimento do inglês moderno, assim como os hinos de Charles Wesley tiveram um grande impacto na música com suas muitas canções sem mencionar a poesia da subseqüente era Romântica.
Mas o impacto dos Wesleys nas classes mais baixas foi além de afetar seus hábitos de vida e modo de falar. John Wesley proveu uma estrutura religiosa que era local e pessoal, bem como fortemente moral. Sua teologia não tirava a liberdade e o direito de ninguém, pois qualquer um podia achar a graça de Deus para resistir ao diabo e ser salvo, se tão somente buscasse e recebesse. As sociedades que ele formou preservaram em seus estudos o foco na fé – uma fé que também levou a uma maneira de lidar com a realidade da vida das classes mais pobres. A religião não era só para os ricos, mas Wesley também não estava pregando uma revolta contra o anglicanismo.
O anglicanismo de John Wesley era muito forte, embora os púlpitos anglicanos tornassem-se totalmente fechados para ele. Só quando tinha oitenta e um anos ele permitiu uma pequena divisão entre seus seguidores e a igreja nacional. Tendo já enviado muitos homens à América, em 1784 ele ordenou mais pessoas para este esforço missionário e, porque “ordenação é separação”, efetivamente começou uma nova igreja. O conservadorismo dele era tanto político como religioso. Ele publicou uma carta aberta às colônias americanas, aconselhando-as a permanecerem leais à Grã-Bretanha, logo antes da Revolução Americana. Ele não tolerava nenhuma conversa sobre agitação civil na Inglaterra.
Muito se tem discutido acerca de que outras forças estavam trabalhando na Inglaterra além de Wesley e uns outros poucos pregadores. Por exemplo, a Revolução Industrial que estava vindo progrediu mais rápido na Inglaterra do que em qualquer outro lugar, dando aos homens novos tipos de trabalho; a justiça do Sistema de Paz e o sistema de governo com um Primeiro-Ministro eram únicos na sua forma e deram muito mais poder do que era possível em qualquer outro lugar à classe média local e os grandes problemas que poderiam de outra forma causar revolução, simplesmente não estavam presentes na Inglaterra depois de 1750. Ainda assim sem Wesley e seus seguidores como poderia o ateísmo, tal como existia entre os camponeses franceses, ser evitado e como poderia uma classe inferior oprimida e dominada pelos vícios, ter esperança?
John Wesley morreu em 2 de março de 1791, cerca de três anos depois que seu irmão Charles morreu. Até seus últimos anos, ele colocou a mesma frase de abertura em seu diário, como fazia a cada ano no seu aniversário, agradecendo a Deus por sua longa vida e sua contínua boa saúde, afirmando que sermões pregados de manhã logo cedo e muita atividade ao ar livre o mantiveram em forma para a obra de Deus. Desde o momento em que ele tornou-se livre de influências, exceto a de Deus, ele teve cinqüenta anos de serviço constante e fez um bem imensurável à Inglaterra através da perseverança, resistência e fé. Seu legado não se limitou ao seu século ou país, mas sobrevive até hoje na fé de milhões em várias igrejas ao redor do mundo.
A seguinte frase foi escrita em seu diário em 28 de junho de 1774:
Sendo hoje meu aniversário, o primeiro dia do septuagésimo segundo ano, eu estava pensando como posso ter a mesma força que tinha trinta anos atrás? Que a minha visão esteja consideravelmente melhor agora e meus nervos mais firmes do que eram antes? Que eu não tenha nenhuma enfermidade da velhice, e não tenha mais aquelas que tive na juventude? A grande causa é, o bom prazer de Deus, que faz o que lhe agrada. Os meios principais são: meu constante levantar às quatro da madrugada, por cerca de cinqüenta anos; o fato de geralmente pregar às cinco da manhã, um dos exercícios mais saudáveis do mundo; o fato de que nunca viajo menos, por mar ou terra, do que 4500 milhas (mais de 6.750 km) por ano.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Morre John Stott, aos 90 anos de Idade.
Livre como um pássaro
Morre John Stott, teólogo britânico que ajudou a construir a Igreja contemporânea.
POR: Carlos Fernnades
Nos últimos anos, o pastor e teólogo britânico John Stott já não podia, em função da idade, praticar uma de suas paixões: a ornitologia. Aficionado pela observação de pássaros, era nos bosques do Reino Unido que ele passava boa parte de suas horas de folga, com binóculo em punho, máquina fotográfica a tiracolo e o inseparável caderninho de anotações. Desavisados poderiam pensar que era apenas mais um idoso preenchendo o ócio da aposentadoria. As aparências enganam. Ali estava um dos gigantes da fé cristã contemporânea, que ajudou a construir a Igreja Evangélica ao longo do século 20. Teólogo brilhante, pastor apaixonado, filantropo convicto, conferencista eloquente, escritor inspirado e idealista de vanguarda, Stott deixou esta vida no dia 27 de julho, em Londres, de causas naturais, aos 90 anos. Livre como os pássaros que ele tanto amava.
No seu último aniversário, em abril, amigos, colaboradores e parentes mais chegados – Stott era solteiro e não tinha filhos – fizeram uma reunião com ele na casa de repouso onde vivia. O encontro teve inegável caráter de despedida. “Já sabíamos o que estava para acontecer. Stott deixou um exemplo impecável para lideres de ministérios em todo o mundo – amor pela Igreja global, paixão pela fidelidade bíblica e amor pelo Salvador”, define Benjamin Homam, presidente de John Stott Ministries, entidade criada pelo pastor para apoiar líderes cristãos ao redor do mundo. A instituição é apenas uma parte do imenso legado espiritual daquele que, segundo David Brooks, colunista do New York Times, seria eleito papa, caso os protestantes tivessem um.
“SIMPLES E COMUM”
Nascido em família abastada, John Robert Walmsley Stott era filho de sir Arnold Stott, médico da Família Real. Criado na Igreja Anglicana com as três irmãs, ele fez sua decisão por Cristo aos 18 anos de idade. A mente privilegiada levou-o à prestigiada Universidade de Cambridge, onde graduou-se em letras. Ali, conheceu a Aliança Bíblia Universitária e sentiu o chamado para o pastorado. Formou-se em teologia no Seminário Ridley Hall e logo assumiu o púlpito da Igreja Anglicana All Souls (“Todas as almas”), onde ministrou durante três décadas, sempre disponível às ovelhas apesar da agenda cada vez mais apertada.
Capelão da Coroa Britânica entre 1959 e 1991, foi neste período que o ministério de Stott atingiu seu maior esplendor. Protagonista do movimento conhecido como Evangelho integral, ele organizou, na companhia do evangelista Billy Graham e outras lideranças, o Congresso Internacional de Evangelização, em Lausanne (Suíça), em 1974. O evento entrou para a história da Igreja Cristã por lançar as bases de uma abordagem da fé inteiramente contextualizada à sociedade, sem, contudo, abrir mão dos princípios basilares do Evangelho, consubstanciada no Pacto de Lausanne. Fundou ainda o London Institute for Contemporary Christianity, em 1982.
