<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326</id><updated>2012-01-27T11:30:39.178-08:00</updated><title type='text'>Teologia Entre Amigos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>102</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-3832975492694265412</id><published>2011-12-10T06:15:00.000-08:00</published><updated>2011-12-10T06:16:21.490-08:00</updated><title type='text'>A História dos Evangélicos</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Robinson Cavalcanti&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra “evangélicos” aparece em três sentidos: no sentido amplo, europeu, é apenas sinônimo de protestante; no sentido amplíssimo, latinoamericano, é sinônimo de todo cristão não-católico romano (o IBGE inclui, até, mórmons e testemunhas de Jeová); outro, restrito, específico, no sentido inglês, representa uma vertente da Igreja com ênfase no relacionamento pessoal com Cristo, em reação a uma religião estatal e sacramentalista. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Embora o termo “evangélico” seja encontrado na Patrística e na Reforma, ele adquire um conceito mais claro e se torna um movimento na Inglaterra, na segunda metade do século XVIII e primeira metade do século XIX, culminando com a organização da primeira Aliança Evangélica em 1847. Resgatando uma herança que vem de Wycliffe, no século XIV, chegando até os Avivamentos, passando pela confessionalidade reformada, o puritanismo e o pietismo, deságua no movimento missionário do século XIX, do qual foi a sua proposta principal. A escatologia do movimento missionário ou era posmilenista ou amilenista, com clara opção por uma participação social e uma influência histórica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;J. I. Packer destaca como marcas do evangelicalismo: &lt;br /&gt;1. A Autoridade das Sagradas Escrituras; &lt;br /&gt;2. A Pecaminosidade da Raça Humana; &lt;br /&gt;3. A Expiação por Cristo na Cruz; &lt;br /&gt;4. A Necessidade de Conversão, ou experiência de Novo Nascimento; &lt;br /&gt;5. O Mandato Missionário Imperativo para todos os Cristãos. No contexto inglês do século XIX, se poderia acrescentar um sexto item: a Responsabilidade Social.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Evangélicos no Brasil&lt;br /&gt;As missões protestantes históricas que se estabeleceram no Brasil entre 1855 e 1901 foram todas marcadas por uma identidade evangélica, o que significava um alto grau de consenso teológico, a despeito de diferenças periféricas, como sentido e forma dos sacramentos/ordenanças ou formas de governo eclesiástico. Esse consenso foi mantido entre as igrejas históricas brasileiras por mais de um século. Ele foi reforçado com a reação do Congresso do Panamá, de 1916, a equivocada decisão do Congresso Ecumênico de Edimburgo, de 1910, de excluir a América Latina do esforço missionário, por se tratar de um “continente cristão”. No Panamá se reafirmou a necessidade de se evangelizar – e em unidade – a América Latina com seu cristianismo nominal e sincrético. Por alguns anos uma entidade produziu um material de Escola Bíblica Dominical para a maioria das denominações, reforçando esse lastro comum, também implementado pela teologia do que se cantava nas igrejas, a partir do primeiro hinário, o “Salmos e Hinos”, compilados pela pioneira congregacional Sarah Kalley.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O principal instrumento de identidade e unidade desse período foi a Confederação Evangélica, que funcionou como importante elemento aglutinador e representativo do protestantismo nacional entre 1934 e 1964.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O dissenso protestante começa com a chegada do pentecostalismo de vertente “branca” (isolacionista, pré-minilenista/pré-tribulacionista) nos anos 1910, já refletindo as controvérsias norte-americanas da época, a partir do fundamentalismo, que começou como um movimento confessional em reação ao Liberalismo, mas, que, posteriormente, degenerou em uma ideologia sectária, anti-intelectual, e, até racista. O fundamentalismo inicial tinha as mesmas ênfases do evangelicalismo inglês dos séculos anteriores, adicionando-se os milagres e a segunda vinda.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A presença do liberalismo no Brasil foi muito periférica, e a do fundamentalismo, posterior e lenta (embora fundamentalismo e evangelicalismo compartilhem de doutrinas básicas comuns). Como a América Latina, a maioria das igrejas brasileiras optou por não se envolver com os três Conselhos Ecumênicos mundiais, mas foram afetadas pelas tensões ideológicas da Guerra Fria, e muito afetadas pelo ciclo de regimes militares no continente.&lt;br /&gt;A Fraternidade Teológica Latino-americana (FTL) surge no início dos anos 1970 como uma escola de pensamento evangélico tomando o continente e seus problemas a sério e em abertura para a contribuição das Ciências Sociais. Nos Estados Unidos, no pós-Segunda Guerra Mundial, surge o movimento neo-evangélico como reação moderada aos exageros do fundamentalismo, editando a revista “Christianity Today” e motivando a realização do Congresso de Evangelismo de Berlim, 1966, gênese do que seria, a partir do evento de 1974, o Movimento de Lausanne, inicialmente não bem recebido no Brasil, por ser considerado avançado demais pelos conservadores e moderado demais pelos avançados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A Confederação Evangélica havia sido fechada durante do regime militar e ficamos muitos anos sem um órgão aglutinador e promotor da unidade. Os congressos brasileiros e nordestino de evangelização irão sinalizar um novo tempo, que se desdobra com a criação da AEvB (Associação Evangélica Brasileira), que marca época, mas sofre uma crise insanável em decorrência da personalização da sua liderança, criando novo vácuo, em uma igreja já marcada por uma amnésia histórica, com a Escola Dominical enfraquecida e a teologia evangélica dos hinários substituída pela vagas odes/mantra a uma divindade monoteísta promotora de bênçãos individuais que marcam o “louvor” atual, em  um declínio do consenso, agravado pela chegada da Teologia da Batalha Espiritual, da Teologia da Prosperidade e pela fragmentação denominacionalista, com a racionalidade institucional cada vez mais substituída pelas lideranças carismáticas caudilhescas e o surgimento de “dinastias eclesiásticas”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É com esse pano de fundo que estamos criando a Aliança Evangélica, que se espera seja uma herdeira atualizada e brasileira da Aliança Inglesa de 1847 e suas marcas confessionais inegociáveis.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O quadro fracionado, confuso e divergente do protestantismo brasileiro não faz prever a criação de uma barca, onde caibam todos os bichos, mas de uma frotilha, onde o nosso barco, de início modesto, pretende estar aberta aos evangélicos, crentes e éticos, comprometidos com a identidade e a unidade sonhada pelo Senhor da Igreja.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;As ações do nosso presente e os planos para o nosso futuro não poderão se dar sem a fidelidade ao legado do passado. Revitalizar o evangelicalismo em unidade, a despeito dos óbices da época (individualismo, subjetivismo, relativismo, hedonismo) é a nossa tarefa, ajudando-nos o Senhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-3832975492694265412?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/3832975492694265412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/12/historia-dos-evangelicos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/3832975492694265412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/3832975492694265412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/12/historia-dos-evangelicos.html' title='A História dos Evangélicos'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-7991144623968181874</id><published>2011-11-09T12:43:00.000-08:00</published><updated>2011-12-10T06:16:50.903-08:00</updated><title type='text'>Os Calvinistas Estão Chegando</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Augustus Nicodemus Lopes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crescimento do interesse pela fé reformada em todo o mundo é um fato que tem sido notado aqui e ali pelos estudiosos de religião. Crescem em toda a parte a publicação de literatura reformada, o ingresso de estudantes em seminários e instituições reformadas, a realização de eventos, o surgimento de novas igrejas e instituições de ensino reformadas e o número de pessoas que se dizem reformadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se trata de um rótulo, é preciso definir “reformado.” Como já temos dito em outros posts neste blog, por “reformado” entendemos aquele que adere a uma das grandes confissões reformadas produzidas logo após a Reforma protestante no século XVI, aos cinco grandes pontos dessa Reforma, que são Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fides, Solus Christus e Soli Deo Gloria e aos chamados Cinco Pontos do Calvinismo, resumidos no acrônimo TULIP (Depravação total, Eleição incondicional, Expiação limitada, Graça irresistível e Perseverança final). Muito embora alguns não gostem do nome, quem adere a tudo isso acima não deixa ser um calvinista.&lt;br /&gt;Como bem me lembrou Mauro Meister quando eu escrevia esse post, existe um grande número de igrejas que são da "tradição reformada" mas que já não crêem de maneira ortodoxa quanto a estas doutrinas. Geralmente essas igrejas não estão experimentando esse crescimento, mas um esvaziamento, como a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos e outras denominações historicamente ligadas à Reforma, mas que já não professam de forma estrita seus postulados.&lt;br /&gt;Da Coréia, China, Indonésia, por exemplo, chegam relatórios do florescimento calvinista. É claro que o calvinismo acaba recebendo diferentes interpretações e expressões em tantas culturas variadas, mas os pontos centrais estão lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não quer dizer que os reformados calvinistas são muito numerosos, comparados com pentecostais e arminianos, por exemplo. O que eu quero dizer é que os relativamente poucos reformados calvinistas têm experimentado um crescimento que já chama a atenção de muitas denominações e tem provocado alertas da parte de seus líderes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam o que está ocorrendo na maior denominação evangélica dos Estados Unidos, os Batistas do Sul. A prestigiosa revista evangélica Christianity Today trouxe um artigo em que documenta a reintrodução do calvinismo através dos seminários nessa denominação. O ressurgimento do calvinismo entre os Batistas do Sul é mais antigo, leia aqui. Considerados de orientação arminiana de longa data (apesar de alguns documentos fundantes serem calvinistas), os Batistas do Sul estão vendo o calvinismo sendo transmitido nos seminários, não tanto por professores, mas pelos próprios alunos. Alarmada, a Convenção Batista de Oklahoma oficialmente rejeitou a teologia reformada e mandou cópia da condenação para a Comissão Executiva da Convenção Batista do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o artigo da Christianity Today, 10% dos pastores da Convenção já se declaram calvinistas e perto de 30% dos concluintes dos seminários fazem a mesma afirmação. A continuar nesse ritmo, em breve teremos um grande reavivamento calvinista no coração da maior denominação arminiana conservadora dos Estados Unidos. Veja aqui a história de como a doutrina da predestinação chegou a dois seminários arminianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ressurgência calvinista nos Estados Unidos não está ocorrendo somente entre os Batistas, mas entre muitas outras denominações. Leia aqui um artigo da Christianity Today sobre o assunto. Um dos motores é o ministério de pastores reformados populares, como John Piper, R. C. Sproul, Mark Driscoll, J. C. Mahaney, Paul Washer e John MacArthur, entre outros. Os eventos promovidos por eles recebem milhares de pastores de todas as denominações e seus livros são traduzidos em dezenas de línguas, inclusive em português. No Brasil temos quase todos os títulos destes autores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em menor escala, estamos assistindo ao mesmo processo em meio aos batistas brasileiros. Cresce o número de batistas interessados na teologia reformada. Recentemente assistimos à formação da Comunhão Batista Reformada, composta de batistas calvinistas que não conseguiam mais espaço em suas convenções para expressarem as suas opiniões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o interesse maior na fé reformada no Brasil parece ser da parte dos pentecostais. Cresce a presença de pastores e líderes pentecostais nos grandes eventos reformados no Brasil. Cresce também o número de pentecostais que estão adquirindo literatura reformada. E cresce o número de igrejas pentecostais independentes que estão nascendo já com uma teologia influenciada pelo calvinismo. Algumas denominações pentecostais também vêm recebendo a influência calvinista a passos largos. Tenho tido o privilégio de pregar e ministrar palestras em eventos de grande proporção organizados por instituições pentecostais interessadas em explorar os grandes temas reformados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ministério de editoras que publicam material reformado, como a Editora Cultura Cristã, a Fiel e a Publicações Evangélicas Selecionadas, por exemplo, tem servido para colocar as obras de reformados brasileiros e internacionais nas mãos dos evangélicos brasileiros ávidos por uma teologia consistente, e cansados dos excessos do neopentecostalismo e da aridez do liberalismo teológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho uma explicação definitiva para esse fenômeno do retorno da TULIP, a não ser a de que a providência divina assim o deseja. No mínimo, é curioso que uma fé tão perseguida e odiada como o calvinismo, de repente, passe a ter tanta aceitação. Não há ninguém na história da Igreja tão mal entendido, distorcido, vilipendiado, odiado e amaldiçoado quanto João Calvino. Chamado de tirano, déspota, incendiário de hereges, frio, duro, determinista, criador do capitalismo selvagem, Calvino tem sofrido mil mortes nas mãos de seus detratores, os quais, na maioria das vezes, nunca leram sequer uma de suas obras, e que formaram sua opinião lendo obras de terceiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente espero que, à medida que o movimento cresça no Brasil, os reformados aprendam a reter o que é essencial e bíblico na Reforma, sem tornar em matéria de fé aquilo que pertenceu a séculos passados em outras culturas, como, infelizmente, já tem acontecido no Brasil com alguns grupos. Que eles lembrem que a fé bíblica, que é a fé da Reforma, também pode se expressar dentro da rica e variada cultura brasileira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-7991144623968181874?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/7991144623968181874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/11/os-calvinistas-estao-chegando.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7991144623968181874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7991144623968181874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/11/os-calvinistas-estao-chegando.html' title='Os Calvinistas Estão Chegando'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-269599511712036917</id><published>2011-10-12T11:41:00.001-07:00</published><updated>2011-10-12T18:47:45.779-07:00</updated><title type='text'>História e Contexto do Novo Testamento</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1- Religiões do Período Imperial Romano. Helmut Koester. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulus. 2005. p. 365-391. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Por: Idauro Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das características mais interessantes da relação do antigo Império Romano com as suas províncias era a sua tolerância com as religiões praticadas em seus contextos. É interessante porquê podíamos esperar uma postura mais arisca do Império para com os povos dominados.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Império Romano possuía sua expressão religiosa própria que posteriormente fora influenciada pelas concepções helênicas1, mas que conseguiu manter sua peculiaridade com sua preocupação com a coletividade, a observância ritualística rigorosa, a prática das orações e a consulta aos augures e aos haruspices. Apesar da construção religiosa própria, o Império Romano era aberto às demais religiões, porquanto entendia que o respeito aos cultos oferecidos pelos seus subjugados atrairiam a simpatia das divindades para com o Império. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tolerância do Império Romano com as religiões estrangeiras somente sofreu abalos e mudanças a partir de 186 a. C. Por ocasião dos escândalos com os bacanais, onde, então, o Senado aumentou suas suspeitas devido aos excessos cometidos nos cerimoniais e até mesmo com a desconfiança de conspiração. Esta foi a origem de uma postura mais moderada que Império adotaria com as religiões estrangeiras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação com o cristianismo foi tornando-se tensa devido ao crescimento do conceito romano de divindade de seu imperador. Embora dentro do Império houvesse quem discutisse quanto à validade do argumento de que o Imperador deveria ser adorado, o fato é que a noção se tornou uma doutrina do Império e este passou a exigir que seus provincianos oferecessem cultos a César, o que seria impossível para o cristianismo fazer, pois como herdeiro do judaísmo, sua teologia era monoteísta, compreendendo que somente Deus é digno de adoração e também porquê fazê-lo seria desonrar a Cristo, a quem acreditavam ser Deus e cuja vinda aguardavam com fiel e vigilante expectativa. Mesmo com o pacifismo dos cristãos e com a boa vontade que demonstravam ter com a ordem pública romana, a relação foi se tornando crítica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do cristianismo, outra religião marcante dentro dos contornos do Império romano, foi o mitraísmo. Cultuado na Índia e difundido na Pérsia, tornou-se a religião de mistério mais praticada no mundo romano, tendo soldados, marinheiros e comerciantes, todos homens, como seus principais adeptos2.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O neopitagorismo também vigorou nos tempos do Império Romano, defendendo o dualismo e a crença na imortalidade da alma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste universo religioso sincrético, também havia espaço para a astrologia e a magia, sua parenta. A primeira estudava os astros, enquanto que a segunda se encarregava de aparelhar os homens com conhecimentos a fim habilitá-los a interagir com as forças da natureza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o gnosticismo também representou uma força religiosa poderosa nos tempos do Império Romano. Seus axiomas declaravam o mundo como uma tragédia que aprisionou homem, a centelha divina, vitimando-o e que para ser salvo deste caos precisa ser liberto por meio de um conhecimento de sua real condição, sua origem e suas possibilidades soteriológicas. Destarte, através deste conhecimento (gnose), seria, por fim, salvo. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;2 – O Desenvolvimento da Religião Grega. Helmut Koester. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulus. 2005. p. 174-201. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A religiosidade helênica é difusa. Esta característica deriva da pluralidade das religiões de mistérios (ritos sagrados) que marcam o período do helenismo no mundo, assim como da crença em diversas divindades. Sem entender as religiões de mistérios é nos impossível compreender o universo religioso helênico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As religiões de mistérios possuíam uma distinção clara com os cultos que eram ministrados na Grécia antiga, pois enquanto estes eram públicos, os mistérios eram secretos e introduziam os iniciados em um grupo especial e limitado e que por vezes não se identificavam com as estruturas organizadas da pólis, como mulheres, escravos e estrangeiros3. Somente os integrantes é que conheciam os ritos e que nunca eram revelados publicamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As religiões de mistérios se tornaram muito conhecidas, tais como a de Asclépio, Deméter, Core, Cabiros, a Grande Deusa da Samotrácia, Andaina, Isis, Osíris, Ápis, Hórus, Anúbis, Set, Sabázio, Men, Mitra, Cibele e etc. Entretanto, nenhum destes se comparou aos ritos praticados em honra a Dioníso, considerado o deus da fertilidade e dos produtos agrícolas. Suas celebrações eram regadas a vinho, sacrifícios de animais e mulheres praticando omofagia. De acordo com as crenças dos iniciados, Dionísio concedia suas bênçãos, especialmente a imortalidade individual, por meio dos mistérios praticados nas celebrações. Esta imortalidade era pilar da crença em Dioníso que de acordo com o mito o próprio a experimentou através da ressurreição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A popularidade do culto a Dioniso cresceu intensamente, muito em decorrência de um curioso e vibrante vigor missionário, além dos apelos revolucionários, porquanto seus adeptos se consideravam um outro povo, o movimento era liderado por mulheres e não se distinguiam as classes sociais. Estes conceitos assustaram as autoridades, a ponto de em Roma, por exemplo, que temia a insurgência de um novo Estado, colocar o culto a Dioníso sob suspeição em 186 a.C, perseguindo e até executando seus praticantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violenta perseguição imposta aos adeptos do culto a Dioniso traria consequências aos cristãos, mais de um século depois, pois, como os mesmos se reuniam secretamente por questões de segurança, o cristianismo terminou sendo interpretado pelos romanos como mais uma expressão de uma religião de mistério que deveria, à semelhança de todas as demais, sofrer desconfianças e restrições legais. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;3. O Judaísmo Pré-rabínico e os diversos messianismos. Marcelo da Silva Carneiro. &lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Judaísmo como seguimento religioso começa após o exílio babilônico, ocorrido no século VI a.C. Foi uma expressão religiosa ética (baseada na Lei), monoteísta e centralizada em seu templo. Aliás, estes, juntos com as sinagogas e a piedade familiar, constituíam nos fundamentos do judaísmo, sendo que os núcleos principais eram o Templo e a Lei. Dentro do movimento religioso existiam grupos que buscavam interpretar a Torah, aplicando-a as suas vidas. As distintas maneiras de viver o judaísmo eram vistas nas posturas e nas concepções teológicas de alguns destes grupos, como os fariseus, os essênios e os saduceus. Todos judeus, com suas raízes dentro da religião oficial, mas que discordavam quanto à forma de se viver a espiritualidade judaica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme supracitado, a Lei era um dos núcleos da religiosidade judaica e, para conhecê-la contavam tanto com sua forma escrita, mas também valorizam a Tradição Oral (Hagadah e Hallakah). A Lei era vista como a vontade de Deus para os homens e o ideal de vida que todos deveriam perseguir. Estudada no Templo e nas sinagogas (que surgem por causa do período em que o povo sofreu o Cativeiro Babilônico), sua importância era não só para as questões devocionais, mas todos aspectos da vida cotidiana, porquanto havia regulamentações acerca da participação em Festas, sobre casamentos, alimentação e etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, outra importante contribuição do judaísmo foi sua relação com o profetismo e o apocalipsismo, pois em virtude dos sofrimentos experimentados em terra estrangeira e das marcas que a experiência deixou, especialmente quanto aos abalos na fé, a profecia ganhou uma nova importância, pois ganhou cores messiânicas (e depois foi canonizada) o que também contribuiu em longo prazo para a construção de toda uma esperança escatológica.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O profetismo judaico no período romano foi tanto oracular como também de ação. O primeiro trazia mensagens de juízo e redenção divinas (João Batista), enquanto que o segundo organizava as massas descontentes com a dominação imperial romana (Teudas e Félix). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; &lt;br /&gt;Conclusão &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O Mundo em que o Novo Testamento é construído é rico, difuso e complexo. As expressões religiosas e culturais da época ajudam a entender as razões pelas quais algumas cartas neotestamentárias foram escritas e o porquê o cristianismo fora perseguido.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao analisar os textos foi-nos possível perceber como o Judaísmo contribui com o cristianismo com seu monoteísmo, sua ética legal, seu conceito de canonicidade e suas expectativas messiânicas e escatológicas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tolerância religiosa romana explica o porquê do silêncio neotestamentário quanto às dificuldades enfrentadas pelos cristãos frente ao Império Romano. Perseguição imperial houve, mas, mais sob Nero4 (também Domiciano). De acordo com a leitura, as restrições ao cristianismo podem em muito ser creditadas às suspeitas imperiais às religiões de mistérios, que o cristianismo, em algum grau, terminou sendo confundido pelas autoridades romanas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O helenismo, muito mais do que o Império Romano, representou a principal ameaça ao cristianismo, especialmente no que diz respeito a prática das religiões de mistério. Com muitos adeptos entre os populares, mas também com alguns elementos das classes mais abastadas, tais ritos se difundiram. O próprio gnosticismo foi, de todas, a maior ameaça ao cristianismo. Conceitos gnósticos, ainda que embrionários, são respondidos em textos joaninos e paulinos, revelando-nos quão grande preocupação os apóstolos tiveram em não deixar que a fé cristã fosse confundida e diluída com qualquer prática oculta ou rito misterioso. Posteriormente, já sem os apóstolos, a igreja, através dos pais apostólicos, precisou mais claramente lidar com tais desafios teológicos. A fé cristã, portanto, se estabeleceu diante de um contexto de tensão. Há quem diga que limar a igreja cristã desta realidade é prestar-lhe o desserviço, pois foi mediante os conflitos que o cristianismo, desde os primórdios, floresceu. A teologia Cristã foi construída tendo como contexto histórico controvérsias, perseguições e desconfianças (judaicas, romanas e helênicas) e, a despeito, se impôs, cresceu e venceu. Destarte, nesta perspectiva, cremos e esperamos, a história se repetirá. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;REFERÊNCIAS &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CARNEIRO, Marcelo da Silva. O Judaísmo Pré-rabínico e os diversos messianismos. Apostila de História e Cultura do Novo Testamento. 2010. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;KOESTER, Helmut. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulus. 2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-269599511712036917?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/269599511712036917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/10/historio-e-contexto-do-novo-testamento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/269599511712036917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/269599511712036917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/10/historio-e-contexto-do-novo-testamento.html' title='História e Contexto do Novo Testamento'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-8360683546123368666</id><published>2011-10-01T22:10:00.000-07:00</published><updated>2011-10-01T22:13:05.152-07:00</updated><title type='text'>A Crise do Cristianismo Pré-Moderno e o Novo Paradigma Teológico: Breve Comentário do Texto de Andrés Torres Queiruga</title><content type='html'>Por: Idauro Campos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o advento do iluminismo e da ênfase na razão e na ciência, veio o conceito de que o homem (operador desta ciência e contemplado com o poder da razão) é autônomo. Esta autonomia se manifesta em diversos campos do saber e de atuação, tais como a física, a economia, a política e moral e etc.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes do iluminismo e, portanto, na era do cristianismo pré-moderno, tais locis de conhecimento eram fortemente refletidos pela perspectiva religiosa. Destarte, as análises dos fenômenos da natureza não tinham suas explicações baseadas nas leis da física, mas sim na atuação de anjos e demônios. Semelhantemente, a má distribuição de renda era fruto da vontade de Deus que dividira o mundo entre pobres e ricos. Também as monarquias eram interpretadas como representações divinas, pois, afinal, o rei era “ordenado por Deus” e a dimensão psicológica humana fora horizontalizada, pois o comportamento humano não podia mais ser resumido a dicotomia das virtudes piedosas x tentação e, sendo assim, a própria moral deixou de ser um absoluto religioso que dita a conduta e passou a ser a performance que cada homem constrói à luz de seus conhecimentos  no contexto cultural em que vive, conhece e interage. Ou seja, o cristianismo, que dominava o discurso sobre o universo, o mundo, o homem e toda a realidade que o envolvia, perdeu o lugar de tutor e com isso a houve a inevitável morte da era pré-moderna. Contudo, a autonomia não é a única explicação para a mudança de era, porquanto outro fator também fora importante. O conceito de um processo histórico-evolutivo tem seu lugar aqui. Ou seja, a compreensão de que a realidade não é estática e nem definitiva, mas em constante processo de desenvolvimento, contribui também para o avanço da pesquisa científica, cada vez mais ávida por saber de onde viemos, quem somos e de que maneira nos transformaremos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta ruptura da maneira como compreendemos a realidade atingiu também a reflexão teológica. Visto que esta também é  uma área do conhecimento humano e como o iluminismo influenciou todos os campos do saber, a teologia não poderia ficar à margem, pois o pensar teológico é fruto de mentes que estão inseridas em determinado contexto da história da humanidade. Assim quais seriam, então, os novos insights da teologia? Quais as contribuições mais importantes de que a modernidade trouxe? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente, como Queiruga aponta em sua obra, o colapso do cristianismo pré-moderno fez ruir o conceito do Deus totalmente transcendente, dando lugar à idéia de transcendência-imanência. Isto é, ao invés de afastado do mundo profano ao qual criou, Deus passou a ser visto como aquele que está entre nós, conosco. Ele não é apenas um ser todo-poderoso e que ocupa um lugar no céu, mas também “anda” entre os homens. Um Deus que seja apenas pura transcendência leva os homens ao lugar dos deísmos (o “puro” e o intervencionista “) e, para Queiruga, ambos estão aquém da verdade. Deus está no mundo, pois a tudo sustenta. E está sempre indo ao encontro do homem, chamando-o para ser colaborador na construção da história. A conseqüência radical disso é de que não precisamos tentar movê-lo com cultos e orações, pois já se pôs ao lado do homem, vindo d’Ele o dínamo da vida. Nele toda existência abarca e está contida. Não há qualquer dimensão da existência que esteja fora d’Ele e por isso não precisa ser lembrado e nem chamado a intervir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do conceito de transcendência-imanência, outro aspecto importante que evidencia a nova compreensão teológica, de acordo com Queiruga, é quanto ao não dualismo e não intervencionismo na criação. Não há mais sagrado e profano na criação, porquanto tudo vem de Deus. Ele é fonte de toda a realidade. Semelhantemente as intervenções perdem espaço, pois Deus anima e responsabiliza o homem para que assuma sua própria história e destino. O homem é um agente livre. Não solitário. Não está sozinho no universo. Deus está próximo, mas o convocando sempre a assumir seu lugar no palco da história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hamartiologia também recebeu aportes da modernidade. O mal é, na verdade, reflexo do homem que não consegue dá mais de si. É sinal de finitude das criaturas. Não tem tanto haver com Adão e o pecado original, mas sim com todos e cada criatura, responsável que são por si.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A soteriologia, principalmente, também sofre uma nova leitura. Cristo reconcilia não na cruz, mas na encarnação os homens com Deus. E esta reconciliação é a culminação do processo salvífico universal conduzido em diversas religiões e acessível a todos os homens, pois Ele está em todo lugar e perto de todos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Deus está  presente no mundo. Se há, de fato, esta transcendência mergulhada na imanência, então, a nova tendência teológica será um movimento que proceda “de baixo”, ou seja, não se faz mais teologia fora desta realidade. Com o fim do dualismo mundo x igreja ou criação x salvação, percebe-se que o mundo é o lugar da teologia, pois é construído nele e para ele, visando levar os homens e aos homens o significado divino da existência. O novo paradigma teológico rejeita a antiga concepção de um Deus intervencionista, distante e separado do mundo e dos homens. Ao mesmo tempo rejeita o otimismo desenfreado do iluminismo, pois este também tende a ser fundamentalista na idéia de que o homem é a medida de todas as coisas. Na verdade, como nos adverte Queiruga com outras palavras, a teologia caminhará no paralelismo Deus/homem. A teologia fará seu movimento nesta perspectiva de correspondência. Na se fará mais uma reflexão teológica desencarnada, isto é, fora do cosmos. A realidade humana será o prisma da compreensão teológica. Deus é amor. Ama os homens e é natural que o lugar onde estes se encontraram seja o ambiente de onde parte toda a teologia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;REFERÊNCIA &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUEIRUGA, Andrés Torres. Fim do Cristianismo Pré-Moderno: Desafios para um novo horizonte. São Paulo: Editora Paulus, 2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-8360683546123368666?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/8360683546123368666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/10/crise-do-cristianismo-pre-moderno-e-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/8360683546123368666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/8360683546123368666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/10/crise-do-cristianismo-pre-moderno-e-o.html' title='A Crise do Cristianismo Pré-Moderno e o Novo Paradigma Teológico: Breve Comentário do Texto de Andrés Torres Queiruga'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-4908904183830776138</id><published>2011-10-01T22:09:00.000-07:00</published><updated>2011-10-01T22:10:12.288-07:00</updated><title type='text'>O que Representa para o homem o nascimento de Jesus?</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Idauro Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. 19 Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. 20 E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; 21 E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. 22 Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz; 23 Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chama-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco” (Mt 1.18-23). &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Introdução &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mateus escreve para Judeus. Seu Evangelho é apresentado numa perspectiva real, isto é, sua ênfase é que Jesus Cristo é o Rei há  muito esperado, e que seu nascimento traz o Reino de Deus a este mundo (4.17; 5.3). Israel na ocasião do nascimento de Cristo estava sob o jugo do Império Romano e não seria improvável que muitos judeus à época discernissem a situação política em que viviam como um castigo de Deus aos pecados cometidos pelo povo no passado. Destarte, o Messias aguardado catalisava a esperança popular de uma libertação política. Muitos aguardavam o Messias como um guerreiro, à semelhança de Josué, despojando os exércitos inimigos, conquistando a soberania nacional, acreditando que a subserviência a Roma fosse o maior problema que a nação enfrentava. Entretanto, Jesus Cristo, não veio somente para os judeus e muito menos para provir uma libertação político-administrativa. Sua obra seria maior! Seu Reino está além de qualquer extensão territorial e governo geopolítico!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destarte, o que representaria, então, o nascimento de Jesus? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1. A Salvação dos Pecados (vs 21):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      “Ele salvará o seu povo dos pecados deles”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior problema da nação israelense não era o jugo político. Seu maior inimigo não era a tirania romana.  De nada adiantaria uma guerra vitoriosa empreendida contra Império Romano, pois a grande necessidade do povo judeu, assim como a de todos os homens, era e é a vitória sobre o pecado. É o pecado que atrai sobre o homem todas as mazelas de sua existência. É o pecado que separa o homem do seu Criador. É o que causa a morte espiritual que todos os homens sem Cristo estão destinados a enfrentar. A Escravidão moral que o ser humano experimenta é a raiz da inveja, das guerras, dos assassinatos, do ódio, das disputas existentes entre os povos. Todas as crises pelas quais as pessoas passam, a despeito das teorias dos analistas e psicólogos, tem como fundamento a natureza corrompida do homem. Este sim é o grande inimigo a ser derrotado. A situação política de Israel era conseqüência do pecado da desobediência que durante séculos o povo praticara. Tudo que experimentamos de negativo em nossa existência tem como sitz in leben (o pano de fundo) a nossa natureza adâmica, escrava do pecado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nascimento de Jesus Cristo representou a vitória sobre o pecado. Era a nossa salvação. O inimigo podia, então, ser derrotado definitivamente. Com o nascimento de Jesus Cristo a vitória sobre o pecado era apenas uma questão de tempo, afinal o anjo declarou: “Ele salvará o seu povo dos pecados deles”. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;span style="font-weight:bold;"&gt; 2. O Cumprimento da Promessa (vs 22):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta”&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nascimento de Jesus Cristo fora anunciado muitas por vários profetas, especialmente Isaias (o evangelista do Antigo Testamento), 700 anos antes, aproximadamente. Deus, então, cumpriu a sua promessa de enviar um menino, cujo governo eterno estaria sobre seus ombros e que seria conhecido como Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz (Is 9.6-7). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus prometeu salvar o seu povo. Ele cumpriu a sua promessa. Finalmente, o Salvador estava entre os homens.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nascimento de Cristo é uma portentosa demonstração de que Deus sempre cumpri o que promete. A Palavra de Deus não falha. Prometeu no Éden um descendente da mulher que derrotasse definitivamente a serpente, instrumento da queda do homem (Gn 3.15). Ele cumpriu! Prometeu a Abraão que nele todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gn 12.3). Ele cumpriu! Prometeu a Moisés que o sangue do Cordeiro Pascoal salvaria o povo do juízo divino (Ex 12.13). Ele cumpriu! Prometeu um futuro glorioso ao seu povo (Is 54.1-17; Jl 2.21-27). Ele, em Cristo, cumpriu e. no tempo cumprirá, quando entrarmos definitivamente na Nova Jerusalém (Ap 21.1-27). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos em tempos onde há uma crise de confiabilidade. Não acreditamos mais uns nos outros. Homens descumprem contratos. Partidos rompem acordos. Casais não cumprem os votos matrimoniais. A palavra firmada e as promessas feitas entre as pessoas nem sempre são cumpridas. Através do nascimento do Senhor, além da maior bênção contida neste evento que é a salvação, temos a demonstração de que nosso Deus é realmente fiel e confiável. Se Ele disse, se cumprirá. Se Ele prometeu, nos dará. É, portanto, digno de toda a confiança. Podemos depositar nossas vidas em suas mãos e crer nas suas palavras, pois cuidará de cumpri-las. Ele não falha! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;3. Um Deus que se importa (Emanuel):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chama-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus conosco” (vs 23). &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Onde está  Deus na hora do sofrimento? Esta é uma pergunta, às vezes honesta, ora irônica  e, em outras ocasiões, tão somente retórica, que muitos se fazem diante da dor e do drama humanos. Onde está Deus? Onde Deus está na hora da fome, no momento do suicídio do desesperado ou do diagnóstico do câncer? Sim. Onde Ele estava no trajeto da bala perdida que tirou a vida da mulher grávida? Onde Ele está na hora do terremoto, do acidente fatal, do assassinato frio e calculado ou no estupro da adolescente? Onde Ele está nos meses de desemprego? Ou nos gritos e gemidos de quem presenciou a Tsunami? Sim. Onde Deus está? João, há 2000 anos, respondeu a pergunta que ecoa nos séculos: Ele está conosco! Ele está entre nós! Ele é Emanuel: O Deus conosco! Sim. João estava certo! O Verbo montou a sua tenda (tabernaculou) entre nós! E por quê? Simples. Ele se importa conosco! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus não  é impassível. Um juiz implacável. Um déspota celestial. Não! Deus ama os homens. Ele se importa conosco. Ele está perto de nós. Não se distancia das suas criaturas, ainda que tropecem e errem frequentemente. Mas, a despeito, as ama profundamente. Ele revela isso ao enviar Jesus Cristo para andar entre os homens. “O verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1.14), é a boa notícia trazida por João.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nascimento de Jesus Cristo representa a companhia permanente de Deus. Não estamos sozinhos neste universo. Não fomos desamparados pelo Criador. Não dependemos do destino ou da sorte para vivermos. O Senhor, o Guia, o Bom Pastor, que conduz suas ovelhas ao aprisco, habita em nosso meio. Que maravilhosa notícia! Ele se identifica conosco. Sentiu sede (João 19.29). Sentiu fome (Mateus 21.19). Chorou (João 11.35). Sentiu dores (Is 53.3). Sabe, portanto, o que é sofrimento e, por isso, não deixa sós (Mt 28.20).  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;CONCLUSÃO &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Deus se importa conosco! A letra da canção que diz: “mas, apesar da glória que tens Tu te importas comigo também...” é uma das mais belas verdades do Evangelho. Jesus Cristo está entre nós. Nunca nos deixará! O Senhor habita no meio do seu povo. Hoje Ele habita por meio do seu Espírito e aguardamos aquele grande dia em que das nuvens Ele virá nos buscar e, então, estaremos fisicamente perto d’Ele para sempre (I Ts 4.17).  Consolai-vos, pois uns aos outros com estas palavras (1Ts 4.18). Amém!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-4908904183830776138?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/4908904183830776138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/10/o-que-representa-para-o-homem-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/4908904183830776138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/4908904183830776138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/10/o-que-representa-para-o-homem-o.html' title='O que Representa para o homem o nascimento de Jesus?'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-5261392388135161649</id><published>2011-10-01T22:08:00.001-07:00</published><updated>2011-10-01T22:08:49.295-07:00</updated><title type='text'>A Alegria de se ter um Salvador.</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Idauro Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10-11). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto registrado no Evangelho de Lucas nos explica a razão pela qual a salvação nos alegra tanto. Vejamos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1 – É uma Dádiva dos Céus: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perceba que no versículo 9 do mesmo capítulo, somos informados que aquele mensageiro, que anuncia o nascimento de Jesus Cristo, era um “anjo do Senhor” que “desceu” (dos céus).  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem não pode salvar a si mesmo. E não pode salvar-se pelo simples fato deste homem encontrar-se morto em delitos e pecados (Ef 2.1). Embora não perceba, o homem é um escravo do pecado. Está sob o domínio do diabo que influencia toda a sua vida (Ef 2.2). Essa escravidão espiritual afeta todas as dimensões da vida humana, sejam elas morais, cognitivas, psicológicas e, principalmente, espirituais. Todas as tentativas do homem em resolver seus dramas existenciais fracassam em decorrência de sua natureza corrompida. O homem é um ser terreno, limitado, finito, mortal e, logo, efêmero. Não pode, portanto, produzir, desenvolver e alcançar a própria libertação espiritual. Daí, então, o fracasso das religiões. Todas, sem exceção, são propostas (algumas bem intencionadas), de construir um projeto de aproximação entre Deus e o homem. Mas, este não pode aproximar-se de Deus. Não conhece o caminho! Há querubins guardando o caminho da árvore da vida (Gn 3.24). Sozinho, o homem, jamais a encontrará! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destarte, a salvação é um presente. É dada. Não pode ser comprada. Conquistada. E é oferecida pelo único que poderia fazê-lo, pois tem o poder para isso: Deus. A Salvação é um presente de Deus. É um presente que Ele tem prazer em nos dar. Se Deus não a nos disponibilizasse, através de Cristo, estaríamos perdidos para sempre. Por isso a Salvação alegra-nos tanto. Estava fora de nosso alcance. Mas, Ele, graciosamente, nos deu.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;2- É Para Todos: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A salvação anunciada pelo anjo não era dirigida apenas aos pastores que se depararam com ele (vs 8), mas para “todo o povo”. Todos deveriam saber do ocorrido extraordinário na Cidade de Davi. Homens, mulheres, crianças, jovens, anciãos, casados, solteiros, viúvas, órfãos, escravos, livres, nativos, estrangeiros, ricos, pobres, excluídos, marginalizados, judeus e gentios, enfim, todos poderiam ser alegrar com o nascimento do Salvador. O acesso a Deus não era exclusividade de uma etnia (como os judeus acreditavam); não era privilégio de gêneros, classe social e ou faixa etária. Não!  Deus, agora, em Cristo, se fazia a conhecer a todo o povo. O acesso estava liberado. Cristo abriu o caminho. Abriu às crianças (Mc 10.4); abriu aos idosos (Lc 2.36-38); abriu às mulheres (Mc 16.9); abriu aos homens (Mt 4.18-19); abriu aos estrangeiros (Mt 15.21-28); abriu aos judeus (Mt 10.6); abriu aos gentios (Mt 8.5-13); abriu aos marginalizados (Mt 4.24); abriu aos ricos (Lc 8.3); abriu aos pobres (Mt 11.5); abriu aos doentes (Mt 11.5); abriu aos publicanos (Lc 5.27,28); abriu para mim; abriu para você; abriu para todo o povo, enfim. Isso é ou não motivo de extrema alegria? Muitos, ao redor do mundo, vivem em sociedades marcadas por profundos contrastes sociais. A desigualdade é um dos grandes males contemporâneos. Nem todos têm as mesmas oportunidades. Mas, quando pensamos na Salvação e na alegria que proporciona podemos entender a letra do salmista quando conclama-nos a Cantar ao Senhor por que Ele vem julgar “o mundo com justiça e os povos com equidade” (Sl 98.9). Não há prediletos entre os homens diante de Deus! Todos pecaram e destituídos estão de sua glória (Rm 3.24). Todos, portanto, precisam d’Ele e podem, em Cristo, encontrá-LO (João 14.9). A salvação é para todos! Que maravilhosa notícia! &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;3- É Para Hoje: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boa notícia da salvação trazida pelo anjo do Senhor ainda possuía uma característica maravilhosa! Não era uma promessa! Não era um prognóstico. Não! Era um fato! O Salvador, enfim, tinha nascido! Ele declarou: “hoje, vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é o Cristo, o Senhor”.  Era uma realidade. Não mais uma esperança. Não mais uma expectativa. Mas, sim, seu cumprimento. A salvação, e a alegria que a mesma trazia, haviam chegado. O Salvador estava entre os homens!  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os governos apresentam suas plataformas de realizações e seus programas de reformas, prometendo às populações melhorias que nunca chegam. Jovens sonham com um mundo melhor, mas que permanece apenas como uma utopia. Filmes e novelas criam a ilusão de que todos terão um final feliz um dia, a despeito da realidade dura da vida. A sociedade sofre da síndrome do Sr. Micawber, personagem do romance de Charles Dickens, intitulado David Copperfield, que era incapaz de pagar suas contas, mas acreditava que algo fantástico e mágico poderia lhe acontecer a qualquer momento.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A salvação que Deus nos oferece não é uma utopia. Não é  um sonho. Não é mais uma promessa. Não está em um futuro distante. É um fato! E é para hoje! É para agora! Afinal, o Salvador nasceu! Esteve e está entre nós! Deus entrou na rotina e agenda da humanidade, se fazendo igual aos homens (Jo 1.14), identificando-se conosco e garantido-nos no tempo presente a sua salvação. Não é por menos que o anjo declarou “hoje:” hoje, vos nasceu o Salvador “. Todos os homens ao redor do mundo, portanto, podem hoje mesmo, agora mesmo, se alegrarem com esta grande e maravilhosa notícia! Aleluia! &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Conlusão:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A salvação é presente de Deus! Está disponível a todos os homens em qualquer lugar do mundo. E hoje mesmo podemos, pela fé em Jesus Cristo, nos apropriarmos dela. Somos ou não somos o povo mais feliz da terra? Soli Deo Gloria!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-5261392388135161649?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/5261392388135161649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/10/alegria-de-se-ter-um-salvador.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/5261392388135161649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/5261392388135161649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/10/alegria-de-se-ter-um-salvador.html' title='A Alegria de se ter um Salvador.'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-6009035201137371116</id><published>2011-10-01T22:04:00.000-07:00</published><updated>2011-10-01T22:07:23.906-07:00</updated><title type='text'>A Mensagem de Renovo Através do Nascimento de Jesus.</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Idauro Campos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Introdução: &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quando estudamos sobre o nascimento de Jesus Cristo ficamos surpreendidos com a quantidade de significados implicados no evento. O nascimento de Cristo é  o mais extraordinário evento histórico que se tem notícia, pois foi a manifestação do milagre da encarnação divina. Deus Filho mesmo sendo espírito (João 4.24), assumiu forma humana, veio ao mundo e andou sobre o mesmo por mais de 30 anos (João 1.14; Lc 3.23). O que poderia ser mais fantástico do que isso? O mundo fora visitado pelo Senhor! Os anjos entenderam o fato espetacular e foram tomados de imensa e comovente alegria (Lc 2.14)! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nascimento de Jesus Cristo é uma portentosa declaração dos céus! Havia uma mensagem de renovação presente no fato. Que renovação era essa? Como podemos entendê-la? &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;1 - A Renovação da Aliança: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o pecado entrou no mundo (Gn 3.1-7), dilacerou o relacionamento do homem com Deus. Havia uma aliança entre Criador e criatura. Deus criou o homem e, conferindo-lhe sua imagem e semelhança, o dotou de capacidades e responsabilidades (Gn 1.26-2.25). Estes são sinais da correspondência (Aliança) entre Deus e o homem. Mas, o pecado praticado por Adão, cabeça e representante de toda a humanidade, maculou o pacto e, como punição, o mesmo foi expulso da presença de Deus (Gn 3.22-24). Todavia, Deus ama o homem! E decide manter sua aliança. Para tanto, a renova, através de Noé, Abraão, Moisés, Davi e, sobre tudo, Jesus Cristo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nascimento de Jesus Cristo, portanto, é uma mensagem maravilhosa de que Deus não desiste de nós. O entristecemos no Éden, nos dias de Noé, nas rebeliões e murmurações no deserto, nas inconstâncias dos tempos dos juízes, nas apostasias do período monárquico, na corrupção pós-exílica, mas, a despeito de nossa obstinação em transgredir a lei de Deus, O Senhor nunca desistiu do homem, pois sabe que o mesmo precisa d’Ele.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Cristo Deus dá sua mais ousada mensagem de amor. Ele renova a sua disposição em chamar novamente o pecador para perto de sua presença. Poderia mantê-lo distante para sempre de sua presença, mas o quer por perto, pois é o alvo eterno de seu amor.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Arca nos dias de Noé (Gn 6.14-7.24), as tábuas da Lei nos tempos de Moisés (Ex 20.1-17), a Reino Davídico (1 Sm 5.1-12), embora eficientes em muitos aspectos como símbolos de uma aliança que pontifica a boa vontade de Deus para com os homens, contudo, não foram suficientes para a plena salvação e restauração do mais amplo relacionamento e entre nós e Deus. Cristo foi, portanto, a oferta mais generosa e contundente de Deus. É a sua poderosa voz nos chamando de volta para perto. Jesus Cristo é a Palavra de Deus aos homens. É a Sua mensagem encarnada! &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;   2. A Renovação dos Homens:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Nascimento de Jesus também é uma mensagem de renovação dos homens. O apóstolo Paulo declara que “se alguém está em Cristo, nova criatura é. As coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5.17). O próprio Paulo é um exemplo disso. Vejamos sua trajetória em Atos 9. No início do capítulo ele é um sanguinário perseguidor da Igreja (vs 1-2), mas, ao se deparar com Jesus Cristo à caminho de Damasco, muda completamente, à ponto de Lucas, o autor do livro de Atos, encerrar o capítulo, apresentando-nos um novo Paulo, isto é, agora um apaixonado pregador do Evangelho de Jesus Cristo (vs. 20,22,28), aleluia! Somente Jesus Cristo muda assim a vida de alguém. O nascimento do Nazareno, então, é uma mensagem de que não precisamos nos contentar com a vida miserável que levamos. Não somos escravos de um destino cármico. Não precisamos continuar presos uma vida de derrotas e caos espirituais. Podemos mudar! Saulo de Tarso mudou! Maria Madalena mudou (Mc 15. 9)! Levi mudou (Lc 5.27-28)! Zaqueu mudou (Lc 19.1-10)! Os homens mudam quando se encontram com Cristo. E mudam para a melhor! Que maravilhosa notícia é essa! &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;3 - A Renovação do Cosmos: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não apenas o gênero humano sofre os efeitos do pecado. Toda a natureza também os suporta. Lemos na Epístola aos Romanos que a “criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (8.22). O alcance do pecado foi cósmico. Toda a terra é maldita por causa do pecado (Gn 3.17-19). Dilúvios, saraivas, fomes, pragas, terremotos, guerras, mortes são expressões da maldição que sobreveio ao cosmos (mundo). O nascimento de Cristo, entretanto, contém uma mensagem de uma nova ordem. Uma nova realidade. Um novo tempo. Um novo Reino. Um novo mundo. Um tempo em que a morte será vencida, o pecado extirpado, um Reino inaugurado com um novo Rei entronizado e um cosmos restaurado. Uma nova era histórica será escrita e conhecida. Paulo fala de uma “convergência” do céu e da terra em Cristo (Ef 1.9), isto é, todas as esferas da criação serão redimidas e trazidas debaixo dos domínios de Cristo. Cristo é o centro de todo o universo (Ef 1.22). Este é o prêmio por sua obediência ao Pai (Fp 2.9; Hb 2.8). O mundo atual está perdido, mas não para sempre! Novos céus e uma nova terra nos aguardam (Ap 21.1-4). Jesus Cristo é o Rei que nasce para inaugurar este Reino (Is 9.6). O Reino Deus que começa a ser construído aqui, no coração dos homens e que progride para sua consumação na história. Um dia, Ele, o Rei, virá nas nuvens para definitivamente estabelecer o seu Reino (Mt 24.29-31, 25.31-34). O nascimento do menino em Belém aponta para estes novos tempos na história do mundo! &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Conclusão: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nascimento de Jesus Cristo é uma mensagem de renovação para toda a criação. Por causa d’Ele todos nós podemos ser pessoas transformadas. Pessoas de bem, do bem e para o bem! Não precisamos continuar a sermos os mesmos. Podemos confiadamente nos achegar diante do Senhor expor toda a nossa vida de fracassos e contradições, na certeza de que Ele nos ouvirá, entrará em nossa vida, mudará nosso destino. Os homens não estão perdidos para sempre. Há vida, solução e saída em Jesus Cristo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soli Deo Glória!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-6009035201137371116?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/6009035201137371116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/10/mensagem-de-renovo-atraves-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/6009035201137371116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/6009035201137371116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/10/mensagem-de-renovo-atraves-do.html' title='A Mensagem de Renovo Através do Nascimento de Jesus.'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-8209138279440889134</id><published>2011-09-24T12:08:00.001-07:00</published><updated>2011-09-26T11:07:50.514-07:00</updated><title type='text'>O ÊXODO – ISRAEL EM CANAÃ – O REINO DE ISRAEL</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O ÊXODO – ISRAEL EM CANAÃ – O REINO DE ISRAEL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por: João Batista T.Costa. &lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       I - O ÊXODO 1.   Israel no Egito                          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Jacó (cujo outro nome era Israel) teve doze filhos, que foram os “filhos de Israel” originais. Mas todos estes progenitores das doze tribos de Israel não morreram em Canaã nem passaram seus últimos anos nessa região, mas no Egito, para onde foram impelidos pela fome. José tornou-se administrador da mais elevada categoria no Egito e também morreu lá (Gn 50.26). As historias de José e seus irmãos estão em harmonia com evidências de outros povos semíticos que viviam no Delta do Nilo, sobretudo entre aproximadamente 2000 e 1500 a.C.&lt;br /&gt;    As circunstâncias desse período concordam melhor que qualquer outro com o estilo de vida e acontecimentos que as narrativas patriarcais descrevem.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Êxodo 1.8 declara que “depois, levantou-se um rei sobre o Egito, que não conhecera a José”, uma das dinastias sucessivas está em mira, provavelmente a décima nona, cujos primeiros faraós construíram as cidades de pitom e ramesses, esta última como residência real na região do Delta, onde os israelitas tinham se estabelecido. Tornou-se conveniente usar os israelitas como trabalhadores escravos. À medida que os anos passavam, a escravidão dos israelitas ficou mais difícil de suportar (Ex 1.14). O exílio egípcio provavelmente durou, ao todo, 430 anos (Ex 12.40,41).                                                                                                                                                                                                                                      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        2.                              A Peregrinação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Até aqui estudamos as peregrinações daqueles que tinham de Deus uma promessa, e aguardavam ansiosamente por ela, tal promessa feita por Deus a Abraão através de Isaque. Agora estudaremos as peregrinações da nação cuja formação é o cumprimento desta promessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Fica difícil fixar com precisão os muitos lugares onde o povo de Israel fizeram suas paradas no deserto. Apesar de todas as investigações feitas para dar o roteiro, não é possível fazê-lo com exatidão; isto se deve em parte ao fato de a Bíblia não ser um tratado histórico e muito menos geográfico. Pelas mudanças ocorridas em uma região cercada de mar, em um período de três mil anos, tornaram difícil localiza-los com exatidão. O palco das maravilhas operadas por Deus através de Moisés foi Zoá, cidade real a leste do braço do Nilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Em êxodo 13.17,18 a bíblia diz: “E aconteceu que, quando Faraó deixou ir o povo, Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus, que estava mais perto; porque Deus disse: Para que, porventura, o povo não se arrependa, vendo a guerra, e tornem ao Egito”.Mas Deus fez rodear o povo pelo caminho do deserto perto do mar Vermelho; e subiram os filhos de Israel da terra do Egito armados“.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O povo podia chegar a terra prometida em poucas semanas, mas por esse caminho encontrariam os filisteus, e Israel não estava organizado para uma guerra. Então Moisés guiou o povo por um longo caminho, levando três meses para chegar ao Sinai. Deus cuida de tudo para proteger o seu povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O caminho normal, era a rota litorânea conhecida por “caminho da terra dos filisteus”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Como os egípcios tinham fortificações ao longo da única fronteira entre o Mediterrâneo e a cabeceira do Golfo de Suez, Israel se viu forçado a desviar para o sul em direção ao mar Vermelho.&lt;br /&gt;          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        A jornada de Israel no deserto pode ser dividida em quatro partes diferentes, que são:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    a)                              – De Ramsés ao Sinai;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    b)                            – Do Sinai a Cades-Barnéia;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    c)                             – De Cades-Barnéia a Cades-Barnéia (andando em circulo);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    d)                            – De Cades-Barnéia a Canaã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         2.1 – De Ramsés ao Sinai &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Gósen: Ponto de partida cidade da região onde o povo judeu se estabeleceu (Ex 12.37);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Sucote: A sudeste de Ramsés. Ali levantaram o primeiro acampamento (Ex 12.37);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Etã: Na entrada do deserto. Lugar onde Deus manifestou a coluna de nuvem e a coluna de fogo (Ex 13.20);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Pi-Hairote: Diante de Baal-Zefom e ao norte do Mar Vermelho. Foi deste lugar que Faraó começou a perseguição ao povo de Israel (Ex 14.2);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Mar Vermelho: Em sua extremidade norte. No extremo norte do então chamado canal de Suez. O fato marcante aqui foi a travessia dos israelitas pelo meio do mar. De acordo com alguns historiadores a distância da travessia teria sido de 1 quilometro, outro fato inesquecível foi a morte dos egípcios no mar após a travessia do povo de Israel (Ex 14.22);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Mara: Entre o deserto de Etã ao norte, e o deserto de Sim ao sul, costeando o litoral ocidental da península do Sinai. O nome Mara quer dizer "amarga". Foi ali que Deus operou o milagre tornando as águas amargas e águas doces pela oração de Moisés (Ex 15.23);&lt;br /&gt;         Elim: Ligeiramente ao sul de Mara. Ali encontram um lindo Oásis, com setenta palmeiras e doze fontes dáguas (Ex 15.27);  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Deserto de Sim: ficava no litoral ocidental da península do Sinai, parte oriental do Golfo de Suez. Israel murmura; e Deus manda o maná e codornizes; a instituição do sábado (Ex 16.1);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Refidim: A noroeste do Monte Sinai. Vários fatos se destacam neste lugar: A rocha foi ferida; os amalequitas destruídos; e Jetro, sogro de Moisés o aconselhou (Ex 17; 18.17-27);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Deserto do Sinai: Finalmente Israel chegou no Monte Sinai. Extremo sul da península que leva o mesmo nome. Provavelmente após três meses de jornada, onde ficou por mais ou menos um ano (Nm 10.11,12). Nesse lugar Deus deu a Israel três presentes: uma aliança renovada, uma lei moral e um sistema de sacrifício. A lei moral foi os dez mandamentos, complementados por outros estatutos e juízos. A nova aliança foi ratificada por sacrifício, quando o povo se comprometeu a guardar a lei. Além disso, Deus deu instruções para a construção do Tabernáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                 Do Sinai a Cades-Barnéia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O Povo ficou acampado no Sinai cerca de doze meses, nesse tempo construíram o Tabernáculo, tempo suficiente também para se adaptar as diversas leis e sacrifícios instituídos por Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Logo em seguida, a marcha começou. O Tabernáculo foi desmontado e os israelitas partiram do Sinai. Finalmente uns sete séculos depois de Deus ter prometido a Abraão que seu povo receberia a terra de Canaã, a promessa parecia prestes a cumprir-se (Nm 10.29). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Sinai: De onde partiram (Nm 10.11,12);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Taberá: A 48 quilometro a nordeste de Sinai. Lugar marcado pela murmuração do povo quando Deus enviou o fogo e os consumiu (Nm 11.3). Começava ali o povo dificultar sua própria chegada a Canaã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Quibrote-Hataavá: Entre Taber e Hazerote. A princípio parece ser o mesmo lugar em que estavam, mas segundo alguns escritores, é um lugar um pouco mais adiante. Deus envia codornizes; morre os cobiçosos e a designação de setenta anciões (Nm 11.34).  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Hazerote: A 64 quilômetros do Sinai. A murmuração de Miriã, ela fica leprosa e é curada (Nm 11.35; 12).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Cades-Barnéia: Ficava no deserto de Parã (Nm 12. 16; 13.26). Foi em Cades que Moisés envia doze espias para Canaã, levando quarenta dias para retornar; como resultado; os espias disseram que realmente a terra fluía leite e mel, mas acrescentaram que seus habitantes eram invencíveis (Nm 13. 27-29,31). Dois dos espias Calebe e Josué rogaram ao povo para que não desacreditassem de Deus. Mas o julgamento de Deus sobre o povo significou que nenhum adulto daquela geração iria entrar na terra prometida, exceto Calebe e Josué. A punição era peregrinar 40 anos no deserto (Nm 14.33,34).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        De acordo com Números 14.32-34 e Deuteronômio 2.14, dois anos já havia  se passado; faltavam ainda 38 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                               De Cades-Barnéia a Cades-Barnéia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Uns 40 anos decorreram entre o êxodo do Egito e a entrada em Canaã, dos quais em sua grande maioria passados no oásis de Cades-Barnéia, no Neguebe. A história da peregrinação é interrompida no final do capítulo 14 e reinicia no capítulo 20 de Números. A partir deste ponto os 38 anos já se passaram, e eles estão agora na última arrancada para a terra prometida. Nesta fase o povo ficou andando em círculo, retornando ao mesmo lugar. Surge, então, a quarta etapa da viagem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                     De Cades-Barnéia a Canaã &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Cades-Barnéia: deste ponto deu-se a partida definitiva para Canaã. Segundo Números 20.1 neste lugar antes da partida; morreu Miriã irmã de Moisés. No verso 7 temos a desobediência de Moisés. Faltava água, e o povo começou a murmurar, então Deus diz para Moisés falar a rocha, mas ele fere com a vara novamente como em Refidim (Ex 17.6, Nm 20.8). Aqui também morre Arão e o próprio Moisés. Todos os três morrendo no mesmo ano (Manual Bíblico de H. H. Halley pág. 138).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Monte Hor: Norte do Golfo de Acaba. Neste monte temos a morte de Arão; ea destruição dos cananeus na região de Arade (Nm 20.22).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Elate: Conhecida como região do Mar Vermelho, no Golfo de Ácaba. Neste lugar ocorreu o episódio das serpentes ardentes (Nm 21.4).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Obote: Ao sul do Mar Morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Outeiros de Abarim: Nas terras de Moabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Ribeiro de Zerede: Rio que deságua no sul do Mar Morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Arnom: Ali Abraão pede passagem ao rei de Seom, mas é negado. Como conseqüência os amorreus são destruídos, quando Israel chega em suas terras (Nm 21.13). Deságua na parte oriental do Mar Morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Planicies de Moabe: Após a vitória sobre os reis de Moabe e Basã, Moisés continuou na sua campanha de guerra em destruir os povos para lhes tomar as terras, chegando até as regiões de Basã (no norte da Palestina além do Jordão). Depois disto retornam para as Campinas de Moabe. É neste retorno que acontece o encontro de Balaque com Balaão, onde vemos suas profecias de bênçãos para o povo de Israel e maldições para Balaque. Aqui também é feita a divisão das terras desta região as tribos de Rúbem, Gade e a meia tribo de Manassés feita ainda por Moisés. Algumas leis são estabelecidas: a cerca da divisão da terra; leis a cerca das heranças etc.; recapitulação das jornadas, as cidades de refúgio, cidades dos levitas, e a morte de Moisés (Nm 21.22-36; Dt 34).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            II. ISRAEL EM CANAÃ 1.  A Travessia do Jordão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        “Esforça-te e tem bom ânimo, porque tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus pais lhes daria” (Js 1.6). Já antes de sua morte, Moisés tinha nomeado Josué para levar o povo a terra prometida. Agora Deus da a ordem a Josué para ele atravessar o Jordão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Josué conduziu o povo pelo rio Jordão, no ponto oposto de Abel-Sitim, e assentou acampamento em Gilgal (Js 4.19). Deste lugar, Josué administrou suas campanhas militares ao sul de Canaã. Diante dos israelitas estava Jericó, antiga cidade murada; sua destruição foi a primeira vitória obtida na terra prometida. Aos poucos os israelitas foram conquistando as terras de Canaã, principalmente nos altiplanos. Porém, não ao todo; os cananeus, com seu armamento superior, sobretudo carros de ferro, continuaram a prevalecer nas regiões das planícies. Assim, quando a terra foi repartida entre as tribos de Israel, restaram algumas cidades a conquistar, tendo os israelitas de conviver lado a lado com os cananeus.    &lt;br /&gt;        A área conquistada por Josué somada aquela que Moisés já tinha conquistado na transjordânia, juntas não representavam mais que uma sexta parte da área prometida por Deus a Abraão, que era desde o Egito até o rio Eufrates (Gn 15.18). Não foram conquistada, a Fenícia, a Filístia, a terra de Amate (Síria) e nem as partes de Edom e Moabe ao sul e leste do Mar Morto.&lt;br /&gt;         2.Divisão das Tribos de Israel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        A Palestina foi repartida de forma desigual entre as tribos de Israel. A parte oriental do Jordão a região da Transjordânia, foi repartida entre as tribos ricas em gado de Rubem, Gade e a meia tribo de Manassés, por meio de um acordo em que se propuseram a ajudar as outras tribos a desapossar os indígenas hostis da região ocidental de Canaã. Este acordo entre eles não foi levado muito a sério, pouca foi a participação das duas e meia tribos nas lutas da nação. Logo após o fim das campanhas na Palestina ocidental, os primeiros a receberem a herança foram as tribos de Judá, Efraim e a meia tribo de Manassés, enquanto as outras restantes levaram tempo a obter suas possessões. Josué enviou três homens de cada tribo fazer um mapeamento do país. Quando voltaram, foi-lhes repartida a terra por sorte, as quais estudaremos agora.    &lt;br /&gt;         2.1 Tribo de Rúbem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        As cidades mais importantes que constavam eram: Aroer, Bezer, Hesbom, Jasa e Dibom.&lt;br /&gt;         2.2 Tribo de Gade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Entre as suas localidades, merecem destaque as cidades: Minite, Jaser, Maanaim, Penuel, Sucote, Ramote, Jabes-gileade, Bete-Nimra.&lt;br /&gt;         2.3 Tribo de Manassés - Oriental&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           Cidades: Quenate, Edrei, Gola, Astarote, Afeque e Salcá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             2.4 Tribos de Manassés - Ocidental&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Cidades: Ofra, Taanaque, Dotã, Ibleã, Dor, Em-dor, Megido Bete-Seã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            2.5 Tribo de Judá &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Judá tinha 115 cidades destas cedeu 18 para Simeão, e outras a Dã e a Benjamim, restaram-lhe: Hebrom, Belém ou Efrata, Carmelo, Técoa, Bete-Semes, Azeca, Quiriate-Jearim, Socó, Queila, Malom, Adulão, Laquis, Debir, Libna, etc.&lt;br /&gt;         2.6 Tribo de Benjamim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Ficou com as seguintes cidades: Jebus, Gilgal, Jericó, Ai, Betel, Ram, Anatote, Gibe, Micmas, Gibeom, e Mispá.&lt;br /&gt;         2.7 Tribo de Simeão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Cidades: Berseba, Ziclague, Sefate ou Hormá, Gerar e Arade.&lt;br /&gt;         2.8 Tribo de Dã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Cidades: Timna, Aijalom, Elteque, Zorá, Ecrom, Lida e Jope.&lt;br /&gt;         2.9 Tribo de Efraim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Cidades: Timnate-Sera, Tirza, Siquém, Bete-Horom e Samaria.&lt;br /&gt;         2.10 Tribo de Issacar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Cidades: Em-Ganim, Suném, Jesreel e Afeque.&lt;br /&gt;         2.11 Tribo de Zebulom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Cidades: Gate-Hefer, Quislote-tabor, Catate, e Naalal.&lt;br /&gt;         2.12 Tribo de Naftali&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Cidades: Quedes, Hamate, Carta, Irom, Em-Hazor, Migdal-El, e Abel-Bete-Maaca.&lt;br /&gt;         2.13 Tribo de Aser&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Cidades: Misal, Acsafe, Cabul e Reobe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        A tribo de José não teve nome nem herança entre seus irmãos ela foi dividida entre seus dois filhos, Efraim e Manassés. Já a tribo de Levi não teve herança, mas teve 48 cidades, perfazendo assim as 12 tribos. Das 48 cidades, 6, seriam cidades de refúgio (Js 21.41).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            As Cidades de Refúgio Cidades  Orientais:  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Ramote   Em Gade;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Bezer      Em Rúbem;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Golã        Em Manassés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Cidades  Ocidentais: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Quedes    Em Naftali;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Siquém    Em Efraim;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Hebrom   Em Judá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            III - O REINO DE ISRAEL   1. O REINO UNIDO &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           Saul – Logo após o final do período dos Juízes, que durou cerca de 325 anos (1375 a 1050 a.C.),   findando assim com Samuel, começa a época dos reis de Israel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Saul foi feito rei pelo profeta Samuel em atenção ao clamor popular por um rei (1 Sm 8.5). Os estados vizinhos eram reinos, e acreditava-se que o fracasso do exército de Israel era devido à falta de liderança e unidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O primeiro rei de Israel começou seu reinado com grande promessa. Saul era rico, alto, bonito, jovem e popular. Ele comandou Israel com êxito contra os amonitas na libertação de Jabes-Gileade, antes mesmo de ser ungido rei em Gilgal. Com a ajuda de seu filho Jõnatas, um grande estrategista de guerra, venceu grandes batalhas principalmente em Micmas. Embora fosse bem-sucedido em suas campanhas militares no sul; que abriria caminho para seu sucessor, Davi, o ciúme mudou a sorte de Saul sendo derrotado e morto, ele e Jõnatas, pelos seus piores inimigos, os Filisteus, em Gilboa (1 Sm 31.1-6 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Davi – Durante a vida de Saul, Davi já fora declarado herdeiro do trono, mas passou os anos finais do reinado de Saul em fuga devido ao ciúme do rei. Davi buscou refúgio em muitos lugares, inclusive entre os filisteus. Ele começou seu reinado em Hebrom, onde sua tribo, Judá, o ungiram rei. Sete anos depois, todas as tribos de Israel foram a Hebrom e o ungiram segunda vez rei sobre todo o Israel (2 Sm 2-5). Aos poucos, Deus ía exaltando Davi, preparando-o para reinar sobre toda nação. “Ia Davi crescendo em poder cada vez mais, porque o Senhor dos exércitos era com ele” (1 Cr 11.9). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Deus não somente deu um rei para Israel como também escolheu uma nova capital, Jerusalém. Jerusalém antes era conhecida como Jebus e pertencia aos jebuseus. Quando Davi a conquistou ele alterou o nome para Jerusalém, que quer dizer: “cidade de paz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        A conquista de Jerusalém efetuada por Davi completou a conquista de Canaã.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Foi com Davi que o reino de Israel foi unificado, ele tomou providências para consolidar o que Saul tinha começado: unir seu povo, debilitar o poder dos filisteus e ampliar as fronteiras do reino conquistando as terras dos amonitas, edomitas moabitas e sírios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O primeiro feito heróico de Davi foi tornar o país um lugar livre de inimigos. Davi estendeu o reino conquistando terras desde Dã até o ribeiro do Egito. Seu império se ampliou ainda mais, alcançando o rio Eufrates, no norte, e o porto de Eziom-Geber, no Golfo de Ácaba, no sul, ao mesmo tempo em que os povos de Edom, Moabe, Amom e Síria tornaram-se estados vassalos, sendo obrigados a pagar tributo (2 sm 8.2-14).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Salomão – Com sua morte, em cerca de 970 a.C., Davi entregou ao filho Salomão um império que cinqüenta anos antes teria sido inimaginável, e cujo tamanho não seria visto sob a regência de nenhum outro rei israelita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Depois de sair vencedor de uma difícil luta de sucessão, Salomão reinou durante uns quarenta anos. Durante seu reinado, o reino de Israel alcançou seu apogeu de magnificência. As forças de Salomão eram a administração, as obras públicas e a diplomacia. Logo que assumiu o trono, ele orou a Deus pedindo sabedoria e Deus lhe concedeu (1 Rs 3.9).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Salomão casou-se com as filhas dos reis vizinhos como meio de selar relações diplomáticas, e entrou em empreendimentos comerciais conjuntos com Hirão, rei de Tiro. Dividiu o reino em 12 distritos administrativos (1 Rs 4.7–19) sob a  administração de 12 oficiais, responsáveis pela provisão da casa real, um cada mês do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Salomão construiu palácios para si e sua rainha em Jerusalém, edifícios para reuniões, para julgamento e com fins militares, e o Grande Templo, feito de pedra, cedro, cipreste e ouro. Sua reputação por esplendor, sabedoria e justiça espalhou-se longe, e sob seu reinado o povo desfrutou paz e prosperidade (1 Rs 4.20,25).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Salomão também criou um monopólio comercial e explorou os recursos naturais do seu império. Ele fortificou as cidades de Hazor, Megido, Gezer, Bete-Horom de baixo, Baalate, e Tamar (1 Rs 6; 7; 9.15-19). Construiu fundição para o ferro e empresas de mineração de cobre, e fez uma base naval em Eziom-Geber. Ergueu um exército efetivo, equivalente a 1.400 carros e 40.000 cavalos de guerra. Fundou a marinha de Israel, cujos navios, mantidos no Golfo de Ácaba, partiam em distantes viagens comerciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Contudo, a extravagância de alguns dos métodos de Salomão e a política de trabalho forçado lançaram as sementes de descontentamento que resultaram no colapso do reino durante o reinado de seu sucessor. Seu filho Roboão.&lt;br /&gt;          2.O REINO DIVIDIDO &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Com a morte de Salomão, em cerca de 930 a.C., seu filho Roboão foi reconhecido rei em Judá, em seu lugar. Mas por causa das medidas repreensivas de seu pai, foi rejeitado pelos anciões das tribos do norte no concilio de Siquém (1 Rs 12). Jeroboão, que estava vivendo no exílio no Egito, fugido de Salomão, foi chamado pelas tribos do norte para liderar sobre eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Elegeram assim Jeroboão filho de Nebate como líder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Assim o reino se dividiu em dois, Israel o reino do norte com Jeroboão seu primeiro rei, com10 tribos tendo inicialmente Siquém como capital depois Samaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Judá, o reino do sul com Roboão seu primeiro rei, com 2 tribos ficando com Jerusalém como capital, divididos aproximadamente ao longo da fronteira entre Efraim e Benjamim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Israel passou por várias mudanças de dinastias e durou só uns 200 anos, até Samaria ser destruída, em 722 a.C. Enquanto Judá resistiu por mais tempo, mantendo a dinastia de Davi ao longo de sua história que chegou até 350 anos, até que Jerusalém também foi destruída em 586 a.C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            GEOGRAFIA DA PALESTINA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             INTRODUÇÃO &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Quando se vê a Terra Santa de cima, os olhos imediatamente deslizam pelo corredor longo e reto do vale do Jordão, percorrendo a direção norte-sul, na extensão total da Palestina, desde o monte Hermom a Arabá. Embora serpenteie de modo extremamente sinuoso ao longo do seu curso mais baixo, o rio Jordão está confinado por paredes laterais muito altas dos vales que formam parte do grande vale do Rife. Esta fissura é parte de uma falha geológica de 6.500 quilômetros que começa na Síria e termina em Moçambique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Há milhões de anos, as placas subterrâneas nas quais os continentes da África e da Ásia descansam, se chocaram, ocasionando o dobramento e fratura da terra. Esta ação formou as características distintivas da Palestina. A pressão entre as duas placas fez com que os sedimentos do subsolo se avolumassem e subissem no oeste, formando as montanhas da Judéia. Na transjordânia, a placa se elevou e formou o planalto oriental superior. Entre eles o sedimento caiu, fazendo com que a superfície do mar Morto ficasse a uns 400 metros abaixo do nível do mar, o lugar mais baixo da Terra. (Pequeno Atlas Bíblico CPAD).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         I - LOCALIZAÇÃO Localizada no continente asiático, a 30o Latitude Norte, e 35o Longitude Leste, banhada pelo Mar Mediterrâneo. A Palestina constitui-se num centro de gravidade para o mundo e as civilizações da antiguidade. Do ponto de vista comercial ficava na rota obrigatória do tráfico entre o Oriente e o Ocidente, bem como entre o Norte e o Sul, do ponto de vista político igualmente passagem inevitável dos exércitos conquistadores das grandes potências ao seu redor, razão pela qual estas se interessavam por sua conquista e fortificação. Daí as devastações sofridas pela Palestina em repetidas vezes durante a sua história. Através dos tempos o termo “Palestina” tem recebido vários nomes como: Terra de Canaã, Terra dos Amorreus, Terra dos Hebreus, Terra dos Israelitas, Terra de Judá, Terra da Promessa, Terra Santa e Palestina.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        1 Limites &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        A Palestina limita-se: ao Norte – com a Síria e Fenícia; ao Leste – com partes da Síria e partes da Arábia; ao Sul – com Arábia; a Oeste – com o mar Mediterrâneo. Naturalmente estes são os limites médios ou prevalecentes da história política da Palestina, havendo épocas em que eles sofriam algumas modificações resultantes das conquistas ou perdas nas lutas com as nações vizinhas.&lt;br /&gt;          II - SUPERFÍCIE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        No decorrer dos tempos a Palestina teve sua superfície consideravelmente variada, ora sendo mais, ora sendo menos extensa. Como nos dias dos reis Davi e Salomão, quando pela conquista anexaram-se vários territórios vizinhos, que aumentou sua extensão, e quando foi invadida pelos reinos ao seu redor, reduzindo seu território. Em termos médios sua superfície é de cerca de 30.000 quilômetros quadrados, sendo o seu comprimento em direção do norte para o sul de aproximadamente 250 quilômetros e largura media de 120 quilômetros. Em comparação com as superfícies dos Estados brasileiros a Palestina era um pouco maior que o Estado de Sergipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        III - TOPOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        De um modo geral os geógrafos modernos costumam dividir a Palestina em quatro secções longitudinais, a saber:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        1 Planice da costa do Mediterrâneo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        2 Região montanhosa central;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        3 Vale do Jordão;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        4 Planalto Oriental, ou zona montanhosa de Galaad, a Transjordania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Para um estudo mais detalhado da topografia da Palestina vamos seguir o esquema a baixo:&lt;br /&gt;        1) Planícies &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (1) Planície do Acre – região do extremo noroeste da costa palestínica, ao sul da Fenícia e que se estende até o monte Carmelo, bordejando a baia do Acre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (2) Planície de Saron – região entre o monte Carmelo e a cidade de Jope, alargando-se na direção das montanhas da região central à medida que avança para o sul. Esta região é particularmente conhecida pelos famosos lírios e outras variedades de flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (3) Planície da Filístia – faixa de terra habitada pelos filisteus, entre Jope e Gaza, no sudeste da Palestina, ou seja, junto da costa sul, com cerca de 75 quilômetros de comprimento por 25 de largura. Grande produtora de cereais e frutas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (4) Planície de Sefelá – com nível ligeiramente mais elevado que a planície da Filístia, ficando entre a planície da Filístia e as montanhas de Judá ao oriente, com várias colinas baixas e muito fértil, principalmente em trigo, uva e oliva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (5) Planície de Jesreel ou Esdralon, também chamada de Armargedon. É uma confluência de três vales, dos quais o central, Jesreel, é o mais importante, a planície que traz este nome é considerada a maior da Palestina e a mais famosa. Situada entre os montes da Galileia e os de Samaria, alargando-se para o noroeste até o monte Carmelo e sul dos montes Libanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        No ângulo suleste da planície fica o local da antiga e importante cidade fortificada de Jesreel, que foi a capital do reino do Norte ao tempo de Acabe e Jezabel. Para leste desta cidade desce o vale de Jesreel até atingir o Jordão na altura de Bete-Seã. De modo que a cidade empresta o seu nome tanto a planície que se estende para o noroeste da mesma, como ao vale que toma a direção leste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Devido a sua posição estratégica, via de comunicação natural entre Damasco e Mediterrâneo, a planície foi palco de inúmeras batalhas desde os dias de Gideão, na época dos Juízes. O rio Quison atravessa a planície longitudinalmente, de leste a oeste, desembocando no Mediterrâneo ao norte do monte Carmelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O nome profético desta planície, Armargedon, (Ap 16.16), que significa “Montanha de Megido” é uma associação de fundo histórico com sangrentas batalhas ocorridas perto da cidade de Megido, ao sul da planície, para caracterizar as futuras dores e os triunfos do povo de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Além destas existem outras planícies menores espalhadas pela Palestina, como a de Jericó, a de Dotam, a de Moabe, a de Genezaré etc &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         IV - VALES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Embora a Palestina tenha muitos vales, vamos focalizar e localizar os principais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (1) Vale do Jordão. Este é o maior vale da Palestina; começa no monte Hermom, no extremo norte, corta o país até o Mar Morto, no extremo sul. Inicialmente é muito estreito, cerca de 100 metros, abrindo para 3 quilômetros logo a baixo do Mar da Galileia, chegando a 15 quilômetros na região de Jericó, tornando a estreitar-se pouco antes do Mar Morto, no seu ponto final. Este vale serve de passagem para o famoso rio Jordão. Este vale é o de maior profundidade de toda a face da terra com 426 metros a baixo do nível do Mar Mediterrâneo, numa distancia de 215 quilômetros em linha reta desde Hermom até o Mar Morto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (2) Vale de Jesreel. Não confundir este vale com a planice do mesmo nome. O vale de Jesreel tem o seu começo nas cabeceiras do ribeiro de Jalud, que serpenteia pelo mesmo, e termina no vale do Jordão na altura de Bete-Seã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (3) Vale de Açor. Fica entre as terras de Judá e Benjamim, ao sul de Jericó, no qual se deu o apedrejamento e queima de Acã e toda a sua família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (4) Vale de Aijalom. A 24 quilômetros a nordeste de Jerusalém, onde se deu a vitoriosa batalha de Josué com os amorreus quando o sol parou sobre Gibeom e a lua sobre o vale de Aijalom. Sua extensão mede-se em 18 quilômetros de comprimento na direção do Mediterrâneo, por 9 de largura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (5) Vale de Escol, a oeste de Hebrom, famoso pela sua fertilidade especialmente a dos vinhedos. Foi deste vale que os espias levaram a Moisés um cacho de uvas tão pesado que foram preciso dois homens para transporta-lo (Nm 13.22-27).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (6) Vale de Hebrom. Este fica a 30 quilômetros a sudeste de Jerusalém, no qual se levanta a célebre cidade de Hebrom, a família de Abraão se fixou por longo tempo em suas cercanias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (7) Vale de Sidim. Este é o provável vale onde hoje é o Mar Morto, precisamente a parte sul, que seria a mesma região de Sodoma e Gomorra segundo Gênesis 14.3-10.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (8) Vale de Siquém. Situado no centro de Canaã, entre os montes Ebal e Gerizim, com 12 quilômetros de comprimento, avançando na direção noroeste da cidade de Siquém, atualmente se chama Nablus. Neste vale está o poço de Jacó, famoso pelo encontro de Jesus com a samaritana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        (9) Vale de Moabe, é o vale mais largo dos três “wadis” que desembocam na planice de Moabe a nordeste do Mar Morto.&lt;br /&gt;          V - MONTES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Para o povo Hebreu os montes estavam sempre associados a vida religiosa e militar, inúmeras foram as experiências nestes sentidos. Parece, para os israelitas, que os montes sempre lhes queriam dizer que o Criador esta a cima de todas as coisas. Não podemos esquecer também que Deus, geralmente falava aos lideres do povo nos montes. Assim falou com Moisés no monte Sinai e Elias no Horebe e tantos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Os montes da Palestina podem ser divididos em dois grupos gerais: os montes palestinicos propriamente ditos, e os montes transjordanicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        1.Montes Palestinicos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        1.1                   Monte Hatim – fazendo parte do pequeno conjunto chamado, Cornos de hatim localiza-se a oeste do Mar da Galiléia. Sua altitude é de 180 metros. Por se tratar de lugar pitoresco, com ampla vista para o Mar da Galileia, julga-se ter sido ali o lugar onde Jesus reuniu os seus discípulos e proferiu o célebre Sermão do Monte, razão pela qual também é conhecido como “Monte das Bem-Aventuranças”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        1.2 Monte Tabor, este também fica na Galiléia, na parte nordeste da planice de Jesreel ou Esdralon. Tem 615 metros de altitude. Na historia do Velho Testamento este monte tem significação importante devido às batalhas ocorridas junto ao mesmo, como sejam: a de Baruque e Débora contra Sisera (Juizes 4) e de Gideão contra os reis midianitas (Juizes 8). No segundo século da nossa era grandes teólogos pensaram que a transfiguração de Jesus se dera ali, chegando a construir em seu topo marcos comemorativos do acontecimento, que mais tarde a mãe de Constantino, Santa Helena, transformou em três templos; um par Jesus, outro para Moisés e outro para Elias. Posteriormente, porém, razões fortes fizeram crer que a transfiguração teria ocorrido em alguma elevação do lado sul do monte Hermom. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    1.3 Monte Gilboa. Este fica a sudeste da planice de Jesreel e tem forma alongada, medindo 13 por 5 a 8 quilômetros e altura de 543 metros. Seus flancos são íngremes e escarpados. Inesquecível pela morte de Saul e seu filho Jõnatas na batalha contra os filisteus.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    1.4 Monte Carmelo. Seu nome significa “campo fértil, jardim”. Na realidade o Carmelo é uma pequena cordilheira com cerca de 30 quilômetros de comprimento por 5 a 13 de largura que pende do Mediterrâneo para sudeste Palestina adentro. Seu ponto mais alto tem 575 metros onde havia um altar antigo, referido em I Reis 18.32, lugar onde Elias desafiou aos profetas de Baal. Ao lado norte do monte corre o rio Quison em cuja margem Elias mandou matar aos profetas de Baal em fuga.Este monte forma uma barreira entre as planices Esdralon ao norte e Sarom ao sul, apresentando em seus flancos inúmeras cavernas que pela sua conformação interna algumas parecem terem sido habitadas. Uma delas é assinalada como “Gruta de Elias”, que hoje é um santuário muçulmano. Esses quatro primeiros montes fazem parte “região montanhosa de Naftali”, da qual estes são os mais importantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    1.5 Monte Ebal, situado ao norte de Nablus, antiga Siquém, tem cerca de 1000 metros de altitude, e é árido e escarpado. Tanto este como o monte Gerizim (que iremos descreve-lo a baixo), são também conhecidos como os montes da Bênção e da Maldição (Dt 11.29; 27.1-13; Js 8.30-34). Os que visitam o vale de Siquém dizem que os dois montes de fato formam uma espécie de anfiteatro em que os efeitos acústicos permitem distinguir num dos montes e no vale a voz de uma pessoa que fala do outro monte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    1.6 Monte Gerizim. Fica ao sul do vale de Siquém, também árido e escarpado, com 940 metros de altitude possue uma historia particular. É  que, depois do cativeiro babilônico dos judeus, os samaritanos, sob o governo de sambalá, construíram um templo rival ao de Jerusalém, constituindo a Manassés sumo-sacerdote do mesmo. Este era genro de Sambalá, o governador, e fora expulso do sacerdócio judaico de Jerusalém por ter esposado uma mulher estrangeira (Ne 13.28). Embora mais tarde, em 129 a.C., o templo fosse destruído por João Hircano, nos dias de Jesus ainda os samaritanos continuavam a celebrar o seu culto no alto do monte Gerizim (Jo 4), como se deduz da conversa de Jesus com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó que ficava a beira da estrada que passava pelo vale de Siquém. Estes dois montes abrangem principalmente a tribo de Efraim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    1.7 Monte Sião. É o monte mais alto dos montes de Jerusalém, com cerca de 800 metros de altitude. Mais tarde, quando Davi levado para Sião a arca, esta monte passou a ser considerado monte sagrado. E quando a arca foi transferida para o templo que Salomão construiu no monte Moriá, “o nome Sião compreendia também o templo”, e daí por diante designava freqüentemente toda a cidade de Jerusalém.   1.8 Monte Moriá. Ao leste de Sião, sua altitude varia de 800 a 900 metros. Segundo Gênesis 22.2, designava uma região. Em geral é aceito que foi neste monte que Abraão levantou um altar e preparou-se para sobre o mesmo sacrificar a Isaque, seu único filho (Gn 22.9,10). Foi neste mesmo lugar que mil anos depois Salomão construiu o templo de Jerusalém.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    1.9 Monte das Oliveiras. Este monte faz parte de uma pequena cordilheira, com cerca de três quilômetros de comprimento, que corre do norte para o sul no lado oriental do vale de Cedrom que o separa do monte Moriá. A cordilheira apresenta quatro elevações distintas, sendo que a mais baixa, a que fica defronte do monte Moriá, tem 820 metros de altitude acima do nível do Mar, 120 metros acima do Cedrom e cerca de 60 metros sobre o platô do Templo no monte Moriá. É este o monte das Oliveiras propriamente dito. Na sua base ocidental fica o jardim de Getsemane e nos seus flancos há abundancia de oliveiras. Jesus se dirigiu muitas vezes para este monte. Foi deste monte que Jesus, olhando para Jerusalém, chorou sobre ela, pronunciando as palavras proféticas referentes a sua destruição (Lc 19.28-44).          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     1.10 Monte da Tentação. Este é o monte que a tradição assinala como local onde Jesus foi tentado logo após seu batismo, a 20 quilômetros a sudeste de Jerusalém, tendo apenas 98 metros de altitude embora tenha 320 metros acima de sua base, pois está situado no vale do Jordão.  &lt;br /&gt;    2                                     Montes Transjordanicos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    2.1Monte de Basã. É o monte que se refere o Salmo 68.15. Nos dias de Abraão esta parte da Transjordania era habitada pelo povo de gigantes chamados Refains. O ultimo rei deste povo foi Ogue Morto pelos israelitas sob o comando de Moisés e cuja cama de ferro media cerca de 4 metros de comprimento por 1,80 de largura (Dt 3.11). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     2.2 Monte de Gileade. É um conjunto montanhoso, ao sul do Yarmuque, indo até a parte norte do mar Morto, dividido ao meio pelo ribeiro de Jaboque. Foi o primeiro território conquistado pelos israelitas e coube a tribo de Gade. Esta foi a terra de Elias, o profeta (1 Rs 17.1). No Novo Testamento esta parte era conhecida como Peréia &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    2.3 Monte Nebo ou Pisga, a cerca de 15 quilômetros ao leste da foz do Jordão e por trás da planice de Moabe, com 800 metros de altitude. Um fato marcante nesse monte foi, Moisés ter contemplado a terra prometida e morrido ali (Dt 34.1-6). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    2.4Monte Peor. Fica próximo do Nebo. Do ponto mais alto deste, Balaão contemplou o acampamento de Israel na planice e o abençoou pela terceira vez.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    VI HIDROGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    1 Maresa) Mar Mediterrâneo. A bíblia também o chama de “O Mar Grande” e “Mar Ocidental”. Este Mar banha toda costa ocidental da Palestina. Por ser de pouca profundidade na costa palestinica, constituía-se numa vasta defesa natural de sua fronteira ocidental. (Mais detalhes em mares do mundo antigo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    b) Mar Morto, também conhecido pelos nomes de “Mar Salgado”, “Mar Oriental”, “Mar do Arabá” etc. Fica na foz do rio Jordão, entre os montes de Judá e os montes de Moabe. Este Mar está na maior depressão geográfica da terra com 400 metros abaixo do Mediterrâneo. Sua forma ovalada mede 76 quilômetros de comprimento por 17 de largura. Suas águas são as mais densas dos mares, com cerca de 25% de salinidade, em razão das enormes jazidas de sal no sul e da excessiva evaporação. O fato bíblico mais importante relacionado com este mar é a destruição de Sodoma e Gomorra, cidades que, parece, tiveram lugar no sul do Mar Morto, hoje coberto por um pantanal betuminoso. O seu nome atual “Mar Morto”  foi lhe dado pelos geógrafos e historiadores antigos do século II da nossa era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    c) Mar de Galiléia. É também conhecido pelos nomes de Mar de Quinerite, Mar de Tiberiades e lago de Genezaré. Este é um lago de águas doces formado pelo rio Jordão, por ter suas dimensões alargadas na região da Galiléia, e temporais violentas que freqüentemente o agitam, as populações adjacentes o tem chamado de Mar. Suas medidas são de aproximadamente 24 quilômetros de comprimento por 14 de largura, com seu nível 225 metros abaixo do Mediterrâneo e sua profundidade media é 50 metros. As cidades e praias das margens da Galiléia foram palco da maior parte do Ministério de Cristo.       &lt;br /&gt;    3                                     Rios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    a)                      Rio Jordão. Seu nome significa “declive” ou “o que desce”. Este é o rio principal da Palestina e corre na direção norte-sul, assim divide o país em duas partes distintas: a Canaã propriamente dita e Transjordania. Tem seu inicio no monte Hermom, (Síria) originado-se da confluência de quatro pequenos rios, 11 quilômetros do lago de Merom. São eles: Bareigthit, Hasbani, Ledan e Banias. Para um estudo mais detalhado costuma-se dividir o curso do Jordão em três trechos: o primeiro trecho é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A região das nascentes, que depois da junção das quatro nascentes atravessa uma planice pantanosa numa extensão de 11 quilômetros e entra no lago de Merom. Neste trecho a sua largura varia muito e a profundidade vai até 4 metros. O segundo trecho é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O Jordão Superior, entre o lago de Merom e o Mar da Galiléia, com extensão de 20 quilômetros. É um trecho quase reto, com um declive de 225 metros, o que torna as suas águas impetuosa e provoca um enorme trabalho de erosão. A largura varia de 8 a 15 metros. O terceiro trecho é&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O Jordão Inferior estende-se do Mar da Galiléia ao Mar Morto numa distancia de 117 quilômetros em linha reta e cerca de 340 quilômetros pelo leito sinuoso do rio, tendo uma largura que varia entre 25 e 35 metros, e 1 a 4 de profundidade. Neste trecho o declive do rio é de 200 metros pelo qual o rio desce precipitadamente, formando numerosos meandros e cascatas alargando o vale até 15 quilômetros, como corre na altura de Jericó.Dos pontos de vista geográfico, histórico, político, econômico e religioso o Jordão é rio mais importante do mundo antigo. Está ligado á Revelação desde os dias de Abraão até os dias de Jesus. Entre muitos acontecimentos de grande relevância que aconteceram neste rio destacam-se: a separação das águas para Israel passar (Js 3. 9-17); a travessia de Elias e Eliseu, em seco (II Rs 2. 6-14); a cura de Naamã (II Rs 5. 1-14); a recuperação de um machado (II Rs 6. 1-7); o ministério de João Batista e o batismo de Jesus (Mc 1.5,9).      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        b) Rio Quison. Este é o maior rio da Bacia do Mediterrâneo e o segundo da Palestina. Nasce das pequenas correntes de Gilboa e Tabor, montes da Galiléia, recolhendo outras águas da planice de Esdraelon, desaguando no Mediterrâneo. Suas águas são impetuosas e perigosas no inverno, e no verão são escassas. Foi neste rio que Baruque derrotou Sisera, sendo os cadáveres de seus soldados arrastados pela corrente do mesmo (Jz 5.21), e Elias matou os profetas de Baal depois do desafio no monte Carmelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Existem outros rios na Palestina, mas são menos importantes do que os dois já mencionados (Jordão e Quison), são os chamados “wadis” ou ribeiros, ou torrente dos meses de chuvas. São rios que só correm águas na época das chuvas (I Rs 17. 1-7). A saber: Belus, Caná, Gaás, Sorec, Besor, Querite onde Elias foi sustentado pelos corvos com pão e água (I Rs 17. 1-7), Cedrom, Iarmuque, jaboque, Arnon etc.&lt;br /&gt;         VII - DESERTOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Biblicamente analisado, os desertos que nos interessam na Palestina são os que se localizam ao norte e oeste do Mar Morto, também conhecidos como&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        “deserto de Judá” (Jz 1.6) ou “deserto da Judéia” (Mt 3.1). Este deserto é um conjunto subdividido nos seguintes desertos menores: Maon, Zife e Em-Gedi, que ficam entre o sul de Hermom e Mar Morto. São particularmente relacionados com Davi durante as suas fugas das perseguições de Saul (I Sm 24-26). &lt;br /&gt;        Mais ao norte destes três estende-se outros dois desertos Tecoa e Jeruel, estes ligados a singular vitória do rei Josafá sobre os Amonitas e Moabitas que tentaram atacar o reino de Judá pelo sul (II Cr 20), a vida e ministério do profeta Amós (Am 1.1), bem como o ministério de João Batista (Lc 1.80). E ainda mais ao norte destes desertos ficavam os de Jericó, Beteavem e Gibeom.&lt;br /&gt;        VIII - ECONOMIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Devido à variedade do clima e do solo a Palestina oferece também abundante variedade de produtos nos três reinos da natureza: vegetal, animal e mineral. É importante saber que por ser Israel um povo teocrático, a produção da terra estava intimamente ligada a religião, ou seja, tanto a abundancia como ma escassez seriam proporcionais ao estado espiritual do povo (Dt 28).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        1. Reino Vegetal. Os produtos mais comuns eram o trigo, a oliva e a uva. Era a base da alimentação dos hebreus e formavam o trinômio tão repetido na Bíblia, “pão, azeite e vinho”. Outras plantas também eram cultivadas, cevada, lentilha, feijão, pepino, cebola, alho, mostarda, figo, melão, tâmara e romã. Das plantas silvestres eram, cedros, pinheiro, faia, carvalho, acácia, palmeira, murta, lírio do campo e rosa de Saron. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        2. Reino Animal. Na ordem dos domésticos que serviam tanto para alimento como para o trabalho e transporte, os animais mais importantes eram: a vaca, a ovelha, a cabra, a mula, o camelo, o jumento o cavalo e o cão. Na ordem dos selvagens dos quais uns poucos poderiam ser consumidos eram: a corça, lebre, chacal, lobo, raposa, leopardo, leão, hiena, víbora, camaleão, perdiz, codorniz, pombo, galinha, avestruz, cegonha, rola, pelicano, corvo e tantas outras aves. Na ordem dos insetos: abelhas e gafanhotos de varias espécies, moscas, mosquitos, formigas, etc. alem de grande variedade de peixes com cerca de 43 espécies. Há de se destacar o gafanhoto que até hoje é consumido como alimento, pela classe pobre, e do qual João Batista se alimentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        3. Reino Mineral. Entre os metais o mais abundante parece ter sido a prata, depois cobre, estanho, chumbo, enxofre, betume (asfalto) e ouro.&lt;br /&gt;        IX - CIDADES &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        1. Jericó. Provavelmente a cidade mais antiga do mundo ou pelo menos de toda Canaã, segundo os historiadores. Os vestígios de vida humana da idade da pedra, encontrados nas camadas mais profunda de suas ruínas dão provas disto. Localizada a 8 quilômetros da parte inferior do Jordão, na direção oeste, a 12 quilômetros ao norte do mar morto e 24 quilômetros de Jerusalém na direção leste; e, ainda a 272 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. Quando foi conquistada pelo povo de Israel, era uma cidade grande e bem fortificada. Mas, foi destruída milagrosamente por Deus sob o comando de Josué (Js 6). Cerca de 500 anos depois, a cidade foi reconstruída, nos dias do rei Acabe (I Rs 16.34). Tanto no tempo do Antigo como no Novo Testamento varias ocorrências estão registradas na Bíblia sobre esta cidade. A cidade moderna está a 1.600 metros a sudeste da anterior.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        2. Hebrom. Está entre as cidades mais antigas do mundo, seu primeiro nome era Kiriath-Arba (Js 1.10). Situada ao sul das montanhas de Judá, a oeste do Mar Morto, a 32 quilômetros ao sul de Jerusalém. Foi morada de Abraão por algum tempo, foi lá que ele comprou o campo de Macpela dos heteus onde sepultou Sara sua mulher, lugar este que se tornou verdadeiro cemitério dos patriarcas. Foi nesta cidade que Davi foi ungido rei e reinou durante 7 anos e 6 meses. Seu nome atual é el-Khalil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        3. Belém. Também é uma das mais antigas cidades da Palestina. Situada a 10 quilômetros ao sul de Jerusalém, na estrada que vai para Hebrom, numa colina de 700 metros de altitude nas montanhas de Judá, numa região sobremodo fértil. Seu nome bíblico é Bethlehem-Efrata (Que significa casa de pão) ou Belém de Judá. Um pouco ao norte desta cidade Raquel, a amada de Jacó, morreu por ocasião do nascimento de Benjamim. Foi ali que se realizou o casamento de Boaz e Rute a moabita, uma estrangeira que se tornou a bisavó do rei Davi e, portanto, ascendente de Jesus. Também ali nasceu Davi, o notável rei de Israel, e Jesus o filho de Deus e Salvador do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        4.Jope (Jafa ou Yafa). É outra cidade das mais antigas da Palestina e, segundo alguns historiadores romanos, é até antediluviana. Situada a cerca de 60 quilômetros a noroeste de Jerusalém, na costa do Mediterrâneo, era o porto da capital israelita. De acordo com II Crônicas 2.16 e Esdras 3.7 os cedros do Líbano, utilizados na construção do primeiro e segundo templo em Jerusalém, eram levados pelo mar até Jope, ali desembarcados, e depois conduzidos a Cidade Santa. Foi neste porto que Jonas embarcou para Tarsis tentando fugir da vontade de Deus. Apesar de ter sofrido muitos ataques e arrasamentos dos exércitos inimigos, Jope sempre voltou a prosperar, hoje junto a velha Jope, do lado norte, ergue-se a moderna Tel-aviv, o grande centro dos sionistas judeus.                                               &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        5. Siquém. Esta é outra das cidades mais antigas da Palestina, pois sua historia remonta a mais de 2000 a.C., quando das peregrinações de Abraão. Fica entre os montes Ebal e Gerizim, na Samaria, bem no centro geográfico da Palestina, no fértil vale de Siquém. Foi nesta cidade que Abraão erigiu seu primeiro altar quando entrou em Canaã. Foi ali também que o Senhor lhe declarou: “a tua semente darei esta terra” (Gn 12.6,7). Mais tarde Jacó, ao voltar da Mesopotâmia, fixou residência ali e levantou um altar ao Senhor. Perto de Siquém Jacó cavou um poço que se tornou celebre pelo encontro de Jesus com a mulher samaritana. Depois da queda do reino do norte os colonos assírios estabeleceram-se nas cidades de Samaria mesclando assim com os judeus remanescentes resultando na raça samaritana. A cidade foi destruída e reconstruída varias vezes. Hoje é chamada Nablus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        6. Samaria. Uma das cidades mais importantes e influentes na vida de Israel. Fundada em 921 a.C. por Onri rei de Israel e pai de Acabe. Ficava situada 8 quilômetros a noroeste de Siquém, num monte de muralhas quase inexpugnáveis, foi capital do reino do norte durante 200 anos. Caiu sob o poder da assíria em 722 a.C.depois de um prolongado cerco que começou no tempo de Salmanasar V e terminou no de Sargão II. Em Samaria havia um templo a Baal que rivalizava com o templo de Jerusalém em riqueza e esplendor. Já no Novo Testamento, Filipe pregou o Evangelho nesta cidade com grande aceitação (At 8.1-25).&lt;br /&gt;         7. Nazaré. Sempre lembrada por ter sido nela que Jesus passou sua infância e juventude, razão pela qual foi conhecido como Jesus de Nazaré. A 22 quilômetros do extremo sul do mar da Galiléia, na direção oeste. A cidade não é mencionada no Antigo Testamento. Já o Novo Testamento registra a sua incredulidade. Não tinha boa reputação entre os judeus (Jo 1.46). No entanto, para os cristãos, depois de Jerusalém e Belém, ela é a cidade mais célebre da Palestina.              &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        8. Cesaréia. Fica a 75 quilômetros a noroeste de Jerusalém, entre Jope e monte Carmelo, no litoral do Mediterrâneo. Foi construída por Herodes, o Grande, no local da antiga cidade dos filisteus chamada Torre de Strato, e cognominada Cesaréia em homenagem a César Augusto, imperador romano. Nos tempos do Novo Testamento foi a cidade mais célebre da Palestina por tratar-se de sua capital política. Lá estava a sede da administração civil e militar da província romana. Os grandes edifícios, o templo, o anfiteatro, o hipódromo, os teatros, ruas pavimentadas, instalação de água e esgoto, etc., fizeram a gloria da cidade, embora por pouco tempo. É certamente a cidade do evangelista Filipe e de Cornélio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        9. Cesaréia de Filipo. Uma antiga vila fenícia de Baal-Gade, este nome foi uma homenagem do tetrarca Filipe a Tibério César, e para distingui-la da Cesaréia do Mediterrâneo acrecentou-lhe o seu próprio nome. Ampliando e embelezando a cidade que se encontrava ao sopé do monte Hermom, Filipe fê-la uma espécie de estância de veraneio para a aristocracia da época. Foi nesta cidade que Pedro fez sua maior confissão: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, foi também nesta ocasião e lugar que Jesus pronunciou a profecia a respeito da edificação da sua igreja. (Mt 16.13,16, 18,24).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        10. Tiberíades.  Fica na margem ocidental do Mar da Galiléia (ou lago de Tiberiades a 8 quilômetros da extremidade sul do referido mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        11. Capernaunm (ou Cafarnaum). Era cidade da costa noroeste do Mar da Galileia, a principal entre outras tantas da região, posto militar romano e centro de recolhimento de impostos do império. Pelos vestígios das antigas estradas há indícios de que Capernaum era um centro comercial movimentado, pois ficava na margem da rota entre Damasco, na Síria, e Ptolemaida, no Mediterrâneo. Mas o fato mais importante para os estudiosos da Bíblia é que Capernaum era a cidade residencial de Jesus, bem como do seu discípulo Pedro (Mt 8.14-17; 9.1). Também foi ali que o Salvador realizou o maior numero de milagres e pronunciou os mais profundos ensinamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        12. Jerusalém. Cujo significado é (“lugar de paz” ou “habitação segura”). Está entre as cidades mais célebre do mundo. E no que diz respeito a historia bíblica ela ocupa o primeiro lugar. Esta posição privilegiada de Jerusalém não está em sua extensão, nem em sua riqueza ou expressão cultural e artística, e sim em sua profunda e ampla relação com a revelação, ou seja, no seu sentido religioso. Ela foi de um modo especial, o cenário das manifestações patentes e evidentes do poder, da justiça, da sabedoria, da bondade, da misericórdia, enfim. Da Grandeza de Deus. Por isto as alusões proféticas e apostólicas a apresentam como o próprio símbolo do céu (Is 52.1-4; Ap 21).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        A historia desta cidade já chega a 4000 anos e já foi conhecida por vários nomes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Salém. Nome mais antigo (Gn 14.18). Provavelmente uma abreviação da palavra Jerusalém, cidade devotada a Shalem, antiga divindade semita da paz e prosperidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Jebus. Porque era cidade dos jebuseus na época dos Juizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Sião. Nome de um dos montes da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Cidade de Davi. Uma referencia a conquista da cidade por Davi e feita capital do reino de Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Cidade de Deus ou Cidade Santa. Por estar ali o templo nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Cidade de Judá. Ou seja, a capital do reino de Judá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Jerusalém. É o nome mais comum e que permanece até o presente.&lt;br /&gt;        Fica situada na parte sul da cordilheira central da Palestina, ou seja, nas montanhas de Judá, na mesma latitude do extremo norte do Mar Morto, a 21 quilômetros a oeste do Mediterrâneo. Está edificada sobre um promontório a 800 metros de altitude. Ao leste do promontório fica o vale de Josafá ou cedrom que separa a cidade do monte das oliveiras. A oeste e ao sul fica o vale de Hinon que em certa época da historia foi o “vale da matança”, assim chamado por causa dos sacrifícios das crianças em holocausto ao ídolo Moloque (II Rs 23.10) e dos fogos que ardiam constantemente, consumindo o lixo da cidade, os detritos dos holocaustos pagãos, etc. Daí por analogia a palavra grega Gehena que significa “vale de Hinon” que veio a designar o lugar de castigo eterno dos condenados, o inferno. &lt;br /&gt;        X- POVOS HABITANTES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Bem no inicio da historia étnica da Palestina, antes da chegada de Abraão a terra era chamada Canaã, a região era ocupada por diversas tribos conhecidas sob o nome geral de cananeus (Gn 12.6; 24.3,37). A informação que temos de Moises em Gênesis 10.15-20, quase todos os povos da região da Terra da Promessa primitivamente eram camita, pois eram descendentes do filho mais moço de Cão, chamado Canaã. Porém, não se pode descrever com certeza os limites das primitivas tribos de Canaã, por falta de dados sobre sua origem idioma e costumes. Se as Escrituras não as houvessem mencionado, teriam desaparecido da historia sem deixar vestígios ou sinal algum. Até onde sabemos, as cidades desses povos eram muradas e fortificadas, cada uma tendo o seu próprio rei, exceto umas poucas que eram de natureza mais nômade. Esses reinos eram, geralmente, independentes e bastante belicosos para alcançar a supremacia. Alguns desses reinos, e em certas épocas quase todos eles, eram subordinados ao Egito. Os mais importantes deles são os seguintes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        1) Cananeus. Mesmo que esta designação seja, aplicada, na linguagem bíblica, a todos os povos da Palestina primitiva, no sentido mais restrito se limitava aos descendentes de Canaã que habitavam a costa do Mediterrâneo. Numa estreita faixa de terra que vai desde a baia do acre até o Jordão, e ao longo do mesmo rio até ao sul do Mar Morto. Suas cidades mais importantes eram Jope, Sodoma e Gomorra, Admá e Zeboim no vale do Jordão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        2) Amorreus. É outro povo descendente de Canaã; eram umas das mais poderosas tribos. Foi o povo que ofereceu a mais forte oposição ao avanço da conquista dos israelitas, haja vista a batalha difícil em Gibeom, quando Josué pediu a Deus que o sol e a lua se detivessem. Ocupavam o deserto a oeste do Mar Morto e as regiões montanhosas adjacentes a este.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        3) Heteus. São os descendentes de hete, filho de Canaã e neto de cão, portanto, camitas também. Hoje são conhecidos como hiteus e hititas. Pelo que já se conhece deste povo, as áreas por eles ocupadas, em diversas épocas de sua historia, estende-se desde a Ásia Menor, norte da Palestina, Síria, indo até o rio Eufrates. Abraão os encontrou também em Hebrom (Gn 23). Quando Moises enviou os doze espias para o reconhecimento da terra que haviam de ocupar, os heteus são citados entre outros povos presentes nas montanhas do sul da Palestina (Nm 13.29).      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        4) Heveus. Estes também eram camitas. Pouco se sabe de sua historia. Parece que não eram muito numerosos. Encontramos suas principais colônias em Siquém, (onde um heveu ultrajou a Diná, filha de Jacó); norte de Canaã; sul de Canaã – na vizinhança de Jerusalém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        5) Jebuseus. Jebus ou Jerusalém era o único lugar onde habitava esse povo, pois não é mencionada outra qualquer área ocupada por eles. Porém, ainda que pequeno, era um povo valente. Encastelado na sua cidade de Ofel, (Sião), resistiu aos ataques de Josué e seus exércitos. Só muito mais tarde, nos dias do rei Davi, é que foram expulsos de sua fortificação. Foi quando Jerusalém foi proclamada capital do reino de Israel. Porém, os jebuseus não foram completamente exterminados e continuaram a habitar entre os hebreus. A área em que Salomão mais tarde edificou o famoso templo foi comprada por Davi de um jebuseu de nome Araúna (II Sm 24.18-25).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        6) Perizeus. Este parece ser um dos povos que habitavam a terra de Canaã, e não ter origem camita, primeiramente, por não constar o seu nome na lista dos filhos de Cão em Gênesis 10.15-20, e também por não ter o costume de murar as sua cidades, uma vez que a sua ocupação era a agricultura. Ao tempo de Abraão estavam eles entre os cananeus na região de Betel; nos dias de Jacó havia um grupo ou colônia deste povo nas proximidades de Siquém (Gn 34.30).&lt;br /&gt;         7) Girgazeus. Eram também camitas. Por varias vezes mencionados na Bíblia, mas não se sabe em que partes da Palestina habitavam. Alguns admitem que tenham ocupado alguma área na margem ocidental do Jordão, ou a oeste de Jericó. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Além destes povos que habitavam em Canaã ou Palestina, existiam outros povos vizinhos da Palestina no tempo da conquista pelos hebreus. São eles:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Os Amalequitas, de origem incerta, freqüentemente citados na Bíblia; sempre hostis ao povo de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Os Edomitas, povo semita descendente de Esaú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Os Moabitas e Amonitas, descendentes de Moabe e Amom netos de Ló.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Os Midianitas, povo semita descendente de Mídiã, filho de Abraão com Quetura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Sírios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Fenícios, um grande povo que habitava ao norte da Palestina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Filisteus, de origem desconhecida, inimigos ferrenhos de Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Escrito por Ev. João Batista T Costa- Sombrio - SC.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-8209138279440889134?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/8209138279440889134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/09/o-exodo-israel-em-canaa-o-reino-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/8209138279440889134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/8209138279440889134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/09/o-exodo-israel-em-canaa-o-reino-de.html' title='O ÊXODO – ISRAEL EM CANAÃ – O REINO DE ISRAEL'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-3275251888221694269</id><published>2011-09-23T08:06:00.000-07:00</published><updated>2011-09-23T08:07:54.303-07:00</updated><title type='text'>Meu filho, você  não merece nada</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Meu filho, você  não merece nada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por: ELIANE BRUM &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).  &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-3275251888221694269?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/3275251888221694269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/09/meu-filho-voce-nao-merece-nada.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/3275251888221694269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/3275251888221694269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/09/meu-filho-voce-nao-merece-nada.html' title='Meu filho, você  não merece nada'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-4803019049583732054</id><published>2011-09-05T14:24:00.000-07:00</published><updated>2011-09-06T18:57:02.035-07:00</updated><title type='text'>Ué... E  Igreja Tradicional Cresce no Brasil</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;POR: Augustus Nicodemus Lopes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Comentado por: Idauro Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumpriu-se, então, a "profecia" de Darcy Dusilek.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo de meu comentário segue o texto escrito pelo Dr. Augustus Nicodemus Lopes, sobre o fenômeno da volta do Crescimento das igrejas históricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 15 anos, o saudoso pastor batista Darcy Dusilek, à época presidente da Convenção Batista Brasileira, disse que as Igrejas históricas deveriam se preparar para receberem em suas membresias os crentes que viriam do movimento neopentecostal profundamente decepcionados e desejosos por igrejas mais saudáveis e equilibradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, Paul Freston, Historiador e Antropólogo Social e professor da Universidade de São Carlos (SP) em seu artigo, publicado em ULTIMATO, comentou acerca do não cumprimento de alguns prognósticos publicados na década de 90 que apontavam para o fim das igrejas tradicionais. O sociólogo pontua que diferentemente do que alguns técnicos em estatística analisaram, as históricas não só não desapareceram, como, também, passam por uma fase estável (diferentemente das neopentecostais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, não podemos nos esquecer, do fenômeno do neocalvinismo (reconhecido e publicado na prestigiada revista americana TIME) onde, como se sabe, muitos de seus adeptos são oriundos de comunidades neopentecostais que cansados com as heresias do movimento, descobriram nas doutrinas da Graça o antídoto necessário para livrar-se de toda intoxicação teológica-doutrinária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, Darcy estava certo. Pena não estar vivo para aferir como “profetizara” e Freston acertou também em suas análises!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora o movimento dos desigrejados cresça intensamente no Brasil, pois já somam mais de 4 milhões de evangélicos em nosso país que declararam no último censo do IBGE a desvinculação com qualquer instituição religiosa, não é de admirar que grande parte destes “desigrejados” sejam, em sua ampla maioria, filhos das igrejas pentecostais e neopentecostais, que se decepcionaram com os ensinos e práticas dos líderes e demais congregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que há desigrejados também nas fileiras históricas, entretanto, seu fluxo é menor, porquanto, em tais comunidades há mais prestação de contas (moral, ética e financeira), equilíbrio litúrgico, ênfase na oração, comunhão e engajamento social e missionário e reflexão  com foco mais bíblico-teológico e doutrinário, sendo, consequentemente, ambientes mais saudáveis. Claro, que não é assim em todas as igrejas locais do grupo das históricas, mas, ao não existirem desta forma, estão, na verdade, negando suas tradições constrúidas e legados herdados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, alegro-me em verificar o registro daquilo que já percebia. O crescimento das igrejas históricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse acima... A profecia de Darcy Dusilek (In Memorian) se cumpriu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Abraços em Todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Idauro Campos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UÉ... E Igreja Tradicional Cresce no Brasil?&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não havia ainda reparado para um detalhe que me parece muito interessante no "Novo Mapa das Religiões" no Brasil, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A pesquisa foi publicada esta semana e trouxe grande repercussão em vários setores da mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos pontos de interesse na pesquisa, que podem ser objeto de comentário e reflexão em outra ocasião. No momento, quero me referir somente a este, que é a constatação de que entre 2003 e 2009 o crescimento percentual dos evangélicos tradicionais (presbiterianos, batistas, luteranos, etc.) foi maior do que o crescimento percentual dos pentecostais (Assembléia de Deus, Universal do Reino de Deus, etc.). De acordo com o Estadão,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"A pesquisa também apontou estagnação da proporção de evangélicos pentecostais (de igrejas como Assembleia de Deus e Universal do Reino de Deus), que teve grande crescimento nos anos 1990, e aumento do evangélicos tradicionais (batistas, presbiterianos, luteranos, etc)."&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A notícia comenta ainda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Neri [o pesquisador responsável] associa os avanços econômicos na última década ao aumento de 38,5% dos evangélicos tradicionais (de 5,39% a 7,47%), enquanto os pentecostais tiveram crescimento ínfimo, de 12,49% em 2003 a 12,76% em 2009".&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Entendo que há um erro conceitual da pesquisa, que é colocar a Universal do Reino de Deus como sendo pentecostal, ao lado da Assembléia de Deus. Isso pode ter puxado o resultado para baixo, pois enquanto é sabido que a Universal de fato vem perdendo membros, pensava-se que a Assembléia continuava a crescer como sempre fez. A queda da Universal pode ter superado o crescimento da Assembléia e empurrado o percentual para menor. Reconheço também que o pesquisador identifica como a causa deste crescimento a melhoria econômica dos brasileiros. A lógica é esta, quanto maior o poder aquisitivo, maior a preferência pelas igrejas tradicionais. A conferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, está registrada a retomada do crescimento do Cristianismo evangélico tradicional no Brasil, fato que já havíamos pressentido a partir da nossa observação informal do cenário brasileiro pelas redes sociais, encontros, grande mídia, eventos, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos absolutos, os pentecostais são muito maiores. Resta saber se os tradicionais serão capazes de fazer a diferença, agora que estão começando a crescer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-4803019049583732054?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/4803019049583732054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/09/ue-e-igreja-tradicional-cresceno-brasil.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/4803019049583732054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/4803019049583732054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/09/ue-e-igreja-tradicional-cresceno-brasil.html' title='Ué... E  Igreja Tradicional Cresce no Brasil'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-7538878208319915380</id><published>2011-08-24T08:31:00.001-07:00</published><updated>2011-08-24T08:31:43.497-07:00</updated><title type='text'>Como Evitar Desequilíbrios Religiosos</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Arthur W. Pink &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vigilância, oração, autodisciplina e aquiescência inteligente aos propósitos de Deus são indispensáveis para qualquer progresso real na santidade. Existem certas áreas de nossas vidas em que os nossos esforços para sermos corretos nos podem conduzir ao erro, a um erro tão grande que leva à própria deformação espiritual. Por exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Quando, em nossa determinação de nos tornarmos ousados, nos tornamos atrevidos. Coragem e mansidão são qualidades compatíveis; ambas eram encontradas em perfeitas proporções em Cristo, e ambas brilharam esplendidamente na confrontação com os seus adversários. Pedro, diante do sinédrio, e Paulo, diante do rei Ágripa, demonstraram ambas essas qualidades, ainda que noutra ocasião, quando a ousadia de Paulo temporariamente perdeu o seu amor e se tornou carnal, ele houvesse dito ao sumo sacerdote: "Deus há de ferir-te, parede branqueada". No entanto, deve-se dar um crédito ao apóstolo, quando, ao perceber o que havia feito, desculpou-se imediatamente (At 23.1-5).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Quando, em nosso desejo de sermos francos, tornamo-nos rudes. Candura sem aspereza sempre se encontrou no homem Cristo Jesus. O crente que se vangloria de sempre chamar de ferro o que é de ferro, acabará chamando tudo pelo nome de ferro. Até o fogoso Pedro aprendeu que o amor não deixa escapar da boca tudo quanto sabe (1 Pe 4.8).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Quando, em nossos esforços para sermos vigilantes, ficamos a suspeitar de todos. Posto que há muitos adversários, somos tentados a ver inimigos onde nenhum deles existe. Por causa do conflito com o erro, tendemos a desenvolver um espírito de hostilidade para com todos quantos discordam de nós em qualquer coisa. Satanás pouco se importa se seguimos uma doutrina falsa ou se meramente nos tornamos amargos. Pois em ambos os casos ele sai vencedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Quando tentamos ser sérios e nos tornamos sombrios. Os santos sempre foram pessoas sérias, mas a melancolia é um defeito de caráter e jamais deveria ser mesclada com a piedade. A melancolia religiosa pode indicar a presença de incredulidade ou pecado, e, se deixarmos que tal melancolia prossiga por muito tempo, pode conduzir a graves perturbações mentais. A alegria é a grande terapia da mente. "Alegrai-vos sempre no Senhor" ( Fp 4.4).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Quando tencionamos ser conscienciosos e nos tornamos escrupulosos em demasia. Se o diabo não puder destruir a consciência, seus esforços se concentrarão na tentativa de enfermá-la. Conheço crentes que vivem em um estado de angústia permanente, temendo que venham a desagradar a Deus. Seu mundo de atos permitidos se torna mais e mais estreito, até que finalmente temem atirar-se nas atividades comuns da vida. E ainda acreditam que essa auto-tortura é uma prova de piedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os filósofos religiosos buscam corrigir essa assimetria (que é comum à toda raça humana), pregando o "meio-termo áureo", o cristianismo oferece um remédio muito mais eficaz. O cristianismo, estando de pleno acordo com todos os fatos da existência, leva em consideração este desequilíbrio moral da vida humana, e o medicamento que oferece não é uma nova filosofia, e sim uma nova vida. O ideal aspirado pelo crente não consiste em andar pelo caminho perfeito, mas em ser conformado à imagem de Cristo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-7538878208319915380?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/7538878208319915380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/08/como-evitar-desequilibrios-religiosos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7538878208319915380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7538878208319915380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/08/como-evitar-desequilibrios-religiosos.html' title='Como Evitar Desequilíbrios Religiosos'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-6153719507470688125</id><published>2011-08-24T08:12:00.001-07:00</published><updated>2011-08-24T08:12:37.457-07:00</updated><title type='text'>John Wesley, uma vida longa em poucas palavras</title><content type='html'>&lt;br /&gt;A vida de um homem que com sua paixão por Deus mexeu com a vida espiritual dos ingleses e com a estrutura social de seu país.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Por Christian History &amp; Biography&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;John Wesley nasceu em 1703 e sua infância foi fortemente influenciada por sua mãe, uma mulher rígida e piedosa. Seu pai era um homem difícil de se agradar. Sua mãe acreditava que os desejos das crianças deviam ser subjugados e que eles deveriam ser disciplinados quando não se comportassem. John era o décimo quarto filho. Ele teria morrido em um incêndio em Epworth Rectory se não tivesse sido arrancado das chamas por um vizinho. Na época tinha sete anos e depois disso sua mãe o lembrou várias vezes que ele era “um tição colhido do fogo”. Mais tarde ele teve a certeza de que tinha sido poupado por um propósito, servir a Deus.&lt;br /&gt;Samuel, o pai de John, era um erudito, que por muitos anos trabalhou em uma obra monumental sobre o livro de Jó. Um pregador severo, para não dizer implacável, uma vez exigiu que uma adúltera andasse nas ruas em sua vergonha. Ele também forçou o casamento de uma de suas filhas depois que ela tentou fugir com um homem que não era o escolhido de seu pai. Com seu pai e sua mãe, John Wesley desenvolveu excelentes hábitos de estudo e também se acostumou com o sofrimento físico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Wesley foi para Charterhouse School em 1714, para Christ Church College, em 1720, e em 1726 foi eleito membro na Lincoln College em Oxford. Depois de ser pastor auxiliar em Wroote, Lincolnshire, de 1727 a 1729, ele voltou à Oxford não apenas para continuar seus estudos, mas também para começar a viver uma vida mais devota e santa. Muitos outros jovens brilhantes tinham um curriculum como o de Wesley, mas poucos tinham a sua dedicação. Ele dominava pelo menos sete idiomas e desenvolveu uma visão verdadeiramente abrangente em todas as áreas da investigação. Quando ele voltou de Wroote para Oxford, ele assumiu a liderança de um grupo chamado Holy Club (Clube Santo), iniciado por seu irmão Charles. Lá era onde eles reforçavam a fé através do estudo das Escrituras e buscavam a santidade na vida de cada membro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Clube Santo fazia muito mais do que refletir e orar. Eles iam às prisões levar a palavra de salvação aos prisioneiros. Embora eles fossem ridicularizados por seus companheiros de Oxford, de seu grupo de uma classe social mais baixa saíram homens que se tornaram importantes para aquele tempo, particularmente os irmãos Wesley, além de George Whitefield. O modo de vida de John Wesley exigia jejuns periódicos, encontros regulares para estudo e auto-avaliação pessoal. Somente muito tempo depois foi que ele percebeu que seu grupo seguia mais a letra do que o espírito do cristianismo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1735 grandes mudanças atingiram John e Charles Wesley. O seu pai morreu e ambos foram para a colônia da Georgia, nos Estados Unidos, com a bênção e encorajamento de sua mãe. Lá foi uma prova para John, que entendeu que realmente não gostava muito dos índios e sua rigidez não era muito apreciada pelas pessoas da Georgia. Mas importante que isto, foi o contato de John na sua viagem com um pequeno grupo de morávios. Estes homens e mulheres destemidamente cantavam hinos durante terríveis tempestades no mar, ao mesmo tempo em que o próprio Charles se desesperava. Isso o fez querer conhecer mais sobre a fé que eles demonstravam ter. Em 1737 ele retornou à Inglaterra.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos apreciar a humildade de John Wesley, pois ele podia ser crítico o bastante consigo mesmo para parar suas atividades religiosas naquele momento e pensar que era um ministro experiente demais para examinar sua falta de fé. Peter Boehler, um morávio, deu-lhe a chave – pregar a fé até que ele a tivesse, e então ele pregava a fé. John Wesley lutou com sua falta de fé até 24 de maio, uma quarta-feira, em 1738, no famoso encontro de Aldersgate, foi quando ele teve uma conversão, uma profunda e inconfundível experiência de fé. Seu “coração foi estranhamente aquecido”. Então seu verdadeiro trabalho começou.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tinha uma mente brilhante e aberta, John Wesley ainda conseguia retirar os melhores recursos das melhores mentes do seu tempo. William Law, por exemplo, foi seu professor, amigo e mentor por vários anos; mas Wesley achou que um ingrediente importante estava faltando no programa de Law para uma vida devota. Os discípulos de Platão conseguiram comunicar a Wesley uma estrutura intelectual que era mais espiritual do que material, mas os hábitos mentais de Wesley estavam moldados mais pelo modelo de análise de Newton do que pelo platonismo. Os morávios eram o mais perto de uma síntese de todos os elementos que ele desejava e pôde encontrar. Ele até mesmo visitou Herrnhut para saber como sua comunidade trabalhava. Mas algo estava faltando lá, como em todo lugar, e em 1740, ele e seus seguidores romperam com os morávios, mas não antes que ele tivesse aprendido a pregar sermões ao ar livre, o que veio a ser mais tarde uma parte essencial de seu ministério.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Wesley tinha 37 anos de idade quando começou a viajar e pregar. Ele freqüentemente exagerava o número daqueles que vinham ouvi-lo. Muitas vezes, as mesmas pessoas que precisaram de sua ajuda eram as mesmas que mais o perseguiam. Ele pregava em púlpitos até que eles fossem fechados para ele, e ele então pregava nos campos abertos. Ele pregava três vezes por dia, começando às 5 da manhã, uma vez que os trabalhadores poderiam parar para ouvi-lo enquanto andavam para o trabalho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas vezes ele andava 60 milhas (mais de 90 quilômetros) por dia a cavalo. As condições do tempo não importavam; ele fazia seu programa e o cumpria, não importavam as dificuldades. Ele fugia de uma multidão zangada pulando num lago gelado, nadava para fora dele e continuava a pregar novamente. E tinha uma certa habilidade de trazer as pessoas hostis para o seu lado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1741 foi para Gales do Sul, para o norte da Inglaterra em 1742, Irlanda em 1747, e Escócia em 1751. No total, foi à Irlanda quarenta e duas vezes e à Escócia vinte e duas vezes. Ele retornou à algumas cidades várias vezes. Houve ocasiões em que ele retornava anos depois de sua última visita e registrava que a pequena sociedade que ele ajudara ainda estava intacta e fiel. Ele examinava cada membro de cada sociedade pessoalmente para buscar crescimento espiritual e de fé. As sociedades então formadas proviam a organização local para seu movimento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Wesley pregava? Santidade, honestidade, salvação, boas relações familiares, vários outros temas, mas acima de tudo a fé em Cristo. Ele não pedia aos seus ouvintes para deixarem suas igrejas, mas para continuarem indo nelas. Ele lhes deu o refrigério espiritual que eles não achavam. Quando suas décadas de provação produziram décadas de triunfo, as multidões aumentaram. Ricos e pobres vinham para ouvi-lo falar. Ele desenvolveu redes de assistentes leigos. Suas exortações para viver perfeitamente em amor hoje parecem duras, mas considere os efeitos em suas congregações. Os xingamentos nas fábricas pararam, os homens e as mulheres começaram a se preocupar com vestimentas limpas e simples, extravagâncias como chá caro e vícios como o gim foram deixados por seus seguidores, vizinhos deram um ao outro ajuda mútua através das sociedades.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wesley ensinou tanto pelo exemplo como pelos seus sermões. Ele publicou muitos de seus textos para serem usados em devocionais e direcionou o lucro para projetos, como um local de ajuda para os pobres. Sua vida pessoal estava além de reprovação. Ele traduziu hinos, interpretou as Escrituras, escreveu centenas de cartas, discipulou centenas de homens e mulheres e manteve em seus diários um registro da energia investida, que dificilmente tem um rival na história ocidental. Sua maneira de falar na linguagem do homem comum teve um impacto imensurável no surgimento do inglês moderno, assim como os hinos de Charles Wesley tiveram um grande impacto na música com suas muitas canções sem mencionar a poesia da subseqüente era Romântica.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o impacto dos Wesleys nas classes mais baixas foi além de afetar seus hábitos de vida e modo de falar. John Wesley proveu uma estrutura religiosa que era local e pessoal, bem como fortemente moral. Sua teologia não tirava a liberdade e o direito de ninguém, pois qualquer um podia achar a graça de Deus para resistir ao diabo e ser salvo, se tão somente buscasse e recebesse. As sociedades que ele formou preservaram em seus estudos o foco na fé – uma fé que também levou a uma maneira de lidar com a realidade da vida das classes mais pobres. A religião não era só para os ricos, mas Wesley também não estava pregando uma revolta contra o anglicanismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anglicanismo de John Wesley era muito forte, embora os púlpitos anglicanos tornassem-se totalmente fechados para ele. Só quando tinha oitenta e um anos ele permitiu uma pequena divisão entre seus seguidores e a igreja nacional. Tendo já enviado muitos homens à América, em 1784 ele ordenou mais pessoas para este esforço missionário e, porque “ordenação é separação”, efetivamente começou uma nova igreja. O conservadorismo dele era tanto político como religioso. Ele publicou uma carta aberta às colônias americanas, aconselhando-as a permanecerem leais à Grã-Bretanha, logo antes da Revolução Americana. Ele não tolerava nenhuma conversa sobre agitação civil na Inglaterra.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito se tem discutido acerca de que outras forças estavam trabalhando na Inglaterra além de Wesley e uns outros poucos pregadores. Por exemplo, a Revolução Industrial que estava vindo progrediu mais rápido na Inglaterra do que em qualquer outro lugar, dando aos homens novos tipos de trabalho; a justiça do Sistema de Paz e o sistema de governo com um Primeiro-Ministro eram únicos na sua forma e deram muito mais poder do que era possível em qualquer outro lugar à classe média local e os grandes problemas que poderiam de outra forma causar revolução, simplesmente não estavam presentes na Inglaterra depois de 1750. Ainda assim sem Wesley e seus seguidores como poderia o ateísmo, tal como existia entre os camponeses franceses, ser evitado e como poderia uma classe inferior oprimida e dominada pelos vícios, ter esperança?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Wesley morreu em 2 de março de 1791, cerca de três anos depois que seu irmão Charles morreu. Até seus últimos anos, ele colocou a mesma frase de abertura em seu diário, como fazia a cada ano no seu aniversário, agradecendo a Deus por sua longa vida e sua contínua boa saúde, afirmando que sermões pregados de manhã logo cedo e muita atividade ao ar livre o mantiveram em forma para a obra de Deus. Desde o momento em que ele tornou-se livre de influências, exceto a de Deus, ele teve cinqüenta anos de serviço constante e fez um bem imensurável à Inglaterra através da perseverança, resistência e fé. Seu legado não se limitou ao seu século ou país, mas sobrevive até hoje na fé de milhões em várias igrejas ao redor do mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguinte frase foi escrita em seu diário em 28 de junho de 1774:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo hoje meu aniversário, o primeiro dia do septuagésimo segundo ano, eu estava pensando como posso ter a mesma força que tinha trinta anos atrás? Que a minha visão esteja consideravelmente melhor agora e meus nervos mais firmes do que eram antes? Que eu não tenha nenhuma enfermidade da velhice, e não tenha mais aquelas que tive na juventude? A grande causa é, o bom prazer de Deus, que faz o que lhe agrada. Os meios principais são: meu constante levantar às quatro da madrugada, por cerca de cinqüenta anos; o fato de geralmente pregar às cinco da manhã, um dos exercícios mais saudáveis do mundo; o fato de que nunca viajo menos, por mar ou terra, do que 4500 milhas (mais de 6.750 km) por ano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-6153719507470688125?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/6153719507470688125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/08/john-wesley-uma-vida-longa-em-poucas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/6153719507470688125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/6153719507470688125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/08/john-wesley-uma-vida-longa-em-poucas.html' title='John Wesley, uma vida longa em poucas palavras'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-675743203958255242</id><published>2011-07-28T14:38:00.001-07:00</published><updated>2011-07-28T14:40:28.183-07:00</updated><title type='text'>Morre John Stott, aos 90 anos de Idade.</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Livre como um pássaro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morre John Stott, teólogo britânico que ajudou a construir a Igreja contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POR: Carlos Fernnades&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos, o pastor e teólogo britânico John Stott já não podia, em função da idade, praticar uma de suas paixões: a ornitologia. Aficionado pela observação de pássaros, era nos bosques do Reino Unido que ele passava boa parte de suas horas de folga, com binóculo em punho, máquina fotográfica a tiracolo e o inseparável caderninho de anotações. Desavisados poderiam pensar que era apenas mais um idoso preenchendo o ócio da aposentadoria. As aparências enganam. Ali estava um dos gigantes da fé cristã contemporânea, que ajudou a construir a Igreja Evangélica ao longo do século 20. Teólogo brilhante, pastor apaixonado, filantropo convicto, conferencista eloquente, escritor inspirado e idealista de vanguarda, Stott deixou esta vida no dia 27 de julho, em Londres, de causas naturais, aos 90 anos. Livre como os pássaros que ele tanto amava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu último aniversário, em abril, amigos, colaboradores e parentes mais chegados – Stott era solteiro e não tinha filhos – fizeram uma reunião com ele na casa de repouso onde vivia. O encontro teve inegável caráter de despedida. “Já sabíamos o que estava para acontecer. Stott deixou um exemplo impecável para lideres de ministérios em todo o mundo – amor pela Igreja global, paixão pela fidelidade bíblica e amor pelo Salvador”, define Benjamin Homam, presidente de John Stott Ministries, entidade criada pelo pastor para apoiar líderes cristãos ao redor do mundo. A instituição é apenas uma parte do imenso legado espiritual daquele que, segundo David Brooks, colunista do New York Times, seria eleito papa, caso os protestantes tivessem um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“SIMPLES E COMUM”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em família abastada, John Robert Walmsley Stott era filho de sir Arnold Stott, médico da Família Real. Criado na Igreja Anglicana com as três irmãs, ele fez sua decisão por Cristo aos 18 anos de idade. A mente privilegiada levou-o à prestigiada Universidade de Cambridge, onde graduou-se em letras. Ali, conheceu a Aliança Bíblia Universitária e sentiu o chamado para o pastorado. Formou-se em teologia no Seminário Ridley Hall e logo assumiu o púlpito da Igreja Anglicana All Souls (“Todas as almas”), onde ministrou durante três décadas, sempre disponível às ovelhas apesar da agenda cada vez mais apertada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capelão da Coroa Britânica entre 1959 e 1991, foi neste período que o ministério de Stott atingiu seu maior esplendor. Protagonista do movimento conhecido como Evangelho integral, ele organizou, na companhia do evangelista Billy Graham e outras lideranças, o Congresso Internacional de Evangelização, em Lausanne (Suíça), em 1974. O evento entrou para a história da Igreja Cristã por lançar as bases de uma abordagem da fé inteiramente contextualizada à sociedade, sem, contudo, abrir mão dos princípios basilares do Evangelho, consubstanciada no Pacto de Lausanne. Fundou ainda o London Institute for Contemporary Christianity, em 1982.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Stott escreveu cerca de 40 livros e percorreu o mundo como convidado especial em cruzadas, congressos e solenidades. Esteve no Brasil duas vezes. Numa delas, reuniu cerca de 2 mil pastores no Congresso Vinde em 1989, com outro tanto do lado de fora por falta de espaço. Em todas estas viagens, sempre recusou hospedagem em hotéis cinco estrelas. Não costumava nem repetir refeições. “Quando comemos um segundo prato, alguém está deixando de comer o primeiro”, dizia. Tudo a ver com alguém que, ao morrer, possuía apenas um sítio e um apartamento e definia dessa maneira o que é ser evangélico: “É ser um cristão simples e comum.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-675743203958255242?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/675743203958255242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/07/morre-john-stott-aos-90-anos-de-idade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/675743203958255242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/675743203958255242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/07/morre-john-stott-aos-90-anos-de-idade.html' title='Morre John Stott, aos 90 anos de Idade.'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-7160866418913430642</id><published>2011-07-08T10:08:00.000-07:00</published><updated>2011-07-08T10:15:13.463-07:00</updated><title type='text'>RESENHA: A Pedagogia de Jesus</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Idauro Campos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;J.M.Price, A Pedagogia de Jesus (Rio de Janeiro: JUERP, 1980) 162p. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;      Publicada no Brasil em 1980 pela Junta de Educação Religiosa e Publicações (JUERP) “A Pedagogia de Jesus”, encontra-se atualmente esgotada em português. Foi publicada pela primeira vez em inglês (versão original) em 1954 por J.M. Price. Seu conteúdo é fruto, como o próprio autor afirma no prefácio, das exposições sobre educação religiosa ministradas em seminários, igrejas, congressos, convenções e em cursos intensivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O livro é dividido em nove capítulos onde o foco central é a excelência de ministério de ensino de Jesus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;No primeiro capítulo (p.9-25)&lt;/span&gt;, intitulado de “A idoneidade de Jesus para ensinar”, são apresentados alguns conceitos sobre o ministério pedagógico de Cristo, tais como: a Encarnação da Verdade (9-12); o desejo de servir (12-14); a crença no ensino (14-18); o conhecimento das Escrituras (18-20); a compreensão da natureza humana (21-22) e o domínio da arte de ensinar (22-25). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Na encarnação da verdade o autor destaca que Cristo “foi cem por cento aquilo que ensinou” (p.10), sendo isto um fator fundamental para o seu êxito como mestre. Destarte, o autor desafia que “como mestre humanos podemos demonstrar o delineamento do Cristo que mora em nós (p.12). O autor salienta que Jesus era idôneo para ensinar, porque encarnou a verdade e, assim, como seus seguidores, nós, principalmente os que foram chamados para servir como mestres, devemos encarnar a verdade, ou seja, viver o que ensinamos”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Outra ênfase que merece destaque neste capítulo é quanto “a compreensão da natureza humana”, pois aqui o autor pontifica que “tal qualificação é muitíssima necessária ao processo...” (p.20), visto que urge conhecer as necessidades mais profundas dos alunos, objetivando ajudá-los. “Estamos ensinando pessoas, e não a Bíblia (p.21)”, reverbera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;No capítulo 2 (p.27-42)&lt;/span&gt; a ênfase recai sobre as características dos discípulos. É um capítulo como “Imaturidade”, “Impulsividade”, “Pecado”, “Perplexidade”, “Ignorância”, “Preconceito” e “Instabilidade” foram explorados. Destaco neste trecho do livro as páginas 39-41, onde são argumentados os aspectos da natureza instável dos discípulos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O autor indica que apesar dos três anos de ensino ministrado por Jesus, tendo Ele se dirigido a milhares de pessoas, apenas 120 seguidores permaneceram fiéis. O autor nos lembra sapientemente, que mesmo “cultos sem vida”, hoje em dia, conseguem reunir mais pessoas. O capítulo pode, portanto, ser um valioso estímulo para os mestres cristãos contemporâneos, pois, haja visto, que se tal realidade configurou o ministério do Mestre dos mestres, quanto mais o nosso. No entanto, o capítulo deixa, lamentavelmente, de registrar a passagem bíblica de Mt 28:16 e Lc. 24:40-41 que poderia servir como base para a argumentação para o tema, pois fica patente a instabilidade crônica dos discípulos que conseguem duvidar mesmo sendo testemunhas oculares da ressurreição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;No capítulo 3 temos o relato da objetividade do ensino de Jesus (45-61).&lt;/span&gt; É um capítulo em que Price identifica o alvo que Jesus queria alcançar nos seus discípulos, declarando que “Ele nunca ensinava somente pelo fato de ser chamado a ensinar. Ele sempre tinha um propósito e fins definidos a atingir” (p.45). Assim sendo, Price relaciona a “formação de ideais justos” (p.45-47), a firmar de “convicções fortes” (p.48-50); “a conversão a Deus” (p.50-52); “o relacionamento com os outros” (p.52-54); “a resolução dos problemas da vida” (p.54-56); “a formação de caracteres maduros” (p.56-58) e “a preparação para o serviço cristão” (p.58-60), como as metas de Cristo em seu ensino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Destaco neste capítulo a abordagem para “a conversão a Deus” como sendo o alvo mais importante que um mestre cristão deve visar. J.M.Price chega a afirmar que “... todas as atividades da vida devem ser dirigidas deste centro” (p.51). Afinal, é de se esperar que um coração convertido a Deus produzirá ações retas que tornará a vida mais justa, igual e benéfica para todos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;No capítulo 4 (63-80)&lt;/span&gt; são apresentados os princípios que acompanham o ministério de Jesus. É um capítulo abstrato em que o autor explora alguns episódios da vida do Senhor e dali propõe uma aplicação. Destarte, Price apresenta idéias como: “a capacidade de Jesus olhar para longe” (p.63-65); “em valorizar o contato pessoal” (p.66-69); “em principiar onde estava o aluno” (p.69-71); “em deter-se em assuntos vitais” (p.71-73); “em trabalhar a consciência dos indivíduos” (73-75); “em olhar para o que há de bom no aluno” (75-77) e “assegurar a liberdade de ação” (p.77-79). &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;      O quinto capítulo (81-99)&lt;/span&gt; é uma apresentação das fontes (Escrituras Sagradas, o mundo natural e o cotidiano), das formas (afirmativas, expressões incisivas e figuras de linguagem) e os propósitos (iniciar, aclarar e fortalecer), como recursos utilizados por Jesus para transmitir o seu ensino. Neste capítulo, o destaque recai sobre o uso das Escrituras Sagradas como fonte de ensino (p.81-83). Afinal, como Price alega, citando os registros de D.R. Piper, Cristo “... usou livremente as Escrituras do Velho Testamento. D.R. Piper nos conta que Ele fez do Velho Testamento trinta e oito citações diretas, quatro vezes aludiu acontecimentos nele registrados e cinqüenta vezes empregou linguagem paralela a certas palavras do Velho Testamento”. E diz ainda que “... se refiriu a vinte e um dos livros do Velho Testamento” (p.81-82). Assim Price enfatiza o apego pedagógico de Cristo às Escrituras, ressaltando, inclusive, que foi através dela que o Senhor repreende satanás no deserto (p.96), sendo, portanto, uma prova que “nada, na verdade, fortalece mais o nosso ensino do que um apelo “à lei e ao testemunho” (p.96). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;No sexto capítulo (p.99-115)&lt;/span&gt; há  um esboço como sugestão para a organização de uma lição. Fundamentos como: “o começo da lição” (p.99-102); “exemplos como ilustração” (p.102-104); “o desenvolvimento da lição” (p.104-108); e “conclusão” (p.109-113), são obviamente apresentados. Entre os fundamentos há um destaque do autor quanto o início da lição, pois, sendo o ponto de partida, é vital que o aluno tenha a sua atenção conquistada (p.99). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os capítulos 7 e 8 (p.115-146),&lt;/span&gt; J.M. Price expõe os métodos de Jesus para ensinar, ressaltando o uso de objetos (p.115-119), dramatizações (p.120-124); histórias ou parábolas (p.124-129); preleções (p.131-135); perguntas (135-138) e debates (139-144).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;No último capítulo (9), &lt;/span&gt;Price apresenta objetivamente os resultados alcançados por Jesus em sua docência, tais como: “a valorização e elevação da pessoa humana” (p.147-149); “a transformação de vidas” (p.149-151); o “incentivo para reformas” (p.151-153); “a melhoria das instituições” (p.153-154); “saturação da Literatura” (p.154-156); “a influência nas artes” (p.156-157); “a inspiração da Filantropia” (p.157-159) e a “inspiração para servir” (p. 159-161). Destaco neste derradeiro capítulo, o tópico que abrange a transformação de vida, onde o autor registra a mudança que alguns homens do Novo Testamento e da História da Igreja experimentaram e as contribuições que deram ao mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      As críticas mais incisivas vão para a formatação do livro, pois o tamanho da fonte utilizada, especialmente, na contra capa torna a leitura um tanto cansativa. Além disso, a obra merece uma nova edição pelo valor e relevância que seu conteúdo apresenta, sem contar que após esta edição (1980), novos conceitos pedagógicos foram estabelecidos e que torna necessário interagi-los com os conceitos apresentados no livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Recomendo a obra como livro texto para os cursos de pedagogia cristã, liderança e bacharel em teologia, visto que estes visam preparar os vocacionados para o serviço do Reino de Deus, no qual, inclui-se, o ensinar pessoas. A obra é útil, necessária e pertinente. Abordando com eficiência os fundamentos de um dos pilares da vida cristã: o ensino. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-7160866418913430642?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/7160866418913430642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/07/resenha-pedagogia-de-jesus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7160866418913430642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7160866418913430642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/07/resenha-pedagogia-de-jesus.html' title='RESENHA: A Pedagogia de Jesus'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-7677549448208440675</id><published>2011-07-08T10:02:00.000-07:00</published><updated>2011-07-08T10:06:02.244-07:00</updated><title type='text'>O Progresso e o Reino de Deus- Uma Avaliação da Teologia da  Crise de Emil Brunner</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por: Idauro Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Neste comentário estaremos analisando de forma sintética a abordagem que o teólogo suíço Emil Brunner faz sobre a tensão que existe entre o sonho de progresso da humanidade e o Reino de Deus. Sua abordagem faz parte da série de palestras que ministrou em 1928 nos Estados Unidos, e que culminou com a publicação do livro “Teologia da Crise.&lt;br /&gt;A tese principal de Brunner no capítulo em questão é mostrar que o tão almejado progresso do homem, em que este vai adquirindo conhecimento com o transcorrer do tempo e, assim tornando-se melhor, não passa de uma ideologia irreal. Para isto Brunner apresenta que a ordem esperada não virá do homem e sim do Deus do Antigo e Novo Testamentos. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; &lt;br /&gt;O PROGRESSO E O REINO DE DEUS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Emil Brunner, destaca que a evolução tem sido dominante nos Estados Unidos. Uma evolução sob a perspectiva naturalista, representada que está  nas teorias da causalidade e da relação natural, e a perspectiva idealista, representada no esquema hegeliano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Esta idéia de evolução nada mais é que o sonho de progresso do homem. O homem acredita que pode progredir tornando-se cada vez melhor podendo assim viver à altura dos mais nobres ideais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No entanto, Emil Brunner, salienta que esta expectativa de uma imanência crescente no homem, onde cada vez mais ele toma consciência de si, de seus desafios e potencialidades e propõe uma busca pela concretização da instauração definitiva do bem supremo, não é real, pois não leva em conta a natureza pecaminosa do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Apesar da consciência e da luta pela melhoria da sociedade, o homem é  escravo do pecado e qualquer tentativa empírica de promoção das virtudes neste século, não se conseguirá chegar a este lugar sem que o pecado também esteja presente. O pecado acompanha o homem. As ações mais propositivas na restrição do mal estão acompanhadas pela presença marcante do pecado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Bem, se o pecado é uma má notícia entre nós e todos os esforços em alcançar um bem são inúteis, visto que a mácula do pecado sempre estará presente, o que, então, podemos fazer? Qual seria a expectativa da humanidade? Brunner pontifica que as Escrituras Sagradas tem algo a dizer quanto à ordem no caos que o Senhor pretende estabelecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Brunner declara que no Antigo Testamento, por exemplo, Deus se revela e investe no homem à despeito do caráter deste. Não é a melhora do homem que atrai Deus. É o Deus do Antigo Testamento que atrai o homem caótico, confuso e debilitado para Si. O Antigo Testamento apresenta um Deus que entra na história humana e lhe apresenta um rumo, uma direção. A graça de Deus só faz sentido porque é um favor, um bem, uma ação de Deus em direção a homens dignos de repúdio. A graça não é manifestação da imanência e sim da transcendência. Deus eterno, santo, poderoso decide compartilhar sua vida, seus planos, conosco. O Reino de Deus vem, mas não por força ou mérito do homem, mas porque o Rei resolveu abrir as portas de seus palácios para que bêbados e vagabundos entrassem e sentassem à mesa com Ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;O PROGRESSO E O REINO NO NOVO TESTAMENTO &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Diferentemente do que muitos liberais e conservadores, pós-milenistas afirmam, o Novo Testamento não traz nenhuma expectação de uma melhora no homem que venha, por conseguinte, aperfeiçoar o cosmos. “O oposto que é verdadeiro”, diz Brunner, pois, de acordo com a linguagem escatológica empregada no Novo Testamento, “os últimos tempos serão os mais terríveis. Nenhum progresso lento é esperado pelo qual forças do mal serão subjugadas”. Portanto, por mais que haja avanços tecnológicos, melhorias no nível de vida, índices favoráveis de educação e avanços significativos nas questões humanitárias, também é verdade que a “iniquidade tem multiplicado”; o amor esfriado e a apostasia está acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Para os escritores do Novo Testamento o Reino de Deus, tão esperado, não virá gradualmente, à medida que o homem avançar, mas através de Jesus Cristo que inaugurou o Reino. Entretanto, este Reino inaugurado só pode ser visto, vivido e celebrado pela fé e não pelos sentidos. Apesar disto os efeitos deste Reino podem ser percebidos na Terra, mas não geograficamente, como uma teocracia temporal. O Reino de Deus, inaugurado por Cristo, coloca a criação em ordem, ainda que não plenamente nesta presente era. A nova vida, pode ser vista naqueles que se apoderaram e que foram apoderados pelo Reino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Longe, então, do Reino de Deus ser o cumprimento da progressão do homem, é a dinâmica do Espírito que entra neste tempo e espaço e propõe uma nova existência. Esta existência à seu tempo será plenamente revelada, porém no momento pode-se perceber sua presença entre nós. Ou seja, o caos não é para sempre, mas seu fim não depende de nós. É Jesus Cristo quem dá o golpe final e estabelece, através de seu Reino, a nova vida, o novo céu, a nova terra e as pisadas do novo homem. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; &lt;br /&gt;UM APELO ÉTICO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Emil Brunner não desconsidera o esforço em lutar por uma aplicação ética e social da fé. O cristão, afinal, é um militante do bem e sua consciência deve estar sempre inquieta com a injustiça que impera na sociedade. Portanto, há o lugar da intercessão e da ação pelas causas que contribuam com um mundo melhor. O Sermão do Monte, especialmente na parte que aponta a bem-aventurança dos que tem fome e sede de justiça, vale para esta sociedade aqui e agora. Entretanto, a libertação do mal; a vitória sobre o pecado; a vida em plenitude não se dará através da evolução do processo histórico. As conquistas definitivas do homem só serão possíveis, através da salvação que se encontra na fé no Filho de Deus, Jesus Cristo. Há sim um otimismo em relação ao futuro, mas este otimismo perpassa a obra do Filho de Deus entre nós. Cristo salva, liberta e reorienta a sociedade. A sociedade encontra seu clímax, em termos de vitória sobre os males, somente em Jesus Cristo. A salvação pertence à Ele! &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;CONCLUSÃO &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nem o fatalismo fundamentalista, ocioso, expectador, inútil e sem projeto dos que apenas dizem que não adianta lutar porque nada vai melhorar mesmo. Mas também NÃO! Ao ufanista, triunfalista, crédulo em demasia no potencial do homem, como se o Reino de Deus fosse algo que dependesse apenas de nossa boa vontade, altruísmo e eficiência. Que venha o Reino de Deus! O Reino que, antes de mudar estruturas, mudará mentes e corações. Na verdade, este Reino já está entre nós. Vejamos e nos alegremos por seu avanço. Destarte,não mais&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; “Bendito o que vem”, mas sim, “Bendito o que veio em nome do Senhor!”&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-7677549448208440675?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/7677549448208440675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/07/o-progresso-e-o-reino-de-deus-uma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7677549448208440675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7677549448208440675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/07/o-progresso-e-o-reino-de-deus-uma.html' title='O Progresso e o Reino de Deus- Uma Avaliação da Teologia da  Crise de Emil Brunner'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-4241086470967913019</id><published>2011-06-24T22:33:00.000-07:00</published><updated>2011-06-24T22:34:49.802-07:00</updated><title type='text'>Nunca Ganharemos o Brasil Para Cristo</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Mauricio Zagari&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço frequentemente uma conclamação feita nos mais variados recônditos do universo evangélico: Vamos ganhar o Brasil para Cristo!!! Bem, lamento informar, mas nós nunca vamos ganhar o Brasil para Cristo. E antes que você, espantadíssimo com minha falta de fé, me acuse de derrotismo ou mesmo de estar a serviço do mal, deixe-me explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não acredito na doutrina da confissão positiva (o hábito antibíblico de “decretar a vitória”, “profetizar a bênção” e “tomar posse pela fé” que, se você não sabe, foi incorporado ao cristianismo a partir de práticas de religiões pagãs da Nova Era – mas essa é outra conversa) nao vejo dolo em fazer essa afirmação, que é fruto de uma observação bíblica, histórica e contextual. E justifico minha posição, apresentando aqui as razões pelas quais não creio que o Brasil será ganho para Cristo:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;1. Aspectos biblicos:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Bíblia nunca promete que nações inteiras se converteriam ao Senhor em nossos dias. Ela fala: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mt 24.14) mas em momento algum promete que isso resultaria em conversões em nível nacional. Anunciar o Evangelho é uma coisa. Ele resultar em conversões é algo bem diferente. Pelo contrário. Como já abordei no post Louvados e glorificados sejam os números, a Palavra de Deus é clara ao afirmar que a minoria herdaria o Reino dos Céus:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–&gt; “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram” (Mt 7.13,14).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–&gt; “Alguém lhe perguntou: ‘Senhor, serão poucos os salvos?’. Ele lhes disse: ‘Esforcem-se para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, vocês ficarão do lado de fora, batendo e pedindo: ‘Senhor, abre-nos a porta’. ‘Ele, porém, responderá: ‘Não os conheço, nem sei de onde são vocês’. “Então vocês dirão: ‘Comemos e bebemos contigo, e ensinaste em nossas ruas’. “Mas ele responderá: ‘Não os conheço, nem sei de onde são vocês. Afastem-se de mim, todos vocês, que praticam o mal!’.”. (Lucas 13.23-27).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–&gt; “Não tenham medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-lhes o Reino” (Lucas 12.32).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–&gt; “Pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos” (Mt 22.14).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja: não há na Bíblia nenhuma promessa ou sugestão de que haverá multidões de salvos entrando em nível nacional pelos portões do Céu. Não: a salvação é para poucos. Repare que na parábola do semeador (Mt 13) a maioria das sementes não frutifica, apenas uma pequena parte delas germina e dá frutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria eu que fosse diferente. E temos sempre que fazer de tudo e empreender todos os nossos esforços para que o máximo de pessoas receba a mensagem da Salvação. Temos que pregar o Evangelho a toda criatura. Mas no que tange à Biblia não posso afirmar o que ela não afirma só porque me faria sentir melhor. A verdade é o que é.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;2. Aspectos históricos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala-se muito de avivamento, de pátrias que foram sacudidas pelo poder do Espírito e que se transformaram em nações cristãs de fato, com milhares de conversões e manifestações inefáveis do poder de Deus. Isso é verdade. Moveres sobrenaturais de Deus levaram alguns países, em períodos determinados da História, a buscar coletivamente uma aproximação maior de Cristo e uma vida de santidade. Foi assim no Primeiro e no Segundo Grande Despertamentos dos séculos 18 e 19, por exemplo. Mas minha pergunta é: como estão essas nações hoje?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;A verdade nua e crua? Espiritualmente falidas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Estados Unidos, avivados pela pregação de bastiões como Jonathan Edwards e George Whitefield, são hoje um país cristão não-praticante, pérfido, devasso e sem nenhum tônus espiritual, que fez o que fez no Oriente Médio sob a direção de um presidente supostamente evangélico. Um país onde a Igreja tem aceito a ordenação de bispos cuja orientação sexual em outras épocas jamais seria aceita e que inventou a Teologia da Prosperidade. Um país espiritualmemte e moralmente em bancarrota, que exporta para o mundo filmes, programas de TV e músicas abomináveis pela moral bíblica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a Inglaterra, país que na época de John Wesley se viu renovado espiritualmemte, hoje mal se lembra que há um Cristo. No restante da Europa, encontramos países como Espanha e Portugal, com menos de 1% de cristãos reformados. Nos berços da Reforma Protestante, Alemanha e Suíça, a Igreja evangélica tornou-se uma entidade fantasma, com igrejas vazias e nenhuma influência sobre a vida da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso falando de nações que estão debaixo de nossos olhos. Se voltarmos alguns séculos no passado encontraremos os países do Oriente Médio com quase toda a população cristã. Você talvez não saiba disso, mas até o século VI d.C. regiões que hoje compõem países como Turquia, Irã, Iraque, Marrocos e Arábia Saudita, atualmente considerados não-alcançados pelo Evangelho, tinham suas populações quase que totalmente cristãs. Até que veio o islamismo e tomou esses países,  transformando-os em nações muçulmanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resumo da ópera é que para se “ganhar uma nação para Cristo” é preciso um milagre. Não só um milagre de  conquista, mas um milagre de preservação. Ou seja: reconquista diária. E milagres são a exceção, não a regra.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;3. Aspectos contextuais (atuais)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o ponto principal desta reflexão. Para que se pregue o Evangelho a uma pessoa pecadora, mais do que proclamar a Verdade é preciso viver a Verdade. Se eu sou um homem notoriamente devasso, mentiroso, pérfido e sem caráter, de nada adiantará eu chegar para alguém e pregar o Evangelho. Pois ele dirá “ser cristão é isso aí? Tou fora, fala sério!”. E essa mesma realidade se aplica a uma nação. Para que a Igreja de Jesus evangelize uma nação e a “ganhe para Cristo”, ela tem que dar o exemplo. Isso é imperativo. Mais do que pregar a Verdade, tem que viver a Verdade. E é com muita dor no coração que constato que nós não temos feito isso. Não temos sido exemplo. Compartilho alguns sintomas que me mostram que a Igreja brasileira não está capacitada para ganhar a nação para Cristo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;●  A maior parte da Igreja visível no Brasil de hoje é espiritualmemte flácida e complacente com o pecado: o comportamento visível dos cristãos diante da sociedade não tem sido muito diferente do comportamento dos não-cristãos. Em geral, somos agressivos, arrogantes, vingativos, mentirosos e egocêntricos. Fraudamos impostos, passamos cheques sem fundos, não honramos nossa palavra. Nossos seminaristas colam nas provas. Não cedemos lugar no ônibus para o idoso, fingimos que não vemos o mendigo, jamais emprestamos o ombro a um órfão sequer e muito menos a uma viúva. Articulamos dentro das igrejas para conseguir ocupar cargos de destaque. Usamos a sexualidade de modo tão mundano como qualquer personagem da novela das oito. Nossas conversas são torpes, falamos mal dos outros pelas costas, jogamos irmãos contra irmãos, contamos anedotas pesadas e fazemos piada com a manifestação dos dons do Espírito Santo. E por aí vai. Uma Igreja assim não tem a menor moral de pregar o arrependimento de pecados para o mundo: primeiro ela própria tem de se arrepender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;● O modelo de igreja predominante no Brasil não forma cristãos sólidos. Como afirmou este ano em uma de suas palestras na Conferência da Sepal o Bispo Primaz da Igreja Cristã Nova Vida, Walter McAlister, o modelo de igreja-show não forma discípulos de Cristo. Enquanto formos aos cultos apenas para assistir a algo que se passa num palco e não para participar; enquanto não nos submetermos a um discipulado radical; enquanto não resgatarmos o papel de família de fé das nossas igrejas, nunca conseguiremos formar cristãos minimamente capazes de viver e compartilhar com eficiência sua fé com uma pessoa, que dirá com uma nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;● O evangélico brasileiro não gosta de ler. Lidos sob o poder e a iluminação de Deus, livros são o alicerce da transformação. Mas nossos jovens preferem videogames, televisão, internet e no máximo inutilidades como a série “Crepúsculo” do que livros essenciais para a formação de um caráter cristão. E sem uma mente bem formada nos tornamos incapazes de pensar uma nação. Quanto mais transformá-la. O poder de Deus age, mas age por intermédio de seres humanos – que precisam ter bagagem intelectual para explicar e transmitir. E ainda lemos muito menos do que deveríamos. E a qualidade do que lemos, em geral, deixa muito a desejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;● Somos analfabetos bíblicos. Uma pesquisa recente feita entre os líderes de jovens de certa denominação mostrou que menos de 30% deles tinham lido a Bíblia toda. Repare: estamos falando de líderes! Aqueles que deveriam ensinar os outros! Se não lemos, não conhecemos, e se não conhecemos… o que vamos pregar? Nossa teologia é formada a partir daquilo que ouvimos em corinhos, assistimos em péssimos programas evangélicos de TV, lemos em frasezinhas soltas no twitter e em adesivos de automóveis. Mas são poucos os que realmente se dedicam ao estudo sistemático e aprofundado das Escrituras. Então vamos ganhar o Brasil pra Cristo, mas… que Cristo? Se não conhecemos o Cristo segundo as Escrituras o apresentam, que Cristo é esse que estamos pregando? Se não entendemos a Palavra por não conhecê-la, que Palavra é essa que estamos pregando? Sem conhecer a Bíblia não temos absolutamente nada a oferecer em termos espirituais à nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;● Grande parte da Igreja evangélica brasileira é egocêntrica. Ora por si e pelos seus. Pede bens materiais, emprego, carro e casa própria em suas orações. Quer a cura de suas enfermidades. Mas não se dedica muito a interceder pelo próximo, orar pelo arrependimento dos pecados e buscar sanar os males da sociedade. Não ora pelos pobres. Não estende a mão ao faminto. Não olha para o próximo. Não se devota. Não considera o outro superior a si em honra. E ganhar uma nação para Cristo exige olhar, antes de tudo e antes de si mesmo… para a nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;● A Igreja está hedonista. Quer prazer. Quer alegria. Quer ser feliz da vida. Quer emoção. Que louvores vazios mas emocionantes. Quer cantores carismáticos, mesmo que pouco espirituais. Quer shows e não momentos de intimidade com Deus. Quer se sentir bem. Quer cultos que atendam às suas necessidades. Quer pregações que a faça sorrir. Quer enriquecer e ter uma vida abastada. Só que antes de ganhar uma nação para Cristo temos que chorar muito, nos humilhar, esquecer o que nos faz bem e buscar o que faz bem à nação. E orar. Orar! A Igreja hoje celebra muito, canta muito… mas ora de forma mirrada, esquelética. Só que pouca oração e muita celebração não farão nação alguma se converter. Se ganharmos o país para esse modelo de cristianismo o que faremos é transformar o Brasil numa grande rave gospel, com festa atrás de festa, celebração após celebração e pouca ou quase nenhuma vida íntima com Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;● Grande parte da Igreja tem pregado um evangelho mentiroso.  O que se tem divulgado é um Jesus fictício, complacente, eternamente alegre e exultante, que nos garante “plenitude de alegria, todo dia”. Mas o Cristo de verdade quer que tomemos nossa cruz para segui-lo. Que morramos para nós mesmos. Que deixemos pai e mãe para ir após Ele. Mas a nação não quer fazer nada disso. E para ganhar a nação para Cristo ela tem que saber que terá de abrir mão de muita coisa, de esvaziar-se de suas vontades e desejos e seguir um caminho de renúncia e muitas vezes de sofrimento. Ganhar a nação para Cristo significa propor a ela: tome sua Cruz e siga-me. Arrependa-se de seus pecados, abra mão de seu eu e mude de vida. Honestamente: é isso que temos pregado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;● A Igreja está dividida. A Palavra nos diz que “Se um reino estiver dividido contra si mesmo, não poderá subsistir” (Mc 3.24). Mas deixamos nossas paixões denominacionais suplantarem a unidade. Nós, pentecostais, fazemos piada com os tradicionais. Os tradicionais ridicularizam os pentecostais.  Todos menosprezamos os neopentecostais. Nos tornamos “anti” qualquer coisa que não sejamos nós mesmos. Nas tentativas de unir a Igreja perde-se tempo com discussões inócuas e vaidosas. Esquartejamos o Corpo de Cristo. E ainda assim queremos acrescentar uma nação inteira a esse Corpo? Como? Se não depusermos as hostilidades e buscarmos a unidade – verdadeira e sincera – uma nação ganha para Cristo sob esses moldes de igreja desunida seria um grande frankenstein.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;● Nossas motivações são equivocadas. Queremos ganhar o Brasil pra Cristo não por amor às almas perdidas, mas sim para garantir nosso galardão no céu ou para finalmente fazermos parte do clube que representa a maioria e não a minoria. Queremos é estar por cima. Falta-nos, mais do que amor pelo Brasil, amor por cada brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;● Estamos tentando avançar na sociedade utilizando cargos políticos e legislações. Queremos ganhar o Brasil não para Cristo, mas para projetos de poder mascarados de cristianismo. E isso elegendo políticos supostamente comprometido com o Evangelho, fazendo marchas e protestos, usando de politicagens e chantagens políticas e organizando lobby no Planalto. E nada disso são armas espirituais. Nada disso nunca vai, de modo algum, glorificar o Senhor. Apenas cumprirá uma agenda política e nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haveria muitos outros problemas que poderíamos desenvolver aqui, mas não quero me alongar mais. Não quero parecer um profeta do apocalipse, pintando um cenário pessimista. Minha intenção não é essa. Mas me atreveria a perguntar: será que os problemas que apontei acima são fruto da minha imaginação ou você consegue enxergá-los ao seu redor? Alguns poderiam dizer que o que escrevi não é nada edificante, mas… Há algo mais edificante que reconhecer nossos pecados para que possamos refletir sobre eles, arrepender-nos e consertar os erros? Não é isso que significa edificar? Construir? E, se preciso for, reconstruir? Parar de varrer a sujeira para baixo do tapete e acertar as coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há focos de resistência. Pequenos grupos que buscam viver uma espiritualidade real, profunda, desinteressada. Mas são grupos desconhecidos, pequenas igrejas escondidas, pastores que pregam para poucos e que proclamam o Evangelho como ele é, sem o desejo de agradar mais ao homem que a Deus. Cristãos que se abraçam e se amam de modo entregue e que se devotam à causa de Cristo e ao próximo. Esses são o remanescente fiel. São o último alento. Mas estão longe das câmeras de TV, das grandes gravadoras, dos eventos faraônicos, reunidos em silêncio, buscando a face de Deus sem fazer balbúrdia, sob as sombras do bem-aventurado anonimato. Eles são a semente da minha esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredite: eu gostaria de que o Brasil fosse ganho para Cristo. Gostaria imensamente. Gostaria de viver numa pátria onde o Evangelho ditasse o procedimento das pessoas. Gostaria de poder afirmar: “Feliz é a minha nação, pois seu Deus é o Senhor”. Mas o que vejo ao meu redor não me permite fingir que está tudo bem. Não está. A Igreja de Cristo precisa se repensar e se acertar antes de empreender projetos de conquista. E isso urgentemente. Um exército desorganizado, desunido e despreparado não conquistaria nem um vilarejo, quanto mais uma nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos de um milagre. É caso de vida ou morte. E morte eterna. Precisamos nos arrepender dos caminhos pop e egoístas que estamos trilhando. Precisamos voltar a orar com um coração generoso. Precisamos nos humilhar. Precisamos clamar por misericórdia. Precisamos parar de tentar vencer o mundo no peito e na raça e tentar vencer, antes de qualquer outra coisa, nossas próprias concupiscências com o rosto no pó e os joelhos calejados. Essa luta não se vence com gritos, protestos, marchas, lobbies políticos e partidarismos, mas com lágrimas. Até caírem as escamas de nossos olhos e enxergarmos a dimensão espiritual que existe por trás da cortina da matéria continuaremos agindo como o servo de Eliseu, que não via o exército celestial do lado de fora de sua casa e desejava agir segundo os métodos do mundo e não os do Espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até lá, antes de pensarmos em ganhar o Brasil para Cristo, deveríamos nos preocupar em ganhar a nós mesmos para Ele. E isso diariamente. Pois é mediante a  transformação pessoal, de um a um, alma a alma, no campo do micro, que alcançaremos o macro. Caráter. Espiritualidade. Intimidade com Deus. Estudo aprofundado das Escrituras. Leitura de autores sérios. Menos exultações e mais contrição. Amor ao próximo de fato, comprovado em atos. Sem atitudes como essas, ganhar a nação para Cristo é um sonho distante. E, honestamente, impossível.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Paz a todos vocês que estão em Cristo.&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-4241086470967913019?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/4241086470967913019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/06/nunca-ganharemos-o-brasil-para-cristo.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/4241086470967913019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/4241086470967913019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/06/nunca-ganharemos-o-brasil-para-cristo.html' title='Nunca Ganharemos o Brasil Para Cristo'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-8365253585904897906</id><published>2011-06-09T08:12:00.001-07:00</published><updated>2011-06-09T08:12:37.683-07:00</updated><title type='text'>Sanidade na liderança</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Nelson Bomilcar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rebanho liderado por pastores saudáveis vive a missão com ações práticas de testemunho, discipulado e serviço em boas obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todo líder na igreja é pastor. Liderança é um dom específico; já o pastorado tem um foco mais vocacional em suas qualificações. Sob vários aspectos, liderança e pastorado são atividades distintas em sua funcionalidade, embora possam interagir naturalmente. Mas, na dinâmica de uma comunidade local, sempre existe a expectativa por uma liderança saudável em sua condução e ação. Seja de maneira individual ou no contexto de equipe, o pastorado deveria ser exercido com sabedoria e de forma espiritual. Disciplinas espirituais como meditação na Palavra, oração, comunhão, serviço humilde e forte espírito de doação deveriam ser encontradas naqueles que se dizem vocacionados ou reconhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Líderes saudáveis procuram se afastar de poder e fama, ou mesmo de títulos honrosos. Na verdade, buscam capacitação equilibrada, sendo mais sensíveis às necessidades do rebanho, ao cuidado da missão da igreja e à implantação do Reino de Deus. O contraponto da liderança saudável é a liderança abusiva. Cometem abuso aqueles líderes que oprimem e manipulam os seguidores, colocando fardos pesados sobre os ombros dos membros do corpo. Alguns multiplicam regulamentos e leis, o que gera culpa e vergonha nos seguidores, discípulos ou membros da comunidade. E fazem tudo para serem vistos, conforme Mateus 23.4 e 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, buscam ou mesmo exigem privilégios especiais e insistem em exercer sua liderança sob regras por eles mesmos estabelecidas. Pastores assim demonstram uma espiritualidade equivocada, distorcida, enganosa e avessa ao Evangelho. Contrariamente, os líderes saudáveis procuram aliviar as cargas das pessoas, ajudando e guiando seus seguidores na direção de Jesus Cristo e do Evangelho, onde podem encontrar descanso e alívio – assim, os crentes podem à comunidade com seus dons e talentos (Mateus 11.28-30).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma liderança exercida assim, na perspectiva bíblica, não gasta tempo ou energia para cultivar e ampliar a sua própria imagem. São pessoas mais autênticas, com testemunho transparente e honesto; que vivem com simplicidade, aceitam suas limitações e humanidade; falam sempre a verdade, com franqueza e amor, e cumprem sua palavra, conforme Mateus 5.37. Sua influência positiva e o reconhecimento que obtêm decorrem justamente destes aspectos vivenciados no dia a dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como são diferentes os líderes abusivos e os líderes saudáveis! Aqueles demonstram sua insegurança e medo tentando controlar as pessoas; parece que estão sempre sendo ameaçados pelos membros da comunidade. Já uma liderança saudável e encorajadora depende da capacitação de Deus e vive a sua humanidade sem neuroses, entendendo que o Senhor vai aperfeiçoando seu poder em suas fraquezas. Líderes assim demonstram saúde emocional e psicológica, entendendo que Jesus Cristo, embora seja Deus, viveu como homem todas as implicações e tensões de sua encarnação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Líderes saudáveis, quando são também pastores, vivem debaixo da influência da graça e não de uma lei que engessa a comunidade, incapaz de gerar vida. E é essa graça divina que os faz agir com misericórdia e longanimidade com as ovelhas, entendendo que são seus irmãos na fé; graça para lidar com os pecados, erros, mágoas e decepções, experimentando do caminho profundo, maravilhoso e difícil do perdão que traz reconciliação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Líderes e pastores saudáveis não dificultam ou fecham aos outros o acesso ao céu, uma vez que não lhes foi dado tal poder. Pelo contrário – eles ajudam na implantação do Evangelho, entendendo que a Igreja precisa estar sendo edificada e cuidada na perspectiva do Reino de Deus. Rebanho liderado por pastores saudáveis vive a missão com ações práticas de testemunho, discipulado e serviço em boas obras – as mesmas que, segundo Efésios 2.10, de antemão foram desejadas pelo Pai quando nos criou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde existe liderança e pastorado saudável, a vida está sendo promovida na família e na comunidade, ao mesmo tempo em que os sinais de morte – instalados na sociedade que nos rodeia com tanta violência, injustiça, descaso e omissão – estarão diminuindo ou mesmo desaparecendo em alguns casos. A ressurreição de Jesus trouxe vida e sanidade de que não somente líderes e pastores necessitam, mas todos aqueles que precisam do pastoreio e da liderança de nosso Senhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-8365253585904897906?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/8365253585904897906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/06/sanidade-na-lideranca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/8365253585904897906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/8365253585904897906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/06/sanidade-na-lideranca.html' title='Sanidade na liderança'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-7834356086314724466</id><published>2011-05-06T07:55:00.000-07:00</published><updated>2011-05-06T08:02:53.646-07:00</updated><title type='text'>Amo a Igreja de Cristo.</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Idauro Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Você já ouviu falar do ecologista que amava floresta, mas odiava árvore? Ou do conferencista que ama as multidões, mas odeia gente? Ou ainda, aquele que ama a humanidade, mas é insensível e indiferente às demandas de seus familiares e parentes mais próximos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos cristãos, nestes tempos pós-modernos, que declaram amar a igreja universal, invisível, o Corpo de Cristo ao mesmo tempo em que rejeitam e odeiam a idéia de congregar, de fazer parte de uma comunidade de fé, onde se partilha, à luz das Escrituras Sagradas, amor, fé e esperança, além de orações, histórias, dores, sorrisos, alegrias, perdas, conquistas e decepções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém pode pretender amar a humanidade, mas detestar a família. A família biológica é a expressão local e diminuta da humanidade. Desprezar a própria família é o mesmo que desprezar também a humanidade inteira. Semelhantemente, não podemos cair na falácia de que é possível amar o Corpo de Cristo, mas desprezar sistematicamente a igreja local, pois esta é nada mais que a expressão diminuta e temporal da Igreja Universal. A igreja, seja ela reunida em templos ou em casas, empresta sua temporalidade à igreja universal. Uma não existe sem a outra. A igreja invisível é uma abstração e não se ama e nem se relaciona com abstrações. Dizer que faz parte do Corpo de Cristo, sem, contudo, fazer parte de uma Comunidade de fé cristã local é absurdo, além de antibíblico e extremamente conveniente para gente descomprometida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há famílias e famílias. Assim como há igrejas e igrejas. Há famílias opressoras; famílias adoecidas; famílias castradoras; famílias indignas de serem reconhecidas como tais. Entretanto, há famílias saudáveis; famílias boas; famílias edificantes, maduras e libertadoras. Destarte, há igrejas complicadas, heréticas e infantilizadas (freqüentadas e lideradas por gente idem). Todavia, há, graças a Deus, boas igrejas. Comunidades cristãs saudáveis. Imperfeitas sim, mas que se reúnem em torno de Cristo para adorá-lo e d’ Ele aprender. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de existirem famílias bizarras não significa que não existam boas famílias. Semelhantemente, os maus exemplos de muitas igrejas não eliminam do mapa as boas greis, como os desigrejados teimam em não reconhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virou moda falar mal da Igreja (lugar comum). Como não podem destruí-la, algo que nem mesmo o diabo consegue, criaram o conceito de que “amo a Igreja Invisível, mas odeio a instituição”. Besteira! Papo! Conversa Fiada! Amar apenas o “Corpo de Cristo que está espalhado pela face da terra”, mas não suportar congregar é o mesmo que dizer que ama a Deus, mas odeia o próprio irmão, algo deplorável e criticado por João &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(1 João 4.20-21)&lt;/span&gt;.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fácil amar a Igreja Invisível. Ela não tem cara. Não traz problemas. Não telefona de madrugada para que a socorramos. Difícil é amar gente complicada. Gente de carne e osso, com seus dramas, chatices, contradições e idiossincrasias. É fácil ser crente na frente das teclas de computador, postando artigos pseudocrístãos em comunidades virtuais. Difícil é caminhar junto. Sim é difícil, mas é bíblico. É cristão. É eclesiológico. É neotestamentário. A isto chamamos koinonia (comunhão). Foi ensinado por Jesus Cristo &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(João 17)&lt;/span&gt;. Foi praticado pelos apóstolos &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(Atos 2.42-46)&lt;/span&gt;. Foi preservado pelos Pais da Igreja. Foi resgatado pelos reformadores. Foi mantido por muitos irmãos até chegar até nós. É uma herança digna de ser desfrutada e repassada às próximas gerações. E será! Por maiores que sejam os ataques, pois quem a garante é o Senhor da Igreja, Jesus Cristo, que prometeu sua edificação permanente e vitória final &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(Mateus 16.18)&lt;/span&gt;. A Igreja é a noiva de Cristo! Ele tem cuidado muito bem dela, pois a ama e guarda-a para si &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(Efésios 5.25-27). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo a Igreja de Igreja de Cristo. A invisível e a visível também!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-7834356086314724466?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/7834356086314724466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/05/amo-igreja-de-cristo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7834356086314724466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7834356086314724466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/05/amo-igreja-de-cristo.html' title='Amo a Igreja de Cristo.'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-3407389641115815601</id><published>2011-05-05T12:24:00.000-07:00</published><updated>2011-05-06T08:10:00.382-07:00</updated><title type='text'>O Trabalho Redentor de Cristo.</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Idauro Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;INTRODUÇÃO &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Certa vez o Rev. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ricardo de Souza Barbosa&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, ministro presbiteriano, comentou, em um dos seus artigos, que na época da Páscoa os cristãos enfatizam o milagre da ressurreição e pouco  comentam da Sexta-Feira da Paixão. Geralmente as igrejas apresentam seus corais com grande foco e expectativa no reaparecimento de Cristo, quando o mesmo deveria ser a morte de Jesus, pois foi sua morte na cruz que garantiu a salvação. É antes de sua morte na cruz que Cristo profere as palavras “Tetelestai” (Está consumado!). Portanto, a morte é o evento que consuma a obra de redenção que Deus planejou para salvar pecadores, revelando o seu amor por eles. O esforço de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Walter T. Conner&lt;/span&gt; no capítulo intitulado &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“O Trabalho Redentor de Cristo”&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, caminha nesta direção. Neste comentário estaremos interagindo com as máximas do autor sobre o tema e refletindo suas implicações. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Morte de Cristo: A Chave da Redenção&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Walter T.  Conner&lt;/span&gt; destaca que Jesus quando é identificado e confessado por Simão Pedro como o Cristo e Filho do Deus Vivo (Mt 16.13-21), Ele, então, começa a ensinar sobre seu sofrimento e a morte que experimentaria em Jerusalém, pontificando que Ele era o Messias sim, mas um Messias Sofredor que teria na cruz, símbolo da morte vergonhosa, o clímax de sua missão redentora. Este, portanto, foi o alvo de Cristo durante sua vida e ministério: marchar em direção à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      A morte de Cristo era necessária, pois como Ele veio para resgatar pecadores que deveriam morrer pelos seus próprios pecados, é através da morte de Cristo que a justiça de Deus é satisfeita. Na verdade o pecador é quem deveria morrer. A morte era a fatal pena e conseqüência do pecado. Era tão somente a exigência da Lei. No entanto, a morte de Cristo atende esta exigência. Sua morte é a sua oferta pelos pecados do seu povo. Sem a morte de Cristo não haveria remissão dos pecados. É na morte vicária (substitutiva) que a redenção se consuma. O sofrimento e a morte de Cristo estão no centro da espiritualidade, pois não haveria fé cristã sem seu sacrifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      A superficialidade com que tratamos, ensinamos e pregamos a morte de Cristo é responsável por esta tendência contemporânea de um evangelho sem cruz, sem morte, como é pregado hoje. O que provoca também uma superficialidade na fé e nas expectativas dos crentes. O chamado à cruz deve fazer parte da nossa experiência de fé, para que o nosso “eu” morra e Cristo viva cada vez mais em nós.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt; A Morte de Cristo: A Manifestação do Amor de Deus&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      A morte de Cristo não só manifesta a vindicação da justiça divina como também, e principalmente, manifesta o amor de Deus por nós. O autor muito bem destaca que atribuir a morte de Cristo um ato de sua misericórdia ao passo que para Deus é somente um ato de satisfação judicial é um erro, pois as Escrituras Sagradas revelam que o amor de Deus é o fator determinante para nosso resgate em Cristo Jesus (João 3.16). A morte de Cristo é a prova cabal que Deus nos ama (Romanos 5.8). Assim como Conner destaca, há uma convergência entre o Pai e o Filho e não uma tensão entre Eles. O Filho não quer salvar enquanto o Pai, que é o Juiz, quer punir (&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;marcionismo&lt;/span&gt;). A morte do Filho não provoca uma mudança de veredicto nos propósitos do Pai. Antes, a morte do Filho atende a vontade do Pai de salvar pecadores. Deus é amor e ama o pecador e como não quer perdê-lo, enviou seu Filho para, através da sua morte, salvá-lo. Diz Paulo na Carta aos Romanos que &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Deus prova o Seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”.&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; A morte de Cristo é um ato do amor divino. É uma ação providencial de Deus para que não pereçamos. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Portanto, a morte de Cristo não ganha o amor de Deus e sim o expressa. Somos salvos pelo amor de Deus em ação que está em Cristo Jesus. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;A Morte de Cristo: Um Chamado à Vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Se o grão de trigo, caindo na terra não morrer, fica ele só; mas. Se morrer, dá muito fruto”&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; (Jo 12. 24). A morte de Cristo nos garantiu o acesso à vida eterna, que começa a ser desfrutada aqui. A vida de Jesus é compartilhada com todo filho de Deus, somos salvos em Jesus e agora vivemos a vida d’Ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O Senhor nos convida a viver, mas esta vida precisa ser precedida pela morte. Nós, discípulos de Cristo, também devemos morrer. Morrer para o pecado, para o orgulho, para nós mesmos. Ninguém conseguirá caminhar com Jesus se não estiver disposto a crucificar a carne e morrer para si. Nossa vida em Cristo não mais nos pertence. Agora, a administração das nossas decisões, projetos e rumos serão tomados sob a perspectiva do Reino de Deus em Cristo. Ao tentarmos lutar com Deus pelo controle dos nossos dias estaremos dando claros sinais de que  ainda não morremos para nós mesmos. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Agora já não sou eu quem vivo, mas Cristo vive em mim”&lt;/span&gt; (Gl 2.20). Ou vivemos a vida de Jesus, caracterizada pela renúncia pessoal, pela crucificação do eu, e pelo desejo de fazer a vontade de Deus ou, então, jamais poderemos ser considerados filhos de Deus. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Evangelho é uma boa notícia!&lt;/span&gt; Mas, antes de ser uma boa notícia, como disse &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ricardo Gondim,&lt;/span&gt; o Evangelho&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; “é uma péssima notícia!”&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Pois notifica que somos pecadores; que estamos mortos espiritualmente; que somos escravos do pecado; que estamos condenados a uma eternidade sem Deus; e que precisamos morrer para poder viver a vida de Jesus. Sem a morte do velho homem, não haverá vida em Jesus. Sem participar do sofrimento e morte do Senhor não há comunhão com Ele. É através da morte d’Ele que sou estimulado a morrer para o mundo e suas paixões para participar de sua vida. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A morte de Cristo é um convite à vida. Morramos com Ele para então vivermos com Ele&lt;/span&gt; (Rm 6.4)! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;CONCLUSÃO &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;      Vivemos um tempo em que se fala apenas das bênçãos que podemos obter do Mestre, mas pouco se fala da Cruz que temos que carregar. Todos nós fomos chamados a negar o nosso eu, tomando a nossa cruz e marchar com Ele em direção à coroa da justiça. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A morte precede a vida. A cruz precede a coroa. A via crucis precede as “ruas de ouro”. A luta precede a vitória. O choro precede as bodas. A expectativa precede a consumação. A militância precede os galardões.&lt;/span&gt; Assim é a economia do Reino de Deus. A vida eterna é certa e garantida, mas antes a morte de Cristo em nossa experiência pessoal nos aguarda. Experimentá-la é honrá-Lo e vivê-Lo. Que Assim Seja!!!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Soli Deo Glória!!!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-3407389641115815601?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/3407389641115815601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/05/o-trabalho-redentor-de-cristo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/3407389641115815601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/3407389641115815601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/05/o-trabalho-redentor-de-cristo.html' title='O Trabalho Redentor de Cristo.'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-861215907244953366</id><published>2011-05-03T19:34:00.000-07:00</published><updated>2011-05-10T21:46:03.105-07:00</updated><title type='text'>Protestantismo e Capitalismo: Análise das Idéias de Max Weber e H.R. Trevor-Roper.</title><content type='html'>Uma Análise da Origem do Capitalismo e Sua Relação Com o Calvinismo, conforme Max Weber e H.R. Trevor - Roper &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(Republicação)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;POR: IDAURO CAMPOS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;ESTE TEXTO FOI PUBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ NESTE BLOG EM &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;09 de ABRIL de 2010 SOB O TÌTULO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Calvinismo e Capitalismo: Análise das Idéias de Max Weber e H.R. Trevor-Roper". &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;TAMBÉM POSTADO EM www.artigonal.com.br   NO DIA 27 de Abril de 2010.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;INTRODUÇÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais as causas da prosperidade de grande parte dos países da Europa?&lt;br /&gt;Qual a relação entre a religião protestante e o êxito industrial, econômico e social que tais países obtiveram? Há, de fato, esta relação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas são algumas perguntas comumente formuladas pelos teólogos, economistas e sociólogos que se debruçam em análises históricas para tentar explicar o fenômeno do capitalismo em terras européias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste artigo apresentaremos, de forma resumida, duas propostas distintas. A primeira, apresentada por Max Weber que em sua obra, “A Ética Protestante e o espírito do capitalismo”, procura identificar na religião protestante, especialmente o calvinismo, uma íntima relação entre a moral cristã e o progresso econômico. Posteriormente, avaliaremos as proposições de H.R. Trevor - Roper, em sua “Religião, Reforma e Transformação Social”, que pontua outras possibilidades para explicar a relação da prosperidade européia em terras protestantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com Max Weber, sociólogo alemão nascido no século XIX, o rigor moral da religião calvinista, que rivalizou com o luteranismo o posto de segmento majoritário do movimento de Reforma Protestante, é o embrião do capitalismo que foi conhecido no mundo. A isto se devem alguns fatores. Em primeiro lugar, Weber enxerga na doutrina da predestinação, um dogma essencial do calvinismo, a base do individualismo típico e necessário ao capitalismo, pois como o indivíduo não deve esperar pela mediação da Igreja para obter o favor de Deus, conforme as postulações da teologia católica, mas, pelo contrário, ele só pode contar com a graça divina, não havendo meios externos de aproximação com a divindade, então, para se assenhorear da certeza da salvação, o homem precisa identificar em si as evidências da eleição, procurando, assim, na atividade profissional, em cumprimento de sua vocação, as mesmas, pois, de acordo com Weber, o êxito profissional seria uma das maneiras distintas de se identificar a própria eleição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro aspecto importante nos argumentos de Max Weber é de que não só a preocupação dos calvinistas era com a própria salvação, embora fosse este, de fato, o seu núcleo dominante, pois o homem medieval era intensamente aflito com a questão do destino eterno de sua alma, mas, além disso, havia também a ênfase reformada na glória de Deus, manifestada por meio da agência dos eleitos no mundo. Destarte, os calvinistas, de acordo com Weber, lançavam-se em seus trabalhos, não só para confirmar o próprio chamado ao Reino de Deus, mas também queriam ver este Reino se estabelecendo sobre o mundo e tal processo somente seria viável mediante a militância engajada dos eleitos. O mundo, então, deveria refletir o Reino de Deus. Os valores do alto deveriam ser impressos na sociedade. Assim, a cultura, a política, a economia, a educação, a família, o trabalho deveriam sinalizar tais valores e é neste contexto de reflexão que o empenho dos calvinistas foi derramado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que a sociedade se tornasse cada vez mais próspera e justa, Deus, seria exaltado. É a prática do postulado “Soli Deo Glória”, em que os calvinistas compreendiam que tudo o que fazemos, pensamos e ansiamos tem como meta na vida à Glória de Deus. Weber identifica neste item uma força que impulsionava a ética calvinista e que também faz parte do nascedouro do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em terceiro lugar, Weber Identifica na desconfiança calvinista acerca das emoções e sentimentos humanos outro aspecto que contribuiu para o capitalismo, pois tais subjetividades poderiam produzir um mascaramento da realidade e das prioridades do homem. Portanto, a objetividade racional era fortemente recomendada por Calvino, segundo Weber. Esta austeridade levou a uma inevitável descarga sobre as atividades que fossem objetivas. Tudo que distraísse a atenção deveria ser evitado, pavimentando o fluxo de nossa vida ao empreendedorismo tão valorizado nas potências capitalistas modernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Weber, o calvinismo foi uma forma criativa de asceticismo, porquanto era uma ascese moral, pois não implicava na retirada do eleito do mundo, conforme o monasticismo católico pontificava. Era uma ascese das preferências e prioridades identificadas e tinham como finalidade a transformação do mundo para a glória de Deus. Diferentemente dos monges medievais que se enclausuravam nos mosteiros para o serviço de Deus, o calvinismo, nas considerações de Max Weber, propunha uma separação não física do mundo, mas sim, e apenas, moral, pois nele (no mundo) serviriam a Deus, afastando-se do que fosse frívolo e desnecessário, mas, ao mesmo tempo, engajado nele, buscando, através do trabalho árduo e sistemático, a sua transformação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o sociólogo alemão, a doutrina da predestinação, a ênfase no mandato cultural para a glória de Deus e a austeridade de vida, compuseram as poderosas forças gravitacionais que agiram sobre o homem a partir do século XVI, contribuindo para a formação de uma nova ordem econômica: o capitalismo. E por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, porque o capitalismo enfatiza o self made man, isto é o homem que não depende de ninguém, mas que se faz sozinho. A ênfase na justificação pela fé somente, que vem a nós, somente pela graça soberana de Deus aos predestinados, tornou o homem solitário e único no seu encontro com Deus. Essa responsabilidade individual, não mediada por sacerdotes ou pela igreja, esboça o sentimento de dever que o homem tem para com o seu destino, não dependendo ou esperando por ninguém. O self made man capitalista é o homem que tem o seu destino na mão. Não depende de instituições. Não depende de sua família. Não depende do Estado. Ele é responsável. Sua salvação econômica e social não pode ser mediada. O seu destino e progresso dependerão de seu próprio desempenho, somente. Esta postura capitalista, ou melhor, este espírito capitalista, Max Weber enxergou no protestantismo, especialmente no protestantismo calvinista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, a ênfase no trabalho para a glória de Deus deixou como herança ao capitalismo que a atividade profissional, especialmente a comercial, era digna. Tão digna que Deus a recebia como louvor à sua honra. O fruto da atividade comercial, o lucro, tão mal visto por círculos católicos à época (de acordo com alguns comentaristas), foi elevado à categoria de nobre e através de seu ganho a sociedade podia ser mantida. O lucro era a resposta de Deus à vocação bem empenhada. Nada mais justo. Esta dignidade do empreendimento comercial e do lucro seria especialmente válida para a semeadura do capitalismo nas nações protestantes, embora seja contestada a idéia de que Calvino realmente tenha ensinado isso e o próprio Trevor-Roper declara que Max Weber tampouco colocou tal sentença na pena de João Calvino. Mas, apesar de tais contestações, não nos surpreenderia se esta representasse um desdobramento posterior das idéias do reformador de Genebra por parte de alguns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, a austeridade permitiu uma concentração das forças produtivas na livre empresa. Já que as emoções, os sentimentos, as amizades, as festas eram vistas como sendo descontroles, distrações e desperdícios, toda a energia da vida, então, foi canalizada para o trabalho, o único dever real do homem, o que fortaleceu a atividade econômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da lucidez e da atração que as idéias de Max Weber podem exercer, contudo, estão longe de serem consensuais. Há outras idéias e tentativas de responder sobre a origem do capitalismo e se há de fato alguma relação de seu embrião histórico com a Reforma Protestante. É o que veremos mais adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;RELIGIÃO, REFORMA E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Professor de história da Universidade de Oxford por vinte e três anos, H.R. Trevor-Roper, possui conclusões diferentes acerca da origem do capitalismo nas potencias protestantes. Primeiramente, Trevor-Roper propõe um período diferente do de Weber como marco do capitalismo. O historiador postula alguns problemas que fragiliza as conclusões de Weber, vejamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, Trevor-Roper apresenta que empiricamente a tese de Weber não passa no teste, pois nações que se mantiveram na tradição religiosa católica, como é o exemplo da Áustria e da França e que, portanto, não gozavam do mesmo rigor moral e das concepções doutrinárias dos calvinistas que lastrearam o sucesso econômico dos países onde foram beligerantes, contudo, progrediram à semelhança dos países protestantes. Ao mesmo tempo em que nos pergunta o porquê da Escócia, com forte tradição calvinista e recursos naturais generosos, não teve o mesmo ímpeto desenvolvimentista que a anglicana Inglaterra. Para Trevor-Hope, situações como estas são pontuais na hora de avaliar com cautela alguns axiomas propostos por Weber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, Trevor-Roper também aponta para o fato de que nem todos os calvinistas eram rigorosos em sua piedade e nem todos agiam conforme suas crenças, colocando em xeque, então, o depósito moral que Weber alega possuir os calvinistas e que tanto foi primordial no desenvolvimento das potências protestantes. Na verdade, Trevor-Roper indica até mesmo a circulação nas trincheiras morais por parte de alguns calvinistas, haja vista que muitos, mesmo defendendo confessionalmente o calvinismo, ajudaram a financiar causas católicas contra os protestantes e isso por causa do lucro e poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em terceiro lugar, Trevor-Roper também pontua que muitas das nações que abraçaram o calvinismo como expressão da fé cristã protestante não se desenvolveram economicamente por causa de tais crenças, mas sim porque em seus territórios circulavam comerciantes estrangeiros (flamengos) que já eram empreendedores em seu país de origem e uma vez expulsos de sua terra natal, encontraram em países como a Holanda, por exemplo, as circunstâncias necessárias à livre empresa. Hoper faz questão de dizer, inclusive, que as idéias calvinistas sobre economia pouco efeito fizeram sobre os naturais de Escócia, Holanda e Suíça. E, mesmo cem anos após a militância de João Calvino, não se produziu um único grande empresário calvinista em terras suíças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trevor-Roper afirma categoricamente que havia fortes movimentos capitalistas antes da Reforma Protestante, especialmente capitaneada por Lisboa, Antuérpia, Milão, só para citar alguns. Tais centros eram economicamente ativos e foram eles que deixaram a herança do capitalismo para o século XVI e não a ética calvinista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Trevor-Roper a confusão começa quando Weber não percebe que o que aconteceu foi tão somente à emigração destes capitalistas para as regiões onde afluíam às idéias protestantes. Eles levaram o conhecimento e as técnicas de mercado para tais lugares, fugindo das perseguições que lhes eram impostas. Na verdade, o que para Weber foi uma contribuição doutrinária e prática do calvinismo, para Trevor-Roper tudo não passou de contingência histórica, pois tais empreendedores aportaram em bolsões calvinistas, mas, independentemente de onde estivessem, levariam seus conhecimentos de mercado a efeito, até mesmo para lhes garantir a sobrevivência, possibilitando assim o progresso econômico de qualquer maneira. Destarte, para Trevor-Roper, o calvinismo levou a fama, sem merecer, de padrinho do capitalismo nas proposições de Max Weber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trevor-Roper é conclusivo ao afirmar que perseguições praticadas por autoridades católicas contra alguns poderosos homens de negócios na Europa que compartilhavam das idéias do humanista Erasmo de Roterdã, o que atraiu o ódio da Igreja Católica, foi o que forçou tais empresários a fugir para ambientes mais seguros, geralmente em países protestantes, sendo este, enfim, o evento catalisador para o florescimento do capitalismo em domínios calvinistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;CONCLUSÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa proposta foi à abordagem resumida de duas proposições distintas que explicam a origem do capitalismo e qual a relação deste com a Reforma Protestante. Avanços no intuito de chegar a conclusões mais aprofundadas serão necessários em investigações posteriores. O assunto é rico. O contexto histórico situado é amplo. O tema é instigante. Outros autores precisarão ser convocados à contribuição. De uma maneira ou de outra, mesmo que não sejam satisfatórias, as possíveis respostas nos ajudarão a chegar, pelo menos, mais perto das perguntas abaixo:&lt;br /&gt;Protestantismo e Capitalismo são irmãos? Seus encontros históricos foram meramente acidentais? Um deriva do outro? Ou são gêmeos? Eis uma boa assertiva para um futuro próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Soli Deo Glória!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TREVOR-ROPER, H. R. Religião, Reforma e Transformação Social. Lisboa: Editorial Presença/ Martins Fontes, 1972.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Martin Claret. 4ª ed, 2001.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-861215907244953366?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/861215907244953366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/05/protestantismo-e-capitalismo-analise.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/861215907244953366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/861215907244953366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/05/protestantismo-e-capitalismo-analise.html' title='Protestantismo e Capitalismo: Análise das Idéias de Max Weber e H.R. Trevor-Roper.'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-121291723241774779</id><published>2011-04-23T09:29:00.000-07:00</published><updated>2011-04-23T09:34:47.385-07:00</updated><title type='text'>CONVERTENDO TALHAS DE PEDRA EM CÁLICES!</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;TEXTO: João 2: 1 a 22&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;POR: Caio Fábio D'Araújo Filho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ler o Evangelho de João, no capítulo 2. E enquanto você se prepara para ler, eu queria que você prestasse a atenção no seguinte: o Evangelho de João é bastante diferente dos outros 3 Evangelhos:Mateus, Marcos e Lucas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Marcos é um Evangelho profundamente objetivo e pragmático. Ele não tem genealogia, ele não conta histórias de Jesus anteriores ao início do ministério de Jesus. Mais do que ensinos e oráculos do Senhor, Marcos afirma fatos, feitos, acontecimentos, histórias, milagres, encontros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mateus usa essa estrutura de Marcos e acrescenta algumas outras coisas, especialmente, uma quantidade grande de parábolas e ensinos de Jesus. Acrescenta o Sermão do Monte e muitas falas de Jesus que não estão presentes em Marcos. Sem esquecer também a genealogia de Jesus, o nascimento, visita dos Magos, coisas que aconteceram na infância de Jesus, e estão presentes ali, algumas delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucas vai mais longe ainda. Ele tem uma genealogia que não vai apenas até Abraão; portanto, diferente da de Mateus que é bastante étnica, posto que um de seus objetivos (do evangelho de Mateus), era mostrar que Deus cumprira o seu propósito e a sua promessa conforme feita a Abraão, conforme afirmada em Davi e conforme todos os profetas de Israel, de modo que Jesus era o Cristo, o Filho de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucas, entretanto, faz com que essa genealogia vá até Adão. E amplia os horizontes, vinculando-os à toda humanidade. Até porque Lucas, como discípulo de Paulo, está o tempo todo preocupado em afirmar coisas acerca do Evangelho que fossem pertinentes ao mundo inteiro, e não apenas ao judaísmo e aos judeus. Por isso, ele vai até Adão, e como quê, diz a todos: Olha, se você não é judeu, mas humano você é; e essa Palavra aqui é para todos os seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proposta do Evangelho de Lucas também é tentar apresentar uma narrativa em ordem um pouco mais cronológica. Por isto ele diz que escreveu depois de muita pesquisa, e com toda a exatidão possível, para dar a conhecer a um homem chamado de Excelentíssimo Teófilo, as coisas que tinham acontecido e estavam acontecendo naqueles dias (Atos), e antes daqueles dias (O Evangelho).