John Stott escreveu cerca de 40 livros e percorreu o mundo como convidado especial em cruzadas, congressos e solenidades. Esteve no Brasil duas vezes. Numa delas, reuniu cerca de 2 mil pastores no Congresso Vinde em 1989, com outro tanto do lado de fora por falta de espaço. Em todas estas viagens, sempre recusou hospedagem em hotéis cinco estrelas. Não costumava nem repetir refeições. “Quando comemos um segundo prato, alguém está deixando de comer o primeiro”, dizia. Tudo a ver com alguém que, ao morrer, possuía apenas um sítio e um apartamento e definia dessa maneira o que é ser evangélico: “É ser um cristão simples e comum.”
Morre John Stott, teólogo britânico que ajudou a construir a Igreja contemporânea.
POR: Carlos Fernnades
Nos últimos anos, o pastor e teólogo britânico John Stott já não podia, em função da idade, praticar uma de suas paixões: a ornitologia. Aficionado pela observação de pássaros, era nos bosques do Reino Unido que ele passava boa parte de suas horas de folga, com binóculo em punho, máquina fotográfica a tiracolo e o inseparável caderninho de anotações. Desavisados poderiam pensar que era apenas mais um idoso preenchendo o ócio da aposentadoria. As aparências enganam. Ali estava um dos gigantes da fé cristã contemporânea, que ajudou a construir a Igreja Evangélica ao longo do século 20. Teólogo brilhante, pastor apaixonado, filantropo convicto, conferencista eloquente, escritor inspirado e idealista de vanguarda, Stott deixou esta vida no dia 27 de julho, em Londres, de causas naturais, aos 90 anos. Livre como os pássaros que ele tanto amava.
No seu último aniversário, em abril, amigos, colaboradores e parentes mais chegados – Stott era solteiro e não tinha filhos – fizeram uma reunião com ele na casa de repouso onde vivia. O encontro teve inegável caráter de despedida. “Já sabíamos o que estava para acontecer. Stott deixou um exemplo impecável para lideres de ministérios em todo o mundo – amor pela Igreja global, paixão pela fidelidade bíblica e amor pelo Salvador”, define Benjamin Homam, presidente de John Stott Ministries, entidade criada pelo pastor para apoiar líderes cristãos ao redor do mundo. A instituição é apenas uma parte do imenso legado espiritual daquele que, segundo David Brooks, colunista do New York Times, seria eleito papa, caso os protestantes tivessem um.
“SIMPLES E COMUM”
Nascido em família abastada, John Robert Walmsley Stott era filho de sir Arnold Stott, médico da Família Real. Criado na Igreja Anglicana com as três irmãs, ele fez sua decisão por Cristo aos 18 anos de idade. A mente privilegiada levou-o à prestigiada Universidade de Cambridge, onde graduou-se em letras. Ali, conheceu a Aliança Bíblia Universitária e sentiu o chamado para o pastorado. Formou-se em teologia no Seminário Ridley Hall e logo assumiu o púlpito da Igreja Anglicana All Souls (“Todas as almas”), onde ministrou durante três décadas, sempre disponível às ovelhas apesar da agenda cada vez mais apertada.
Capelão da Coroa Britânica entre 1959 e 1991, foi neste período que o ministério de Stott atingiu seu maior esplendor. Protagonista do movimento conhecido como Evangelho integral, ele organizou, na companhia do evangelista Billy Graham e outras lideranças, o Congresso Internacional de Evangelização, em Lausanne (Suíça), em 1974. O evento entrou para a história da Igreja Cristã por lançar as bases de uma abordagem da fé inteiramente contextualizada à sociedade, sem, contudo, abrir mão dos princípios basilares do Evangelho, consubstanciada no Pacto de Lausanne. Fundou ainda o London Institute for Contemporary Christianity, em 1982.
John Stott escreveu cerca de 40 livros e percorreu o mundo como convidado especial em cruzadas, congressos e solenidades. Esteve no Brasil duas vezes. Numa delas, reuniu cerca de 2 mil pastores no Congresso Vinde em 1989, com outro tanto do lado de fora por falta de espaço. Em todas estas viagens, sempre recusou hospedagem em hotéis cinco estrelas. Não costumava nem repetir refeições. “Quando comemos um segundo prato, alguém está deixando de comer o primeiro”, dizia. Tudo a ver com alguém que, ao morrer, possuía apenas um sítio e um apartamento e definia dessa maneira o que é ser evangélico: “É ser um cristão simples e comum.”
Morre John Stott, aos 90 anos de Idade.
Livre como um pássaro
Morre John Stott, teólogo britânico que ajudou a construir a Igreja contemporânea.
POR: Carlos Fernnades
Nos últimos anos, o pastor e teólogo britânico John Stott já não podia, em função da idade, praticar uma de suas paixões: a ornitologia. Aficionado pela observação de pássaros, era nos bosques do Reino Unido que ele passava boa parte de suas horas de folga, com binóculo em punho, máquina fotográfica a tiracolo e o inseparável caderninho de anotações. Desavisados poderiam pensar que era apenas mais um idoso preenchendo o ócio da aposentadoria. As aparências enganam. Ali estava um dos gigantes da fé cristã contemporânea, que ajudou a construir a Igreja Evangélica ao longo do século 20. Teólogo brilhante, pastor apaixonado, filantropo convicto, conferencista eloquente, escritor inspirado e idealista de vanguarda, Stott deixou esta vida no dia 27 de julho, em Londres, de causas naturais, aos 90 anos. Livre como os pássaros que ele tanto amava.
No seu último aniversário, em abril, amigos, colaboradores e parentes mais chegados – Stott era solteiro e não tinha filhos – fizeram uma reunião com ele na casa de repouso onde vivia. O encontro teve inegável caráter de despedida. “Já sabíamos o que estava para acontecer. Stott deixou um exemplo impecável para lideres de ministérios em todo o mundo – amor pela Igreja global, paixão pela fidelidade bíblica e amor pelo Salvador”, define Benjamin Homam, presidente de John Stott Ministries, entidade criada pelo pastor para apoiar líderes cristãos ao redor do mundo. A instituição é apenas uma parte do imenso legado espiritual daquele que, segundo David Brooks, colunista do New York Times, seria eleito papa, caso os protestantes tivessem um.
“SIMPLES E COMUM”
Nascido em família abastada, John Robert Walmsley Stott era filho de sir Arnold Stott, médico da Família Real. Criado na Igreja Anglicana com as três irmãs, ele fez sua decisão por Cristo aos 18 anos de idade. A mente privilegiada levou-o à prestigiada Universidade de Cambridge, onde graduou-se em letras. Ali, conheceu a Aliança Bíblia Universitária e sentiu o chamado para o pastorado. Formou-se em teologia no Seminário Ridley Hall e logo assumiu o púlpito da Igreja Anglicana All Souls (“Todas as almas”), onde ministrou durante três décadas, sempre disponível às ovelhas apesar da agenda cada vez mais apertada.
Capelão da Coroa Britânica entre 1959 e 1991, foi neste período que o ministério de Stott atingiu seu maior esplendor. Protagonista do movimento conhecido como Evangelho integral, ele organizou, na companhia do evangelista Billy Graham e outras lideranças, o Congresso Internacional de Evangelização, em Lausanne (Suíça), em 1974. O evento entrou para a história da Igreja Cristã por lançar as bases de uma abordagem da fé inteiramente contextualizada à sociedade, sem, contudo, abrir mão dos princípios basilares do Evangelho, consubstanciada no Pacto de Lausanne. Fundou ainda o London Institute for Contemporary Christianity, em 1982.
John Stott escreveu cerca de 40 livros e percorreu o mundo como convidado especial em cruzadas, congressos e solenidades. Esteve no Brasil duas vezes. Numa delas, reuniu cerca de 2 mil pastores no Congresso Vinde em 1989, com outro tanto do lado de fora por falta de espaço. Em todas estas viagens, sempre recusou hospedagem em hotéis cinco estrelas. Não costumava nem repetir refeições. “Quando comemos um segundo prato, alguém está deixando de comer o primeiro”, dizia. Tudo a ver com alguém que, ao morrer, possuía apenas um sítio e um apartamento e definia dessa maneira o que é ser evangélico: “É ser um cristão simples e comum.”
Morre John Stott, teólogo britânico que ajudou a construir a Igreja contemporânea.
POR: Carlos Fernnades
Nos últimos anos, o pastor e teólogo britânico John Stott já não podia, em função da idade, praticar uma de suas paixões: a ornitologia. Aficionado pela observação de pássaros, era nos bosques do Reino Unido que ele passava boa parte de suas horas de folga, com binóculo em punho, máquina fotográfica a tiracolo e o inseparável caderninho de anotações. Desavisados poderiam pensar que era apenas mais um idoso preenchendo o ócio da aposentadoria. As aparências enganam. Ali estava um dos gigantes da fé cristã contemporânea, que ajudou a construir a Igreja Evangélica ao longo do século 20. Teólogo brilhante, pastor apaixonado, filantropo convicto, conferencista eloquente, escritor inspirado e idealista de vanguarda, Stott deixou esta vida no dia 27 de julho, em Londres, de causas naturais, aos 90 anos. Livre como os pássaros que ele tanto amava.
No seu último aniversário, em abril, amigos, colaboradores e parentes mais chegados – Stott era solteiro e não tinha filhos – fizeram uma reunião com ele na casa de repouso onde vivia. O encontro teve inegável caráter de despedida. “Já sabíamos o que estava para acontecer. Stott deixou um exemplo impecável para lideres de ministérios em todo o mundo – amor pela Igreja global, paixão pela fidelidade bíblica e amor pelo Salvador”, define Benjamin Homam, presidente de John Stott Ministries, entidade criada pelo pastor para apoiar líderes cristãos ao redor do mundo. A instituição é apenas uma parte do imenso legado espiritual daquele que, segundo David Brooks, colunista do New York Times, seria eleito papa, caso os protestantes tivessem um.
“SIMPLES E COMUM”
Nascido em família abastada, John Robert Walmsley Stott era filho de sir Arnold Stott, médico da Família Real. Criado na Igreja Anglicana com as três irmãs, ele fez sua decisão por Cristo aos 18 anos de idade. A mente privilegiada levou-o à prestigiada Universidade de Cambridge, onde graduou-se em letras. Ali, conheceu a Aliança Bíblia Universitária e sentiu o chamado para o pastorado. Formou-se em teologia no Seminário Ridley Hall e logo assumiu o púlpito da Igreja Anglicana All Souls (“Todas as almas”), onde ministrou durante três décadas, sempre disponível às ovelhas apesar da agenda cada vez mais apertada.
Capelão da Coroa Britânica entre 1959 e 1991, foi neste período que o ministério de Stott atingiu seu maior esplendor. Protagonista do movimento conhecido como Evangelho integral, ele organizou, na companhia do evangelista Billy Graham e outras lideranças, o Congresso Internacional de Evangelização, em Lausanne (Suíça), em 1974. O evento entrou para a história da Igreja Cristã por lançar as bases de uma abordagem da fé inteiramente contextualizada à sociedade, sem, contudo, abrir mão dos princípios basilares do Evangelho, consubstanciada no Pacto de Lausanne. Fundou ainda o London Institute for Contemporary Christianity, em 1982.
John Stott escreveu cerca de 40 livros e percorreu o mundo como convidado especial em cruzadas, congressos e solenidades. Esteve no Brasil duas vezes. Numa delas, reuniu cerca de 2 mil pastores no Congresso Vinde em 1989, com outro tanto do lado de fora por falta de espaço. Em todas estas viagens, sempre recusou hospedagem em hotéis cinco estrelas. Não costumava nem repetir refeições. “Quando comemos um segundo prato, alguém está deixando de comer o primeiro”, dizia. Tudo a ver com alguém que, ao morrer, possuía apenas um sítio e um apartamento e definia dessa maneira o que é ser evangélico: “É ser um cristão simples e comum.”
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Sermão: Êxodo 19. 7-17.
Reflexão: Êxodo 19. 7-17.
A Liderança Especial de Moisés.
Por: Idauro Campos
Introdução:
O momento é importante na história do povo hebreu, pois o mesmo acabara de sair do Egito (19.1) e estavam prestes a receber de Deus, através de Moisés, as tábuas da Lei (Ex 20.1-31.18). Moisés fora escolhido por Deus para liderar o povo de Israel.
Proposição:
A passagem nos indica características importantes que Moisés possuía e que os homens e as mulheres de Deus chamados (as) para liderar, também devem ter:
1ª -Liderança Compartilhada (Prestação de Conta) – “Moisés, chamou os anciãos e expôs...” (vs 7).
a) Moisés não era um líder isolado, vaidoso e déspota. Fora o escolhido para conduzir o povo até Canaã, mas nunca desrespeitou as lideranças menores de Israel. Ele compartilhava do que ouvira de Deus (19.3-6) junto com seus auxiliares.
b) O Verdadeiro Líder não tem medo de ouvir o que os demais tem a dizer.
2ª - Fidelidade à Palavra de Deus – “Expôs {...} todas estas palavras que o Senhor lhe havia ordenado” (vs 7).
a) O bom líder cristão não tem tanta preocupação em ser criativo quanto em ser fiel ao que Deus lhe mostrou, ensinou e ordenou. Moisés, não expõe suas idéias e opiniões, mas sim o que Deus requeria dele e dos demais.
Ex: Eugene Peterson
b) O povo de Deus deve ansiar por líderes que lhe exponham a fidedignamente a Palavra de Deus.
3ª - Vida de Contemplação ao Senhor (oração e audição) – “E Moisés relatou ao Senhor {...} Disse o Senhor a Moisés (vs 8 e 9).
a) O líder cristão contempla a face de Deus. Ele fala com o Senhor, por meio da oração, e Deus lhe fala ao coração.
b) O verdadeiro líder tem vida de oração e comunhão com Deus.