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João, no entanto, não tem nenhuma dessas preocupações. A genealogia dele é metafísica. No princípio era o Verbo. O Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele e sem Ele nada do que foi feito, se fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, João não remete o Messias apenas para o mundo das ocorrências, como Marcos; nem para Abraão, como Mateus; não remete o Messias para Adão, como Lucas; ele o remete direto para Deus. Ele é o Logus de Deus. É o Verbo Encarnado que apareceu entre nós cheio de Graça e de Verdade. E vimos a sua glória; glória como do unigênito do Pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, João não tem preocupações cronológicas, que você vê nos outros Evangelhos chamados sinópticos – Mateus, Marcos e Lucas. Neles, apesar de algumas diferenças, as coisas estão razoavelmente em ordem, na seqüência. São narrativas históricas, progressivas, que guardam coerência com a trajetória histórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João é muito sincero em relação ao que ele está fazendo. Ele não está escrevendo uma biografia de Jesus. Ele está relatando a mensagem de Jesus. A mensagem que ele, já idoso, havia discernido durante o curso da sua própria vida, e cuja síntese estava cada vez mais clara no entendimento dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que ele não guarda essa preocupação cronológica. Por exemplo: aqui, em João no Cap. 2, a gente tem o início do ministério público de Jesus transformando água em vinho, em Caná da Galiléia. Esse é seu primeiro sinal: Interveio naquele casamento que estava fadado ao fracasso, numa celebração de alegria que se empobrecia pela falência do vinho, e era assim porque o vinho tinha acabado—Sim, Ele transformou a água em vinho para que a festa continuasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas logo a seguir, a gente vê que Jesus sai dali, e João diz que Ele entrou no templo. E Ele olhou todas as coisas em volta e viu o comércio da fé, que estava sendo feito ali. E se insurgiu contra isso, expulsou os cambistas, os vendilhões, e todos aqueles que eram os camelôs da fé, que estavam vendendo pacotes de sacrifício e de barganha entre o homem e Deus, os enxotou dali com o azorrague que Ele, premeditadamente, construiu e que usou; da maneira mais pragmática possível, contra aqueles que ali estavam negociando com as coisas de Deus, na casa de Deus, e fazendo manipulação do sagrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles estavam ideologizando Deus de um lado e comerciando Deus de um outro. Vendendo Deus como fetiche. Transformando o lugar do culto a Deus num panteão de ídolos, que ali não se manifestavam conforme o panteão greco-romano. Claro! Não havia nichos com imagens de escultura, mas havia a idolatria da barganha com Deus, e do negócio com Deus, e da comercialização das coisas de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, esse episódio, da purificação do templo, não começa, de fato; e nem acontece, de fato; no início do ministério de Jesus. Mas acontece no final, quando Ele entra triunfalmente, em Jerusalém; e logo depois vai ao templo, e faz isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João, como eu disse, não esconde a sua sinceridade quanto ao fato de que ele não está voltando e narrando o Evangelho como cronologia. Ele está narrando o Evangelho de conteúdos, de significados, de mensagem. E ele diz isso no final do seu Evangelho. Quando ele está concluindo, ele diz: Ora, Jesus fez muitas outras coisas que não estão escritas aqui, neste livro. Se cada uma delas fosse narrada, fosse contada, não haveria na terra lugar para guardar os livros que seriam escritos. Estas, porém, que eu escrevi, o fiz para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus; e para que crendo, tenhais vida em Seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de que ele é João deliberado na construção da arquitetura do seu Evangelho, fazendo com que a própria construção do Evangelho carregue a mensagem que ele quer passar, e que também se expressa na eleição que o apóstolo fez dos milagres que ele escolheu para colocar ali. Porque foram tantos os milagres de Jesus que, ele mesmo, João, teve que selecionar alguns; que eram indicadores crescentes da mensagem que João queria afirmar para todo ser humano que lesse o seu Evangelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí ele começa com o milagre de Caná, que é um deles. Depois tem a cura do filho do oficial do rei. Depois, no capítulo 5, tem a cura do paralítico de Betesda, que estava ali há 38 anos. Depois tem-se a multiplicação dos pães e peixes. Depois Jesus anda sobre as águas. E você vai prosseguindo e vendo que vem a cura do cego de nascença, e a ressurreição de Lázaro. E você vê que cada um desses episódios João atrela diretamente à mensagem que Jesus falara antes ou depois. Isto porque, do ponto de vista de João, o milagre, conquanto real, era também metafórico, parabólico, ilustrativo, da mensagem que Jesus trouxera e encarnava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, Jesus, naqueles contextos, partiu de um milagre realizado, e transforma o milagre numa metáfora, para que os seres humanos compreendam o significado da mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso posto, a gente vai ler agora João, no capítulo 2, porque com essa introdução, o entendimento já cresce mais do que o tamanho dessa catedral. Se a gente ler, com essa consciência, tudo mudará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, achando-se ali a mãe de Jesus. Jesus também foi convidado, com seus discípulos, para o casamento. Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm mais vinho. Mas Jesus lhe disse: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. Então, ela falou aos serventes: Fazei tudo que ele vos disser. Estavam ali seis talhas de pedra, que os judeus usavam para as purificações, e cada uma levava duas ou três metretas. Jesus lhes disse: Enchei d’ água as talhas. E eles as encheram totalmente. Então, lhes determinou: Tirai agora e levai ao mestre-sala. Eles o fizeram. Tendo o mestre-sala provado a água transformada em vinho (não sabendo donde viera, se bem que o sabiam os serventes que haviam trazido a água), chamou o noivo e lhe disse: Todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o bom vinho até agora. Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele. Depois disto, desceu ele para Cafarnaum, com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias. Estando próxima a Páscoa dos judeus, subiu Jesus para Jerusalém. E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou a mesa e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio. Lembraram-se os seus discípulos de que está escrito: O zelo da tua casa me consumirá. Perguntaram-lhe, pois, os judeus: Que sinal nos mostras, para fazeres estas coisas? Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei. Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás? Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo. Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discípulos de que ele dissera isto; e creram na Escritura e na palavra de Jesus.” Amém!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oração:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Pai, ilumina a nossa mente; a de todos nós. A minha, para que eu não seja um elaborador de pensamentos relacionados a tua Palavra, mas apenas um instrumento que não precisa nem se servir de pensamentos; ao contrário, que eu corra atrás da própria Palavra, que ela brote de mim, numa intensidade maior do que a minha capacidade de produzi-la. E, por favor, sê com a mente de cada um de nós, de modo que ninguém fique para trás, ninguém se atrase, ninguém se distraia, ninguém se feche, ninguém se entrave, ninguém sele o coração, ninguém se deixe vencer por qualquer coisa; mas, ao contrário, que a tua Palavra nos visite, não apenas entrando pelos nossos ouvidos, mas sobretudo, ecoando como voz de muitas águas, nos nossos corações, dentro de nós; de tal maneira que não haja nada fora de nós que nos impeça a escutá-la no coração. Em nome de Jesus. Amém.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês lembram do que eu acabei de falar antes de ler o texto. João está interessado em apresentar para nós, nessa construção que ele faz, uma mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E que mensagem é essa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem vários desdobramentos dessa mensagem, mas o centro dela, simplificadamente, é basicamente o seguinte: O ministério de Jesus começa num casamento. Numa festa. Em bodas. Na experiência do encontro humano, da alegria humana, no ápice da celebração do encontro humano, que é a conjugalidade que se assume como satisfeita na intenção de que a vida inteira aconteça a dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali, se estava cumprindo uma determinação existencial de Deus. Num casamento, se está cumprindo um projeto existencial de Deus e rodando um softer que Ele instalou no coração humano quando o criou. Porque o criou, perfeito. Sem pecado, sem defeito, sem coisa semelhante; mas ainda que o tenha criado assim, deixou na perfeição o buraco de uma necessidade a ser preenchida. Havia um vazio no perfeito? Não! A perfeição, no homem, não prescindia do encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De modo que não havia queda, não havia pecado, não havia coisa alguma que relativizasse a experiência do homem com Deus quando o próprio Deus deixa Adão sentir a nostalgia do desejo de um encontro com um semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Senhor, então, vê a saudade de-não-sei-do-quê que estava habitando o coração de Adão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso interessa, em muito, a nós, porque Deus é um Deus tão extraordinariamente Deus, que Ele não faz aquilo que um deus inseguro faria. Um deus inseguro de si, criaria criaturas cuja necessidade absoluta, única, exclusiva, total e plena, fosse de Deus, e só de Deus. Mas o Deus que é, é tão Deus, que Ele cria criaturas—e aqui no caso, da criatura humana—, que antes mesmo de ter experimentado sua própria relatividade, como pecado, culpa, queda, vergonha, des- sincronia de Deus, separação—Sim! antes disso tudo, ainda enquanto o homem está vivendo a tranqüilidade pura do Jardim, nas condições daquela criação que não havia sido tocada nem poluída por coisa alguma, já havia o sentir da necessidade de um outro, de um igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até porque, como diz o apóstolo João, aquele que ama a Deus, a quem não vê, manifesta o amor de Deus naquele a quem ele vê; de modo que, a complementaridade da consciência da fé e da relação com Deus, acontece nesse nível, horizontal: toda experiência com Deus que não desemboca no encontro com o próximo e na percepção do próximo e no amor ao próximo, não foi experiência de Deus, profunda e genuína. Não é assim hoje; e, interessantemente, não era antes de haver culpa de pecado no mundo, porque Deus estabeleceu que assim fosse; e disse: Não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui acaba aquela angústia culposa dos seres humanos têm em relação a Deus. Sim, eles amam a Deus têm fé, são cheios de esperança, foram marcados e selados pelo Espírito Santo, são habitação de Deus, são santuário de Deus, e, ainda assim, sentem falta de um abraço, de um beijo, de um carinho, de uma mão amiga, de um convívio, de um cônjuge, de um outro com quem compartilhar a vida, de uma companhia, de relacionamento; não apenas conjugal, mas também fraternal, ou de qualquer outro nível; porque está estabelecido pelo próprio Deus, antes de haver pecado, e não como decorrência do pecado, mas como decorrência da criação e da instituição do tipo de ser que nós somos, que a nossa relação com Deus não faz supressão da nossa necessidade de vinculação com o próximo. E foi Deus quem assim o instituiu, de modo que você não tem que fazer projeção e nem sublimações para Deus de necessidades que são completamente humanas, porque nem só de pão vive o homem, mas também de pão vive o homem. O homem não pode é jamais viver sem a Palavra que sai da boca de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, o meu conhecimento de Deus e o aprofundamento da minha vida com Deus, não faz supressão de necessidades básicas da vida, assim como eu me alimentar da Palavra de Deus não me exime da necessidade de comer pão todos os dias e de dizer: O pão nosso de cada dia nos dá hoje!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a gente entende isso, algumas coisas começam a ficar claras. Jesus está, portanto, presente, fazendo um milagre, no ponto vértice do encontro humano. E o gênesis do encontro humano, foi a criação da mulher; que é trazida ao homem por causa de um reclamo do homem, por causa de uma nostalgia de um ser satisfeito com Deus e carente de um encontro com um semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque assim como o Gênesis apresenta a chegada de um igual para complementar esse ser que carrega a imagem e semelhança de Deus, mas que no mundo só se sente também satisfeito se encontrar um semelhante, e fazer com ele, Um na caminhada—Assim também o Verbo encarnado, e que estava entre nós, inicia o seu primeiro contato explicito como o Adão da Graça, no encontro entre o homem e a mulher. Sim, Ele faz isso num casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que naquele casamento, de maneira extraordinária, o vinho acaba. E acaba de modo extremamente próprio para as intenções de Jesus, no que diz respeito à Sua fala metafórica; em relação a mensagem que ele queria propor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaba o vinho, e a mãe de Jesus, como todas as demais mulheres atentas às coisas que estão acontecendo, não apenas no salão de festa, mas na cozinha—porque essa é uma tarefa para a qual a mulher, quase sempre, tem todas as antenas ligadas—, e diz ao seu filho: Olha, acabou o vinho. O pessoal está na maior agonia. Não têm mais o que tomar, e a festa ainda está longe de terminar. Eles estão com um problemão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí Jesus disse: Mulher, o que tenho eu a ver com isto? Com este problema, com esta hora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela vai adiante, chama os serventes, aponta o filhão, e diz assim: Ó! Façam tudo quanto Ele disser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí os caras, no ar, ficam assim, sem pai e sem mãe, diante de Jesus, sem saber o que é que viria pela frente. E Jesus olhou e viu que havia ali 6 talhas, que os judeus usavam para as purificações. Eram talhas para lavagens de mãos, aquelas ali. Geralmente os judeus tinham em casa dois tipos de talhas. Uma nas quais se poderia colocar até cerca de 7 galões e meio de água; que é o caso dessas aqui, para que se lavasse as mãos, para que se fizessem as abluções de limpezas rituais do corpo, e também para que se usasse na lavagem de colchões, utensílios e demais objetos que precisavam ser purificados conforme o rito; especialmente o rito conforme o farisaísmo que queria tudo completamente “purificado”, como se a água tivesse esse poder de purificação espiritual, em-si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E havia também um outro tipo de talha na qual se poderia colocar cerca de 40 galões de água. E essas, eram usadas para o indivíduo tomar o banho inteiro, o banho purificatório. Aí ele entrava e ficava se lavando todo, enquanto fazia suas próprias orações de limpeza; era um “descarrego” do que ele estava trazendo da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse caso em questão, como eu disse, as talhas são as menores. Mas assim mesmo não são tão pequenas: 7 galões e meio de água; não é pouca coisa para se colocar dentro de uma talha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis talhas com aquela capacidade de guardar conteúdo líquido! E Ele não hesita; quando Ele olha e vê aquelas talhas das purificações, Ele disse: Peguem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, as talhas eram consideradas sagradas dentro da casa. Eram utensílios sacrossantos, eqüivaliam à pia batismal, que ali está, sendo que essa aqui é pequena em relação a quantidade de líquido que aquelas talhas podiam conter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um choque! Era como alguém remover a pia batismal desta Catedral dali e encher ela com vinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine: se o casamento estivesse acontecendo aqui dentro, e se a recepção acontecesse também aqui dentro também, e eu enchesse essa pia batismal com vinho. Agora, de certa forma, dá para começar a imaginar o impacto do que aconteceu! Sim, porque a gente lê isso tudo, assim, com uma ingenuidade, tudo muito bonitinho para nós; e a gente não tem idéia do impacto na consciência dos presentes; que não eram gentios como nós, que temos uma herança pagã, que fizemos uma outra viagem. Para eles, o significado era absolutamente cho-can-te!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, significava algo profano, o que Jesus realizou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—Tragam aquelas talhas da purificação, encham-nas d’água e depois levem ao mestre-sala!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí eles foram e fizeram exatamente o que Jesus havia falado; encheram as talhas de água, e levaram ao mestre-sala. E o mestre-sala chegou, olhou, e quando ele olhou, abriu: Vinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E este aqui é um aspecto interessante, porque este milagre acontece sem toque, sem declaração de palavras. É um milagre que acontece determinado pelo Desejo de Deus. Assim como o casamento. Casamento é instituição do desejo, da vontade, da escolha. Aquele milagre também. Acontece em conformidade e com absoluta propriedade em relação ao momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento era celebração do desejo. O momento era a celebração da vontade. O momento era a celebração da escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O milagre acontece como escolha de Jesus, vontade, desejo. Ele só deseja que assim seja; e assim é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, o mestre-sala prova, e diz: Não tinha havido ainda nessa festa, vinho melhor do que este!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama o noivo, e diz: Olha, há uma lógica invertida acontecendo aqui. Em qualquer cerimônia das que eu organizo—e o texto grego para mestre-sala, de fato, é governador; aquele indivíduo que é o chefe do cerimonial, que fica ali dizendo o quê é o quê, quem é quem; onde é que fica quem; como é que as coisas acontecem, como é que a festa tem que se desenvolver—tudo acontece diferente do que está acontecendo aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, aquele homem diz: De todas as festas que eu já organizei esta é a mais inusitada. Porque ela viola a lógica da camuflagem. Normalmente, põe-se primeiro o bom vinho, e quando todos já beberam fartamente, quando existe já um mínimo de intoxicação dos sentidos, quando a alegria já tomou conta do coração; e ai o indivíduo já começa achar que guardanapo é bolo—; é ai, então, que se serve o vinho inferior. E ai, às 4 horas da manhã, tanto faz o que eles estão tomando. Vinagre já virou vinho de safra boa. Mas tu, inverteste completamente esta lógica, porque tu guardaste o bom vinho até agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é extraordinário nisso tudo também a discrição de Jesus. Não há salamaleques, não há glória pessoal a ser demonstrada; a não ser para aqueles que discerniram o mistério; a não ser para aqueles que discerniram a “discrição” de Deus; a não ser para aqueles que estavam próximos o suficiente para ter percebido a mutação não declarada; com ausência total de exibicionismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que eu me enojo tanto de todos os milagres que fazem propaganda de si mesmos. Porque com Jesus de Nazaré não foi assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, João diz: Assim deu início Jesus, aos seus sinais, em Caná da Galiléia, manifestou a sua glória e os seus discípulos creram Nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só os que estavam perto e abertos discerniram e perceberam. Os outros, receberam o benefício de alguma coisa que para eles não chegou nem a ser um problema, porque a necessidade não havia sido confessada como tal para aqueles que ali estavam reunidos. A festa apenas continuou e ninguém ficou nem sabendo porque que continuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que será que Jesus está nos ensinando com isso? E o que será que João, ao usar este milagre inicial está nos dizendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especialmente na seqüência, quando isso se emenda com a purificação do templo, um pouquinho depois; que significado terá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa,&lt;/span&gt; gente, é que os nossos recursos humanos são todos finitos, são todos acabáveis, são todos exauríveis. Em qualquer dimensão da nossa vida, e não apenas relacionada ao casamento, mas em qualquer outra área da vida , o que o homem produz tem começo e tem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A segunda coisa é que a&lt;/span&gt; melhor preparação humana não é, de modo algum, garantia de que não haverá uma surpresa, um susto, uma frustração, uma impossibilidade de dar continuidade por conta própria ao que estava em processo. Também mostra-se a impotência humana quanto a carregar em-si-mesma todas as soluções para os sustos da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente faz planos, a gente projeta, a gente estabelece, a gente vai fazendo o que pode, mas mesmo o mais preparado de nós não tem como prever seguramente o que pode acontecer; porque, às vezes, é o vinho que acaba; outras vezes, é o telhado que cai sobre o vinho que não ia acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aqui se estabelece o limite humano. A impotência humana, a incapacidade humana de fazer solução para sua própria situação quando ela se estabelece como surpresa total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;A terceira coisa que aqui aparece &lt;/span&gt;tem a ver com essa vontade de Deus de que a celebração humana não termine; e não acabe. Em Jesus de Nazaré, a gente tem um Deus que gargalha, a gente tem um Deus que ri, a gente tem um Deus amigo de pecadores, a gente tem um Deus que come, a gente tem um Deus que bebe, a gente tem um Deus que aceita convites para festas, a gente tem um Deus que participa de banquetes, a gente tem um Deus que é a própria desconstrução do “deus” da Religião; ou de todos os outros deuses, que são completamente antagônicos a alegria humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo “Deus” é meio Zeus. Grego, caprichoso, profundamente de veneta, e que de vez em quando faz intervenções abruptas; porque a alegria dos mortais gera ciúme nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim também é o deus da religião. Por exemplo, o deus cristão, que não necessariamente é Jesus-Deus, mas é uma criação nossa—Sim, veja como é o deus cristão. Trata-se de uma produção, muitas vezes da nossa própria criação, um deus feito à nossa imagem e semelhança, muitas vezes, muito parecido com os deuses dos gregos. Não suporta alegria na terra; é um estraga prazeres. Se tiver começando a ficar bom, o cara já começa a ficar culpado e com medo de deus. O indivíduo já nem confessa muito a alegria com aquele medo de que “Deus-Zeus”, a qualquer hora, venha e estrague.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então me diga se essa não é uma neurose instalada dentro de nós?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me diga se você não tem medo de “Deus” quando se trata de prazer e alegria!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pessoa pensa: Eu nem vou dizer que eu estou feliz demais que é para não acabar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das frases mais próprias para nós é: Isso aqui é bom demais para ser verdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja: se está bom, a gente até atribui uma mentira a isso que está acontecendo porque não é possível que o bom seja bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque não é possível que o bom seja bom, se não porque, aqui no fundo, a gente tem medo de que celebrar o bom como bem, possa significar algum tipo de ciúme na divindade ou em qualquer outro poder? Sem falar na inveja dos homens, que virá destruir o que está acontecendo com a gente!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que a experiência do gostoso, do bom, da felicidade, do alegre, do jubiloso, daquilo que é dionísico, nesse sentido de que deixa a alma feliz, já carrega em si, para nós, uma dose de culpa. Aí você tem que fazer regulação das suas próprias alegrias. Ou então você fica alegre, alegre, alegre; mas toda hora dizendo: Senhor, Tu és a minha alegria maior! Senhor, Tu és a minha alegria maior! Oh! não esquece não Senhor, que o Senhor é a minha alegria maior; viu?! Não! Não te equivoques a meu respeito. Mas que está bom, está! Mas o Senhor é a minha alegria maior!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então faz-se como os judeus, lá no Salmo 137. Estando eles lá no cativeiro em Babilônia, quando os babilônios lhes pediam para cantar canções de Deus em terra estrangeira, e eles diziam: Aqui não dá para cantar, porque nós estamos em cativeiro; e como é que a gente vai celebrar as alegrias de Sião aqui numa terra estranha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há uma frase no salmo 137 que não tem nada a ver com o que eu estou falando de um modo geral no contesto mais amplo desta mensagem, mas que tem a ver com o que eu vou falar ainda, e que se relaciona com o que eu acabei de dizer; e que diz o seguinte: Ó Jerusalém, se eu me esquecer de ti, que me seque o meu braço direito e que a minha língua se me apegue ao céu da boca, se eu não te puser a ti, ó Jerusalém, como a minha maior alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é o que os judeus fazem hoje num casamento; sabem o que é? É pegar, depois do casamento, um cálice, colocar no chão, cobrir com um pano, e o cara vai alí e faz assim ó, páaa!—e esmaga o cálice! Porque? Ele está dizendo que a maior alegria dele, está “debaixo” de Jerusalém. É uma confissão para Deus, que tem que se repetir; olha: Eu estou feliz da vida; mas saiba: “O dia da minha maior alegria eu esbagacei todinho, por amor a Ti!” Como se Deus não ficasse alegre com as nossas alegrias. Como se a alegria de Deus não fosse a nossa alegria. Como se o júbilo de Deus não fosse nos ver reconciliados, felizes, bem amados, amando, nos encontrando, vivendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Jesus, esse milagre de transformar água em vinho coincide completamente com a declaração que Ele fez a cerca de si mesmo: Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância. A alegria de vocês é a minha alegria. O que fizer bem e construir o coração de vocês, é a minha felicidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus não sente ciúmes de Eva, nem de Adão, e nem da necessidade de Adão de encontrar Eva. E não se sente menos Deus quando Adão, antes mesmo de haver queda, diz: Eureka! Esta, afinal, é carne da minha carne, osso dos meus ossos; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tirada, foi projetada. É projeção do meu desejo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Deus não se enciúma da alegria!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A outra coisa que Jesus está ensinando com isto é que&lt;/span&gt; um dos piores inimigos da felicidade humana é a religião que quer se instituir como absoluto existencial, no coração da gente. E ele aí desce um cacete metafórico na limitação da religião. Assim como o homem não consegue fazer provisão para si mesmo que traga felicidade perene para o seu próprio coração, nem tampouco a religião o pode. E o que salva a religião, é vinho. O que salva a religião é que seu conteúdo seja transformado em celebração de vida que não se antagonize com a felicidade humana. Porque a religião sim, diferentemente do Deus vivo e verdadeiro, é ciumenta, é caprichosa. Onde houver alegria, ela quer diminuir o facho. Onde houver uma esperança e uma festa na praça, ela quer parar para, de repente, estabelecer uma ordem fora de ordem. Ela quer fazer uma intervenção com a impropriedade da manifestação que diz: eu estou presente aqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a religião, sim, não consegue ver liturgia no encontro dos amantes; não consegue ver alegria no encontro fraterno que ela não controle; não consegue discernir devoção no beijo; não consegue ver espiritualidade na gargalhada feliz de quem está satisfeito de ser quem é, de ter encontrado outros, e de celebrar a vida; ela não consegue ver liturgia na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí vem Jesus e bagunça o coreto! Opera o milagre de transformar água em vinho na pia batismal, nas talhas da religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—Olha, este container de líquido já não servirá nesta noite para qualquer ablução religiosa, que lava apenas as mãos, mas não lava o coração. Vocês terão que aprender a beber nas talhas da religião o vinho da felicidade! Porque foi isto que eu vim fazer! Encher de alegria e vida o que antes era pedra e religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais do que isso, Jesus prossegue e entra no templo. Ele tinha acabado de transformar água em vinho, nas talhas da religião, nas pias de purificação, nos containers sacrossantos que ofereciam a água benta para lavagem de impurezas; e que nada mais podiam lavar do que apenas a colagem e o grude de micróbios e de sujeiras que se agregam à mão. Portanto, não têm o poder de produzir nada mais do que higiene para o corpo; jamais higiene para a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, Jesus entra no templo. E notem como a seqüência continua. Passa do extraordinário, como o milagre de transformar a água em vinho; e transcende o episódio em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem do casamento. Era remédio da misericórdia de Deus para aquela hora; e o remédio da misericórdia de Deus para aquela hora era socorrer os noivos de um vexame; e ajudá-los a não verem o dia da sua alegria ser interrompido por causa de uma escassez. Mas é muito mais do que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele agora entra no templo. Aí, quando Ele entra lá, Ele vê negócios sendo feitos, barganhas; e a cena é chocante; até boi tinha lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baummm! Já imaginaram? Aquele curral e todas as suas “decorrências”; porque até hoje eu não encontrei um boi com “etiqueta”. O bicho vai, dá vontade, e blum...bluá...blum!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boi e ovelha: bluá e blum! Pombo? Piolho! Todas aquelas coisas; um zoológico no templo. E a moçada dizendo: Olha, pombos para purificação mais baratos na minha tenda! Venham aqui! Ou então: Uma vaca sagrada!—depois dizem que isso é coisa de indiano! Uma vaca sagrada, aqui! A minha é melhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os caras gritando, e os outros se oferecendo para o cambio—Não tem como trocar a minha? —Venha, aqui tem troco. Vamos lá! Forneço! Vamos que vamos povo de Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um Mercado Espiritual. Ou como boa parte das igrejas prevalentes de hoje em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O evangelho de Marcos diz que Jesus fez o azorrague bem devagar. Foi tecendo. Aqui e ali ele enfiava um objeto assim, duro, uma ponta de alguma coisa. Amarra ao azorrague.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você já viu um azorrague palestino? Não é brincadeira não. O bicho entra e rasga. Jesus fez um azorrague. Marcos chega a dizer que primeiro Ele observou tudo e ele se retirou. Não foi ato contínuo. Ele volta no dia seguinte com o bichinho bem feito. Sabe? Fez igual a um rosário; foi fazendo, fazendo, aprontou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no dia seguinte Ele entra lá; e aí meu querido, literalmente, João diz: Ele virou a mesa! Essa é uma expressão coloquial nossa, mas antes de o ser, é do Evangelho. Virou as mesas! Expulsou os cambistas. Enxotou os animais. E falou em especial aos que vendiam pombas. Devem ter sido os que ficaram por último. Os que acharam que a poma torna tudo inocente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele falou para os que vendiam pombas. São os recalcitrantes que se auto justificaram e se esconderam atrás das pombas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—A casa do meu Pai não é casa de negócios. A casa do meu Pai é casa de oração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o que uma coisa tem a ver com a outra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num primeiro episódio, Ele pega as talhas da religião e enche de vinho. Num segundo, Ele entra no templo e expulsa a nojeira. E, assim, Jesus mostra como a mente humana é equivocável, como a gente é capaz de não suportar o dia da alegria, onde o vinho é pertinente; enquanto a gente é capaz de engolir os camelos da impertinência, da arrogância e da irreverência para com o lugar o sagrado. Isso a gente tolera fácil. Se for feito em “nome de Deus”, a gente engole todos os camelos! Se não for feito em nome de Deus, a gente côa todos os mosquitos! Aí o cara entra em crise, porque Ele transforma água em vinho. Não entra em crise porque se fez da fé um negócio. Mas escandaliza-se com o vinho na pia batismal num casamento. Dá mais valor à pedras santas que a santidade da alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa doença é tão grande que a gente fica o tempo todo “preso” nas coisas que a gente deveria celebrar. E damos passagem e acesso franco às coisas que a gente deveria repudiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, Ele não pára aí! Ele internaliza o conceito inteiro, quando as autoridades vêm, Lhe perguntam: Com que autoridade tu fazes estas coisas? Entrar aqui, mexer nisto tudo, alterar tudo, expulsar os cambistas, os bois, os animais?! Quem te deu essa autoridade para descer o chicote, e virar a mesa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não responde com claro, senão com uma coisa ambígua palavra. Propositalmente ambígua. Com um duplicidade. Não faz nenhuma questão de ser pedagógico, de explicar coisa alguma; e ao mesmo tempo Ele é radical e visceralmente verdadeiro: Destruí este santuário; e em três dias o reconstruirei! E como os que estavam diante Dele e o interpelavam não se viam como santuário; e não entendiam a própria vida como lugar do sagrado; e não discerniam a própria existência como ambiente no qual eles mesmos deveriam prestar o culto e a reverência; então conforme a pedra e as talhas, assim será a mente e suas percepções!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles só pensaram em santuário como aquilo que se associava a paredes, a pedras, a tijolos e a construções. De modo que eu ouço as palavras de Jesus e imagino esta cena: Os seus interpeladores diante Dele, perguntando-lhe “com que autoridade fazes estas coisas?” E Ele lhes diz: “Destruí!—está pedindo que eles destruam—; destruam; des- tru- í este santuário!” Provavelmente com a mão no peito. Suave e discreta. E eles pensaram que foi apenas uma coceira no peito que deu nele. Não conseguiram nem ler a sua linguagem corporal. Estavam tão presos à letra, tão fixados naquilo que era a tradição, a mente estava tão fechada e selada, que até a comunicação já não os alterava. A letra mata; mas o espírito vivifica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, um cara que não puder ouvir também com o que vê; e não puder ver também com aquilo que ouve; não vai nunca discernir coisa alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destruí este santuário. E em três dias eu o reconstruirei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;—Mas como? Herodes, O Grande, levou 46 anos para erigir essa obra colossal; e tu dizes que em três dias a reconstruirás?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algum tempo, os discípulos se lembraram, quando Jesus ressuscitou ao terceiro dia, que Ele estava falando do santuário do seu próprio corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que isto tem a ver com a gente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma mudança dimensional radical aqui, em todos os aspectos. As talhas de pedra são apenas talhas de pedra; e elas podem ser usadas para aquilo que for bom, porque não existe nada que seja santo em si mesmo, se a sua utilização não promover a vida; assim como não há nada impuro de si mesmo nesta vida, exceto aquilo que é contra a vida. Não existe nada que de si mesmo seja santo, pois só Deus é santo. E não existe nada em que sendo santo, seja santo apenas para si mesmo, porque o objeto não é santo, a menos que o serviço que ele empresta a si mesmo seja alguma coisa que produza o bem da vida humana. Do contrário, ele é apenas pau, pedra, é o fim do caminho... As águas de março vão passar sobre ele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus está aqui dizendo para nós, que não é o homem que está à serviço da religião, mas a religião à serviço do homem; assim como não é o homem que está à serviço do sábado, é o sábado que está à serviço do homem. Ele está fazendo uma perversão profunda na ordem religiosa, e dizendo: Olha, isto tudo tem que estar a serviço da vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perversão é que agora vida está à serviço disto; da religião e do Deus-Zeuzangado. Mas aqui todas as coisas estão a serviço da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a coisa não ajudar a festa a continuar, ainda que seja por empréstimo, que valor tem jogado lá no canto, ocioso? Nem se espera que “isto” faça o milagre; mas só se espera que pelo menos “isto” se deixe encher pelo milagre. Nem se espera que “isto” faça brotar em si a vida; só se espera que “isto” se deixe usar pela vida, para o bem da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o que guarda e carrega significado, não são essas coisas que estão disponíveis aos sentidos e aos olhos. O santuário, sou eu, é o meu coração! E mais do que isso, Jesus nos ensina, que o que vale diante Dele é aquilo que se manifesta como benção, que traz garantia à continuidade da própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Ele disse que aquele lugar ali era para ser expulso de todo o entulho de negociação que ali se fazia, e de todas as barganhas que ali aconteciam, e mandou que se olhasse para Ele mesmo—ao dizer isso, Ele não estava lutando contra os templos. Nós somos tão gratos a Deus por um lugar maravilhoso como este; esta Catedral que nos abriga. Não há nada demais em geografias e em localizações que sejam dedicadas ao culto a Deus, só passa a ser alguma coisa ruim quando essa coisa trabalha contra a vida. Mas o lugar em si, é um teto. Um teto bom e agradável, como as nossas casas. As nossas casas são lugares maravilhosos, até que a gente passe a viver para elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conheci uma mulher que passou a vida inteira vivendo para sua casa, e quando eu digo casa, não estou falando de marido e dos filhos não, estou falando da casa como construção. Ela morreu há uns 5 anos, com setenta e poucos anos de idade. Ela não conheceu outra coisa na vida a não ser viver para cuidar da casa. Você entrava ali, era o lugar mais bem decorado e arrumado que você pudesse imaginar; e ela lavava as louças dela, no tanque de lavar roupa da empregada; porque nem a pia da cozinha ela queria sujar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a conheci, eu tinha 12 anos de idade. Ela morreu eu tinha 44, 45. E eu me lembro quando eu estava aí no auge das atividades, pra lá e pra cá, aquela correria sufocante, que seria necessário uns vinte ou trinta de mim para dar conta de todas as coisas que eu fazia; ela que me amava desde a minha infância, às vezes me telefonava e dizia assim: Meu filho, dá uma chegada aqui na minha casa (era uma casa maravilhosa, com aquela vista para a praia, linda!). Vem descansar aqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu dizia: Meu Deus, como é que eu vou conseguir descansar se cada virada que eu der na cama eu vou pensar que eu vou ter que ajeitar a cama, pra lá, pra cá? Se eu virar no travesseiro eu vou me desassossegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia eu fui; depois de muita insistência dela, eu fui. “Vem almoçar comigo!”—pedia ela. “Tá bom, eu vou!” Aí eu fui lá. E ela ficou em pé, me vendo comer. Sim! Você comendo observado. Aí, eu acabei; ela tirou o prato. Hummm! Aí, sobremesa. Eu comi. Ela tirou o prato da sobremesa. Aí, eu levantei. Fui até a cozinha. Ela estava no tanque de lavar roupa, lavando os pratos, a cozinha, tac, tac...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o espírito da religião que não serve aos homens, mas que serve a si mesma. Essa coisa de estrutura, de mobília, de aparência, do lado de fora. Jesus vem, e diz: Olha, a salvação disso é botar vida, alegria, vinho! Tem que prestar serviços à alegria que quer continuar... Não pode ser estraga prazeres. Tem que estar a serviço da continuidade, do júbilo. Tem que colaborar com a continuidade da festa. Tem que se oferecer para que aquilo que é bom seja bom. Tem que ser container de bondades e não de bondades selecionadas; porque se eu seleciono algumas bondades que podem caber, e as outras que, mesmo sendo boas, não cabem aqui—porque não parecem com aquilo que aqui eu determinei; que tem que ser o conteúdo—, eu já estou trabalhando contra o bem da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí você pergunta: O que isto tem a ver comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o que isso tem a ver com a gente, é simples. Com essa milagre-ação-metafórica, Jesus não só está transformando água em vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você percebeu o espírito todo de tudo o que foi falado e discernido até aqui, então, a sua compreensão tem que implicar em que Deus não está trabalhando contra a sua felicidade. Quem está é o diabo; e é todo aquele que veio para matar, roubar, e destruir; mesmo que diga que não veio para isto. Mas se faz isto, isto é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus disse: Eu vim para que vocês tenham vida, e a tenham em abundância!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É interessante como as nossas concepções de Deus vão ficando diabólicas. Você já percebeu? O diabo é que chega, e se tem alguma coisa nascendo, o “bicho” mata. Se tem alguma coisa acontecendo, ele rouba; se tem alguma coisa estabelecida, ele destrói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a consciência que a gente tiver de “Deus”, estiver atrelada a um conteúdo que só fica bem no Diabo, você pode pular, gritar, invocar o nome de Jesus, mas não é Jesus mesmo que você está discernindo. Sim, se você invocar o nome de Jesus pensando que “Jesus é assim”—esse estraga prazeres da vida—, você vai dizer: Meu Deus, quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, o cara não sabe porque ele está usando o nome de Jesus o dia inteiro e a vida só fica horrorosa, e a cabeça dele só piora, e os grilos dele só aumentam. Ele até pede licença ao anjo do Senhor para não participar de determinados momentos íntimos da vida nele; não é? Porque o anjo do Senhor se acampa ao redor dos que o temem, e os livra. Parece até uma senhora que uma vez me procurou, dizendo: Pastor, antes de eu conhecer Jesus a minha vida conjugal era uma maravilha. Eu e meu marido tínhamos uma liberdade profunda. Era uma maravilha, pastor! Mas agora, depois que eu me converti, não consigo mais provar aquela maravilha. Eu falei: Por que? O seu marido está com algum problema? Ela falou: Não, sou eu! Eu falei: Mas qual o seu problema? A senhora deixou de gostar do seu marido? —Não, pastor, é o anjo do Senhor! Quando chega ali... naquela hora fatídica, que a coisa começa a esquentar, e meu marido fica todo assanhado; aí eu me lembro que o anjo do Senhor se acampa ao redor dos que o temem, os livra. Aí eu já começo a dizer assim: Não, isso não pode! Mas ele: O que é meu bem? —Eu não posso dizer que é o anjo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, esse é um caso caricato, mas seja verdadeiro com você que você vai ver que a mesma neurose está aí dentro. Vocês observaram como crente imola sempre alguém ou alguma coisa que esteja amando? A pessoa começa a amar alguém, começa logo a vir aquela angústia: Será que eu vou ter que imolar o meu Isaque? Deus vai me pedir isso a qualquer momento. Deixa, Senhor, eu gostar menos! Deixa que eu vou me dar menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você começa a gostar de alguma coisa, e pensa: Ah! Deus vai me pedir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um deus muito ciumento, muito bobo; um deus que não dá para caber em altar nenhum da minha vida, porque é tão mesquinho que até eu sou maior que ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senhor nosso Deus, é o Deus da vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi Ele que criou Adão com a necessidade de dizer: Eu estou com a nostalgia da necessidade de uma companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi Ele que estabeleceu que o amor Dele em nós se manifesta não apenas como amor nosso por Ele, mas também como amor nosso por nossos irmãos; das mais variadas formas, dimensões e camadas de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Ele é a favor disso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês já viram que no Velho Testamento se diz que quando a bênção de Deus visitasse seu povo com profundidade e com abundância, as crianças se alegrariam na praça, as virgens dançariam, e celebrariam; e jamais deixaria de haver a cantiga, a expressão, e a manifestação da alegria da voz do noivo e a voz da noiva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas essas coisas carregam a promessa de Deus, e Deus quer estar nelas para nós, pois nelas Ele está mesmo sem nós!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu vim dizer hoje aqui para você é: Não tenha medo de ser feliz! Não ache que Deus está competindo contra sua vida, nem contra o seu coração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se você entender e discernir isto, você vai fazer as escolhas da vida e não da morte. Mas aquelas que sejam bênçãos da vida; viva-as em plenitude, sem medo de que Deus se sinta enciumado. Porque a gente está falando de Deus, a gente não está falando de Zeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neurose de felicidade! É quando a felicidade faz o cara ficar neurótico. Geralmente, é quando ele é crente. Crente é que tem muito medo de ser feliz. Você já imaginou que a gente possa ficar doente do medo de ser feliz? Qual é o teu problema? Você está pensando que isto aqui é uma coisa que não acontece? Eu estou falando aqui, e 80% dos que estão aqui conhecem essa angústia. E ainda tem mais aqueles que neurotizam o processo; não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ou não é? Começa a ficar bom, o cara já começa a repreender de cá, amarrar acolá, olhar para um lado, olhar para o outro, tem um bicho que vai pegar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, não precisa nem o diabo trabalhar, com essa pré-disposição mental, você inventa um fantasma para acabar com você. E isso é instalado pela Religião. E o extraordinário é que a gente pode falar de Jesus, com todo o coração, sem pensar que uma coisa tem a ver com a outra. A outra, a Religião, tem a sua utilidade se se deixar encher de água transformável em vinho, se a ocasião pedir; a outra, as talhas, a Religião, tem que estar à serviço da alegria humana, da comunhão humana, da festa, na qual Jesus está presente. E o estranho é que Jesus, às vezes, está presente na festa, mas a religião se acha mais digna do que Ele, e se nega a se fazer presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nietsche disse que jamais poderia crer num Deus que não dançasse. E ele está certo. Estava. Porque Jesus de Nazaré é Deus que dança. O pai do filho pródigo não só manda botar um anel no dedo, sandália nos pés, a dar ao filho a melhor roupa, mas também manda matar um novilho cevado; mas também manda contratar a melhor banda da cidade; e chama os convidados. E é o irmão mais velho, que tem uma cabeça neuroticamente religiosa, como a dos fariseus, é que chega, e vê a festança, e se nega a entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando reclamaram de Jesus e dos modos Dele—absolutamente livre ao lidar com as pessoas, em todos os níveis, em todos os lugares, em todas as camadas, sem neurose purificatória—, Ele disse: A que eu compararia esta geração? senão a meninos que sentados na praça dizem uns aos outros—aquela brincadeira e birra de menino, implicante—: Nós cantamos e vocês não repetiram o coro com a gente; aí, o outro grupo de cá, diz: É, a gente também brincou de chorar e vocês não prantearam conosco. Jesus disse: Porque veio João Batista, que não comia nada, e nem bebia nada, e vocês disseram: Tem demônio! Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vocês dizem: Eis aí um glutão, bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada pelas suas próprias obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje essa pode ser uma ocasião terapêutica para sua vida, se você se deixar curar do medo de ser feliz, se você parar de pensar que Deus quer apenas que você viva uma alegria e uma felicidade bastante, bastante módicos; porque se passar de determinado nível Ele pode começar a “aprontar uma” para mostrar que a sua alegria é Ele. Não é assim! Deus nunca visita os felizes, só porque estão felizes. Com os felizes Ele se une a sua própria felicidade. Aos infelizes, Ele os liberta para que haja festa no céu, festa no coração e festa entre os irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alegrai-vos sempre no Senhor. Outra vez vos digo: Alegrai-vos, disse Paulo. Isto é bom para vós outros. Se você hoje está aqui com a mente e o coração daqueles que ficam o tempo todo fazendo uma negociação com Deus, e dando explicações infundadas: Olha, eu estou alegre, mas não leva a mal não!—então, pare com isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a sua cabecinha sofre disso, pare. Porque continuar assim é garantia de tristeza para a sua alma. O Deus revelado em Jesus faz a festa continuar e ficar melhor. Porque todos costumam pôr primeiro o bom vinho, e quando já beberam fartamente servem o inferior. Ele deixa, todavia, você gastar todos os seus recursos, e quando você pensa que faliu, Ele vem e diz: Meu filho, agora é que a festa vai começar! Para perplexidade de todos, da sua falência de recursos, eu vou fazer vir o inesperado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o Deus da nossa vida, e com Ele a gente anda em liberdade. Convide-o para o casamento, convide-o para a cama, convide-o para a praia, convide-o para os negócios, convide-o para o ar livre, convide-o para as férias—Sim, assim como se O convida para a introversão, para a dor, para o abismo da alma, para a depressão. Do mesmo modo também se O convida para o dia da dança, da festa e de todas as celebrações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é o Deus da nossa vida. E se você crer nisto e quer que isto se transforme num bem em sua alma, numa cura contra a neurose e a culpa da felicidade, eu queria fazer uma oração com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que a gente tem medo de se entregar. Eu tenho medo de ser feliz. Gente fica o tempo todo dando explicações e gasta tanto tempo explicando, que nem vive. E se esse for seu caso, saiba: Isso se instala em nós como um vício. Ora, ter medo de ser feliz vira neurose. E um “deus” como esse se transforma na mais horrorosa de todas as paranóias que um ser humano pode ter na terra; porque dessa paranóia ninguém escapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você é paranóico com medo de ladrão, você fecha a porta, e dá a sensação de alívio. Sobe numa montanha, e diz: Aqui eu estou só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando “Deus” é a sua paranóia, se você sobe ao céu, lá a paranóia está; se você faz a cama no mais profundo abismo, lá a paranóia está também; se você tomo as asas da alvorada e se detém nos confins dos mares, ainda lá a paranóia encontra você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para onde me ausentarei da paranóia? Para onde fugirei deste espírito paranóico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foge. Você não foge de Deus e também não foge do “deus” que você criou como paranóia. Mas se você quiser ficar livre disso, e desejar experimentar a singeleza da água que vira vinho, e das talhas que são transformadas em cálices gigantes para alegria do povo, no meio do qual Jesus está, então ore comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria fazer uma oração com você. Não é por você. É com você. Eu orando com você e você comigo. Agora tem uma coisa: a gente tem que ter coragem para ser feliz e coragem para ser infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isso aqui eu não estou dizendo que todos os seus momentos de felicidade vão continuar. Só estou dizendo que eles podem até acabar, mas se Jesus estiver presente, pode acabar o que você botou, mas não acabou a festa, porque Ele está presente para fazer aquilo que acabou, continuar... Já não é mais aquele vinho. Aquele acabou. O Dele é que não acaba. Hoje você está muito feliz porque está amando alguém, mas está com medo dessa felicidade. Eu não sei se é com essa pessoa que você vai se dar muito bem. Se não for contra a sua consciência, nem contra a verdade que você chama de verdade, viva na paz, sem medo. Se alguma coisa acontecer na festa, pode ter certeza, você pode até levar o sobressalto de dizer: “O meu vinho acabou!” Mas o vinho de Jesus, só está começando. Os nossos vinhos acabam. Ele participa das nossas festas assim mesmo. Enquanto o vinho que tinha lá era o vinho que o homem botou, Ele tomou. Na hora que acabou, Ele fez o melhor. Então, até para conhecer o melhor, você não que ter medo de viver o que tem hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica o cara com essa neurose o tempo todo: será que eu vou? Será que eu não vou? Meu Deus, se não for uma violência à sua consciência; se está faz bem; então, vá. Se acabar, não pense que sua vida acabou porque o Senhor. Quem sabe Ele deixou você experimentar essa falência circunstancial para você conhecer o que não tem fim, o que não acaba, o que é melhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o Deus em favor da vida. Daqui para frente, quando você ouvir essa palavra de Jesus: Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância—, não fique pensando que vida é carro novo. Você liga na televisão, eles usam esse versículo para falar do carro novo, da casa nova, de não sei o quê. Se esse fosse o conceito, os seres mais abençoados do mundo estariam na máfia. Jesus disse que a vida é mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes. Ele não se contradiz. Vida é vida; carro é carro. Vida é vida; casa é casa. Corpo é corpo; roupa é roupa. Eu vivo sem roupa. Roupa, é que não vive sem mim; nem quando me veste. Você entendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oração:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor Jesus, nós estamos aqui diante de ti, pedindo que Tu abras o nosso entendimento, o nosso coração. Porque Tu és o Deus da vida e Tu não és o diabo. O diabo é que é um enganador tão grande que, como Tu nos ensinaste, ele consegue fazer até da religião ou da fé de Abraão uma religião que produz filhos do diabo, como disseste àqueles judeus que se jactavam de serem filhos de Abraão, fazendo com que o homem fosse esmagado por aquilo que para Abraão foi salvação, e que depois haveria de se transformado em tirania e opressão; e que era usado para manipular e tiranizar a vida do próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, a esses disseste: Vós é que sois filhos do diabo; e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salva-nos desta percepção errada de que Deus é contra a vida. Por favor, Senhor, coloca no coração de cada um aqui tranqüilidade, leveza, paz, bom senso, confiança, para que a vida de cada um vá ficando cada vez mais livre, mais solta, mais liberta, menos aflita, menos neurótica, menos paranóica, menos culpada, menos nervosa e mais pacificada, sabendo que o Senhor é por nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senhor que podia ser contra nós, é por nós. E nos deu gratuitamente o seu filho. Porventura, Tu não nos dará, juntamente com Ele, gratuitamente, todas as coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, tira do nosso coração o medo de ser feliz; onde reside a mais diabólica neurose que é essa culpa de ser alegre, de ser feliz; e que, infelizmente, muitas vezes, é causada em razão das talhas das purificações, da religião, que fazem a gente viver nervosamente lavando o pé, lavando a mão, lavando a cabelo, lavando o corpo, lavando tudo... e sem nunca entrar na alegria e na paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vem Tu, ó Senhor, com santa ironia e usa isso tudo para encher de vinho, e servir como cálices gigantes, para que o casamento com a vida, a festa, a amizade, a fraternidade, o companheirismo, a alegria da vida, continuem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que Tu te apresentas. É assim que te queremos. Foi assim, a Ti, que nos convertemos. Não deixe que ninguém tenha o poder de desfigurar a Tua face diante de nós, de modo que a gente comece a, pensando que está te seguindo, seguir apenas um Medo; andando contigo por pavor, não por amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salva-nos disto e ajuda-nos agora a provarmos o bom vinho, novo, feito por Ti, que não carrega consigo o cálice da embriaguez, mas da vida; que é a embriaguez de alegria, de esperança e de certeza de que nas nossas falências pode faltar tudo, menos a tua presença, porque se Tu estiveres presente, nada me faltará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, faz com que Tua Palavra suave não fique na camada do nosso superficial do nosso entendimento, mas que ela entre nas nossas vísceras, e nos salve dessa neurose horrível; e nos liberte para vivermos essa vida que não teme ser de Deus; e que é livre para ser feliz em Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu peço que seja assim; eu sei que assim está sendo. Em nome de Jesus e para a glória de Jesus. Amém, amém, e amém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-121291723241774779?