4ª - O verdadeiro líder é marcado pela presença de Deus (Unção) – “Disse o Senhor: Eis que virei a ti numa nuvem escura, para que o povo ouça quando eu falar contigo e para que creiam sempre em ti” (vs 9).
a) O povo sabia que Moisés andava com Deus e, por isso, sua mensagem tinha autoridade (Ex 34.29-35).
b) Os ministros de Deus (da palavra, do ensino, do louvor e qualquer outro ministério precisam ter unção de Deus em suas vidas).
Ex: Jonathan Edwards e George Whitefield.
5ª- O Verdadeiro Líder Intercede pelo povo – “Porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao Senhor” (vs 9).
a) Moisés se importava com o povo e investia seu tempo apresentando suas necessidades a Deus.
b) Quanto tempo passamos orando por nossas ovelhas ou nossos alunos da classe da Escola Dominical e os demais que Deus colocou sob nossos cuidados.
6ª - O Bom Líder leva seu povo a encontrar-se com Deus – “E Moisés levou o povo {...} ao encontro com Deus” (vs 17).
a) Missão Maior de um líder cristão!
b) “A função do pastor é manter as pessoas atentas em Deus”.
Conclusão:
Ser chamado para liderar o povo de Deus é privilégio! Aprendamos com Moisés, o maior líder do Antigo Testamento, a como exercer tão sublime vocação a fim de agradarmos Aquele que nos chamou para esta nobre e gloriosa função!
Soli Deo Glória!!!
A Liderança Especial de Moisés.
Por: Idauro Campos
Introdução:
O momento é importante na história do povo hebreu, pois o mesmo acabara de sair do Egito (19.1) e estavam prestes a receber de Deus, através de Moisés, as tábuas da Lei (Ex 20.1-31.18). Moisés fora escolhido por Deus para liderar o povo de Israel.
Proposição:
A passagem nos indica características importantes que Moisés possuía e que os homens e as mulheres de Deus chamados (as) para liderar, também devem ter:
1ª -Liderança Compartilhada (Prestação de Conta) – “Moisés, chamou os anciãos e expôs...” (vs 7).
a) Moisés não era um líder isolado, vaidoso e déspota. Fora o escolhido para conduzir o povo até Canaã, mas nunca desrespeitou as lideranças menores de Israel. Ele compartilhava do que ouvira de Deus (19.3-6) junto com seus auxiliares.
b) O Verdadeiro Líder não tem medo de ouvir o que os demais tem a dizer.
2ª - Fidelidade à Palavra de Deus – “Expôs {...} todas estas palavras que o Senhor lhe havia ordenado” (vs 7).
a) O bom líder cristão não tem tanta preocupação em ser criativo quanto em ser fiel ao que Deus lhe mostrou, ensinou e ordenou. Moisés, não expõe suas idéias e opiniões, mas sim o que Deus requeria dele e dos demais.
Ex: Eugene Peterson
b) O povo de Deus deve ansiar por líderes que lhe exponham a fidedignamente a Palavra de Deus.
3ª - Vida de Contemplação ao Senhor (oração e audição) – “E Moisés relatou ao Senhor {...} Disse o Senhor a Moisés (vs 8 e 9).
a) O líder cristão contempla a face de Deus. Ele fala com o Senhor, por meio da oração, e Deus lhe fala ao coração.
b) O verdadeiro líder tem vida de oração e comunhão com Deus.
4ª - O verdadeiro líder é marcado pela presença de Deus (Unção) – “Disse o Senhor: Eis que virei a ti numa nuvem escura, para que o povo ouça quando eu falar contigo e para que creiam sempre em ti” (vs 9).
a) O povo sabia que Moisés andava com Deus e, por isso, sua mensagem tinha autoridade (Ex 34.29-35).
b) Os ministros de Deus (da palavra, do ensino, do louvor e qualquer outro ministério precisam ter unção de Deus em suas vidas).
Ex: Jonathan Edwards e George Whitefield.
5ª- O Verdadeiro Líder Intercede pelo povo – “Porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao Senhor” (vs 9).
a) Moisés se importava com o povo e investia seu tempo apresentando suas necessidades a Deus.
b) Quanto tempo passamos orando por nossas ovelhas ou nossos alunos da classe da Escola Dominical e os demais que Deus colocou sob nossos cuidados.
6ª - O Bom Líder leva seu povo a encontrar-se com Deus – “E Moisés levou o povo {...} ao encontro com Deus” (vs 17).
a) Missão Maior de um líder cristão!
b) “A função do pastor é manter as pessoas atentas em Deus”.
Conclusão:
Ser chamado para liderar o povo de Deus é privilégio! Aprendamos com Moisés, o maior líder do Antigo Testamento, a como exercer tão sublime vocação a fim de agradarmos Aquele que nos chamou para esta nobre e gloriosa função!
Soli Deo Glória!!!
sexta-feira, 8 de julho de 2011
RESENHA: A Pedagogia de Jesus
Por: Idauro Campos
J.M.Price, A Pedagogia de Jesus (Rio de Janeiro: JUERP, 1980) 162p.
Publicada no Brasil em 1980 pela Junta de Educação Religiosa e Publicações (JUERP) “A Pedagogia de Jesus”, encontra-se atualmente esgotada em português. Foi publicada pela primeira vez em inglês (versão original) em 1954 por J.M. Price. Seu conteúdo é fruto, como o próprio autor afirma no prefácio, das exposições sobre educação religiosa ministradas em seminários, igrejas, congressos, convenções e em cursos intensivos.
O livro é dividido em nove capítulos onde o foco central é a excelência de ministério de ensino de Jesus.
No primeiro capítulo (p.9-25), intitulado de “A idoneidade de Jesus para ensinar”, são apresentados alguns conceitos sobre o ministério pedagógico de Cristo, tais como: a Encarnação da Verdade (9-12); o desejo de servir (12-14); a crença no ensino (14-18); o conhecimento das Escrituras (18-20); a compreensão da natureza humana (21-22) e o domínio da arte de ensinar (22-25).
Na encarnação da verdade o autor destaca que Cristo “foi cem por cento aquilo que ensinou” (p.10), sendo isto um fator fundamental para o seu êxito como mestre. Destarte, o autor desafia que “como mestre humanos podemos demonstrar o delineamento do Cristo que mora em nós (p.12). O autor salienta que Jesus era idôneo para ensinar, porque encarnou a verdade e, assim, como seus seguidores, nós, principalmente os que foram chamados para servir como mestres, devemos encarnar a verdade, ou seja, viver o que ensinamos”.
Outra ênfase que merece destaque neste capítulo é quanto “a compreensão da natureza humana”, pois aqui o autor pontifica que “tal qualificação é muitíssima necessária ao processo...” (p.20), visto que urge conhecer as necessidades mais profundas dos alunos, objetivando ajudá-los. “Estamos ensinando pessoas, e não a Bíblia (p.21)”, reverbera.
No capítulo 2 (p.27-42) a ênfase recai sobre as características dos discípulos. É um capítulo como “Imaturidade”, “Impulsividade”, “Pecado”, “Perplexidade”, “Ignorância”, “Preconceito” e “Instabilidade” foram explorados. Destaco neste trecho do livro as páginas 39-41, onde são argumentados os aspectos da natureza instável dos discípulos.
O autor indica que apesar dos três anos de ensino ministrado por Jesus, tendo Ele se dirigido a milhares de pessoas, apenas 120 seguidores permaneceram fiéis. O autor nos lembra sapientemente, que mesmo “cultos sem vida”, hoje em dia, conseguem reunir mais pessoas. O capítulo pode, portanto, ser um valioso estímulo para os mestres cristãos contemporâneos, pois, haja visto, que se tal realidade configurou o ministério do Mestre dos mestres, quanto mais o nosso. No entanto, o capítulo deixa, lamentavelmente, de registrar a passagem bíblica de Mt 28:16 e Lc. 24:40-41 que poderia servir como base para a argumentação para o tema, pois fica patente a instabilidade crônica dos discípulos que conseguem duvidar mesmo sendo testemunhas oculares da ressurreição.
No capítulo 3 temos o relato da objetividade do ensino de Jesus (45-61). É um capítulo em que Price identifica o alvo que Jesus queria alcançar nos seus discípulos, declarando que “Ele nunca ensinava somente pelo fato de ser chamado a ensinar. Ele sempre tinha um propósito e fins definidos a atingir” (p.45). Assim sendo, Price relaciona a “formação de ideais justos” (p.45-47), a firmar de “convicções fortes” (p.48-50); “a conversão a Deus” (p.50-52); “o relacionamento com os outros” (p.52-54); “a resolução dos problemas da vida” (p.54-56); “a formação de caracteres maduros” (p.56-58) e “a preparação para o serviço cristão” (p.58-60), como as metas de Cristo em seu ensino.
Destaco neste capítulo a abordagem para “a conversão a Deus” como sendo o alvo mais importante que um mestre cristão deve visar. J.M.Price chega a afirmar que “... todas as atividades da vida devem ser dirigidas deste centro” (p.51). Afinal, é de se esperar que um coração convertido a Deus produzirá ações retas que tornará a vida mais justa, igual e benéfica para todos.
No capítulo 4 (63-80) são apresentados os princípios que acompanham o ministério de Jesus. É um capítulo abstrato em que o autor explora alguns episódios da vida do Senhor e dali propõe uma aplicação. Destarte, Price apresenta idéias como: “a capacidade de Jesus olhar para longe” (p.63-65); “em valorizar o contato pessoal” (p.66-69); “em principiar onde estava o aluno” (p.69-71); “em deter-se em assuntos vitais” (p.71-73); “em trabalhar a consciência dos indivíduos” (73-75); “em olhar para o que há de bom no aluno” (75-77) e “assegurar a liberdade de ação” (p.77-79).
O quinto capítulo (81-99) é uma apresentação das fontes (Escrituras Sagradas, o mundo natural e o cotidiano), das formas (afirmativas, expressões incisivas e figuras de linguagem) e os propósitos (iniciar, aclarar e fortalecer), como recursos utilizados por Jesus para transmitir o seu ensino. Neste capítulo, o destaque recai sobre o uso das Escrituras Sagradas como fonte de ensino (p.81-83). Afinal, como Price alega, citando os registros de D.R. Piper, Cristo “... usou livremente as Escrituras do Velho Testamento. D.R. Piper nos conta que Ele fez do Velho Testamento trinta e oito citações diretas, quatro vezes aludiu acontecimentos nele registrados e cinqüenta vezes empregou linguagem paralela a certas palavras do Velho Testamento”. E diz ainda que “... se refiriu a vinte e um dos livros do Velho Testamento” (p.81-82). Assim Price enfatiza o apego pedagógico de Cristo às Escrituras, ressaltando, inclusive, que foi através dela que o Senhor repreende satanás no deserto (p.96), sendo, portanto, uma prova que “nada, na verdade, fortalece mais o nosso ensino do que um apelo “à lei e ao testemunho” (p.96).
No sexto capítulo (p.99-115) há um esboço como sugestão para a organização de uma lição. Fundamentos como: “o começo da lição” (p.99-102); “exemplos como ilustração” (p.102-104); “o desenvolvimento da lição” (p.104-108); e “conclusão” (p.109-113), são obviamente apresentados. Entre os fundamentos há um destaque do autor quanto o início da lição, pois, sendo o ponto de partida, é vital que o aluno tenha a sua atenção conquistada (p.99).
Os capítulos 7 e 8 (p.115-146), J.M. Price expõe os métodos de Jesus para ensinar, ressaltando o uso de objetos (p.115-119), dramatizações (p.120-124); histórias ou parábolas (p.124-129); preleções (p.131-135); perguntas (135-138) e debates (139-144).
No último capítulo (9), Price apresenta objetivamente os resultados alcançados por Jesus em sua docência, tais como: “a valorização e elevação da pessoa humana” (p.147-149); “a transformação de vidas” (p.149-151); o “incentivo para reformas” (p.151-153); “a melhoria das instituições” (p.153-154); “saturação da Literatura” (p.154-156); “a influência nas artes” (p.156-157); “a inspiração da Filantropia” (p.157-159) e a “inspiração para servir” (p. 159-161). Destaco neste derradeiro capítulo, o tópico que abrange a transformação de vida, onde o autor registra a mudança que alguns homens do Novo Testamento e da História da Igreja experimentaram e as contribuições que deram ao mundo.
As críticas mais incisivas vão para a formatação do livro, pois o tamanho da fonte utilizada, especialmente, na contra capa torna a leitura um tanto cansativa. Além disso, a obra merece uma nova edição pelo valor e relevância que seu conteúdo apresenta, sem contar que após esta edição (1980), novos conceitos pedagógicos foram estabelecidos e que torna necessário interagi-los com os conceitos apresentados no livro.
Recomendo a obra como livro texto para os cursos de pedagogia cristã, liderança e bacharel em teologia, visto que estes visam preparar os vocacionados para o serviço do Reino de Deus, no qual, inclui-se, o ensinar pessoas. A obra é útil, necessária e pertinente. Abordando com eficiência os fundamentos de um dos pilares da vida cristã: o ensino.
J.M.Price, A Pedagogia de Jesus (Rio de Janeiro: JUERP, 1980) 162p.
Publicada no Brasil em 1980 pela Junta de Educação Religiosa e Publicações (JUERP) “A Pedagogia de Jesus”, encontra-se atualmente esgotada em português. Foi publicada pela primeira vez em inglês (versão original) em 1954 por J.M. Price. Seu conteúdo é fruto, como o próprio autor afirma no prefácio, das exposições sobre educação religiosa ministradas em seminários, igrejas, congressos, convenções e em cursos intensivos.
O livro é dividido em nove capítulos onde o foco central é a excelência de ministério de ensino de Jesus.