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/121291723241774779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/04/convertendo-talhas-de-pedra-em-calices.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/121291723241774779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/121291723241774779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/04/convertendo-talhas-de-pedra-em-calices.html' title='CONVERTENDO TALHAS DE PEDRA EM CÁLICES!'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-7348672014900129725</id><published>2011-04-19T13:28:00.000-07:00</published><updated>2011-04-19T13:30:10.232-07:00</updated><title type='text'>A Figueira Sem Fruto</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;PREGAÇÃO REV. CAIO FÁBIO &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TEXTO: Marcos 11: 12 a 19&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, quando saíram de Betânia, Jesus teve fome. E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. Então, disse Jesus á figueira: nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foram para Jerusalém. E entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali vendiam e compravam; derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo; também os ensinava e dizia: Não está escrito: Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado em covil de salteadores. E os principais sacerdotes e escribas ouviam estas coisas e procuravam um modo de lhe tirar a vida; pois o temiam, porque toda a multidão se maravilhava de sua doutrina. Em vindo a tarde, saíram da cidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Oração:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai, nós te invocamos juntos, teu povo, irmãos, corações que crêem no teu nome, que te chamam Pai e Deus, que se apresentam diante de ti com a consciência de que a nossa vida é em ti, e que a finalidade da nossa existência é te dar glória. Ouve a nossa voz, habita entre nós. Tu que habitas em nós e cerca-nos com a tua graça, e abraça-nos com a tua glória. Nós pedimos em nome de Jesus. Amém e amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto lido carrega consigo uma espécie de arbitrariedade, de despotismo divino. Eu já encontrei uma quantidade muito grande de pessoas que lêem esse acontecimento e fazem logo, de saída, a pergunta seguinte: Escuta, por que Jesus fez isso com a pobrezinha da figueira, se está dito que nem tempo de figos era? Que abuso! Que capricho! Por que Ele tratou assim a pobre dessa árvore? Que implicância vegetal foi essa? Afinal, está explicitado o fato de que não era a estação dos figos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, antes de tudo, a pergunta que me vem é: quando foi que esse episódio aconteceu? Pelo contexto do Evangelho, foi no final de março; próximo de abril. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, vem uma segunda pergunta: quando era tempo e estação de figos no Oriente Médio? E a resposta é a seguinte: em junho eles começavam a aparecer; e em agosto, eles ficavam doces e saborosos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, vem uma outra pergunta: qual a principal característica da figueira? E a resposta é simples. Estranhamente, ela inverte um processo que é quase comum em todas as árvores frutíferas, que primeiro colocam para fora as suas folhas, e depois trazem à luz os seus frutos. A figueira traz primeiro à luz os seus frutos, depois é que ela mostra a folhagem. De modo que no mês de março, o que havia no caminho entre Betânia, o Monte das Oliveiras onde isto aconteceu, e a cidade de Jerusalém para onde eles estavam indo, era uma quantidade enorme de oliveiras e de figueiras. Só que todas as figueiras estavam nuas, peladas, próprias, adequadas à estação. E no meio daquela multidão de figueiras adequadas à estação, portanto, nuas de frutos e de folhas, havia uma que se “projetava”, que fazia um showcase vegetal, e que mostrava uma quantidade enorme de folhagens, verde, verde, verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus estava com fome, diz o texto. Saiu de casa e não comeu nada. Olhou aquela quantidade imensa de figueiras peladas e desprovidas de frutos, e no meio delas, uma, anômala, que no mês de março estava produzindo folhagens que só iriam aparecer, na melhor da hipóteses, em junho, ou mais propriamente, em agosto. Mas, antecipadamente, fora da estação, sem senso de propriedade, cometendo uma anomalia natural, ela está no mês de março gritando vegetalmente que ela está cheia de frutos, justamente porque ela está cheia de folhas; e assim era justamente porque a figueira primeiro dá o fruto e depois é que faz nascer as folhas. Portanto, se está cheia de folhas, é porque está abarrotada de frutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Jesus estava com fome. Ele disse: eu vou comer dessa figueira que está cheia de frutos fora da estação! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele vai lá; procura em baixo da figueira toda, e entra; folhagem em abundância; mas nem um fruto sequer. O interessante, é que Ele amaldiçoa essa figueira, dizendo: Nunca mais ninguém coma fruto de ti! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida Ele entra no templo, expulsa de lá os cambistas, os vendedores, os que comerciavam na casa de Deus, os que faziam negócio com o sagrado, os que vendiam pacotes, fetiches e amuletos de reconciliação divina; os que lucravam com a máquina da religião, os que eram os promotores do culto artificial, os que viviam de induzir o povo a uma espiritualidade mecânica que não tinha nenhum vínculo com Deus. Sim, Ele vai e expulsa esse negócio do templo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a questão é: o que Ele está querendo dizer? Era só um capricho divino? Amaldiçoar uma figueira? Ou, de fato, esse episódio não é uma grande parábola? Não apenas sobre o poder da fé, quando logo adiante Jesus usa uma hipérbole, e diz: Olha, não apenas a essa figueira; mas até mesmo ao Monte das Oliveiras que está cheio de figueiras, se vocês com fé vocês ordenarem que ele se transporte daqui para o mar, assim acontecerá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para além disso, não há uma outra parábola de Jesus sendo contada nessa história? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que o episódio não é completamente fruto de um desígnio e de intencionalidade? Sim, o fato Dele amaldiçoar a figueira que tem aparência de frutuosidade, mas que é só folhagem, ser seguida da entrada Dele no templo, que também era suntuosidade e aparência, mas dentro era nada, não será também uma parábola? Será que essa não era uma parábola para Israel, que aparece como figueira, diversas vezes, no Velho Testamento? Será que essa não é uma parábola para a situação espiritual de Israel, que vivia de sacrifícios, de pompa, de farisaísmo, de obediências exteriorizadas que não correspondiam à verdades do coração, a tentativa de produzir frutos de aparência religiosa, que não tinham nenhum significado existencial porque não eram o produto do amor, mas apenas da auto-proclamação, da falsa virtude? Será que não era uma parábola de Jesus, denunciando o circo de todas aquelas aparências? Será que não era Jesus dizendo que Deus prefere a nudez própria, do que a tentativa da gente camuflar a própria verdade do nosso ser, com a construção de folhagens, que não dizem absolutamente nada? Será que não é Jesus dizendo que a natureza desses, em quem Ele espera encontrar fruto, acontece como a natureza da figueira, que faz nascer primeiro o fruto, a folhagem vem depois? Ou seja, nasce primeiro a verdade; depois é que ela se transforma em qualquer forma de comportamento? E a tentativa de inverter essa ordem, faz com que a vida se transforme em farisaísmo de folhagens, de aparências, e morta de frutos interiores? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, será que não é uma parábola de Jesus dizendo quanto que Ele dá valor ao senso de propriedade? Porque é ele que tem fome, e de maneira própria e adequada, tenta matar a fome numa figueira sem senso de propriedade natural, visto que inverte a ordem de sua própria natureza, e, ao invés de dar fruto, dá folhas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há aqui, também, uma denuncia total às existências sem senso de propriedade, que tem a ver com a verdade vivida com consciência de si mesma: portanto, de modo coerente com o tempo, a hora e a estação. Isto é sentido de propriedade conforme a natureza e a verdade das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tem fome; Ele quer comer. Ele tem sede; Ele quer beber. Ele tem sono; Ele dorme mesmo que seja na popa de um barco numa tempestade. Ele vai a um casamento? Ele não transforma água em pão; mas água em vinho. As pessoas estão com fome? Ele multiplica pães e peixes, ao invés de pedir um odre de água e fazer um banquete para embebedar a multidão, para sentirem menos fome. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Jesus tudo tem propriedade no que ele faz. Tudo tem pertinência. Existe uma verdade aplicada. Para cada pessoa e para cada coisa, um significado próprio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Evangelho de João ilustra isso de maneira extraordinária. No capítulo 2, ele transforma água em vinho. No capítulo 3, um cara vem a ele conversar sobre o fato de que sabe que Jesus vem da parte de Deus, porque ninguém pode fazer os sinais que Jesus faz se Deus não estiver com ele - que é Nicodemos, que diz isso. E Jesus diz: Olha, se você não nascer de novo, você jamais vai entrar no reino dos céus. E Ele diz isso porque Ele está falando com um acadêmico, que supostamente está usando uma lógica de causa e efeito, para dizer que seria natural e lógico pensar que Jesus era Deus; e Jesus desmonta e desconstroe esta lógica com uma pergunta que empurra Nicodemos para a dimensão da verdade visceral e não intelectual, e diz: Se você não nascer de novo, e se alguém não nascer de novo, ninguém pode herdar o reino dos céus. Tira a coisa toda do mundo da física, da lógica e da cartesianidade, e traz para a visceralidade do encontro com a verdade no coração. No cap. 4, Ele encontra com uma mulher na beira de um poço, é meio dia, Ele está com sede, Ele pede de beber. A sede do coração da mulher é mais profunda do que ela mesma sabia, e Ele oferece a ela a água da vida. &lt;br /&gt;No cap. 5, Ele encontra um homem que está há 38 anos prostrado à beira de um tanque, esperando a chance de uma cura miraculosa, em Betesda. E Ele pergunta ao indivíduo: Tu queres ser curado? No capítulo 6, o povo tem fome e Ele multiplica alimentos. No capítulo 9, Ele cura um cego de nascença e, em seguida, diz: Eu sou a luz do mundo. No capítulo 11, Ele ressuscita um morto e diz que Ele é a ressurreição e a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as coisas têm senso de propriedade. Já imaginaram se Ele chegasse para aquele cego de nascença e perguntasse ao cara que tinha nascido cego: Escuta, meu filho, tu queres nascer de novo? O sujeito ia dizer: Você está de gozação, comigo! Isso é carma, ou o que é? Quer que eu volte aqui para pagar mais quantas penalidades? Ou imagine algo assim em relação ao homem lá de Betesda, da beira do poço, do tanque. Você quer que eu transforme essa água em vinho? Talvez o cara dissesse: É bom porque a gente se afoga e bebe até esquecer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senso de propriedade! Sim, até na cruz! Encontra sua mãe, vê um discípulo e pede que ele cuide dela. Quando Ele está com sede diz: Tenho sede! Quando o desespero bate, a dor mais aguda e insuportável chegam, Ele diz: Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Jesus tudo é próprio. Ele acordou de manhã, teve fome e, de maneira própria, quis comer. Havia uma propaganda de frutos. Pelas folhagens Ele procura e não acha nada. E, assim, nos ensina com esta parábola algumas coisas que a gente não vai esquecer nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira é que Deus não pede de ninguém que dê qualquer fruto fora da estação. Não pede. Porque quando a estação não é de fruto, o fruto da estação que não é de fruto, é o fruto da verdade de não dar fruto fora da estação. A verdade não é só o que é; a verdade também é o que não é. E a verdade do que é não é mais importante do que a verdade do que não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais esqueça disso: Deus prefere todas as figueiras nuas! Ele não suporta é a tentativa da gente fazer de conta! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há aqui um ato despótico, simbólico sobre a figueira, para ilustrar o estado de repugnância divina para com a nossa tentativa de mascaramento do nosso ser. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhamente é uma figueira. E estranhamente, foi de folhas de figueira que Adão e sua mulher fizeram as primeiras vestimentas, que tentavam cobrir o seu sentimento de auto percepção de nudez psicológica, lá no Éden. Porque nus eles estavam antes. Eles só se “sentiram” pela primeira vez. E para cobrirem a nudez, eles fizeram tanguinhas de folhinha de figueira. E é agora a figueira que está de volta no cenário, fazendo tanguinha para encobrir a nudez do fato de que não há fruto. Aí Deus diz: Tira a figueira! Eu te prefiro nu. Pelado tu tens salvação; camuflado, tu estás perdido. Pelado, eu te cubro com meu sangue; camuflado, tu vives da tua justiça própria e vais morrer na presunção da tua religiosidade, que eu nem sequer conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evangélico, em geral, sofre da neurose de produzir fruto. E essa neurose tem fases diferentes na vida. Tem aquela fase que o cara se converte, dependendo da igreja e de quem ele ouve, ele “entra numa” que se ele não converter alguém, dentro de um ou dois anos, ele não deu nem um fruto para Jesus ainda, e a vida dele é infrutífera. Eu já vi uma pessoa quase ficar completamente neurótica com essa situação, porque leram aquele texto lá de Lucas, aonde Jesus também conta uma parábola, dizendo que o dono da vinha veio, e não encontrou fruto na videira, um ano, dois anos, e a quis cortar, para que a árvore não ocupasse o chão. Mas alguém pediu, e disse: Olha, deixa por enquanto. Deixa mais um ano, para eu cuidar da terra para ver se dá fruto. Ora, a pessoa que eu disse que ficou neurótica com essa parábola de Jesus, ouviu isso, e ficou griladíssima, e meteu na cabeça de que se até o Réveillon ela não levasse ninguém a Cristo—já que ela estava convertida a um ano, agora ela só tinha apenas mais um pela frente—, ela iria ser cortada. E o grilo foi grande! Foi difícil salvá-la da idéia! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, vão me dizer que vocês já não viveram essa agonia, ou não vivem? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh céu, minha vida! Eu estou aqui nesta terra, nesse mundo, meu Deus, será que eu já tive o privilégio de levar alguém a Cristo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém já disse assim: Ele aceitou a Jesus como seu Senhor e Salvador, porque eu falei de Jesus para ele, ainda o levei pelo braço até a igreja, ele foi batizado lá na pia batismal? Sim, você já disse isso como quem tinha dada fruto pela primeira &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;vez? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é assim que funciona? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou, então, o indivíduo tenta descobrir alguma razão para estar vivo, de qualquer modo. Ele tem que dar fruto, e ele inventa alguma coisa assim. Se ele não sabe o que é “dar fruto”, ele vai ficando neurótico com a necessidade de dar fruto. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus, eu preciso de dar fruto!—diz ele angustiado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os frutos que a gente inventa, são sempre os frutos que nos iludem em relação aos frutos verdadeiros. Porque a gente começa a imaginar esse fruto, para o lado de fora, como comportamento, performance, realização, produtividade visível. Uma série de coisas que possam ser mensuráveis, para a gente poder justificar a vida da gente, com o fruto que a gente dá. E a gente não descobriu que o oposto é o que está sendo ensinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Jesus está ensinando não precisa fabricar nada. Não precisa inventar nada. Não precisa tomar “anabolizante espiritual” para dar fruto antes da hora. Nem precisa receber injeção de fertilidade. O fruto vai acontecer na estação própria. O grande fruto da vida é ela própria ser vivida e experimentada, em verdade, na presença de Deus e na sua própria consciência diante Dele. Esse é o fruto de ser! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu acho extraordinário é que o convite do Evangelho é justamente uma libertação para a gente ficar completamente salvo das cangas, dos jugos, das tiranias, dos scripts de outros, da tentativa da gente viver uma vida que não é nossa, de ser a pessoa que a gente não é, de se deixar clonar por padrões e paradigmas dentro dos quais a gente, nem sempre, consegue caber. Ou então numa constante e permanente tentativa de moldar a nossa existência, o tempo todo, de modo que ela encontre uma conformidade que nos dê conforto; porque é isso que se pede de nós, e essa é a ambição da gente. É ser alguém para esse mundo. Significa dizer: eleger um parâmetro e um ideal, chegar lá a qualquer preço. Se matando no caminho. Inventando fruto fora da estação. Um espetáculo de exterioridades. Um show de folhagens que não chegaram porque os frutos a antecederam, conforme a natureza verdadeira da figueira, mas apenas como camuflagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da igreja, dependendo da igreja, as pessoas começam a virar clones de quem as dirige, ou as guia. Eu sei de que igreja o cara é, onde ele freqüenta, dependendo da personalidade do líder, pelo modo do sujeito me cumprimentar na rua. Eu já sei de onde é que ele está vindo. É um cloninho, é todo mundo “chaveirinho” do cara que os dirige. E, para certos crentes, se não for assim, não serve. E ele não sabe que é justamente isso que vai amarrando, travando-o, a existência inteira. E ele passa o tempo todo debaixo da tirania de ser quem ele não é, de produzir o fruto que não lhe é natural, de apresentar resultados fora das estações da vida; numa tentativa de auto-justificação permanente, querendo ele mesmo dar significado a sua própria existência. E sempre com atos de falsificação pessoal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhe para sua vida e veja a quantidade de coisas e de papéis que você já assumiu, simplesmente por causa desse padrão. Quer ser figueira dando fruto que não existe; é só folhagem, é só show-off, só performaticidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o que Jesus está ensinando é justamente o oposto disso. O convite é para você ser quem você é. Você não tem nenhuma obrigação de ser figueira que tenta dar fruto em março, se a estação do fruto é julho ou agosto. E especialmente se figueira produz primeiro o fruto e depois a folha; assim se mostra a folha que não foi precedida do fruto. É um show de exterioridades que são abomináveis a Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o interessante é que dá um trabalho desgraçado fazer isso. Mas é esse o trabalho ao qual a gente se impõe. Em quanto o convite do Evangelho é o oposto. Você não é ainda quem você já é em Cristo. Mas você não será ninguém mais em Cristo, que não seja você mesmo em Cristo. Portanto, pode olhar em volta. Ninguém aqui é referência para você, para nada. É você que vai ser transformado de dia em dia, na imagem do Senhor, para se tornar conforme a imagem do filho de Deus. Mas vai ser você. Você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você hoje é uma semente corruptível; eu também. Todos nós. Processo de degradação e decreptância nos marcam a existência. Isso é ser “um corpo mortal”. Foi semeado na corrupção. Mas será ressuscitado em glória. Mas serei ainda eu! Quando vocês me encontrarem, tenho certeza, ninguém vai precisar perguntar meu nome. Você vai olhar, e vai dizer: Olha o Caio! O que esse cara virou em Cristo, em plenitude!? Mas serei eu! Assim como eu já sou Nele pleno, embora em mim eu não seja, mas Nele eu já sou; eu serei, então, como Nele hoje eu já sou. Mas serei eu mesmo, Nele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Significa dizer que à luz dessa parábola da figueira sem fruto, o convite é para você ser você. É para não artificializar o processo. Porque Deus sabe a estação de todos os frutos da vida da gente. E Ele prefere que você viva cada momento em verdade diante Dele, do que você vista a camuflagem das folhagens da mentira e do engano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não tem que sair por aí, falando do seu coração, porque não vale à pena lançar pérolas aos porcos. Mas, diante de Deus e da sua própria consciência, fale a verdade. E não faça showoff nem showcase de você mesmo, tentando trazer fora da estação, demonstração de frutos que não existem; porque Deus prefere a sua nudez—porque a sua nudez Ele cobre—do que a sua auto-justificação com essas folhagens de figueira, porque elas só impedem você de ser genuinamente justificado na graça, e experimentar a pacificação de poder viver cada estação da vida com propriedade. Aí, está a saúde!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha só, queria fazer um convite, e vocês já notaram que todos os convites que eu faço aqui são uns anti-convites; não é? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu tenho mais um anti-convite a lhe fazer. Quem que admite, hoje, que tem vivido uma vida que é um script dado por outros, mas que você não teve coragem de ser você mesmo até hoje? Sim, você não teve coragem de confiar na graça e ser apenas você mesmo, conforme a estação própria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se lhe dissessem: “Olha, o inferno não existe!” Mudaria alguma coisa para você? Um monte de gente que iria dizer: “Obaaa!” E, podem ter certeza, os bordéis do Rio se encheriam de homens evangélicos. E a fixação é tão grande que correriam primeiro para os bordéis. Noventa por cento dos crentes que eu conheço não desandam e não soltam a franga, por causa do inferno. É ou não é? Vamos ser honestos, pelo amor de Deus! É ou não é? É ou não é, gente? É sim! Se Deus dissesse assim: “Olha, cara, o inferno não existe”. Iria mudar alguma coisa em sua vida? Você teria que dizer um “OBA”, não por sua causa, mas por causa de um monte de gente que anda num caminho que parece que leva para uma existência que já é inferno, e será. Mas não por causa da sua vida. Se você está em Cristo, a sua vida não muda em nada: nem por causa do inferno, nem por causa do céu. Nem por causa do medo de punição, nem por causa de loteamentos celestiais. Você está em Cristo. O seu prazer é esse. É isso que a gente não entende. Parece que crente não entende isto nunca. Não há mais nenhuma condenação, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo; está pago; está consumado; está feito; se Deus é por nós, quem será contra nós? Quem podia nos condenar, resolveu nos justificar, e nada poderá nos separar do amor de Cristo. Nada. E isto já está feito! Acabou! Não tem céu, não tem inferno que me motivem a ser de Deus. Eu sou de Cristo por Jesus. Esse é meu prazer, e meu fruto nasce dessa alegria! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim isso é tudo. Agora, a questão é a seguinte: se não tivesse nem uma coisa nem outra, céu ou inferno, como ficaria só a consciência? Ou se não tivesse o medo, pelo menos, dessa condenação, mudaria alguma coisa no script da sua existência? Ou, não fora o fato de que existe tanta observação, julgamento e juízo, se todos esses juízos exteriores fossem suspensos e, subitamente, você ficasse com sua consciência livre para ser você, o que mudaria? Sim, o que mudaria? Mudaria muita coisa? Porque, meu querido, se mudaria muita coisa, você precisa ser salvo. Sim, precisa ser salvo. A grande graça é você poder dizer “não mudaria nada”. Sabe por que? Porque seria sinal de que a sua consciência já está tranqüilizada e pacificada; seria sinal de que você está fazendo as escolhas daquilo que você acha que é bom. Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém. Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me edificam. Se a nossa consciência em Cristo não nos levar a esse ponto, não nos levou a lugar nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, meu convite a você hoje, é o seguinte: Se você admite que no seu coração existem coisas que você se força a viver e a praticar, a desempenhar papéis que não são seus, viver scripts que outros lhe deram e que estão destruindo a sua identidade, diluindo você, falsificando você; seja no nível mais existencial e psicológico; ou seja também no que diz respeito a tentar fabricar o tempo todo expressões de uma espiritualidade que quando é verdadeira; pois a verdadeira espiritualidade se expressa como humanidade, não como estereótipo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior maldição desta vida é viver a vida que não é nossa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que é assim? E a resposta é simples. É só porque você não tem sido você; vivido você; com a paz de ser você; na presença de Deus sem precisar fazer nem compressão, nem repressão, nem supressão, nem coisa nenhuma; deixando que na graça de Deus, o bem que já é seu em Cristo, cresça edificando a sua vida, e a sua consciência, em saúde, em paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado: Todos os dias dando o fruto da estação. E em todas as estações, o fruto é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um volume significativo de “folhagens” que precisam ser abandonadas, para que a graça de Deus construa você em você, para que você descubra quem você é, para que o fruto da sua existência aconteça de modo próprio, belo, doce e saboroso para Deus; e só vai ser bom, no dia que for seu. Se é assim, eu quero orar com você agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó Pai, obrigado porque tu nos chamaste para sermos quem Tu nos fizeste para ser. Obrigado porque na casa do Pai não há apenas muitas moradas, mas na casa do Pai cada um tem um novo nome, que corresponde a quem cada um é, em plenitude. Obrigado porque o chamado é para ser em Ti, conforme a imagem de Teu filho. Nós mesmos, conforme Cristo. Por favor, salva-nos das escravidões que adoecem o coração. Nos salva de tiranias que, às vezes, estão sobre alguns por toda a vida. Há tanto carma que a cruz veio para quebrar. Tanto script que teu sangue veio para dissolver. Tanta escravidão da qual Tu vieste nos libertar. Por favor, ajuda-nos na Tua graça a sermos como a árvore que dá o seu fruto na estação própria. Permite que haja esse senso de propriedade, de verdade na nossa existência. Que cada etapa dela seja vivida com coração sincero, sabendo que nós somos indivorciáveis de Ti, inseparáveis de Ti. Que a gente não tenha mais que vestir folha de figueira, nem ser figueira que se enche de folha, sem fruto, numa estação que não é dela. Por favor, ajuda-nos a crermos que quem nos chama a ser, banca quem nós somos todos os dias da nossa vida. E ajuda-nos a crer que é somente ligados a Ti nesta confiança na tua graça, é que o coração tem paz para receber as transformações, para crescer em consciência, para se estabilizar, para se equilibrar, para encontrar dia a dia a si mesmo em Ti, e a se alegrar consigo mesmo em Ti, pelo reflexo da Tua semelhança em nós. Por favor, faz isso no coração de cada um. Dá-nos essa compreensão, e dá-nos o destemor e a certeza de que não muda nada, exceto para o bem. Porque, de fato, o único poder que muda, genuinamente, o coração, é o constrangimento que vem do amor de Cristo. Quando nós julgamos isto, que um morreu por todos, logo, todos morreram, para aqueles que vivem, agora não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu, ressuscitou e lhes apontou quem eles próprios já são Nele, em plenitude, para toda a eternidade, então a nossa vida frutifica em amor. Assim, a motivação para a gente viver, não será o medo. Será a alegria de andar na direção daquilo que nós já somos em Ti; vivendo vida boa, mansa, tranqüila, contente, exuberante, forte, lúcida, e conforme a propriedade de cada estação. Por favor, faze isso para que nossa vida seja abundante e não apenas fragmento de possibilidades. Por favor, realiza o Teu bem em nós, no nosso coração. Nós pedimos em nome de Jesus, para a glória de Jesus. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Amém, amém.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-7348672014900129725?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/7348672014900129725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/04/figueira-sem-fruto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7348672014900129725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7348672014900129725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/04/figueira-sem-fruto.html' title='A Figueira Sem Fruto'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-3437417952789303444</id><published>2011-04-08T08:28:00.000-07:00</published><updated>2011-04-08T08:29:53.983-07:00</updated><title type='text'>O Resgate do Pastoreio</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Nelson Bomilcar&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os referenciais neotestamentários da qualificação e trabalho pastoral foram sendo substituídos pelos modelos de gestão empresarial e mercado corporativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas duas últimas décadas, o foco do pastorado tem mudado muito na realidade da Igreja, dentro ou fora do Brasil. Esta não é uma percepção nova ou inédita.  As igrejas locais foram perdendo seu aspecto pessoal e comunitário, ao mesmo tempo em que se fortaleciam mais como estruturas eclesiásticas em expansão.  A opção preferencial foi pelo crescimento, ampliando a membresia e a captação de recursos; as congregações tornaram-se grandes organizações, capazes de bancar seus projetos. Essa abordagem não deseja ser pueril ou ingênua, mas constatar o quadro com que temos nos defrontado, tentando enxergar caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os referenciais neotestamentários da qualificação e trabalho pastoral à luz de uma nova realidade foram sendo substituídos pelos modelos de gestão empresarial e mercado corporativo. Gestão pressupõe o cuidado e organização, no seu aspecto mais positivo. É verdade que, na história da prática da vocação pastoral, outras ênfases também foram alimentadas em função do contexto da época que a Igreja estava vivendo. As denominações históricas, pentecostais e até as neopentecostais foram refletindo esse aspecto em sua maneira de ser e se estabelecer, buscando padrões e caminhos ora semelhantes nas bases e ênfases, ora bem diferentes e distantes no conteúdo e no que desejam ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornou-se evidente que, em nossa realidade contemporânea, as relações pastor-ovelha e pastor-igreja passaram a ser redefinidas em outras bases e expectativas. Somos esmagados dentro de uma sociedade de consumo ávida por encantar e escravizar nossa mente e coração. O desejo de ver a igreja numa perspectiva de megacrescimento, com o consequente aumento de patrimônio, visibilidade, poder e influência na sociedade, seduziu e tomou conta dos que dão os rumos na comunidade local. Esse processo alimenta o ego de alguns e gera uma espiritualidade distorcida e abafa insatisfações com suas próprias limitações e frustrações pessoais e profissionais, projetado no sonho da igreja corporativa – o que sufoca o grito ou pedido de socorro constante que vamos encontrando no Brasil por pastoreio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pastores não são mais encorajados na oração, meditação da Palavra, serviço abnegado e doação para a missão da Igreja. Líderes de comunidades locais são cobrados muito mais pelo seu desempenho, capacidade administrativa e liderança ao estilo empresarial do que por sua presença, cuidado, ensino e discipulado junto às ovelhas. Nos dias de hoje, ter visão ministerial, comunitária e missionária coerente com o Evangelho parece ser dispensável – tanto, que os chamados “perfis” dos pastores procurados pelas igrejas incluem muito mais capacidade gerencial do que piedade cristã. Pouco consideradas são as qualificações relatadas nas cartas de Paulo a Tito e Timóteo, isto é, que o pastor tenha qualificações como integridade, caráter, ética, equilíbrio familiar, vida de oração e voluntariado para o serviço, que maneje bem a Palavra da verdade e que ame suas ovelhas, dedicando tempo a elas. Impressiona ver os próprios mestres e pastores submetendo-se sem resistência a este quadro de requisitos impostos pela igreja-empresa – talvez, porque este seja um caminho de sobrevivência e sustento, e ninguém, afinal, quer lutar contra este novo “status quo” e arriscar o emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os resultados desse panorama preocupante estão aí e não podemos ignorá-los. As comunidades locais têm visto uma evasão contínua de membros. São crentes que não receberam cuidados e não estão equipados para toda a boa obra, que engordam as fileiras do segmento dos “sem igreja”. Os pastores-gestores e as lideranças denominacionais acabaram terceirizando o cuidado do rebanho, deixando uma lacuna enorme de contato com as pessoas de carne e osso. Uma consequência disso é que as ovelhas saem aos montes pelas portas dos fundos do aprisco onde congregam, já que o pastoreio não é realizado – lembrando que cuidar de gente deve ser tarefa de todo cristão, a não apenas por pastores e líderes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O incentivo ao cultivo da fé em todas as dimensões relacionais que temos – com Deus, com a família, a sociedade e conosco mesmos – vai sendo esquecida ou negligenciada. Uma realidade que nos traz questões difíceis de serem resolvidas no dia a dia; e não temos respostas prontas para atender a contento todas as demandas. O que precisamos é, corajosamente, revisitar as bases da vocação pastoral e resgatar os cuidados do rebanho enfatizados nos evangelhos e na vida de Jesus. Assim, teremos o necessário para a implantação do Reino de Deus na nossa vida comunitária.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-3437417952789303444?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/3437417952789303444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/04/o-resgate-do-pastoreio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/3437417952789303444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/3437417952789303444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/04/o-resgate-do-pastoreio.html' title='O Resgate do Pastoreio'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-7157881124950423923</id><published>2011-03-21T07:06:00.000-07:00</published><updated>2011-03-25T07:24:01.004-07:00</updated><title type='text'>Em Defesa da Igreja de Cristo.</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Idauro Campos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Atos 11.29 vemos pela primeira vez a ocorrência do termo “presbíteros” (anciãos) nas Escrituras Sagradas, evidenciando, portanto, a existência de uma liderança eclesiástica, além dos apóstolos, ainda nos tempos da igreja primitiva. Além disso, no capítulo 14.23, somos informados que Paulo e Barnabé, promoviam “em cada igreja a eleição de presbíteros”. Mesmo antes, em 6.1-6, precursores do diaconato foram escolhidos e receberam, inclusive, a imposição de mãos como ato litúrgico de ordenação (vs. 6). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira epístola a Timóteo (que estava liderando a igreja em Éfeso), o apóstolo Paulo o lembra de que sua vocação fora reconhecida pelos presbíteros e que estes impuseram-lhe as mãos (4.14). E, na carta aos efésios (4.11), Paulo apresenta os distintos ofícios ministeriais que estariam a serviço da edificação da igreja.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Três fatos ficam claros aqui: &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;a) igrejas eram fundadas; b) lideranças (os presbíteros) eram constituídas; c) tais lideranças eram confirmadas em ato litúrgico (a imposição de mãos)&lt;/span&gt;. Destarte, é evidente o absurdo contemporâneo de questionar a validade da necessidade das igrejas locais e dos líderes eclesiásticos (pastores, presbíteros e diáconos). Por onde Paulo, Silas, Barnabé e outros passaram em suas investidas missionárias, organizaram igrejas locais, onde os objetivos eram a adoração (oração e celebração da ceia), leitura e estudo da Palavra e a comunhão dos santos. O paradigma era a Igreja de Jerusalém: &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;perseveravam no ensino, na comunhão, nas orações e no partir do pão (Atos 2.42). &lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É desonestidade intelectual afirmar que a igreja cristã é apenas um fenômeno sociológico e que nunca fora planejada por Deus e por Jesus Cristo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As razões pelas quais as igrejas não construíram templos, se dão por razões históricas (como a perseguição religiosa judaica e, posteriormente, a perseguição política praticada pelo Império Romano) e não por razões teológicas, como os críticos do cristianismo afirmam. A igreja visível é a expressão da igreja invisível. Portanto, são patéticos os ataques dirigidos a igreja institucional. Esta apenas revela no tempo e no espaço a união daqueles que foram chamados pelo Espírito Santo à fé em Cristo Jesus (1 Co 1.2). A igreja local expressa o mistério do chamado irresistível do Espírito Santo. Ou seja, revela historicamente o Corpo de Cristo: a Igreja. Nada mais do que isso! O resto é papo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crises da igreja contemporânea não são justificativas para que a abandonemos, como alguns apregoam. As igrejas neotestamentárias e mesmo a igreja em Jerusalém (primitiva) também eram comunidades complicadas. Os episódios de Ananias e Safira em Atos 5.1-11 e a briga entre os helenistas e os hebreus em Atos 6. 1-2, são exemplos disso. A igreja de Corinto era carnal (divisões, pecados sexuais, litígios, desordem no culto, discriminação social, abusos no exercício dos dons etc), a de Colosso estava caindo em heresia. A da Galácia estava ficando legalista. A de Éfeso vivia em crise, a ponto de Paulo ter que encorajar seu pastor, o jovem Timóteo. Entretanto, Paulo, em nenhum momento, em quaisquer de suas cartas, recomenda a deserção como equação para os problemas das igrejas. Ao contrário, o apóstolo, escrevendo aos coríntios por exemplo, os lembra de que foram chamados à santidade ( 1 Co 1.2). Ou seja, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;a santificação e não a deserção é o caminho apontado pelas Escrituras Sagradas para a superação dos problemas vividos pelas comunidades cristãs.&lt;/span&gt; Há, ainda, outros exemplos nas Escrituras, como a extravagante igreja de Laodiceia (Ap 3.14-21). Tais comunidades de fé funcionavam em casas e eram igrejas jovens, com pouco tempo de fundação e com poucas pessoas congregando, mas já enfrentavam suas complexidades, pois para problemas surgirem não são necessárias muitas pessoas juntas. Afinal, no Éden eram apenas Adão e Eva e deu no que deu! Semelhantemente, nos dias de Noé, entre seus filhos, e em casa, um pecado é praticado (Gn 9.22-28), assim como na vida de Ló, onde refugiado apenas com suas duas filhas, um incesto, contra sua vontade, é praticado, dando origem a duas nações que se tornaram inimigas do povo de Deus (Gn 19. 30-38).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, abandonar o templo, alegando que reuniões em casas são mais saudáveis, intimistas e bíblicas é puro simplório. Até podem ser intimistas, mas duvido que sejam necessariamente mais saudáveis e não há nenhuma orientação apostólica quanto ao lugar de adoração. Podendo ser em templos, em casas ou em qualquer outro lugar. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Não devemos sacralizar o templo, mas, demonizá-lo, também é ridículo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade a tendência contemporânea de discursar contra a igreja &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(que, aliás, já virou um lugar comum)&lt;/span&gt;, não leva em conta que tal postura &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;é reflexo do relativismo da pós-modernidade, que questiona valores, conceitos, ideologias, modelos e também instituições.&lt;/span&gt; Tudo que foi consagrado no e pelos anos é posto em dúvida na pós-modernidade. É neste contexto que a decepção com a igreja institucionalizada surge. Tanto que não é apenas a instituição igreja que é questionada, mas até a formação do Cânon e doutrinas como a Trindade, verdadeiros pilares da fé cristã, são postas em dúvida por muitos dos críticos da igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerar que um simples CNPJ e um templo de alvenaria minam o vigor espiritual da Igreja de Cristo é valorizar demais tais expedientes, como se os mesmos pudessem afugentar a Trindade.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há exagero, portanto, nos que pregam o fim da história da igreja. É necessário fazer distinção entre organismo vivo e a instituição igreja, mas em tal distinção, não se pode esquecer que a última, nada mais é que a expressão histórica da primeira.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Viva a Igreja de Cristo!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soli Deo Glória!!!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-7157881124950423923?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/7157881124950423923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/03/em-defesa-da-igreja.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7157881124950423923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7157881124950423923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/03/em-defesa-da-igreja.html' title='Em Defesa da Igreja de Cristo.'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-2542129252590038112</id><published>2011-03-21T07:03:00.000-07:00</published><updated>2011-03-21T07:06:29.375-07:00</updated><title type='text'>A Volta de Deus na Teologia Contemporânea.</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Idauro Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 – INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus é o encanto da teologia.  Mas, a despeito do interesse que a teologia tem por Deus, nem sempre conseguiu manter homens atentos para com a realidade de Deus. Em diversos momentos da história a realidade de Deus foi questionada e o centro onde Ele reinava foi desejado. Vejamos neste breve ensaio como isto aconteceu e como o interesse pela realidade divina retornou em épocas recentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;2 - Deus na Teologia Pré-Moderna:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes da modernidade se inserir como uma lente com a qual a realidade seria compreendida , esta era discernida como tendo o seu ponto de partida em Deus. Ou seja, Deus era a base da realidade. Destarte, a teologia, que se propunha a explicar a relação entre Deus e a realidade, dominava o discurso. Não apenas o discurso religioso, mas também os demais campos do conhecimento, pois estes, embora seculares, também estavam sujeito à análise teológica. A Teologia, portanto, buscava encontrar o elo de encadeamento entre Deus e as expressões do conhecimento humano. Este conhecimento estava influenciado e até mesmo aprisionado pelo dogma religioso. A autoridade religiosa falava em nome de Deus como seu porta-voz . A idéia de representação no mundo pré-moderno era intensa. A monarquia absolutista, por exemplo, era a expressão política da compreensão pré-moderna de representação. O soberano rei era ordenado por Deus e esta doutrinação política era resultado do discurso dogmático da religião no que tange este campo de ação .  Assim, Deus, era a causa e explicação de tudo quanto existia. O discurso teológico lastreava todas as tentativas de compreensão e descobertas.  Assim Deus era a explicação, o encanto, o assombro e “a medida perfeita de todas as coisas”  .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como na pré-modernidade Deus era o fundamento da realidade, o conhecimento sobre Ele era estimulado e para, de fato conhecê-LO, o acesso era a revelação. As Escrituras Sagradas conferiam este acesso, pois suas páginas apresentavam Deus, revelando-se em Cristo. Era desta forma que os teólogos patrísticos e medievais, personagens da era pré -moderna, entendiam.  Deus era o Mistério Último . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este cenário dominou o pensamento ocidental por séculos. Houve, sem dúvida, questionamentos e alternativas, mas a tese sobreviveu até a René Descartes, quando então, um novo paradigma foi apresentado e novas lentes passaram a fazer a leitura acerca da realidade. A razão entre em cena, enquanto que Deus, isto é, o discurso que o tinha como fundamento da verdade, sai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;2 - A Ausência de Deus na Modernidade:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1637, em Leiden, na França, René Descartes, publica seu tratado matemático e filosófico, conhecido como O Discurso do Método . Obra que celebra a razão como critério da verdade. O discurso teológico (e a autoridade eclesiástica) passou a ser questionado.  O Cartesianismo foi uma proposta epistemológica, isto é, uma doutrina do conhecimento, porquanto discernimento da realidade dependeria tão somente do crivo da razão. A razão passou a ser a autoridade. Para se conhecer era necessário empregar métodos, onde a experiência, a observação científica (empirismo), estabeleceria o que deveria ser crido e o que deveria ser descartado como falso. Este método influenciou profundamente a cosmovisão da sociedade ocidental, até então marcada pelos axiomas do cristianismo. Os campos de saber foram marcados pela ênfase do cartesianismo. A própria teologia foi influenciada, pois, sendo uma área de conhecimento, a razão deveria também ser utilizada na teologia como critério da verdade teológica. A observação cientifica também seria convocada para julgar o discurso religioso. A própria existência de Deus passou a ser analisada sob o viés do racionalismo. Como os métodos científicos não podiam satisfatoriamente responder as questões levantadas quanto à realidade de Deus, o agnosticismo (a impossibilidade de se conhecer conclusivamente), o deísmo (um Deus existente, mas distante), o panteísmo (um Deus imanente), o panenteísmo (um Deus em que todas as coisas estão contidas), e até mesmo o ateísmo (Deus inexistente) foram confirmados como propostas para explicar tal realidade. David Tracy afirma que “a realidade de Deus foi reformulada a fim de ser adequadamente entendida por uma mente moderna” . Ou seja, como na era moderna o homem se emancipou da religião e  a razão tornou—se senhora e juíza de tudo e de todos, as afirmações teológicas precisariam convencer esta razão. Deus, então, que está contido no discurso teológico, semelhantemente, precisava ser analisado sob a perspectiva racionalista.&lt;br /&gt;A influência do racionalismo soprou sobre a teologia. O Liberalismo Teológico Alemão, movimento do final do século XVIII e que chegou ao seu auge no século XIX, empregava elementos do racionalismo para questionar doutrinas históricas do cristianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dogma, à medida que o racionalismo foi sendo adotado como critério epistemológico, foi se enfraquecendo. A idéia de Deus, até então, considerada fundamento da realidade e posicionada no centro do significado da existência humana (teocentrismo), foi sendo deslocada para a periferia. O homem foi para o centro (antropocentrismo). Com a força e as possibilidades da razão, o homem se assenhorear de si e do seu destino, produzindo, inclusive, toda uma euforia e um otimismo em suas expectativas. As Escrituras Sagradas, fonte epistemológica da era pré-moderna, passou a ser questionada à luz da Alta Crítica e teólogos influenciados pelo racionalismo revisaram os textos neotestamentários, negando seu caráter divino e até mesmo pondo em dúvidas relatos, como os milagres de Jesus, por exemplo .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na modernidade a Teologia deixou de ser a “Rainha das Ciências”, o discurso teológico foi questionado, a própria existência de Deus foi posta em dúvida e tentativas de explicar a realidade divina surgiram, enfraquecendo a compreensão acerca de Deus.  Finalmente, a teologia se rendeu, oferecendo propostas, em sua expressão liberal, que mais prejudicou do que ajudou a sociedade entender a realidade de Deus e de sua relação com os homens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 – O Retorno de Deus na Teologia Contemporânea:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fracasso do homem no século XX; a derrota da Teologia Liberal; a influência de Karl Barth; o fim da compreensão da história como um esquema linear, mas sim como constituída idas e vindas ou “de desvios e labirintos e interrupções radicais” ; a decepção com as máximas da modernidade que privilegiaram a civilização européia ocidental, marginalizando, ao mesmo tempo, outros saberes e contribuições; o declínio das utopias; o fim das trincheiras; a globalização.; o fim do comunismo. Todas estas expressões contemporâneas, de alguma maneira, resgataram o discurso teológico. A realidade de Deus volta a ser motivo de interesse. E a realidade de Deus vem na pós-modernidade para consolar, libertar, oferecer esperança, superar a crise. Ou seja, Deus é novamente “descoberto” para erguer o homem desiludido consigo próprio. As duas Grandes Guerras provaram o quão longe o homem pode chegar de sua humanidade quando este perde Deus de vista. O Racionalismo demoveu o teocêntismo. Os resultados foram avassaladores. A raça conheceu o pior de si. Sua face mais bizarra foi revelada. O fantástico conhecimento humano não foi capaz de impedir à monstruosidade do próprio. Ficou provado que o homem não pode ficar sozinho. Ele não é apto a ser senhor de sua história. Teve sua chance, mas, terrivelmente, fracassou.&lt;br /&gt;Obviamente, o retorno de Deus não significa na pós-modernidade o uso e emprego de categorias tradicionais que explicam a realidade divina. A Teologia Relacional é uma prova. Ao mesmo tempo esta proposta teológica rejeita o assenhoreamento da história por parte do homem (como na modernidade), assim como o controle absoluto de Deus sobre o mesmo (como na pré-modernidade). Prefere uma parceria em que o homem e Deus são os agentes. O homem é chamado por Deus a construir uma história, sendo parceiro de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As diferentes explicações da realidade de Deus é uma das características mais claras da pós-modernidade. Ela rejeita os esquemas fixos da pré-modernidade e da própria modernidade e sugere alternativas na busca pela espiritualidade. Esta postura pós-moderna tem, nas palavras de Tracy, como proposta a certeza de que “não é o momento de prorromper em novas proposições sobre a realidade de Deus. É antes o momento de permitir novamente admirar-se do irresistível mistério de Deus” . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O retorno do interesse da realidade de Deus; a busca pela espiritualidade. A rejeição da dogmática tanto religiosa como racionalista, são evidências de que um novo tempo chegou para todos. Qual será o resultado disso? A teologia tem diante de si o desafio de tentar responder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;CONCLUSÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode negar a influência da pós-modernidade na teologia. Mas, diferentemente do que se apregoa que esta tendência é empecilho ao discurso cristão, pois este é fixo e centrado em Cristo, enquanto que o relativismo típico da pós-modernidade exige que se exclua a exclusividade cristã, é, salutar, que a teologia Cristã se afirme sim, porquanto tem ao seu lado o Cristo que é eterno e sendo eterno é pré-moderno, moderno e contemporâneo.  Jesus Cristo resistiu aos questionamentos quanto à verdade em seus dias de encarnação (João 18.38). Tais questionamentos sempre aparecem na história com uma nova roupagem, sob a égide de alguém. Mas, a boa notícia de Apocalipse é que o Cordeiro vence! Cristo sempre vence. Venceu em seus dias de encarnação na Cruz. Venceu as controvérsias cristológicas nos primeiros séculos após seu retorno ao Pai. Venceu usando os reformadores. Venceu o racionalismo. Venceu o liberalismo. Vencerá também a pós-modernidade. Sendo ou não o fim da história da atual era, a boa notícia, é que o Cordeiro vence!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Soli Deo Glória!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;REFERÊNCIAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A BÍBLIA SAGRADA. Português. Tradução: João Ferreira de Almeida. 2 ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CAMPOS, Idauro. Os Desafios de Uma Nova Reforma. 2005. 58 f. Monografia (Pós- Graduação) – Seminário Teológico Escola de Pastores, 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TRACY, David. Teologia, Para Quê: A Volta de Deus na Teologia Contemporânea. Revista Concilium, Petrópolis, N. 256.  P.51.1994.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LLOYD-JONES, David Martyn. Estudos no Sermão do Monte. São José dos Campos: Fiel, 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MCALISTER, Walter.. Conferência de Despertamento Espiritual. São Gonçalo: Igreja Evangélica Congregacional em Ponte Seca, 1997. 1 Fita de Vídeo (270 min.), VHS, som, color.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-2542129252590038112?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/2542129252590038112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/03/volta-de-deus-na-teologia-contemporanea.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/2542129252590038112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/2542129252590038112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/03/volta-de-deus-na-teologia-contemporanea.html' title='A Volta de Deus na Teologia Contemporânea.'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-269975104510367335</id><published>2011-03-05T05:46:00.000-08:00</published><updated>2011-03-05T05:48:00.996-08:00</updated><title type='text'>A IGREJA E O SECULARISMO.</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Por: Alexandre Ávila da Rosa &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      PAULO, escrevendo a 2ª Timóteo, já ao final da jornada, assevera: “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos a verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Será  que temos chegado ao tempo referido pelo grande apóstolo? “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina...”.  O secularismo tem invadido as nossas Igrejas, os princípios bíblicos se relativizaram com justificativas sem qualquer fundamento doutrinário, os que ainda defendem a sã doutrina são taxados de conservadores radicais. Dizem aqueles: é preciso renovar, abrir a mente, a sociedade mudou, os valores são outros, a liturgia tem que ser renovada, salmos e hinos é coisa do século passado, pregação pode ser dispensada e vai por aí a fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      A advertência do apóstolo João em sua 2ª Carta torna-se cada vez mais oportuna nesta época: “Acautelai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão. Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Não é a Palavra de Deus que tem que se adequar ao mundo e sim o contrário. A Bíblia é o manual de Deus aos homens. Esse manual não muda, não poderá ser adaptado ao pecado. Tudo que ofende a santidade de Deus continua sendo pecado. Pecado é pecado, não importa o tempo passado, presente ou futuro. Deus não está sujeito ao tempo, pois sempre existiu, não teve início e nunca terá fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Hoje, passados quase 2000 anos, o apóstolo Paulo, ainda nos diria como falou aos Coríntios: “Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo. Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Qual Igreja você prefere? Devido à multiplicidade de Igrejas, temos para todos os gostos. Aquela que vive da Oração, da Palavra de Deus, dos Salmos e Hinos, que prega sobre o pecado e da necessidade de uma vida de santidade na presença de Deus. Há também aquela que “pega fogo”, o Espírito Santo faz descer “fogo do céu” e há multiplicidade de “milagres”- alguns com dia e hora marcada para acontecer.  São os detentores da agenda de Deus na terra. Há aquela de acordo com sua conveniência, a palavra pecado é proibida de ser ventilada. Atitudes, comportamentos devem ser tolerados, mesmo em desacordo com os valores absolutos da Bíblia Sagrada. Tudo, em nome do amor, é justificável, afinal os tempos são outros e a Palavra de Deus deve ser contextualizada. A verdade, no entanto, é que a Igreja de Cristo é aquela que prima pela Palavra de Deus, que ora, que não abre mão dos princípios absolutos nela contidos, que ama o pecador, mas não compactua com o pecado, que consola os angustiados de espírito, que dá de comer aos que têm fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Quando Paulo escreveu sua Carta a Tito, ele, mais uma vez, asseverou: “Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina.” Tito 2: 1. Vemos que a preocupação do grande apóstolo foi sempre com a doutrina. Todavia, o secularismo reinante em nossas Igrejas tem tomado conta do tempo e do pensamento dos fiéis. Igrejas vazias nos trabalhos semanais, desinteresse com os Estudos Doutrinários, Reuniões de Orações, Escolas Dominicais, falta de pontualidade e assiduidade. O descompromisso é geral. Inúmeras justificativas são apresentadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Precisamos voltar ao primeiro amor, isto é: compromisso com as coisas de Deus, compromisso com as atividades eclesiásticas da Igreja, zelo para com a Igreja. Lembre-se: seu lugar é muito importante no Rebanho, não o deixe vazio, afinal, Jesus Cristo morreu por você e o preço que Ele pagou foi altíssimo. Façamos a nossa parte, Deus já fez a Dele. Nós seremos os beneficiados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-269975104510367335?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/269975104510367335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/03/igreja-e-o-secularismo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/269975104510367335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/269975104510367335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/03/igreja-e-o-secularismo.html' title='A IGREJA E O SECULARISMO.'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-893456320548695536</id><published>2011-03-05T05:39:00.000-08:00</published><updated>2011-03-22T08:53:20.399-07:00</updated><title type='text'>Marcos Teológicos da Reforma Protestante</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Idauro Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1 - INTRODUÇÃO:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo movimento intelectual para que subsista precisar ter um fundamento teórico que lhe sirva de trilho básico, caso contrário, não será perene. A Reforma Protestante não escapa a regra, porquanto foi um movimento intelectual e como tal possui sua fundamentação teórica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao afirmar o caráter intelectual da Reforma Protestante, este não descuida de seu lado transcendental, com suas conotações espirituais (o “reavivamento”), mas, tão somente, enfatizamos neste ensaio o aspecto que nos interessa aqui, isto é, o humano, o racional, o histórico, o teológico e, por isso, o intelectual. Para tanto, como movimento intelectual na perspectiva teológica, foco deste ensaio, a Reforma Protestante possuiu seus pilares. Ou seja, seus fundamentos que explicam sua insurgência na história como movimento empírico e identificável, a saber, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;a soteriologia, a bibliologia e a eclesiologia, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;pois, foram em tais locis da teologia que a Reforma Protestante claramente se distinguiu  da Igreja Católica Apostólica Romana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao focarmos nos pilares teológicos da Reforma Protestante para identificar o movimento, não descuidamos também da compreensão de que há outras contribuições intelectuais à mesma, como a renascença, e o racionalismo, embriões do modernismo e do iluminismo. Concomitamente, a Reforma Protestante deu suas contribuições a tais tendências, pois suas abordagens ajudaram a construir o pensamento moderno ocidental. O livre-exame das Escrituras Sagradas, por exemplo, é uma expressão racionalista, porquanto enfatiza a leitura e compreensão do texto sagrado por parte de cada fiel, convencendo-o que sua mente é capaz de entender o mesmo sem a mediação e interferência de um sacerdócio oficial. O direito à leitura e compreensão do texto sagrado foram conquistas da Reforma que colaboram na consolidação do ideal de que o homem é um agente livre. Nada mais moderno do que isso! Portanto, entendemos que a Reforma Protestante é híbrida, em face de seu caráter transcendental e histórico, o que explica o interesse simultâneo de teólogos e historiadores pelo movimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1 - A SOTERIOLOGIA:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A soteriologia foi o principal campo de batalha dos reformadores (especialmente Martinho Lutero) na perspectiva teológica do destino eterno dos homens. O homem medieval era fortemente religioso e supersticioso, permanentemente preocupado com seu destino eterno. Para tanto, a Igreja Católica, principal estrutura religiosa do mundo Ocidental à época ensinava há séculos que para aplacar a ira de Deus e obter assim a salvação da alma, era necessário experimentar de uma justificação que vinha sobre o homem gradativamente, a partir do batismo sacramental, aplicado aos infantes e confirmado durante toda a vida através das penitências, das orações, das missas, dos rituais e, posteriormente, no contexto do século XVI, das indulgências. Ou seja, para garantir a salvação eterna o homem precisava da prática de boas obras .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teologia reformada diferentemente da teologia católica, afirmou que a justificação é um ato, e não um processo, que vem sobre o homem uma única vez por vontade divina aplicando os méritos de Cristo sobre o pecador, reconciliando-o com Deus para sempre. Tal justificação seria, então, uma declaração forense, em que o homem é considerado por Deus justo, em virtude da Obra de Cristo culminada na Cruz do Calvário. Ao Crer no que Cristo fez na cruz, o pecador recebe de Deus a justificação, obra e conceito considerados o núcleo tormentoso  da Reforma Protestante, pois a busca pela certeza da salvação foi a força motriz de todos os demais aspectos e repercussões acontecidos no movimento reformador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A soteriologia, portanto, é a noção de como Deus salva e como esta salvação se manifesta aos homens, isto é, através da  graça mediante a fé , constituindo-se no mais peculiar marco teológico da Reforma Protestante. Para obter o favor divino, os reformadores ensinavam que o homem se aproxima Deus através de Seu Filho, Jesus Cristo e isto pela fé. Não pelo esforço humano! Não através de promessas! Não através de cerimônias e rituais! Mas somente através de Cristo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Justificação pela fé é uma construção teológica, derivada das Escrituras Sagradas, sendo, destarte, uma teorização da salvação, ou melhor, uma soteriologia, uma forma lógica e racional de entender o processo salvífico. Em um mundo pós-moderno como o que é vivido no século 21, tal preocupação e a energia dispensadas ao assunto parecem irrelevantes, entretanto, a soteriologia reformada foi fundamental no século 16, século da Reforma Protestante, porquanto já afirmamos, o homem em questão era intensamente religioso e a cosmovisão era teocêntrica. A Igreja influenciava todos os campos do conhecimento e era quem estabelecia o critério da verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Idade Média, a religião norteava a vida do homem e a sua cosmovisão vinha pelo espectro da doutrina cristã. Destarte, não podemos em hipótese alguma, minimizar a soteriologia como o coração pulsante da Reforma Protestante. Os interesses políticos, econômicos e sociais presentes no movimento, apenas emprestam sua temporalidade ao mesmo, mas que, sobretudo, foi um clamor religioso, principalmente entre os populares na Alemanha, Suíça, Inglaterra e, posteriormente, Holanda e tal clamor foi o grito pela face de um Deus misericordioso, que a Igreja Católica insistia em não apresentar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Soteriologia foi a principal preocupação da Reforma. Nem poderia ser diferente, afinal estava em jogo o destino dos homens. O Instinto da vida é a força mais poderosa existente no ser humano, principalmente quando se entende que esta vida pode ser eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;2 – A BIBLIOLOGIA:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda grande formulação teológica da Reforma Protestante e que constitui em um marco do movimento em que o distingui dentro do cristianismo é a bibliologia, a doutrina das Sagradas Escrituras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal fundamentação teológica é importante de ser compreendida porque para os reformadores As Escrituras Sagradas eram a infalível e suficiente Palavra de Deus, cujas consciências devem a elas se subordinar, visto que são normativas, atemporais, devendo ser lidas, meditadas e compreendidas por todos os homens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interesse dos reformadores pelos estudos das Escrituras devia-se a uma forte compreensão de que o encontro com o divino poderia acontecer à medida que o homem meditasse na Palavra de Deus  . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ênfase na Palavra escrita de Deus levou os reformadores a desenvolver o postulado, “Sola Scriptura”, isto é, Somente a Escritura, que comunica que a verdade somente pode ser achada nas Escrituras Sagradas, pois constituem nas palavras de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Bibliologia reformada, com sua ardente defesa da inspiração divina do texto, tinha endereço certo, porquanto a teologia católica, embora reconhecesse a autoridade das Escrituras, reconheciam também a autoridade da Tradição para questões relacionadas à fé. Os reformadores não rejeitavam o acúmulo do conhecimento e de sabedoria repousados nos concílios seculares e nas obras dos Pais da Igreja, mas, apesar de os respeitarem, não viam em tais expedientes nenhuma autoridade especial ou peculiar, isto era, para a teologia reformada, privilégio das Escrituras Sagradas, somente. A Bíblia, nesta teorização, seria autolegitimadora . Nas palavras de Timothy George:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Enquanto que a Igreja Romana recorria ao testemunho da igreja a fim de validar a autoridade das Escrituras canônicas, os reformadores protestantes insistiam em que a Bíblia era autolegitimadora, isto é, considerada fidedigna com base em sua própria perspicuidade {...} comprovada pelo testemunho íntimo do Espírito Santo. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Palavra de Deus tornou-se tão central na teologia e prática eclesial do movimento protestante que sua ministração transformou-se em uma das marcas distintas da verdadeira igreja de Cristo, simbolizada pela centralidade do púlpito nos templos protestantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Ênfase no Sola Scriptura deu origem  a diversos núcleos para estudo da Bíblia nos lares de fiéis protestantes na Europa, surgindo assim a necessidade de alfabetizar os populares para que a leitura fosse possível, inspirando, posteriormente, a fundação de sistemas de educação pública para financiar a educação às massas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;3 - A ECLESIOLOGIA:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro marco teológico da Reforma Protestante foi a eclesiologia, ou seja, a teorização ou doutrina da igreja. Na Idade Média a estrutura hierárquica da Igreja Católica estabelecia a centralidade da Igreja e do Sacerdócio Oficial como instrumentos de aproximação entre o homem e Deus. A Espiritualidade era, até então, eclesial, comunitária, formal e horizontal. A idéia de uma aproximação direta com Deus, sem a mediação e viés da Igreja simplesmente não era admitida.&lt;br /&gt;A Reforma Protestante pensou a Eclésia, declarando que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“{...} é a comunhão de santos e congregação de fiéis que ouviram a Palavra de Deus nas Escrituras e que, com serviço obediente ao seu Senhor, prestam testemunho dessa palavra ao mundo” .&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A Reforma Protestante entendeu a igreja como uma comunidade de fies em Cristo Jesus, que se reúnem em torno da Palavra de Deus. Destarte, onde houvesse, então, estes encontros (crentes, Jesus Cristo e a Palavra de Deus) a verdadeira igreja se faria presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do conceito de igreja conforme descrito acima, outra característica eclesiológica importante foi a defesa do sacerdócio universal dos crentes, em que todos os crentes são sacerdotes , tendo acesso direto a Deus, sem a mediação de um líder religioso local, trazendo não apenas o privilégio do acesso, antes pensado como específico aos sacerdotes ordenados formalmente, mas, também, dos deveres do testemunho, do serviço e da santificação por meio do uso dos meios de graças . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Reforma Protestante a igreja deixou de ser o edifício e o clero e passou a ser a comunidade de fé. As implicações quanto esta doutrina reformada foram fortíssimas para o Catolicismo romano, que sempre primou pela unidade da Igreja, através de sua representação episcopal e obediência ao Papa. A eclesiologia católica é monárquica e, logo, centralizada, pontificada na primazia do Vaticano, enquanto que a protestante é autônoma e local, onde cada comunidade é livre, tendo nas Escrituras sua única regra de fé e prática. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Eclesiologia protestante fragmentou as intenções imperialistas da Igreja Romana, contribuindo para a cristalização do conceito de igrejas e estados nacionais o que terminou inevitavelmente acontecendo em toda a Europa.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;CONCLUSÃO:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso objetivo neste ensaio foi demonstrar que a Reforma Protestante foi um movimento intelectual de perspectiva teológica. Toda uma teoria foi construída a fim de justificá-la. Não foi um movimento religioso fanático e iletrado. Tampouco foi apenas o resultado de tendências sociológicas inevitáveis. Semelhantemente, não foi um protesto político e econômico usando o discurso religioso como pretexto. Rompimentos políticos aconteceram com resultado da Reforma, reconhecemos. Uma nova noção de Estado ganhou cores com a Reforma e a própria soube tomar proveito. Aspectos econômicos receberam novas luzes com a Reforma e teólogos reformados famosos  contribuíram com este particular. Todavia, a Reforma Protestante, deu as mais significativas contribuições no campo da teologia, pois este era o seu combustível e principal campo de atuação e interesse. A reflexão teológica da Reforma, discutindo o destino do homem, sua subserviência exclusiva à Palavra de Deus e o papel deste homem salvo e cativo às Escrituras na comunidade e, principalmente, na sociedade, contagiou outros campos do saber, buscando moldar a sociedade e imprimir na mesma os valores do Reino de Deus.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Soli Deo Glória!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;REFERÊNCIAS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Bíblia de Genebra. São Paulo: Editora Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIÈLER, André. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LATOURETTE, Kenneth Scott. Uma História do Cristianismo. Vol: 2. São Paulo: Hagnus, 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GEORGE, Timothy. Teologia dos Reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1994.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GONZALEZ, JUSTO. A Era dos Reformadores: Uma História Ilustrada do Cristianismo. Vol.6. São Paulo: Vida Nova: 1994.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OLSON, Roger. História da Teologia Cristã. São Paulo: Vida, 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-893456320548695536?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/893456320548695536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/03/marcos-teologicos-da-reforma.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/893456320548695536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/893456320548695536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2011/03/marcos-teologicos-da-reforma.html' title='Marcos Teológicos da Reforma Protestante'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-1907679623251503572</id><published>2010-12-27T10:06:00.000-08:00</published><updated>2010-12-27T10:07:19.932-08:00</updated><title type='text'>A Espiritualidade do Seguimento</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Eduardo Rosa Pedreira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Não resta dúvida: o cerne da espiritualidade cristã está em seguir a Jesus.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;No princípio, era o seguidor! Jesus irrompia inesperadamente e dizia: “Segue-me, venha após a mim”. A resposta positiva exigia uma ruptura com a maneira de viver até aquele momento do que aceitava o convite. A vida deveria ser reorganizada. O centro era o mestre e o caminho apontado por ele. Quem aceitava tal convite nos seus termos tornava-se um discípulo. Também, no princípio, existia o simpatizante: aquele que se emocionava com as palavras do Cristo, achava fantásticos os seus milagres, impressionava-se com a originalidade de suas atitudes, nutria enorme curiosidade por encontrá-lo – mas não colocava o pé no caminho. Simpatizava até o ponto de não precisar mudar seu estilo de vida. Tinha admiração, mas não estava interessado na transformação resultante da formação espiritual à qual todos os discípulos viveriam quando resolvessem caminhar o caminho proposto pelo Filho de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no princípio, havia o consumidor. Este sequer tinha tempo de ouvir o Senhor; desejava, isso sim, comer o pão e o peixe multiplicados, ansiava pela cura da perna atrofiada, somente tinha interesse em ser restaurado da lepra... Uma vez alcançada a graça, nem sequer lembrava de retornar para agradecer. O discípulo seguia Jesus porque o admirava; o simpatizante admirava sem o seguir, e o consumidor nem seguia e nem admirava, posto que Jesus era apenas um provedor de suas necessidades, e não alguém a apontar-lhe um caminho transformador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus conviveu indistinta e graciosamente com estes três grupos dentro da multidão que gravitava ao seu redor. Nunca se negou a oferecer caminho aos seguidores, admiração aos simpatizantes e provisão aos consumidores. Todavia, o rabi sabia que os discípulos eram os protagonistas para cumprir sua missão no mundo. Certamente, ele não contava com simpatizantes e consumidores para o estabelecimento do Reino de Deus. Estava certo, como sempre! Nos duzentos anos que se seguiram à sua morte, o pequeno e frágil grupo inicial de discípulos, apaixonado por sua missão, se espalhou por todo Império Romano. Eles haviam sido convocados pessoalmente para seguir um caminho; colocaram o pé na estrada e saíram pelas vilas e cidades com a mesma convocação com que foram convocados: sigamos o seu caminho. Quanto aos simpatizantes e consumidores, não se sabe o que aconteceu com eles. Afinal, quem fez a história foram os discípulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não resta dúvida: o cerne da espiritualidade cristã está em seguir a Jesus. Quando decidimos conscientemente seguir o seu caminho, então a espiritualidade cristã começa a fluir em nós. O Pai, pelo seu Espírito, vai nos transformando na imagem de seu Filho à medida que damos os passos no caminho. Fora do seguimento, não há espiritualidade. Todos nós estamos necessitados de retornar à experiência original dos primeiros discípulos. Sim, nossa carência essencial está em “ver” Jesus de novo surgir em meio à nossa complexa e agitada vida, cheia de cansaço e dores, e sussurrar com ternura e vigor ao nosso coração: “Vem e segue-me!” Quando ele irromper no nosso cotidiano, como aconteceu com os pescadores da Galiléia ou com o coletor de impostos da Judéia, com aquele sedutor olhar a nos convidar a seguir o seu caminho, e largarmos as redes ou a segurança da coletoria, aceitando seu convite, então, experimentaremos real comunhão com o Deus trinitário. Longe do caminho do Filho, não seremos capazes de enxergar a face do Pai e tampouco vivenciar a presença do Espírito. De fato, no cristianismo bíblico, espiritualidade é um mero sinônimo de seguimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as nossas orações, liturgias, louvores, corais, células, congressos e mensagens não apontam o caminho do Senhor e não convocam o mundo para segui-lo, então, tudo isso pode até ser espiritualidade, mas não é cristã. Se nossas igrejas se tornam fontes de atração para consumidores e admiradores, ao invés de espaços comunitários formadores de discípulos, tenhamos consciência: todos devem ser tratados com graça e amor, como Jesus fez, mas só cumpriremos sua missão no mundo sendo e formando seguidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deveríamos, mas, infelizmente, estamos hoje diante de uma encruzilhada, que por natureza é o entroncamento de dois caminhos. Entrar por um é necessariamente excluir o outro. Ou escolhemos a espiritualidade do entretenimento, que produz simpatizantes e consumidores, ou optamos pela espiritualidade do seguimento, a que gera discípulos. Tenhamos, contudo, uma certeza – desde sempre, Jesus já fez a sua escolha. Basta, apenas, que o imitemos nela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-1907679623251503572?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/1907679623251503572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/12/espiritualidade-do-seguimento.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/1907679623251503572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/1907679623251503572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/12/espiritualidade-do-seguimento.html' title='A Espiritualidade do Seguimento'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-8019072685759158246</id><published>2010-12-20T11:17:00.000-08:00</published><updated>2010-12-21T10:43:32.996-08:00</updated><title type='text'>A Espiritualidade no Evangelicalismo Brasileiro: Conceitos, Características e Consequências</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;POR: Idauro Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; INTRODUÇÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O Evangelicalismo brasileiro é dicotômico no que tange a realidade, pois, por um lado, a discerne como sendo divina, sacra e, portanto, espiritual, mas também identifica uma outra dimensão secular, mundana e profana.  Esta visão bipartida da realidade, estranha ao ensino das Escrituras Sagradas e à Teologia Reformada, da qual o evangelicalismo é herdeiro, é responsável pelos contornos em que o conceito de espiritualidade ganhou no Brasil evangélico de hoje. Podemos afirmar que a espiritualidade evangélica brasileira é mística, introspectiva e alienante, e nossa proposta, neste ensaio, é tentar entender o porquê de tais matizes, quais os seus efeitos e de que maneira pode-se discutir uma solução.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; &lt;br /&gt;Uma Espiritualidade Mística&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendendo como &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Francis Schaeffer&lt;/span&gt;, que a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;“verdadeira espiritualidade”&lt;/span&gt; reside na fé cristã e que esta, por sua vez, à luz das Escrituras Sagradas, especialmente o Novo Testamento, é um dom de Deus oferecido gratuitamente aos que foram “chamados para fora”, para a exercerem e a manifestarem na sociedade em que estamos inseridos, a igreja, como despenseira desta espiritualidade, tem, portanto, a missão de compartilhá-la através do Kerigma e da ação do cristão em prol da transformação do mundo, objetivando com isto a glória de Deus. Este foi o discernimento que os reformadores como Lutero, Calvino, Melanchton, Zwinglio e outros tiveram. Para os mesmos a espiritualidade era vivida no âmbito da fé (subjetividade) e da ação (objetividade). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      No Brasil, o evangelicalismo, especialmente por influência do pentecostalismo e o neopentecostalismo, separou estes conceitos de tal forma que transformou a fé e, portanto, a espiritualidade cristã em algo meramente subjetivo, abstrato, sobrenatural e, logo, místico. Com esta ênfase em uma espiritualidade subjetiva houve a valorização do culto místico, marcado pela ênfase no sobrenatural. Tal conceito é muito valorizado no atual cenário evangélico brasileiro, onde há uma predominância numérica de comunidades de fé de cunho carismático. Ser espiritual, neste contexto é ter experiências sobrenaturais. O que deveria, portanto, ser extraordinário, uma experiência possível, porém incomum à ordem do dia, virou um padrão de normalidade. Tais experiências se tornaram, na prática, uma necessidade e um termômetro do culto e da vida cristã. A realidade natural, a sociedade, o trabalho, os deveres e direitos são vistos como algo de importância menor, pois fazem parte do que é “objetivo”, não devendo, portanto, serem considerados como prioritários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      É bom que se diga que há, na vivência da espiritualidade cristã, um lugar saudável para as experiências pneumáticas. O cristão é alguém que se relaciona com o Espírito Santo e é, por Ele visitado, curado, consolado, orientado e edificado. A questão aqui não é negar as operações reais do Espírito Santo, mas sim avaliar criticamente a insistência de muitos círculos em colocar o sobrenatural como a porta de entrada e balizador da espiritualidade genudeína. Entendemos que tal interpretação prejudica a saúde da fé bíblica, pois confunde o extraordinário com o ordinário, o milagre com o que é comum e o que é apenas possível com o que é fundamental e necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na espiritualidade mística, tudo o que é objetivo é visto com desconfiança, assim há  pouco lugar para o racional. Destarte, a teologia não recebe a devida atenção, e, na prática, a própria Palavra só é aceita quando "toca" o emocional do indivíduo, pois para este o que importa é se a mesma lhe traz alívio. A doutrina torna-se secundária. A questão não é mais conhecer a verdade, mas sim obter dela benefícios. Se a verdade não traz alívio e não torna o indivíduo mais feliz, esta não o interessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos afirmar, então, que o misticismo é  uma das principais características da espiritualidade contemporânea. Ser cristão não é mais questão de entender as verdades cristãs e logo aceitá-las como padrão de espiritualidade. Ser cristão virou uma experiência subjetiva. Não mais importa o que se crer, mas sim o que se &lt;span style="font-style:italic;"&gt;experimenta&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; de Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Uma Espiritualidade Introspectiva&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um outro aspecto do evangelicalismo brasileiro é a sua introspecção. A espiritualidade ao invés de externada naturalmente nas ações coletivas e, principalmente na visão de mundo, é, na verdade, guardada no íntimo e só refletida, quando muito nas investidas evangelísticas. Desta forma, o indivíduo consegue ser cristão, a despeito de ser um péssimo patrão, pois entende que a fé é um expediente circunscrito ao íntimo e pessoal.  O empresário levanta suas mãos em adoração no culto dominical e com as mesmas, durante a semana, frauda, sonega e rouba. O empregado negligencia as horas que deve à empresa, sem nenhum prejuízo à consciência. O estudante cola e trapaceia, mas no domingo participará do coral na igreja. O ministro do Evangelho consegue se impor semanalmente no púlpito de sua congregação mesmo quando todos conhecem os fracassos de suas relações interpessoais. Nesta postura introspectiva, a ética passiva é vista como virtude, mesmo que isto lhe custe à consciência da omissão frente à verdade, à justiça e ao que é reto e digno. Assim, conseguimos adorar mesmo quando sabemos que perto de nós um irmão sofre com a perda de um ente querido, ou porque não sabe como fará para pagar as contas que já venceram. A igreja vira um lugar onde vou buscar “a minha bênção” e não um lugar de compartilhar alegrias, frustrações, pão, atenção e orações. O bem do outro é visto como algo que ele deve conseguir com seus próprios esforços e fé. Se não consegue é porque é fraco, sem fé, inconstante e não perseverante. A espiritualidade evangélica não é koinônica, mas verticalizada. A espiritualidade, assim, torna-se um aspecto da vida e não a própria vida. Não é “massa do próprio sangue”, mas está confinada a uma área restrita e que só é acionada quando a ocasião se fizer necessária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Em uma espiritualidade introspectiva a moral cristã  toma outros contornos. Há pouca ênfase no protesto, mas sim na resignação. A luta social é confundida com militância partidária e agito perigoso. A crítica, inclusive a religiosa, com insubmissão. E assim manutenção do “status quo” é estimulada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           Uma espiritualidade introspectiva torna o evangelicalismo pouco relevante para o seu contexto social, pois é incapaz de dialogar sobre as grandes questões que afligem a sociedade. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dietrich Bonhoeffer,&lt;/span&gt; em sua obra, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Ética”,&lt;/span&gt; declara que há &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“soluções cristãs para problemas seculares”&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, não significando com esta afirmação que a igreja possui uma agenda para equacionar todos os dramas da sociedade, mas sim que a igreja tem algo a dizer sobre os mesmos. No entanto, tal resposta só é oferecida quando a igreja deixa de ser introspectiva e resolve a “marchar com as multidões”. Uma espiritualidade autêntica, de acordo com o exemplo dos crentes primitivos e do próprio Senhor é vivida na horizontalidade, onde os que se cercam interagem entre si, onde a comunhão e o discipulado formam modelos de conduta e caráter. A fé, é verdade, continuará a brotar do íntimo do ser, mas se exteriorizando, encarnando e transformando uma sociedade. Um cristão que opta na introspecção de sua espiritualidade, é um mosteiro ambulante, anacrônico, inadequado, anti-bíblico, e, portanto, irrelevante no e para o seu tempo e geração. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Uma Espiritualidade Alienante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Reverendo Manuel Bernardino de Santa Filho, ministro congregacional e reitor do Seminário Teológico Congregacional do Rio de Janeiro,&lt;/span&gt; em uma palestra ministrada para professores de escola dominical, apontou o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Soteriocentrismo”&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; como uma das causas do pouco envolvimento dos crentes com os desafios do mundo contemporâneo. Ou seja, já que marchamos para o céu, por que se preocupar com este mundo? Se este “jaz no maligno” por que devo me envolver, importar e cansar por ele? Esta atitude (de fuga) da realidade é ao mesmo tempo uma cultura de gueto, gueto evangélico. Temos nossas próprias roupas, lugares de lazer, nossas próprias músicas e até uma forma peculiar de falar. Enquanto nos escondemos em um gueto, o mundo segue seu curso. E nos esquecemos que a proposta bíblica é que apresentemos a esta sociedade uma contra-cultura, através da nossa forte inserção na mesma. Fomos chamados para trabalhar este mundo, trazendo-o cativo para os domínios de Cristo. A isto a Teologia Reformada chama de “Mandato Cultural”, ou seja, por meio do nosso trabalho, a sociedade pode ser moldada e os valores do Reino de Deus identificados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Uma espiritualidade indiferente com o mundo ao redor, onde as causas humanitárias, as lutas ambientais, as preocupações ecológicas, a exploração do trabalho infantil, a miséria dos países do hemisfério sul e as condições indignas de vida não são pensadas é alienante e, portanto, irrelevante. É digno de nota que o Reavivamento visto na &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Inglaterra&lt;/span&gt; nos dias de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;João Wesley e George Whitefield&lt;/span&gt; não só trouxe pessoas ao conhecimento de Cristo, mas também provocou mudanças profundas nas estruturas sociais do país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Uma espiritualidade alienante é nociva ao testemunho da fé bíblica, pois gera insensibilidade, além de não impactar a sociedade, sendo, portanto inútil e prestando um desserviço ao Reino de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Conclusão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há  uma resposta a ser dada a estas nuances do evangelicalismo contemporâneo no que tange nossa idéia de espiritualidade. &lt;br /&gt; Em primeiro lugar é necessário propormos uma agenda reflexiva no Brasil. É fundamental tentarmos entender o que é uma vida espiritual; o que significa ser cristão e como viveremos neste mundo. Tal postura é importante, pois percebe-se que no Brasil o que dita a conduta da igreja não é a ortodoxia e sim a ortopraxia. Somos pragmáticos demais, práticos demais. Há pouco espaço para a reflexão teológica e, assim, erramos com muita frequência. A experiência, na espiritualidade moderna, tornou-se mais importante do que a Escritura. Isto vai continuar enquanto não houver por parte das lideranças eclesiásticas uma proposta de repensarmos os conteúdos de nossa fé. A ortodoxia viva, o ensino correto e vibrante das Escrituras, deve nos conduzir a uma ortopraxia. E não o contrário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar é necessário repensarmos nossa metafísica, pois com uma cosmovisão, como esta que herdamos, onde se concebe uma realidade bipartida em secular e sagrada, mundano e sacro, torna-se difícil à prática e o desenvolvimento de uma espiritualidade holística, integral e completa. O que há na verdade hoje é uma sutil ressurreição do gnosticismo, onde um mundo espiritual não é relaciona com o material. Graves distorções estão acontecendo em função desta metafísica maniqueísta. Tornando a igreja e, consequentemente, a espiritualidade arcaica, monástica e sem penetração. O resgate do Mandato Cultural é premente nestes dias polarizados. Ainda é tempo. O evangelicalismo brasileiro ainda é jovem e pode aprender. A espiritualidade bíblica, saudável, pertinente, poderosa, impactante e transformadora de consciências, vidas e mundos ainda pode ser salva. Para isto é necessário, à semelhança de Lutero, voltar às bases, voltar às Escrituras Sagradas, para que elas norteiem e ensinem esta geração. As sementes de uma verdadeira espiritualidade ainda podem ser lançadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, não podemos apenas nos preocupar com uma proposição intelectual, como apresentada acima. Os fundamentos são importantes. Entretanto, há outra dimensão que precisa ser cuidada. A erudição precisa ser acompanhada de uma poderosa piedade! Caso contrário, resgataremos apenas uma forma contemporânea de escolasticismo protestante. O escolasticismo (protestante) dos séculos XVII e XVIII, também conhecido com Ortodoxia, foi responsável por um importante legado teológico, onde os grandes tomos de teologia foram escritos e todo um pensar teológico protestante progrediu. Porém, seus erros e exageros foram substanciais, pois ao se preocupar apenas com as formulações lógicas da fé cristã, os teólogos distanciaram esta da experiência íntima que todo indivíduo deve passar. Grupos racionalistas surgiram deste ambiente de reflexão sem paixão, contribuindo para esfriar o compromisso do testemunho cristão das gerações posteriores aos reformadores. Erudição sim, mas piedade também! Reforma sim, mas avivamento também! Conhecimento das Verdades sim, mas conhecimento do poder também! Foi isso que homens, como &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Jonathan Edwards&lt;/span&gt;, por exemplo, fizeram. Não foi por menos que ficou conhecido como &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Teólogo do Avivamento” &lt;/span&gt;por ocasião de suas reflexões e análises no &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Grande Despertamento”&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;das colônias americanas, no século XVIII. &lt;/span&gt;Reflexão e transformação pelo evangelho!  Mente e coração! Razão e paixão! Escritura e Oração! Teologia e alegria! Proposição e canto! Nada pode ser mais bíblico, mais saudável e tão necessário à pratica de uma espiritualidade autêntica, enraizada na Palavra e no testemunho da História da Igreja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;SOLI DEO GLÓRIA!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;javascript:void(0)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-8019072685759158246?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/8019072685759158246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/12/espiritualidade-no-evangelicalismo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/8019072685759158246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/8019072685759158246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/12/espiritualidade-no-evangelicalismo.html' title='A Espiritualidade no Evangelicalismo Brasileiro: Conceitos, Características e Consequências'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-5753825664426269971</id><published>2010-12-17T09:32:00.000-08:00</published><updated>2010-12-17T09:33:19.896-08:00</updated><title type='text'>IGREJA: FORMA E ESSÊNCIA</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;"Fique muito atento se o vinho que você está entregando em seu ministério não tem sido contaminado pela estrutura que o cerca"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Rodolfo Garcia Montosa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Ninguém põe vinho novo em odres velhos. Se alguém fizer isso, os odres rebentam, o vinho se perde, e os odres ficam estragados. Por isso, o vinho novo é posto em odres novos." Marcos 2.22&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil não se impressionar com o processo de fabricação dos vinhos. Quando estive no Chile tive a oportunidade de conhecer uma vinícola e entender os detalhes e segredos que conferem a eles tal sabor e aroma. O que mais chamou a atenção foram os tonéis onde a bebida é armazenada para o processo de fermentação e envelhecimento. Aprendi que os melhores são tonéis franceses, fabricados em carvalho - madeira nobre e resistente, nativa da Europa e do Mediterrâneo - que chegam a custar três mil reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando em estado de espera dentro desses imensos barris de madeira clara, o vinho confere aos tonéis uma cor avermelhada, como se o fizesse sangrar. Por outro lado, é esse contato com a madeira que irá conferir à bebida um sabor especial. Definitivamente, ambos nunca mais serão os mesmos após serem ajuntados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para falar sobre forma e essência no Reino de Deus, é necessário entender, primeiramente, que uma não sobrevive sem a outra e é imprescindível para o perfeito funcionamento dessa ou daquela. É como na vinicultura. A bebida pode ser a essência e o tonel apenas a forma, mas ambos são necessários no processo de amadurecimento do vinho. O vinho será marcado, transformado pela madeira. E vice-versa. Isso significa que todo aquele que rompe com determinada estrutura, necessariamente criará outra estrutura, mesmo que não admita isso. Não existe essência sem uma determinada forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fundamental entender também que o vinho e a madeira devem desenvolver-se juntos. Um vinho novo que passará por um processo de fermentação intenso não pode ser colocado em tonéis velhos. Ou perderá seu sabor, ou romperá os tonéis. Isso significa que determinadas estruturas devem ser abandonadas quando se perdeu a essência do evangelho. Conteúdo novo, ou melhor, o velho que se perdeu, deve ser iniciado em uma nova estrutura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro ângulo de ver a analogia é definindo a forma como "atividade meio" e a essência como "atividade fim". Ninguém quer "tomar" um tonel. Ele é apenas um meio através do qual se atinge o fim de um vinho de qualidade. Na prática do dia-a-dia, contudo, percebe-se um encantamento com as atividades meio e um desvirtuamento das finalidades. Se a finalidade passa a ser o de ganhar dinheiro ou perpetuar-se no poder, por exemplo, basta aplicar algumas fórmulas "mágicas" que o povo o seguirá. Mas isso nada tem a ver com a essência relacional do evangelho. Muitos estão correndo atrás de fórmulas, ou formas que dão certo. Cresce o apego à forma em muito maior proporção que o amor à essência do evangelho. Estão aí os ritos e rituais que perpassam séculos, perdendo por completo seu sentido e significado, mas perpetuando-se como atos de magia que tem poder intrínseco em si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fique muito atento se o vinho que você está entregando em seu ministério não tem sido contaminado pela estrutura que o cerca, incluindo você em suas motivações e desejos pessoais. Aos líderes chamados de cristãos interessa fazer somente o que seu mestre fez: trazer à festa um novo vinho de qualidade superior e não vinagre em embalagem enganosa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-5753825664426269971?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/5753825664426269971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/12/igreja-forma-e-essencia_17.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/5753825664426269971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/5753825664426269971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/12/igreja-forma-e-essencia_17.html' title='IGREJA: FORMA E ESSÊNCIA'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-7100320060143984668</id><published>2010-12-06T12:43:00.000-08:00</published><updated>2010-12-06T12:46:36.099-08:00</updated><title type='text'>Perdão e Confissão</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Perdão e Confissão: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; "Se já fomos perdoados por quê precisamos pedir perdão?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;POR: Caio Fábio D'Araújo Filho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Novos instrumentos sempre precisam de afinações.&lt;/span&gt; Assim é também quando novas compreensões nos chegam ao coração. Sempre há necessidade de fazer uma sintonia fina de vez em quando. Isto porque as novas alegrias muitas vezes nos impedem de fazer uma síntese mais equilibrada das coisas por um tempo. E a prova disso é que Hoje você me faz esta pergunta. Sinal de que há uma nova reflexão sendo feita. O que é muito bom!&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Respondendo a pergunta, proponho-lhe uma figura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tive a bênção de ter um pai de quem jamais duvidei do amor. Eu sempre soube que ele me perdoaria de qualquer coisa, embora eu também sempre tenha sabido que qualquer coisa indigna que eu viesse a fazer, e ele a saber, seu coração se entristeceria bastante, talvez até profundamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, eu sempre soube que ele me perdoaria porque ele me ama, mas nunca deixei de pedir perdão a ele apenas por saber disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se é assim com meu pai terreno, como seria com meu Pai que está nos céus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meu pai eu peço perdão porque ele precisa saber que minha consciência está viva e sadia. E também porque o respeito e desejo honrá-lo até nos meus erros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já em relação ao meu Pai que está nos céus, peço perdão por mim mesmo, para o meu próprio bem, como reconhecimento de que minha consciência está viva, e, sobretudo, porque minha vida é um flagrante permanente diante Dele.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Assim, embora de antemão perdoado, peço perdão; &lt;/span&gt;posto que meu pedido de perdão é a confissão de minha boca de que minha consciência continua cativa da verdade de Deus; e isto é importante para mim, visto que Deus sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, porém, sou ensinado a orar dizendo: “Perdoa as minhas dívidas assim como eu perdôo os meus devedores”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Desse modo há duas dimensões aqui envolvidas:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1.&lt;/span&gt; A primeira ensina que perdão é perdão. Ou seja: porque perdôo, sou perdoado; isto porque já estou perdoado; portanto, não tendo mais o direito de não perdoar. Desse modo, não perdoar equivale e dizer que não se acredita em perdão, ficando-se, assim, postos por nós mesmos, na posição de não-perdoados outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;2. &lt;/span&gt;A segunda tem a ver com Deus, que de antemão me perdoou, mas que espera que meu coração reconheça o perdão com seriedade, a fim de que a minha consciência não fique sem exercício. Portanto, quando peço perdão, confesso que ainda estou vivo e grato; e mais: confesso meu desejo de deixar coisas e partir para outras melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrependimento, diz o Novo Testamento, é Graça de Deus. É Deus quem concede o arrependimento, e quem conduz ao arrependimento. Portanto experimentar arrependimento já é fruto da Graça do Perdão divino.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Assim, eu diria: somente perdoados se arrependem!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prova disso é Davi, que, uma vez confrontado pelo profeta Natã, disse: “Pequei contra o Senhor!”— e ouviu o profeta dizer: “Também o Senhor já perdoou o teu pecado!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é que é bem-aventurado o homem a quem o Senhor não “imputa iniqüidade”. Como também é bem-aventurado todo aquele que “não se condena nas coisas que aprova”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse modo, a Graça de Deus nos dá toda segurança, mas demanda de nós que vivamos buscando não pecar, não porque o pecado “tire pedaços de Deus”, mas sim porque tira os pedaços da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na revelação há sempre duas dimensões: uma eterna e outra temporal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, pela revelação sabemos o que é eterno, e, portanto, já é, e ninguém mudará. Ao mesmo tempo em que há advertências temporais, as quais têm dimensões de natureza, eu diria, psicológicas; isto porque concernem à alma humana e à continuidade da existência na Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isto, eu sei que em Cristo tudo já é e já está Consumado; mas sei também que em mim mesmo, nada está acabado e concluído, pois vivo na carne, no corpo, no tempo, no espaço, e no que ainda é em parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Portanto, eu lhe digo: Os perdoados sempre pedem perdão; e, além disso, sempre perdoam!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando há o momento da “contrição” na hora de um culto, eu sempre aproveito para o meu bem. Mas meu confessionário é no caminho, enquanto vou, e à medida que minha consciência fala comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nele, em Quem já sou tudo a fim de poder ser,&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-7100320060143984668?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/7100320060143984668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/12/perdao-e-confissao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7100320060143984668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/7100320060143984668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/12/perdao-e-confissao.html' title='Perdão e Confissão'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-3058808329846533069</id><published>2010-12-06T05:04:00.000-08:00</published><updated>2010-12-06T05:05:07.182-08:00</updated><title type='text'>A COMPETIÇÃO DAS IGREJAS</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A igreja passou a ser mais uma instituição sem grande valor e importância&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por: Oziel Alves&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Há duas grandes notícias sobre as igrejas evangélicas contemporâneas. Uma boa e outra má. A boa é que não resta a menor dúvida que, com ou sem teologia da prosperidade, ela pode melhorar significantemente a vida de uma pessoa. A má é que ela já não interpreta o certo e o errado para a sociedade. O respeito incondicional pela igreja moralizadora está em extinção. Aceita-se o que é bom, rejeita-se o resto. Frente à gama de escândalos que o povo se acostumou a ver e ouvir, até os mais bem intencionados membros, colocam um pé atrás, antes de acreditar piamente nas palavras de um líder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Jacques Ellul, em seu livro The New Demons, deixou claro que a instituição “igreja” foi convidada “a ocupar um assento no vasto anfiteatro da sociedade” em outras palavras “ela é demitida de seu posto de protagonista moralizante, onde ditava as regras e dizia o que era certo e errado, para ser apenas mais uma 'instituição', sem grande valor e importância, a assistir o show da degradação dos valores morais”. A sociedade aceita conviver com a igreja. Coexistir, como diria Bono. Mas é preciso que ela fique em silêncio e não ouse interferir na liberdade-libertina que o mundo há tanto tempo sonhou alcançar, e hoje se deleita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Há igrejas que resistem. Há outras que abrem mão de seus princípios, em prol de uma maior aceitação na sociedade. Sob o manto das mudanças, do desenvolvimento político, cultural, científico e tecnológico, está inserida, também, a nova igreja do século XXI. Segundo a Revista Veja, “Com menos ênfase no sobrenatural e mais investimento em técnicas de auto-ajuda,  [...] aumentando sua penetração na classe média”. A igreja encarou novas exigências. Modernizou-se, ruma ao profissionalismo, tornou-se mais tolerante. Mais humana. Boas medidas que contribuíram para o aumento “das massas” e capacitaram as lideranças a oferecerem “um tratamento psico-social e espiritual” visivelmente de maior qualidade para os crentes. São, porém, medidas perigosas, nas mãos dos falsos mestres que se utilizam da palavra de Deus, visando única e exclusivamente, angariar lucros de forma fácil e abusiva. A Bíblia diz que estes “falsos mestres” “apascentam a si mesmos, sem nenhum temor” (Jd 1:12b), isto é, em causa própria e indevidamente,  utilizam-se de recursos que deveriam ser destinados a melhoria e a boa administração da obra de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Enquanto a espiritualidade do brasileiro aumenta, há muitos de olho na lucratividade que uma igreja pode render. Para estes, a Bíblia tem um recado: “Ai deles! Que foram pelo caminho de Caim e pelo amor ao lucro se atiraram ao erro de Balaão [...]”. “[...] Pastores que apascentam a si mesmos, sem temor, são nuvens sem água, levadas pelos ventos, são árvores sem folhas nem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas” (Jd 1:11a -12b).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     A igreja é uma empresa, sim. Preocupa-se, igualmente, com as contas a pagar, com os salários dos pastores, músicos, ministros, obreiros, missionários, com os investimentos materiais. E, não há nenhum mal nisso. Nossos líderes – que trabalham com afinco e amor a obra de Deus - merecem muito mais do que as migalhas a que se submetem. Mas é preciso diferenciar uma situação. Todas as igrejas são empresas, mas há empresas que supostamente são igrejas. A verdadeira igreja, antes de ser empresa, precisa ser casa de serviço e adoração. Que leve realmente a sério as questões espirituais, e não abra mão sob hipótese alguma de seus “princípios” para abocanhar “lucros ou poder”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     A verdadeira igreja, não faz vista grossa para o pecado, quando quem precisa ser corrigido é o irmão endinheirado que sustenta boa parte da obra com seu alto dizimo. O falso mestre pode esconder suas más intenções de multidões, enquanto o diabo assiste de camarote as obras ambulantes de sua astúcia. Deus, todavia, honra aqueles que por amor do seu nome, foram vítimas do engano dos falsos mestres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Dizem que não podemos subestimar a inteligência do diabo. Então, ouso subestimar a nossa ingenuidade quando a tática mais eficaz do inimigo, há séculos continua sendo, exatamente a mesma, ou seja, alguma coisa, em troca de algum poder. Sabemos que o poder é um método eficaz de tentação e corrupção. Talvez ele esteja intrinsecamente ligado a raiz da personalidade pecaminosa dos homens, caracterizada pelo pecado original de Adão e Eva, lá no Jardim do Éden. Esta tática foi aplicada a outros como Judas, Jacó, Ló, Ananias, Safira; a Jesus Cristo quando ofereceu todos os reinos deste mundo se prostrado Ele, o adorasse. Há uma extensa lista de personagens bíblicos. Ao que parece, seus métodos, não sofreram alterações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Segundo Dr. Russel Shedd, “A mais sutil tentação do mundo é a que propõe reconhecimento e aceitação ao cristão”. E ele diz mais “O poder tem uma facilidade inata de corromper qualquer líder que exerça o direito de manter controle sobre a vida dos outros”. E, é este controle que muitos almejam, até invejam. Começam ouvindo a palavra, como qualquer outro. O pastor, vê neles um potencial. Chama-os para a obra. Ensina, treina, dá oportunidades. Confia na ovelha. De repente, o escritório pastoral é invadido por um lobo voraz. O pelego de ovelha, fica na porta e serve de capacho. As contendas e dissensões vem à tona. O nível de influência do dissidente, determina o tamanho da divisão e os membros que o seguirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Igrejas são filantrópicas. Não é difícil abrir uma.  Basta ter influência sobre algumas pessoas, para iniciar um pseudo-trabalho de evangelização. Pseudo porque tais dissidentes ao invés de irem para bem longe, evangelizar pessoas ainda não crentes, divertem-se pescando no aquário em que viviam, semeando contendas, discórdias e inevitavelmente despertando a ira de seus ex-líderes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Nunca houve tantos templos espalhados por aí, como se tem visto, ultimamente. O imaginário coletivo crítico-cristão ousa citá-los como “botecos religiosos”, uma ironia à igreja comparada aos estabelecimentos comerciais de pequeno porte, que limitados por um raio físico-geográfico muito pequeno, através de um marketing barato e agressivo, lutam pela sobrevivência financeira, competindo pelos mesmos fregueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Que bom seria se nossas cidades estivessem superlotadas de igrejas preocupadas com o ideal maior, que em princípio deveria ser compartilhado por todas: “Pregar o evangelho a toda a criatura e declarar Jesus Cristo como o verdadeiro caminho, verdade e vida”. Que bom seria se estas igrejas fossem totalmente despreocupadas com o marketing lucrativo e a concorrência estigmatizada por números e posição social de destaque na sociedade. Mas, elas estão aí. E são pequenas, médias, grandes. Há de todo tamanho. Multiplicam-se e mudam suas fachadas. Com o intuito de atingir massas, adaptam-se a modernidade secular,  e lançam novas ideologias como isca aos necessitados. Igreja para empresários. Para jogadores e artistas. Igreja para surfistas. Há campos a serem explorados. Faltam os escritores, médicos, psicólogos, físicos e matemáticos. Será que existirão igrejas para garis, faxineiras e babás?