No primeiro capítulo (p.9-25), intitulado de “A idoneidade de Jesus para ensinar”, são apresentados alguns conceitos sobre o ministério pedagógico de Cristo, tais como: a Encarnação da Verdade (9-12); o desejo de servir (12-14); a crença no ensino (14-18); o conhecimento das Escrituras (18-20); a compreensão da natureza humana (21-22) e o domínio da arte de ensinar (22-25).
Na encarnação da verdade o autor destaca que Cristo “foi cem por cento aquilo que ensinou” (p.10), sendo isto um fator fundamental para o seu êxito como mestre. Destarte, o autor desafia que “como mestre humanos podemos demonstrar o delineamento do Cristo que mora em nós (p.12). O autor salienta que Jesus era idôneo para ensinar, porque encarnou a verdade e, assim, como seus seguidores, nós, principalmente os que foram chamados para servir como mestres, devemos encarnar a verdade, ou seja, viver o que ensinamos”.
Outra ênfase que merece destaque neste capítulo é quanto “a compreensão da natureza humana”, pois aqui o autor pontifica que “tal qualificação é muitíssima necessária ao processo...” (p.20), visto que urge conhecer as necessidades mais profundas dos alunos, objetivando ajudá-los. “Estamos ensinando pessoas, e não a Bíblia (p.21)”, reverbera.
No capítulo 2 (p.27-42) a ênfase recai sobre as características dos discípulos. É um capítulo como “Imaturidade”, “Impulsividade”, “Pecado”, “Perplexidade”, “Ignorância”, “Preconceito” e “Instabilidade” foram explorados. Destaco neste trecho do livro as páginas 39-41, onde são argumentados os aspectos da natureza instável dos discípulos.
O autor indica que apesar dos três anos de ensino ministrado por Jesus, tendo Ele se dirigido a milhares de pessoas, apenas 120 seguidores permaneceram fiéis. O autor nos lembra sapientemente, que mesmo “cultos sem vida”, hoje em dia, conseguem reunir mais pessoas. O capítulo pode, portanto, ser um valioso estímulo para os mestres cristãos contemporâneos, pois, haja visto, que se tal realidade configurou o ministério do Mestre dos mestres, quanto mais o nosso. No entanto, o capítulo deixa, lamentavelmente, de registrar a passagem bíblica de Mt 28:16 e Lc. 24:40-41 que poderia servir como base para a argumentação para o tema, pois fica patente a instabilidade crônica dos discípulos que conseguem duvidar mesmo sendo testemunhas oculares da ressurreição.
No capítulo 3 temos o relato da objetividade do ensino de Jesus (45-61). É um capítulo em que Price identifica o alvo que Jesus queria alcançar nos seus discípulos, declarando que “Ele nunca ensinava somente pelo fato de ser chamado a ensinar. Ele sempre tinha um propósito e fins definidos a atingir” (p.45). Assim sendo, Price relaciona a “formação de ideais justos” (p.45-47), a firmar de “convicções fortes” (p.48-50); “a conversão a Deus” (p.50-52); “o relacionamento com os outros” (p.52-54); “a resolução dos problemas da vida” (p.54-56); “a formação de caracteres maduros” (p.56-58) e “a preparação para o serviço cristão” (p.58-60), como as metas de Cristo em seu ensino.
Destaco neste capítulo a abordagem para “a conversão a Deus” como sendo o alvo mais importante que um mestre cristão deve visar. J.M.Price chega a afirmar que “... todas as atividades da vida devem ser dirigidas deste centro” (p.51). Afinal, é de se esperar que um coração convertido a Deus produzirá ações retas que tornará a vida mais justa, igual e benéfica para todos.
No capítulo 4 (63-80) são apresentados os princípios que acompanham o ministério de Jesus. É um capítulo abstrato em que o autor explora alguns episódios da vida do Senhor e dali propõe uma aplicação. Destarte, Price apresenta idéias como: “a capacidade de Jesus olhar para longe” (p.63-65); “em valorizar o contato pessoal” (p.66-69); “em principiar onde estava o aluno” (p.69-71); “em deter-se em assuntos vitais” (p.71-73); “em trabalhar a consciência dos indivíduos” (73-75); “em olhar para o que há de bom no aluno” (75-77) e “assegurar a liberdade de ação” (p.77-79).
O quinto capítulo (81-99) é uma apresentação das fontes (Escrituras Sagradas, o mundo natural e o cotidiano), das formas (afirmativas, expressões incisivas e figuras de linguagem) e os propósitos (iniciar, aclarar e fortalecer), como recursos utilizados por Jesus para transmitir o seu ensino. Neste capítulo, o destaque recai sobre o uso das Escrituras Sagradas como fonte de ensino (p.81-83). Afinal, como Price alega, citando os registros de D.R. Piper, Cristo “... usou livremente as Escrituras do Velho Testamento. D.R. Piper nos conta que Ele fez do Velho Testamento trinta e oito citações diretas, quatro vezes aludiu acontecimentos nele registrados e cinqüenta vezes empregou linguagem paralela a certas palavras do Velho Testamento”. E diz ainda que “... se refiriu a vinte e um dos livros do Velho Testamento” (p.81-82). Assim Price enfatiza o apego pedagógico de Cristo às Escrituras, ressaltando, inclusive, que foi através dela que o Senhor repreende satanás no deserto (p.96), sendo, portanto, uma prova que “nada, na verdade, fortalece mais o nosso ensino do que um apelo “à lei e ao testemunho” (p.96).
No sexto capítulo (p.99-115) há um esboço como sugestão para a organização de uma lição. Fundamentos como: “o começo da lição” (p.99-102); “exemplos como ilustração” (p.102-104); “o desenvolvimento da lição” (p.104-108); e “conclusão” (p.109-113), são obviamente apresentados. Entre os fundamentos há um destaque do autor quanto o início da lição, pois, sendo o ponto de partida, é vital que o aluno tenha a sua atenção conquistada (p.99).
Os capítulos 7 e 8 (p.115-146), J.M. Price expõe os métodos de Jesus para ensinar, ressaltando o uso de objetos (p.115-119), dramatizações (p.120-124); histórias ou parábolas (p.124-129); preleções (p.131-135); perguntas (135-138) e debates (139-144).
No último capítulo (9), Price apresenta objetivamente os resultados alcançados por Jesus em sua docência, tais como: “a valorização e elevação da pessoa humana” (p.147-149); “a transformação de vidas” (p.149-151); o “incentivo para reformas” (p.151-153); “a melhoria das instituições” (p.153-154); “saturação da Literatura” (p.154-156); “a influência nas artes” (p.156-157); “a inspiração da Filantropia” (p.157-159) e a “inspiração para servir” (p. 159-161). Destaco neste derradeiro capítulo, o tópico que abrange a transformação de vida, onde o autor registra a mudança que alguns homens do Novo Testamento e da História da Igreja experimentaram e as contribuições que deram ao mundo.
As críticas mais incisivas vão para a formatação do livro, pois o tamanho da fonte utilizada, especialmente, na contra capa torna a leitura um tanto cansativa. Além disso, a obra merece uma nova edição pelo valor e relevância que seu conteúdo apresenta, sem contar que após esta edição (1980), novos conceitos pedagógicos foram estabelecidos e que torna necessário interagi-los com os conceitos apresentados no livro.
Recomendo a obra como livro texto para os cursos de pedagogia cristã, liderança e bacharel em teologia, visto que estes visam preparar os vocacionados para o serviço do Reino de Deus, no qual, inclui-se, o ensinar pessoas. A obra é útil, necessária e pertinente. Abordando com eficiência os fundamentos de um dos pilares da vida cristã: o ensino.
O Progresso e o Reino de Deus- Uma Avaliação da Teologia da Crise de Emil Brunner
INTRODUÇÃO
Por: Idauro Campos
Neste comentário estaremos analisando de forma sintética a abordagem que o teólogo suíço Emil Brunner faz sobre a tensão que existe entre o sonho de progresso da humanidade e o Reino de Deus. Sua abordagem faz parte da série de palestras que ministrou em 1928 nos Estados Unidos, e que culminou com a publicação do livro “Teologia da Crise.
A tese principal de Brunner no capítulo em questão é mostrar que o tão almejado progresso do homem, em que este vai adquirindo conhecimento com o transcorrer do tempo e, assim tornando-se melhor, não passa de uma ideologia irreal. Para isto Brunner apresenta que a ordem esperada não virá do homem e sim do Deus do Antigo e Novo Testamentos.
O PROGRESSO E O REINO DE DEUS
Emil Brunner, destaca que a evolução tem sido dominante nos Estados Unidos. Uma evolução sob a perspectiva naturalista, representada que está nas teorias da causalidade e da relação natural, e a perspectiva idealista, representada no esquema hegeliano.
Esta idéia de evolução nada mais é que o sonho de progresso do homem. O homem acredita que pode progredir tornando-se cada vez melhor podendo assim viver à altura dos mais nobres ideais.
No entanto, Emil Brunner, salienta que esta expectativa de uma imanência crescente no homem, onde cada vez mais ele toma consciência de si, de seus desafios e potencialidades e propõe uma busca pela concretização da instauração definitiva do bem supremo, não é real, pois não leva em conta a natureza pecaminosa do homem.
Apesar da consciência e da luta pela melhoria da sociedade, o homem é escravo do pecado e qualquer tentativa empírica de promoção das virtudes neste século, não se conseguirá chegar a este lugar sem que o pecado também esteja presente. O pecado acompanha o homem. As ações mais propositivas na restrição do mal estão acompanhadas pela presença marcante do pecado.
Bem, se o pecado é uma má notícia entre nós e todos os esforços em alcançar um bem são inúteis, visto que a mácula do pecado sempre estará presente, o que, então, podemos fazer? Qual seria a expectativa da humanidade? Brunner pontifica que as Escrituras Sagradas tem algo a dizer quanto à ordem no caos que o Senhor pretende estabelecer.
Brunner declara que no Antigo Testamento, por exemplo, Deus se revela e investe no homem à despeito do caráter deste. Não é a melhora do homem que atrai Deus. É o Deus do Antigo Testamento que atrai o homem caótico, confuso e debilitado para Si. O Antigo Testamento apresenta um Deus que entra na história humana e lhe apresenta um rumo, uma direção. A graça de Deus só faz sentido porque é um favor, um bem, uma ação de Deus em direção a homens dignos de repúdio. A graça não é manifestação da imanência e sim da transcendência. Deus eterno, santo, poderoso decide compartilhar sua vida, seus planos, conosco. O Reino de Deus vem, mas não por força ou mérito do homem, mas porque o Rei resolveu abrir as portas de seus palácios para que bêbados e vagabundos entrassem e sentassem à mesa com Ele.
O PROGRESSO E O REINO NO NOVO TESTAMENTO
Diferentemente do que muitos liberais e conservadores, pós-milenistas afirmam, o Novo Testamento não traz nenhuma expectação de uma melhora no homem que venha, por conseguinte, aperfeiçoar o cosmos. “O oposto que é verdadeiro”, diz Brunner, pois, de acordo com a linguagem escatológica empregada no Novo Testamento, “os últimos tempos serão os mais terríveis. Nenhum progresso lento é esperado pelo qual forças do mal serão subjugadas”. Portanto, por mais que haja avanços tecnológicos, melhorias no nível de vida, índices favoráveis de educação e avanços significativos nas questões humanitárias, também é verdade que a “iniquidade tem multiplicado”; o amor esfriado e a apostasia está acontecendo.
Para os escritores do Novo Testamento o Reino de Deus, tão esperado, não virá gradualmente, à medida que o homem avançar, mas através de Jesus Cristo que inaugurou o Reino. Entretanto, este Reino inaugurado só pode ser visto, vivido e celebrado pela fé e não pelos sentidos. Apesar disto os efeitos deste Reino podem ser percebidos na Terra, mas não geograficamente, como uma teocracia temporal. O Reino de Deus, inaugurado por Cristo, coloca a criação em ordem, ainda que não plenamente nesta presente era. A nova vida, pode ser vista naqueles que se apoderaram e que foram apoderados pelo Reino.
Longe, então, do Reino de Deus ser o cumprimento da progressão do homem, é a dinâmica do Espírito que entra neste tempo e espaço e propõe uma nova existência. Esta existência à seu tempo será plenamente revelada, porém no momento pode-se perceber sua presença entre nós. Ou seja, o caos não é para sempre, mas seu fim não depende de nós. É Jesus Cristo quem dá o golpe final e estabelece, através de seu Reino, a nova vida, o novo céu, a nova terra e as pisadas do novo homem.
UM APELO ÉTICO
Emil Brunner não desconsidera o esforço em lutar por uma aplicação ética e social da fé. O cristão, afinal, é um militante do bem e sua consciência deve estar sempre inquieta com a injustiça que impera na sociedade. Portanto, há o lugar da intercessão e da ação pelas causas que contribuam com um mundo melhor. O Sermão do Monte, especialmente na parte que aponta a bem-aventurança dos que tem fome e sede de justiça, vale para esta sociedade aqui e agora. Entretanto, a libertação do mal; a vitória sobre o pecado; a vida em plenitude não se dará através da evolução do processo histórico. As conquistas definitivas do homem só serão possíveis, através da salvação que se encontra na fé no Filho de Deus, Jesus Cristo. Há sim um otimismo em relação ao futuro, mas este otimismo perpassa a obra do Filho de Deus entre nós. Cristo salva, liberta e reorienta a sociedade. A sociedade encontra seu clímax, em termos de vitória sobre os males, somente em Jesus Cristo. A salvação pertence à Ele!
CONCLUSÃO
Nem o fatalismo fundamentalista, ocioso, expectador, inútil e sem projeto dos que apenas dizem que não adianta lutar porque nada vai melhorar mesmo. Mas também NÃO! Ao ufanista, triunfalista, crédulo em demasia no potencial do homem, como se o Reino de Deus fosse algo que dependesse apenas de nossa boa vontade, altruísmo e eficiência. Que venha o Reino de Deus! O Reino que, antes de mudar estruturas, mudará mentes e corações. Na verdade, este Reino já está entre nós. Vejamos e nos alegremos por seu avanço. Destarte,não mais “Bendito o que vem”, mas sim, “Bendito o que veio em nome do Senhor!”
Por: Idauro Campos
Neste comentário estaremos analisando de forma sintética a abordagem que o teólogo suíço Emil Brunner faz sobre a tensão que existe entre o sonho de progresso da humanidade e o Reino de Deus. Sua abordagem faz parte da série de palestras que ministrou em 1928 nos Estados Unidos, e que culminou com a publicação do livro “Teologia da Crise.
A tese principal de Brunner no capítulo em questão é mostrar que o tão almejado progresso do homem, em que este vai adquirindo conhecimento com o transcorrer do tempo e, assim tornando-se melhor, não passa de uma ideologia irreal. Para isto Brunner apresenta que a ordem esperada não virá do homem e sim do Deus do Antigo e Novo Testamentos.
O PROGRESSO E O REINO DE DEUS
Emil Brunner, destaca que a evolução tem sido dominante nos Estados Unidos. Uma evolução sob a perspectiva naturalista, representada que está nas teorias da causalidade e da relação natural, e a perspectiva idealista, representada no esquema hegeliano.
Esta idéia de evolução nada mais é que o sonho de progresso do homem. O homem acredita que pode progredir tornando-se cada vez melhor podendo assim viver à altura dos mais nobres ideais.
No entanto, Emil Brunner, salienta que esta expectativa de uma imanência crescente no homem, onde cada vez mais ele toma consciência de si, de seus desafios e potencialidades e propõe uma busca pela concretização da instauração definitiva do bem supremo, não é real, pois não leva em conta a natureza pecaminosa do homem.
Apesar da consciência e da luta pela melhoria da sociedade, o homem é escravo do pecado e qualquer tentativa empírica de promoção das virtudes neste século, não se conseguirá chegar a este lugar sem que o pecado também esteja presente. O pecado acompanha o homem. As ações mais propositivas na restrição do mal estão acompanhadas pela presença marcante do pecado.
Bem, se o pecado é uma má notícia entre nós e todos os esforços em alcançar um bem são inúteis, visto que a mácula do pecado sempre estará presente, o que, então, podemos fazer? Qual seria a expectativa da humanidade? Brunner pontifica que as Escrituras Sagradas tem algo a dizer quanto à ordem no caos que o Senhor pretende estabelecer.
Brunner declara que no Antigo Testamento, por exemplo, Deus se revela e investe no homem à despeito do caráter deste. Não é a melhora do homem que atrai Deus. É o Deus do Antigo Testamento que atrai o homem caótico, confuso e debilitado para Si. O Antigo Testamento apresenta um Deus que entra na história humana e lhe apresenta um rumo, uma direção. A graça de Deus só faz sentido porque é um favor, um bem, uma ação de Deus em direção a homens dignos de repúdio. A graça não é manifestação da imanência e sim da transcendência. Deus eterno, santo, poderoso decide compartilhar sua vida, seus planos, conosco. O Reino de Deus vem, mas não por força ou mérito do homem, mas porque o Rei resolveu abrir as portas de seus palácios para que bêbados e vagabundos entrassem e sentassem à mesa com Ele.
O PROGRESSO E O REINO NO NOVO TESTAMENTO
Diferentemente do que muitos liberais e conservadores, pós-milenistas afirmam, o Novo Testamento não traz nenhuma expectação de uma melhora no homem que venha, por conseguinte, aperfeiçoar o cosmos. “O oposto que é verdadeiro”, diz Brunner, pois, de acordo com a linguagem escatológica empregada no Novo Testamento, “os últimos tempos serão os mais terríveis. Nenhum progresso lento é esperado pelo qual forças do mal serão subjugadas”. Portanto, por mais que haja avanços tecnológicos, melhorias no nível de vida, índices favoráveis de educação e avanços significativos nas questões humanitárias, também é verdade que a “iniquidade tem multiplicado”; o amor esfriado e a apostasia está acontecendo.
Para os escritores do Novo Testamento o Reino de Deus, tão esperado, não virá gradualmente, à medida que o homem avançar, mas através de Jesus Cristo que inaugurou o Reino. Entretanto, este Reino inaugurado só pode ser visto, vivido e celebrado pela fé e não pelos sentidos. Apesar disto os efeitos deste Reino podem ser percebidos na Terra, mas não geograficamente, como uma teocracia temporal. O Reino de Deus, inaugurado por Cristo, coloca a criação em ordem, ainda que não plenamente nesta presente era. A nova vida, pode ser vista naqueles que se apoderaram e que foram apoderados pelo Reino.
Longe, então, do Reino de Deus ser o cumprimento da progressão do homem, é a dinâmica do Espírito que entra neste tempo e espaço e propõe uma nova existência. Esta existência à seu tempo será plenamente revelada, porém no momento pode-se perceber sua presença entre nós. Ou seja, o caos não é para sempre, mas seu fim não depende de nós. É Jesus Cristo quem dá o golpe final e estabelece, através de seu Reino, a nova vida, o novo céu, a nova terra e as pisadas do novo homem.
UM APELO ÉTICO
Emil Brunner não desconsidera o esforço em lutar por uma aplicação ética e social da fé. O cristão, afinal, é um militante do bem e sua consciência deve estar sempre inquieta com a injustiça que impera na sociedade. Portanto, há o lugar da intercessão e da ação pelas causas que contribuam com um mundo melhor. O Sermão do Monte, especialmente na parte que aponta a bem-aventurança dos que tem fome e sede de justiça, vale para esta sociedade aqui e agora. Entretanto, a libertação do mal; a vitória sobre o pecado; a vida em plenitude não se dará através da evolução do processo histórico. As conquistas definitivas do homem só serão possíveis, através da salvação que se encontra na fé no Filho de Deus, Jesus Cristo. Há sim um otimismo em relação ao futuro, mas este otimismo perpassa a obra do Filho de Deus entre nós. Cristo salva, liberta e reorienta a sociedade. A sociedade encontra seu clímax, em termos de vitória sobre os males, somente em Jesus Cristo. A salvação pertence à Ele!
CONCLUSÃO
Nem o fatalismo fundamentalista, ocioso, expectador, inútil e sem projeto dos que apenas dizem que não adianta lutar porque nada vai melhorar mesmo. Mas também NÃO! Ao ufanista, triunfalista, crédulo em demasia no potencial do homem, como se o Reino de Deus fosse algo que dependesse apenas de nossa boa vontade, altruísmo e eficiência. Que venha o Reino de Deus! O Reino que, antes de mudar estruturas, mudará mentes e corações. Na verdade, este Reino já está entre nós. Vejamos e nos alegremos por seu avanço. Destarte,não mais “Bendito o que vem”, mas sim, “Bendito o que veio em nome do Senhor!”
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