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Não será estranho se daqui há alguns dias nos depararmos com alguma igreja levantando a seguinte placa: “Viva o pecado, venha, e una-se aos pecadores de plantão!" Ironias a parte, há certamente, aquelas que buscando a santificação, resolveram se separar. Estas, no entanto, representam uma parcela muito pequena do todo. O alerta já havia sido dado há algumas centenas de anos “Nos últimos tempos haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias concupsciências. Estes são os que causam DIVISÕES; são sensuais, e não tem o ESPÍRITO” (Jd 1:18-9). Mas, Ai deles...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-3058808329846533069?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/3058808329846533069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/12/competicao-das-igrejas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/3058808329846533069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/3058808329846533069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/12/competicao-das-igrejas.html' title='A COMPETIÇÃO DAS IGREJAS'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-1897536308677358793</id><published>2010-11-25T07:57:00.000-08:00</published><updated>2010-11-25T08:10:48.444-08:00</updated><title type='text'>“Ankniipfungspunkt” - Uma Breve Avaliação da Antropologia de Emil Brunner</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;POR: Idauro Campos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;INTRODUÇÃO: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Nesta reflexão tentaremos, de uma forma breve e resumida, compreender e interagir com as idéias do teólogo suíço Emil Brunner que, à semelhança de Karl Barth, se posicionou a favor da conhecida Teologia Dialética, movimento que criticou a Teologia Liberal e propôs uma recondução da teologia em direção ao pensamento dos reformadores. Entretanto, apesar da concordância com alguns postulados de Barth, Brunner estabeleceu seu próprio caminho em algumas de suas formulações e que o levou a ser criticado pelo próprio Karl Barth. Nosso objetivo é sintetizar o centro das idéias brunnerianas e tentar identificar sua relevância para o presente da teologia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos dizer que, à semelhança de Karl Barth, Emil Brunner se manteve na fronteira teológica que caracterizou o século 20, pois com sua abordagem criticou o liberalismo que julgava a razão como critério de avaliação da verdade. Ao mesmo tempo Brunner também não agradou os conservadores protestantes, pois com sua “ Imago Dei”, negou os efeitos mais drásticos do pecado no homem, considerando este com um ser que ainda é dotado de inclinações espirituais que o aproximem de Deus. Portanto, em sua Dialética, Brunner encoleriza os liberais, sem, contudo, agradar aos conservadores, que esperavam uma dogmática mais calvinistas em sua antropologia e hamartiologia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A DIALÉTICA&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Para Brunner, há uma tensão entre a Palavra de Deus e o pensamento do homem. Enquanto que para os liberais, a Revelação pode ser conhecida através das faculdades naturais da razão, Brunner declara que tal evento só é possível não em função da razão, mas sim da contradição entre razão e revelação, Deus e o homem, lei e Evangelho, ou seja, é através desta contradição que a verdade sobre Deus pode ser captada, pois Deus, sendo eterno e santo, entra no tempo em busca do homem pecador. É sob esta perspectiva que a teologia deve ser feita. Portanto, teologia dialética é a reflexão que respeita as fronteira da religião e a da razão, porque são paradoxais entre si. Com este posicionamento, Brunner acentua que a Revelação, sendo transcendental, não pode ser domesticada pelo pensamento, pois este se conforma em apenas compreender ou “possuir”, e não em crer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Desta forma então, podemos discernir em alinhamento das idéias de Brunner com as de Barth, pois para o teólogo da Basiléia a contradição entre Deus e o homem, significava a limitação do segundo em alcançar o primeiro. Deus sendo “o totalmente outro”, não pode ser alcançado pela razão em função desta ter sido prejudicada por causa da queda. No entanto, há uma trincheira entre os dois teólogos, pois para Emil Brunner esta “incapacidade” não é total e plena. O homem, segundo ele, é capaz de voltar-se para Deus e compreendê-lo, pois a queda não destruiu completamente esta possibilidade. Ainda há no homem as condições que permitam seu contato com o Sagrado. Portanto, Brunner diz que a contradição entre Deus e homem age no mesmo como uma “força de atração”. São opostos e, logo, se atraem. Com esta compreensão, fica então patente que Emil Brunner, é claro, não concorda com a depravação total tão defendida pelos calvinistas e de quem Barth sentia-se alinhado. Para Karl Barth não há nada no homem que o torne em condições naturais de receber a Revelação de Deus, pois o mesmo se encontra em total estado de queda e depravação. Ainda que seja possível para este a realização de boas obras, que visem minorar os sofrimentos humanos, tais inclinações não são intensas a ponto de nos colocar favoravelmente diante do Criador. Destarte, a contradição entre Deus e o homem é incongruente. Deus é pura transcendência e não pode ser objeto da razão, pois esta está aprisionada pelo pecado. Já a insistência de Brunner em enxergar no homem uma capacidade inerente, o levou a ser fortemente criticado por Barth. Brunner, aliás, passaria o resto de sua vida tentando se explicar e se defender das acusações de Karl Barth, que via em suas formulações uma reaproximação com a teologia católica da apreensão natural do homem sobre a revelação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O PONTO DE CONTATO &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Para explicar a maneira como seria possível ao homem chegar a Deus por meios inerentes, mesmo admitindo que o mesmo é um ser atingido, manchado e alijado pelo pecado, Emil Brunner desenvolve um conceito que ele chamou de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“Ankniipfungspunkt”&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; ou “ponto de contato”. Assim, a razão humana é dotada de uma disposição natural para receber a revelação de Deus. Vejamos como ele a define: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;span style="font-weight:bold;"&gt; “Se o homem fosse apenas um objeto em que Deus faz alguma coisa, um recipiente no qual Ele derrama alguma coisa, então se poderia falar da revelação mesmo sem conhecer nada do ser que sofre a ação. Contudo, já que ela é um encontro pessoal, é necessário aprender a conhecer a pessoa a cujo encontro Deus vai e o modo como essa pessoa se apresenta para tal encontro com Deus... O fato de que Deus se manifesta mediante sua Palavra pressupõe que o homem seja um ser criado para esse gênero de comunicação através da Palavra... Esse fato, já evidente em si mesmo, deve ser tanto mais fortemente ressaltado quando se sabe que uma falsa explicação da sola gratia e o temor de cair na doutrina pelagiana ou na do sinergismo levaram a ponto de trocar a pura receptividade do homem na Revelação por uma passividade objetiva, em que à parte do homem poderia ser geralmente eliminada”.&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, se Deus ao se manifestar não encontra um homem que lhe seja idôneo para corresponder-lhe, tal manifestação seria desnecessária. Ele só o faz porque o homem mantém suas faculdades em condições de atender o Criador. O homem pode receber a Palavra e o Espírito Santo, pois ele tem um “ponto de contato”, uma “imago Dei” formal, que foi mantida a despeito do pecado. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Ao ser duramente criticado por Karl Barth, Brunner se defendeu dizendo que sua formulação não negava a doutrina reformada de “sola gratia”, pois este “ponto de contato” era apenas a capacidade não perdida de receber a Palavra, no entanto, o “crer” e “ouvir” dependeria da própria Palavra de Deus. Ou seja, todo homem é capaz de receber a Palavra de Deus, mas crer nesta Palavra depende da própria Palavra, pois a fé é uma obra divina e é a própria Palavra que a comunica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Para Emil Brunner há a perfeita coordenação entre a Graça e a Razão, visto que a primeira, sendo de caráter subjetivo, nos fornece um conhecimento de Deus mais eficiente, pois a razão, que é de caráter objetivo e natural, nos fornece também um conhecimento sobre Deus, porém “opaco e incerto”. Portanto, Brunner não exclui o conhecimento natural, porém o considera incompleto, sendo, então, necessária à influência da graça divina. Este conhecimento natural defeituoso e insuficiente é sim fruto do pecado, mas é existente, pois o pecado não aniquilou o conhecimento do homem sobre Deus e sim o fragilizou e, por causa disso, a dependência de Deus continua, apesar do pecado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;CONTEXTUALIZAÇÃO &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Mesmo que inconsciente a teologia de Brunner se faz sentir no evangelicalismo contemporâneo, pois apesar de não se falar em uma “bondade inerente” ou conhecimento próprio, o movimento evangelical no Brasil, na prática, abandonou as doutrinas da depravação total e “sola gratia”. A devida miséria e incapacidade humana em se achegar a Deus não são mais acentuadas. Fala-se muito nas pessoas que estão com “sede de Deus” e “tomar posse”, pela fé, como se esta fé pertencesse ao homem, podendo este, quando bem quiser, depositar em Jesus. Não se fala mais de um pecador perdido, morto espiritualmente em delito e pecado e que se não for pela graça de Deus para regenerá-lo dando-lhe o dom da fé, o mesmo está condenado. A forma como a evangelização é feita não leva em conta a total dependência do homem em relação a Deus para ser salvo. É como se à parte de Deus já estivesse feita e agora quem age é o homem que basta depositar sua fé. Ou seja, há no próprio homem o poder para crer. O seu livre-arbítrio é a faculdade que toma a decisão, ou não, de abraçar o Cristo da fé. Portanto, ainda que não se fale uma “imago Dei” presente no homem, ou, em “ponto de contato”, a forma como o evangelicalismo se desenvolve no Brasil se alinha com as convicções de Emil Brunne&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;CONCLUSÃO &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Seria o Brunnerianismo uma forma de semipelagianismo? Parece-nos que sim, pois o semipelagianismo, típico do evangelicalismo contemporâneo, admite um homem que é um pecador, cujas faculdades foram corrompidas em função do lapso no Édem. No entanto, também admite que este pecador, apesar de seu estado de escravidão espiritual, pode por si mesmo chegar a Deus. É claro que o semipelagianismo declara que a salvação pertence ao Senhor e que o pecador é salvo pela graça, porém está é apenas uma influência sobre o pecador, que tendo condições de se voltar para Deus, recebe tal influência e decide se entregar. É desta forma que se evangeliza no Brasil. Assim, empregando os métodos adequados, dizem eles, o homem virá a Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Apesar de seu protestantismo, Brunner não considerou os efeitos completos da queda. O homem está morto. Não há  nele sequer a menor condição de uma reconciliação. O homem natural segue o curso do próprio coração (Ef. 2: 3) e está separado de Deus. Sua única chance é a graça que regenera, comunica a fé e promove o arrependimento. É a graça de Deus que restaura e redireciona as faculdades do homem, garantindo assim, eficazmente, o acesso à reconciliação com Deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-1897536308677358793?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/1897536308677358793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/11/ankniipfungspunkt-uma-breve-avaliacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/1897536308677358793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/1897536308677358793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/11/ankniipfungspunkt-uma-breve-avaliacao.html' title='“Ankniipfungspunkt” - Uma Breve Avaliação da Antropologia de Emil Brunner'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-697318497437880443</id><published>2010-11-14T02:19:00.000-08:00</published><updated>2010-11-14T10:41:50.363-08:00</updated><title type='text'>Crises na Vida do Pastor e Seus Reflexos na Família</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;POR: Isaltino Gomes Coelho Filho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para iniciar esta minha palavra, apresento minhas credenciais. Tenho dois filhos, um casal. Ele é diácono e ela é crente atuante, de testemunho evangelístico. Ambos têm cursos&lt;br /&gt; seculares, mas fizeram disciplinas avulsas na Faculdade Teológica Batista de Campinas. Ele ainda fez uma, na Faculdade Batista de Teologia do Amazonas. Minha esposa, após 37 anos de casados, ainda anota meus sermões. Registra todos os esboços em sua Bíblia. Costumo dizer que sua Bíblia tem mais palavras de Isaltino que palavra de Deus. Ela me leva a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou melhor nem pior que outros pastores. Apenas quero ressaltar que o quesito família deu certo em minha vida. As pessoas mais próximas de mim, que partilham de intimidade, crêem no que prego. Carrego como condecoração a apresentação que meu filho fez quando preguei na igreja em que ele era vice-presidente: “Vai pregar o meu pai. Meu pai é um homem da Bíblia. Ele vive o que prega e prega o que vive”. Quem me conhece intimamente sabe quem sou eu e me admira e respeita. Isto me basta. Minha família sabe que vivo minha fé e vivo o ministério pastoral. Vou falar com coração. E convicção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como pastor, tive crises de pensar em abandonar o ministério. Tive crises doutrinárias, denominacionais e de fé. Quem as nunca teve, receba meus sinceros parabéns, sem ironia. Quem as teve sabe do que falo. Nós, que tivemos e temos crises, não somos inferiores aos que nunca tiveram e não as têm. Mas esta não é a questão fundamental. A questão é: como manter a família imune aos efeitos de nossas crises ou como minimizar esses efeitos? Vamos caminhar por aqui. Dividi esta palestra da seguinte maneira: (1) Os diferentes tipos de crise; (2) Porque elas surgem; (3) Como tratar as nossas crises; (4) Como proteger a família; (5) Questões práticas; Conclusão. Comecemos, então, pelos diferentes tipos de crise que enfrentamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;1. OS DIFERENTES TIPOS DE CRISES&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alisto quatro tipos de crises, que me parecem ser as mais comuns no ministério pastoral.&lt;br /&gt;(1) A primeira é a crise de vocação. Entramos no ministério cheio de ideais, mas as coisas começam a dar errado. Os desacertos são maiores do que os acertos e se a pessoa é reflexiva, logo lhe vem uma dúvida: “Sou mesmo vocacionado para isto?”. Reconheço que meu primeiro pastorado foi um fracasso. Eu era muito novo, entrado nos vinte anos. Tinha, entre muitos, dois defeitos mortais em sua combinação: era inexperiente e arrogante. As coisas não davam certo. Orei muito diante dos problemas e sofri muito com a situação. No início, pensava que o erro era da igreja e do povo, mas depois de algum tempo descobri que o erro estava comigo. Alguns colegas que passaram pela mesma situação, desistiram do ministério ou fizeram-se esta pergunta. Não desisti. Nem fiz a pergunta. Tomei outro caminho. Dei-me uma segunda oportunidade. Apeguei-me a isto: “Eu tenho uma seqüência de experiências espirituais que me dão certeza de que sou vocacionado”. Achei que valia a pena insistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há uma lição que aprendi e que posso repartir é esta: não se precipite nem tome decisões no calor da frustração. Saiba esperar. Nós, pastores, nem sempre sabemos esperar. Queremos resultados imediatos, queremos sucesso em nosso trabalho. Desejar sucesso no trabalho é algo justo, ainda mais quando se tem a convicção de que o que está se fazendo é um trabalho para Deus. O problema é muitas vezes ouvimos relatos triunfalistas e nos frustramos se não temos relatos semelhantes. Nossas ovelhas ouvem tais relatos e nos cobram o mesmo sucesso. Então vem a pergunta: “Por que não acontece assim comigo? Acho que não sou do ramo!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) A segunda crise é de espiritualidade. As frustrações e as derrotas nos derrubam espiritualmente. Em vez de nos dedicarmos e apegarmos a Deus, nós o deixamos de lado. É o conhecido mecanismo de não buscar a Deus nas horas de decepção. Nós nos comparamos aos outros. Esquecemos a individualidade de cada um de nós. Vivi esta experiência, de me comparar com outro e me depreciar, e já com mais de trinta anos de ministério. Convidei o Pr. Renato Cordeiro de Souza para efetuar pregações na igreja do Cambuí, que eu pastoreava, então. Após as pregações do colega, senti-me profundamente abatido, e disse para Meacir: “Estou mal, muito mal. Eu nunca serei um pastor como o Renato, nunca serei espiritual como o Renato, nunca pregarei como o Renato. Acho que não sirvo para ser pastor”. Ela me disse: “Não, você nunca será como ele, mas você vai ser um pastor como o Isaltino é, será espiritual como o Isaltino é, e pregará como o Isaltino prega”. Aquilo me ajudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como caí nesta esparrela de me comparar com alguém? Recordo-me que quando eu estava com 26 anos, no meu quarto ano de ministério, que um colega, entrando meu gabinete, vendo a mesa, os livros, o lugar de trabalho, me disse: “Então, este é o lugar das grandes batalhas com Deus!”. Fiquei sem saber o que dizer. Na realidade, nunca tive grandes batalhas com Deus. Sou mais Samuel (“Fala, pois o teu servo está escutando!” – 1SM 3.10, LH) que Jeremias (“Ó SENHOR Deus, tu me enganaste, e eu fiquei enganado. Tu és mais forte do que eu e me dominaste. Todos zombam de mim, caçoando o dia inteiro” – Jr 20.7-9, LH) e Jonas, com sua briga com Deus. O colega tinha batalhas com Deus, e eu não. Não éramos um melhor ou pior que o outro, mas apenas éramos de temperamentos diferentes. Com 26 anos eu entendia isto, e com 50 desaprendi! É que emoções não se racionalizam. Elas vêm e nos derrubam. Cuidado com elas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) A terceira crise é de ordem eclesiástica. É no âmbito da igreja que pastoreamos ou do trabalho que fazemos. Queremos, como pessoas normais, reconhecimento pelo nosso trabalho, ansiamos por respeito como trabalhadores que levam a sério o que fazem, almejamos e sucesso em nossa atividade. Somos muito cobrados e nem sempre gratificados (o termo aqui tem conotação emocional; podemos ser bem pagos e pouco gratificados). É curioso que até mesmo nas datas especiais em que nos homenageiam (como o dia do pastor ou aniversário de pastorado), os versículos que são lidos versam sobre a responsabilidade do pastor e seus deveres, aumentando-lhe o fardo e uma possível crise que esteja incipiente. Nunca vi lerem versículos sobre a obediência devida pela igreja ao pastor. Nunca alguém foi me homenagear e leu para a igreja “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles” (Hb 13.17, Almeida Revista e Corrigida) ou “Os presbíteros que fazem um bom trabalho na igreja merecem pagamento em dobro, especialmente os que esforçam na pregação do evangelho” – 1Tm 5.17, LH). Aos irmãos presbiterianos lembro que para nós, batistas, “presbítero” e “pastor” designam a mesma função. Respeito-os, mas isto é apenas para lembrar o sentido da minha frase. O ponto é este: até as homenagens que nos acabam nos massacrando. Lêem um texto ou fazem um jogral que ressalta os deveres pastorais ou que idealizam a figura do pastor num nível em que qualquer pastor honesto sabe que não chegou lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito pastor se esgotou emocionalmente no serviço, por dar-se ao rebanho, e em troca receber incompreensão ou comentários bem dimensionados sobre suas falhas. Como diz um email que recebi: “Pastor, às você chora, e ninguém vê sua lágrima; você sorri, mas ninguém vê seu riso; mas cometa uma falha…” . Sem querer defender a classe: reconheço que os pastores prestaremos contas a Deus do que ele nos confiou (e isso me assusta!), mas muitas igrejas e muitos donos de igreja darão contas a Deus das dores que causaram a pastores… Há crentes que são especialistas em machucar pastor. Na história da sua igreja, em todas as crises que ela viveu, tais crentes estavam presentes, e não como espectadores, mas como agentes. Há crentes com tradição neste ramo… Basta ler as atas da igreja e ver que nas grandes crises há o dedo deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4) O quarto tipo de crise são as familiares. Somos humanos. Somos gente como qualquer um. Queremos amor, queremos respeito, ansiamos por um lar em que nos sintamos bem. Ouvimos queixas da igreja e aí vamos para casa de cabeça cheia, querendo um buraco para nos escondermos do mundo. Então, lá chegando, ouvimos queixas dos filhos e da esposa. Com honestidade, diante de Deus: minha esposa e meus filhos são admiráveis e nunca me criaram dificuldades. Tiraram-me, muitas vezes, como instrumentos de Deus, do fundo do poço. Mas sei de colegas, que me abrem o coração, que nem sempre isto é experimentado por eles. Diziam os ingleses que “o lar de um homem é seu castelo”. O meu sempre foi, graças a Deus e à excepcional figura de Meacir Carolina. Como eu disse na dedicatória que lhe fiz em meu comentário sobre Atos, é “a mais extraordinária pessoa que conheci”. Mas há momentos em que o pastor chega em casa e não tem apoio. Há lares pastorais em conflitos, e, seja quem for que esteja errado, isto o desestrutura. Antes de dar mais bordoada no coitado, que ajuda podemos lhe dar? Que podem as igrejas e as ordens fazer, além de demitir do pastorado e o coitado ser mal visto na Ordem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUAL É O RESULTADO DE TUDO ISTO? Muitas vezes é frustração, desequilíbrio, e abandono da vocação. Os reflexos se fazem sentir na família. Por vezes, o pastor cai no ativismo para se justificar e para ver se agrada a Deus e assim Deus se condói dele (como nos esquecemos da graça e como caímos na meritocracia!). Alguém comentou um dia sobre um pastor que se orgulhava de não tirar férias há seis anos e que se mantinha ocupado todas as noites na atividade ministerial. Quando a esposa o deixou, ele se perguntou “Por quê?”. Creio que não era preciso dar nenhuma resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alternativa que eu apontaria aqui é esta: não despejar nossas frustrações em casa nem esperarmos ter em casa o reconhecimento que queremos da igreja. São esferas diferentes, analisadas por perspectivas diferentes. Devemos entender que as decepções com a igreja ou denominação não devem ser transferidas para casa, de maneira nenhuma. Lembremos que nossa casa é nossa local de retempero, é o nosso hospital emocional, é o nosso lugar de consolo. Nossa esposa é nossa amiga e não a rival da igreja, nem um estorvo em nossa função. É a mulher que Deus nos deu. E os filhos são herança do Senhor, como diz o Salmo 127.3. É sempre necessário dar mais amor à família que ao rebanho. E sobre isto falo um pouco mais à frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;2. PORQUE ELAS SURGEM&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aponto quatro razões, dentre muitas, pelas quais nossas crises surgem.&lt;br /&gt;(1) A primeira razão é um elevado conceito de si mesmo. Há pastores que se têm em conta exagerada. Esquecem que são fracos e falíveis, e se julgam superespirituais, acima das questiúnculas humanas. Sem sarcasmo, alguns parecem ter complexo de ser a quarta pessoa da trindade. A forma como falam de si nos leva a ver assim. Alguns até usam o plural majestático, ou falam de si na terceira pessoa, como o Pelé costuma fazer. Com esta mentalidade, duas atitudes os acometem: 1) Nada de ruim lhes acontecerá porque estão acima dessas coisas que afligem os mortais e pecadores; 2) Se eventualmente algo lhes suceder, tal algo não prosperará (há até um corinho que diz que “nenhuma arma forjada contra ti prosperará”), pois eles são pessoas especiais de Deus, que os protegerá. “Portanto, aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair” (1Co 10.12, LH). Notemos que não é “aquele que está de pé”, mas “aquele que pensa que está de pé”. A auto-suficiência precede a queda. E quando as coisas começam a dar mal, vem a crise, se o sujeito é auto-suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) A segunda razão é um elevado nível de expectativas que o obreiro cria para si e para seu ministério. No início de meu ministério, eu esperava que houvesse decisões e mais decisões, conversões aos montes, e pensava em organizar três ou quatro igrejas em curto espaço de tempo. Lia relatos mirabolantes de pastorados alheios, e pensava que aquilo também aconteceria comigo. Era bastante ingênuo na casa dos vinte anos e cria em tudo que ouvia; hoje dou grande desconto ao que ouço e compro a prazo. E descobri que há obreiros que exageram em seus relatos. Mas quando não acontecia comigo o mirabolante acontecimento alheio, eu me inquietava. Mas eu também esperava mais da igreja. Idealizava uma igreja num nível impossível de acontecer: todos santos, todos evangelistas, todos dizimistas, todos consagrados, todos me hipotecando apoio irrestrito. Na realidade, ainda me frustro com as respostas lentas e com o fato de as coisas não andarem no ritmo que eu gostaria que andassem. Estas expectativas que não se concretizam acabam produzindo uma crise enorme, que traz profundo desconforto e insegurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) A terceira razão é um elevado nível de cobrança. Eu me cobrava muito. Ficava arrasado quando pregava mal (ainda acontece isto, então vejam que sempre fico arrasado quando prego) e deprimia-me quando alguma coisa falhava. Por exemplo, se aconselhava um casal e ele se divorciava, eu entrava em parafuso. Onde foi que eu falhara? Que poderia ter feito melhor? Como outros pastores “consertavam” casamentos e eu não conseguia? Via estes insucessos como derrota pessoal e me sentia indigno da vocação. Custei a parar de me cobrar nos insucessos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um problema muito sério quando o pastor se identifica tanto com seu ministério que vê as coisas que deram erradas como culpa sua. Ele não dissocia o rumo das coisas da sua pessoa. E tão ruim quanto isso é quando ele vê as coisas que deram certas como se fossem mérito seu. No primeiro caso, ele se deprime. Deixa de confiar na graça. No segundo caso, ele se ensoberbece. Assume como sua a glória que é exclusivamente de Deus. Em ambas as circunstâncias, ele deixou de ver a obra como sendo de Deus e passou a vê-la como sua. É bom sempre ter em mente que somos apenas instrumentos e que nossa responsabilidade é sermos instrumentos disponíveis e usáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4) A quarta razão é por nos desligarmos do mundo real. Os pastores vivemos num mundo de conceitos e de sonhos, que não é o mundo real em que as pessoas vivem. Não tomamos ônibus cheio nem almoçamos no refeitório da fábrica. Muitos de nós almoçamos em casa. Não marcamos ponto, nem batemos cartão, mas fazemos nosso próprio horário, sem prestarmos contas a ninguém disto. E lemos livros e revistas que ninguém lê. Discutimos assuntos que a nós parecem tão importantes, mas que são absolutamente irrelevantes para as pessoas. Vivemos num mundo paralelo ao mundo em que as pessoas vivem. Há pastores que sequer sabem o preço dos produtos alimentícios. Mas conhecem as nuances dos diferentes pensamentos de filósofos e teólogos. Ignorantes do mundo que importa às pessoas, muitos nos tornamos irrelevantes para elas. Esta quarta razão desencadeia uma série de atitudes em nossa vida que levou a alguém a definir o pastor como “alguém invisível durante a semana e irrelevante no domingo”. Assim, muitos de nós pregamos o que não interessa a ninguém. Será que, realmente, as pessoas reais estão interessadas em dicotomia e tricotomia, a ponto de isto demandar uma exaustiva análise do púlpito durante três domingos? Ninguém de vida cotidiana normal perde sono com heteus, cananeus e jebuseus. As pessoas perdem sono com coisas reais, como desemprego, enfermidades, vida vazia, marido pulando cerca, mulher frigida, filhos desobedientes, e não com “a conceituação dos grandes términos escatológicos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESULTADO: O resultado é a nossa incapacidade de lidar com o mundo que nos cerca. E ficamos surpreendidos quando o mundo real, o mundo lá fora, triunfa sobre o nosso mundo conceitual, aquele que criamos em nossa mente e projetamos como sendo o mundo em que as pessoas devem viver. O processo hermenêutico da Universal do Reino de Deus é, sendo gentil, inusitado. Mas funciona porque seus pastores falam de coisas reais para as pessoas reais. As pessoas querem respostas e não lucubrações. Elas vivem num mundo de racionalizações durante toda a semana, e no domingo tomam mais uma dose extra de racionalização e conceitos do púlpito, quando este é o mundo em que o pastor vive. E há o aspecto familiar, aqui. Um pastor, sabedor que seu filho estava envolvido com drogas, disse: “Eu nunca pensei que isto fosse acontecer comigo”. Era um bom pai, crente extraordinário, e homem de absoluta integridade, mas vivia num mundo irreal, em que essas coisas não aconteciam com os crentes, menos ainda com pastores. Ignorava o que era a vida real. Muito do nosso mundo ideal não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alternativa que vejo aqui é não nos colocarmos como pessoas a receber tributo em casa, mas sim como doadores, como tributadores. Em casa devemos elogiar, agradecer, mostrar amor e ternura à família. Dar-lhe segurança. Se temos carências, a família pastoral mais ainda. O filho do pastor vê seu pai ser cortês e atencioso com os filhos dos outros, e ausente com ele. A esposa do pastor vê o marido ser gentil com outras mulheres (e isto sem segundas intenções), mas não vê o marido ser atencioso para com ela. O ministério não pode nos colocar num mundo de ilusões e não pode nos levar a esquecer nossa esposa e nossos filhos. Se a igreja é a cara do pastor, a família do pastor é o retrato exato do que ele lhe dedica. O mundo real é de crianças que brigam entre si, despensa que precisa ser enchida, contas por pagar, esposa que quer atenção, vizinhos encrenqueiros. Muito antes de Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa, dizer que “viver é perigoso”, Mrs. Dalloway, de Virginia Wolf, dissera: “sempre sentia que era muito, muito perigoso viver, por um só dia que fosse”. A vida não são idéias, mas tensões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;3. COMO TRATAR AS NOSSAS CRISES&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto não é um tratado sobre crises pastorais, mas apresento sugestões que podem ser bem ponderadas e, depois de filtradas, aplicadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1) A primeira maneira de tratar nossas crises é não as minimizando. Alguns, exatamente por terem um alto conceito de si, minimizam-nas, não as consideram seriamente e as empurram com a barriga. Se não são para desesperar, elas são sintomas de perigo, que exigem mudanças de atitudes, de estilo de vida, de hábitos. Leve-as a sério. Sem entrar em pânico, pense seriamente no que está acontecendo. Não as ignore e comece a pensar em tratá-las, antes que se avolumem. Numa ocasião, “este que vos escreve” foi extrair uma verruga que crescera e que se tornara esteticamente incômoda. O médico que o atendeu disse que ele chegara em bom tempo. Se tivesse demorado acabaria tendo problemas. Não procrastine o encarar os problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) A segunda maneira de tratar nossas crises é não as superdimensionando. É o oposto do comentado no tópico anterior. Alguns, também pelo alto conceito de si, superdimensionam suas crises. Acham que, sendo especiais, não deveriam ter dificuldades nem crises, e entram em parafuso. Culpam-se, duvidam de sua vocação, culpam a igreja (já mencionei um pouco disto, anteriormente). Não era para aquilo acontecer, afinal, “tudo que o justo fizer, prosperará”, e eles se não prosperam, ou não são justos ou os ímpios os obstaculam. Pode ser que não haja culpados, e apenas circunstâncias. Pode ser que tudo faça parte do propósito de Deus, dentro de sua soberania. Ele pode estar amadurecendo pessoas ou preparando ambientes. Pergunte-se o que Deus está fazendo e como está conduzindo a questão. Não se apavore. Deus sempre está trabalhando em nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) A terceira maneira de tratar nossas crises é não as transferindo. Magoados ou deprimidos, culpamos os outros e descarregamos na família. É o velho e conhecido mecanismo de chegar em casa chutando a porta e pisando no rabo do cachorro. É bom se esforçar e tentar ter serenidade no trato com quem não tem nada a ver. O maior erro que podemos cometer, em relação à nossa família, é deixá-la em insegurança na maneira de se relacionar conosco. Um chefe de família consciente oferece tranqüilidade à família, e nunca a desestabiliza. Por maior que seja a dificuldade, aquiete sua esposa e os seus filhos. Eles precisam de segurança e dependem de você para que isto aconteça. Satanás já trabalha bastante com nossa família. Se há algo que não precisamos nem devemos fazer é dar-lhe munição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(4) A quarta maneira de tratar nossas crises é nos lembrando que o que pregamos para os outros se aplica a nós. Dizemos ao povo para buscar a Deus quando a coisa fica feia, mas nem sempre o fazemos quando fica feia para nós. O remédio que prescrevemos aos outros serve para nós. Alguns pastores parecem ter se esquecido que são crentes, no sentido de que o receituário do púlpito é para eles, também. Continuamos membros da igreja, sujeitos a ela, dependentes dela, e aprendendo o que ela ensina. O pastor não é dono da igreja e não está acima dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maneira de alguns pastores procederem em assembléias convencionais mostra que eles não aplicam a si mesmos o que esperam de suas ovelhas. Se suas ovelhas procedessem em uma assembléia da igreja como eles procedem numa assembléia convencional, eles moveriam os pauzinhos para defenestrá-las. Os pastores são as pessoas de conduta mais indisciplinada que há, quando se trata de discutir assuntos do reino. Alguns agem como se não fossem crentes em Jesus Cristo. Isto porque não aplicam a eles o que aplicam ao povo. Mas nós somos povo de Deus e devemos proceder como esperamos que os demais procedam, inclusive na questão de dependência de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(5) A quinta maneira de tratar nossas crises é aprendendo delas. Elas não devem passar em branco em termos de acrescentar alguma coisa à nossa experiência. Não é necessário repetir os mesmos erros. Até mesmo porque há erros novos por cometer (por favor, isto é um chiste – e, por favor, não analisem à luz do conceito freudiano de chiste). Devemos aprender as lições e amadurecer das crises. Dizemos que elas são oportunidades. Que sejam para nós, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESULTADO (OU RESUMO): Precisamos reconhecer a nossa vulnerabilidade espiritual e emocional, depender de Deus, ter humildade para reconhecer os erros e saber pedir desculpas. O pastor precisa buscar ser melhor cada dia. Muita gente melhora como obreiro, mas infelizmente piora como ser humano. Há santos que são horrorosos no relacionamento com os demais. Eles são tão santos que não mais conseguem conviver com pecadores. É bom evitar a duplicidade: ser algo espiritualmente e ser completamente diferente como pessoa. Um pastor precisa ser cristalino. O “duplipensar” de George Orwell não pode ser um “dupliagir” pastoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;4. COMO PROTEGER A FAMÍLIA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Como proteger nossas famílias, tanto da maldade de alguns bodes travestidos de ovelhas quanto de nossas falhas e limitações? A família pastoral sofre muito. Muita gente tenta atingir os familiares do pastor para magoá-lo. E ela ainda sofre com atitudes nossas. Como protegê-la?&lt;br /&gt;(1) Devemos lembrar que somos os pastores da nossa família. Crentes sinceros, amigáveis, têm o costume de chamar a esposa do pastor de “primeira dama”. É uma maneira carinhosa (penso!). Mas devemos ter em conta que a nossa esposa não é a primeira dama, mas é a primeira ovelha. Sempre deixei bem claro para as igrejas que pastoreei que se tivesse que escolher entre a igreja e minha esposa, a igreja sobraria. Igrejas há muitas. Esposa, só tenho uma, e só quero aquela. Os filhos do pastor são suas ovelhas. Devem ser cuidados e protegidos por ele. E mais que o restante do rebanho. Lembremos da tragicidade de Cânticos 1.6 (VR): “Não repareis em eu ser morena, porque o sol crestou-me a tez; os filhos de minha mãe indignaram-se contra mim, e me puseram por guarda de vinhas; a minha vinha, porém, não guardei” (o itálico é meu). Ela guardou a vinha dos outros, mas não cuidou da sua. Pastor, nunca aconteça que você cuide dos filhos dos outros e se esqueça de cuidar dos seus. Ou que se preocupe com a situação das esposas dos outros e descuide da sua esposa. É dever do pastor cuidar e proteger a sua família. Nunca deve oferecê-la no altar do sucesso ministerial. Primeiro porque Deus não pede isto, e depois porque se arruinará também, além de ter que prestar contas pelos seus familiares. Uma das condições sine qua non para um obreiro ter respeitabilidade é esta: “que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)” (1Tm 3.4-5, VR).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(2) Devemos criar e manter uma cumplicidade na família. “Cumplicidade” não significa apoio no erro, mas sim tornar a família coesa, fechada, unida contra investidas externas. Qualquer investida contra ela fracassa, porque não há brechas no relacionamento. O pastor é um dos responsáveis, como chefe da família, em criar um vínculo de unidade nas relações domésticas. Como homem, ele é o chefe da família não apenas para receber tributo (como alguns homens parecem pensar), mas para dar o rumo por onde todos devem seguir. Ele ama os filhos e a esposa e lhes diz isto, lhes faz sentir isto e mostra isto no trato. Ele nunca permite que gente de fora seja mais importante que gente de casa e nunca deprecia o que é seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(3) Uma questão óbvia, mas que muitos ignoram: devemos sempre evitar levar os problemas da igreja para casa. Alguém dirá: “Isto é impossível!”. Não, não é. Nas ocasiões em que trabalhei em administração de instituições de ensino teológico, eu não tinha um número sequer de telefone de nenhum professor em casa. Sei que com igreja é diferente. Mas esforce-se e ensine a igreja a não ver sua casa como extensão das reuniões administrativas da igreja e de aconselhamento pastoral. Tanto quanto possível, evite isto. Eventualmente poderá suceder isto, mas não trivialize. Não crie o hábito. No início de meu ministério, a casa pastoral era ao lado da igreja. Estava sentado junto ao púlpito, pastor novo, de 23 anos, enquanto o coral cantava, quando um homem se sentou ao meu lado e me pediu a chave da minha casa para ir ao banheiro. Eu lhe disse para usar o da igreja e ele me respondeu que o da igreja era ruim e o da minha casa era bom, porque a igreja o reformara. Tornei a negar e lhe disse que o banheiro da minha casa era para mim e para minha esposa, e que ele se levantasse na assembléia e propusesse a reforma dos banheiros da igreja. Ele foi abusado, mas só daquela vez. Nunca mais agiu assim. Cortei-o e também cortei um costume: quando eu menos esperava havia quatro ou cinco pessoas dentro de minha casa, simplesmente por abrirem a porta e entrarem. Não tínhamos privacidade no lar.&lt;br /&gt;Não confundam isto com ausência de hospitalidade. São valores diferentes. Ser hospitaleiro e receber bem as pessoas são uma coisa. Mas ter uma esposa recém-casada dividindo o banheiro com gente que ela desconhece e cinco ou seis desconhecidos invadindo seu espaço, inclusive seu quarto, é outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca permita a quebra de privacidade do seu lar, nem a invasão eclesiástica de seu domicílio. Não se trata da questão do uso do banheiro, mas sim da mistura de ambientes. Sua casa é lugar de recolhimento com sua família. Nela, você recebe quem você quer receber ou quem precisa de sua ajuda, e não quem nada tem a fazer.&lt;br /&gt;RESULTADO (OU SOMA): Não ponha a família vivendo em função de você ou de seu ministério. Respeite a individualidade de cada um. Veja-os como membros de seu lar, sob seus cuidados. Não os exponha. Viva para ela, a família, e procure mantê-la a salvo de membros de igreja que por vezes são cruéis ou maledicentes. Proteja seu lar. Guarde seu espaço doméstico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;5. QUESTÕES PRÁTICAS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrevo-me, agora, a alinhavar algumas sugestões de ordem prática, nesta área. Algumas dessas questões desdobram o que disse anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Evite atender gente em sua casa. A casa é o local de repouso e refrigério. Há pastores que têm o gabinete pastoral em casa. Respeito sua decisão, que por vezes é uma contingência, mas peço-lhes, humildemente, que tenham bastante cuidado para não expor a família. Seus filhos não precisam ver casais chorando ou gente brigando em sua própria casa. E precisam ter a intimidade preservada, bem como sua esposa. Como disse um amigo, “casa é o lugar onde um homem pode andar sem camisa, e uma mulher pode ficar de short”. Mas com a casa cheia de gente de fora isto não é possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Evite comentar problemas da igreja em casa. Não traga a crise, voluntariamente, para dentro de casa. Ela virá, inevitavelmente, com o tempo. Não apresse a chegada de problemas. Sua responsabilidade é proteger e não expor sua família.&lt;br /&gt;* Mude o papel que desempenha em casa; seja marido e pai, e não o oficial da igreja. Há pastores que impostam a voz até em casa, e, pasmem, chamam a esposa de “irmã Fulana”. Até a oração à mesa, na hora da refeição, é imponente e tonitruante, como se feita num templo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Valorize a família mais que a igreja local. Igreja há muitas, mas família só há uma. Sobre sua esposa, lembre-se de Provérbios 18.22: “Quem encontra uma esposa acha uma coisa boa; e alcança o favor do Senhor” (VR). Sobre os seus filhos, lembre-se do Salmo 127.3: “Eis que os filhos são herança da parte do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão”. Sua esposa e seus filhos são jóias valiosas que o Senhor lhe confiou. Não perca essas jóias. E não as troque por bijuterias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Seja sensível aos anseios e reclamos da sua família. Sua conduta com ela é um termômetro de como andam sua vida e suas prioridades. Um pastor contou, com orgulho, que seu filho lhe pediu para marcar uma audiência, já que ele era um homem ocupado. Que pena! Nossa família não pede audiência, mas tem nosso tempo a qualquer hora. Deve saber que o marido e o pai estão acessíveis a qualquer instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Veja sua família como um dom de Deus. Ele deu pastores à igreja (“E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres” – Ef 4.11, VR), mas ele nos deu uma esposa (Pv 18.22) e filhos (Sl 127.3). Sua igreja um dia terá outro pastor. Talvez melhor que você. Mas sua esposa quer você como marido, e seus filhos querem você como pai. Principalmente com seus filhos, lembre-se: você terá um sucessor no pastorado, mas nunca poderá ter um sucessor como pai. Se tiver, é porque fracassou. O melhor pastor do mundo é substituível. Um bom pai é insubstituível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;CONCLUSÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminar uma palestra destas é mais difícil que começar. Mas a questão pode ser bem simples. Ouvimos dizer, várias vezes, que nenhum sucesso na carreira compensa o fracasso no lar. Isto pode se aplicar ao pastor. De que adianta ser um orador daqueles de embevecer multidões ou um grande líder denominacional, e perder a família?&lt;br /&gt;É mais importante ser um bom mordomo de Deus na sua própria família que ser um bom mordomo na vida alheia. Creio mesmo que isto, uma família desestruturada, nos inviabiliza no ministério. Ao mesmo tempo, ter uma família unida ao redor da cruz e do ministério do pastor é uma bênção e nossa maior credencial a apresentar. Parafraseio Paulo, quando isse: “Não negligencies o dom que há em ti” (1Tm 4.14). Digo “Não negligencies a família que começa em ti”. Pastoreemos nossas famílias e não permitamos que nossas crises a estraguem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8556270439662323326-697318497437880443?l=teologiaentreamigos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/feeds/697318497437880443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/11/crises-na-vida-do-pastor-e-seus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/697318497437880443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8556270439662323326/posts/default/697318497437880443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teologiaentreamigos.blogspot.com/2010/11/crises-na-vida-do-pastor-e-seus.html' title='Crises na Vida do Pastor e Seus Reflexos na Família'/><author><name>Teologia Entre Amigos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18086185391064276766</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_k7vq5RIKHjw/TAGJNzwA-tI/AAAAAAAAABM/9muc9Cxx_4k/S220/Idauro+Campos.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8556270439662323326.post-903090198075462871</id><published>2010-11-13T14:02:00.000-08:00</published><updated>2010-11-13T14:04:33.954-08:00</updated><title type='text'>O Grande Hino Cristológico de Efésios</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;POR: Isaltino Gomes Coelho Filho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto de Efésios 1.3-13 é a maior sentença gramatical da Bíblia. O&lt;br /&gt;ponto final aparece no versículo 13 (Bíblias antigas) ou no 14 (Bíblias novas).&lt;br /&gt;São 203 palavras no texto grego. Após a saudação habitual em suas cartas,&lt;br /&gt;Paulo prorrompe em louvor de maneira tão entusiástica que custa a parar.&lt;br /&gt;Encadeia os pensamentos um após o outro e fica até difícil captar o sentido&lt;br /&gt;do que ele está a dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é apenas longo. É um texto riquíssimo este que abre a carta,&lt;br /&gt;que é chamada de “rainha das epístolas”. Efésios é onde o gênio de Paulo,&lt;br /&gt;inspirado pelo Espírito Santo, mais fulge. É também onde encontramos o&lt;br /&gt;mais alto conceito de igreja na Bíblia. Todas as igrejas deveriam estudá-la com&lt;br /&gt;seriedade, para entenderem o que são e para terem uma visão correta do seu&lt;br /&gt;propósito neste mundo. Segundo MacKay, em Efésios temos “a essência&lt;br /&gt;destilada do cristianismo, o compêndio mais autorizado e completo da nossa&lt;br /&gt;fé cristã”. Lloyd-Jones disse que “é difícil falar dela de maneira comedida por&lt;br /&gt;causa de sua grandeza e sublimidade”. Colleridge a avaliou como “a&lt;br /&gt;composição mais divina da raça humana”. Ela mostra todo o propósito de&lt;br /&gt;Deus para a raça. Sintetiza de maneira brilhante o propósito divino para a&lt;br /&gt;humanidade, mostrando o que ele espera não apenas da igreja, mas da família&lt;br /&gt;e da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;UM HINO DE LOUVOR&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este brilhante escrito começa com um hino. Não um hino comum,&lt;br /&gt;mas um brilhante hino cristológico, repleto de afirmações teológicas de&lt;br /&gt;profundidade ímpar. Ele nos mostra que o louvor não precisa ser raso,&lt;br /&gt;superficial. Pode trazer grandes ensinos. Não é passatempo. Faz parte do&lt;br /&gt;processo da pedagogia das verdades cristãs. Embora seja chamado de “hino&lt;br /&gt;cristológico”, o texto mostra a harmonia das pessoas da Trindade, trabalhando&lt;br /&gt;juntas. No versículo 3 o foco é o Pai. No versículo 5, é o Filho. E no versículo&lt;br /&gt;13, é o Espírito. É um hino que mostra a obra da Trindade. Uma boa pista para&lt;br /&gt;nós. Nossos hinos podem e devem ensinar as grandes verdades da fé cristã, e&lt;br /&gt;não apenas experiência humana. Devem ser inspirativos (quem negará a&lt;br /&gt;2inspiração de Efésios 1.3-14?), mas devem ser pedagógicos. Cânticos cristãos&lt;br /&gt;não podem ser entretenimento. Devem ser ensino e mensagem.&lt;br /&gt;O aspecto do louvor fica bem claro no texto. Há um refrão que surge três&lt;br /&gt;vezes: “para o louvor da sua glória” (vv. 6, 12 e 14). O louvor é para a glória de&lt;br /&gt;Deus. Quando aprenderemos isto, a diferença entre o importante e o essencial?&lt;br /&gt;É importante que o povo de Deus seja edificado, que receba força espiritual no&lt;br /&gt;culto, que seja instruído e firmado na sua fé. Mas é essencial que o louvor&lt;br /&gt;glorifique a Deus. E, de maneira que não podemos explicar porque é ação&lt;br /&gt;exclusiva do Espírito Santo, quando Deus é glorificado, seu povo (seu povo&lt;br /&gt;mesmo, e não os aderentes, como a massa que saiu do Egito com Israel e só lhe&lt;br /&gt;criou problemas) é edificado e confortado. O crente é fortalecido&lt;br /&gt;espiritualmente na mesma proporção em que Deus é glorificado no culto que ele&lt;br /&gt;presta. Ponha-se o foco em Deus que ele nos comunica sua graça e seu poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;BENDITO SEJA O DEUS E PAI DE NOSSO SENHOR JESUS&lt;br /&gt;CRISTO – O PAI COMO REFERENCIAL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. A primeira&lt;br /&gt;palavra é “Bendito”, no grego eulógetos, que só se emprega para Deus. Só ele deve&lt;br /&gt;ser louvado e bendito. Paulo toma uma antiga oração rabínica que era a segunda&lt;br /&gt;bênção ministrada pelo dirigente da sinagoga, antes da recitação do shemá (Dt&lt;br /&gt;6.4), e que termina com esta expressão: “Bendito sejas tu, o Senhor que&lt;br /&gt;escolheste teu povo Israel no amor”. O texto de Efésios 1.3-4 é quase um eco&lt;br /&gt;desta bênção: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo… nos&lt;br /&gt;elegeu nele… em amor” . Paulo adapta a liturgia da sinagoga para ser a bênção&lt;br /&gt;inicial de sua carta. Se, como desejam vários eruditos, Efésios era, na realidade,&lt;br /&gt;uma carta circular enviada às igrejas, a questão se torna mais profunda. Paulo&lt;br /&gt;está saudando os cristãos com uma bênção da liturgia judaica, cristianizando-a.&lt;br /&gt;A expressão está inserida num cântico de louvor. E que riqueza teológica! O&lt;br /&gt;trato de Deus agora é com a Igreja. Ela é o povo de Deus. Ela canta sua eleição&lt;br /&gt;e os propósitos divinos para ela. Louvor não é mero misticismo, mas uma&lt;br /&gt;declaração de que temos um novo relacionamento com Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A modificação tem sentido teológico. A nação era o canal das bênçãos&lt;br /&gt;aos homens. Por isso, seu Deus e Pai devia ser bendito. Jesus Cristo é o novo&lt;br /&gt;canal de bênçãos. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. A&lt;br /&gt;expressão reconhece que é em Cristo que estão as bênçãos divinas, e que Jesus&lt;br /&gt;Cristo é o Senhor. Este é o valor cristológico deste hino. E é para nós uma forte&lt;br /&gt;recomendação. Cânticos com teologia sadia expressarão a bondade de Deus em&lt;br /&gt;nos abençoar e apregoarão Jesus Cristo como Senhor e como canal de bênçãos&lt;br /&gt;para nós. Muitos de nossos cânticos, principalmente alguns baseados nos&lt;br /&gt;salmos, caberiam numa sinagoga. Nada falam da segunda e terceira pessoas da&lt;br /&gt;Trindade. Mas nós não somos judeus. Somos cristãos e cantamos Jesus Cristo.&lt;br /&gt;Reconheço que não é a simples menção do nome de Jesus que dará conteúdo&lt;br /&gt;cristológico a um cântico. O competente Verner Geier, na metrificação do&lt;br /&gt;salmo 142 que nos rendeu o hino 380 do HCC, não colocou lá o nome de Jesus.&lt;br /&gt;Mas não é um hino genérico. Verner conseguiu dar um conteúdo cristão ao&lt;br /&gt;hino. O que lá está é cristão. Bem diferente de “Quero subir o monte santo de&lt;br /&gt;Sião”. O cântico cristão comunica a mensagem cristã e mostra o cuidado divino&lt;br /&gt;pelo seu povo, a Igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;NO FILHO, PELO FILHO, PARA O FILHO – O FILHO COMO&lt;br /&gt;REFERENCIAL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hino não bendiz o Filho (não há um eulógetos para ele), mas exalta sua&lt;br /&gt;pessoa. O elemento gramatical mais repetido é a preposição grega en,&lt;br /&gt;correspondente ao nosso “em”, seguida do dativo. Ela vem com o pronome&lt;br /&gt;pessoal (“nele”), ou com um nome (“em Cristo”, “no Amado”). A preposição&lt;br /&gt;aparece dez vezes, sendo que em nove vezes se aplica a Cristo e em oito à obra&lt;br /&gt;mediadora de Cristo. A teologia do hino se centra na pessoa e obra de Cristo e&lt;br /&gt;faz dele o referencial teológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hino nos direciona para Cristo no sentido de que nele as bênçãos de&lt;br /&gt;Deus foram dadas e transmitidas aos fiéis. Pela união com o Filho passamos a&lt;br /&gt;pertencer ao Pai (v. 4). Ele nos tornou seus filhos em Cristo (v. 5). A morte de&lt;br /&gt;Cristo na cruz nos trouxe o perdão dos pecados (v. 7). No tempo certo, o Pai&lt;br /&gt;unirá todas as coisas, no céu e na terra, sob a autoridade de Cristo. A morte de&lt;br /&gt;Cristo na cruz é o eixo da argumentação. Basta ver que fica quase no meio da&lt;br /&gt;argumentação (v. 7) e que se torna o referencial argumentativo do apóstolo.&lt;br /&gt;O culto cristão precisa ter uma forte ênfase cristológica. Como professor&lt;br /&gt;de Antigo Testamento e Homilética por mais de três décadas, este autor tem&lt;br /&gt;uma tendência a pregar no Antigo Testamento. Evita cristianizar o texto&lt;br /&gt;veterotestamentário, a não ser que este seja messiânico. Mas reconhece que&lt;br /&gt;mesmo pregado no Antigo Testamento, um sermão cristão tem que culminar na&lt;br /&gt;pessoa e obra de Cristo. A recomendação paulina “Nós pregamos a Cristo&lt;br /&gt;crucificado” (embora ele pregasse muitos outros temas) deve ter uma&lt;br /&gt;correspondente para músicos cristãos: “Nós cantamos o Cristo crucificado”.&lt;br /&gt;Não podemos esquecer de cantar a cruz de Jesus Cristo! O Cristo crucificado é&lt;br /&gt;o canal de bênçãos para o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;UM HINO DE FÉ PESSOAL E DE TESTEMUNHO – AS TRÊS&lt;br /&gt;GRANDES SEÇÕES DO TEXTO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os verbos, neste texto, estão no indicativo, com uma variação de sujeitos.&lt;br /&gt;São três seções, como o canadense Gourgues bem apontou:&lt;br /&gt;A primeira seção está nos versículos 3 a 6, onde os verbos (“ele nos&lt;br /&gt;escolheu”, v. 4, e “ele nos deu”, v. 6) se referem a Deus. Esta seção se chama&lt;br /&gt;ELE.&lt;br /&gt;4&lt;br /&gt;A segunda seção está nos versículos 7 a 12, onde os verbos (“temos”, v.&lt;br /&gt;7, e “sermos” e “havíamos”, v. 12) se referem aos cristãos. Esta seção se chama&lt;br /&gt;NÓS.&lt;br /&gt;A terceira seção está nos versículos 13 e 14, mais breve que as anteriores.&lt;br /&gt;A idéia central é “fostes selados” (v. 13). Esta seção se chama VÓS.&lt;br /&gt;Ele, nós e vós são os sujeitos de cada seção. E cada um delas termina&lt;br /&gt;com a expressão “para o louvor da sua glória”. O que está sendo dito é fácil de&lt;br /&gt;compreender. Ele age para sua glória. Nós existimos para sua glória. Ele age na&lt;br /&gt;vida de todos, o nós e o vós, para a sua glória. Citando Gourgues: “Esta&lt;br /&gt;formulação se liga àqueles convites para bendizer e louvar Iahweh os quais se&lt;br /&gt;encontram no Antigo Testamento, nas passagens narrativas das intervenções e&lt;br /&gt;maravilhas de Deus”. Os efésios são chamados, e nós com eles, a louvar a Deus&lt;br /&gt;pelos seus atos em favor dos homens. É um testemunho de seu poder que opera&lt;br /&gt;por nós. A glória é para ele. Mais à frente, o apóstolo dirá num momento&lt;br /&gt;também de louvor: “Ora, àquele que é poderoso para fazer muito mais&lt;br /&gt;abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que&lt;br /&gt;em nós opera, a esse seja glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as&lt;br /&gt;gerações, para todo o sempre. Amém” (Ef 3.19-20).&lt;br /&gt;O louvor em Efésios é pelo poder de Deus que opera pelo seu povo. Por&lt;br /&gt;aquilo que ele fez por nós. Tudo na igreja, e deve ser assim muito mais no culto,&lt;br /&gt;deve ser para o louvor da glória de Deus. Que sua glória brilhe, e não a dos&lt;br /&gt;homens!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;CONCLUSÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O grande hino cristológico de Efésios não pode ser esgotado em um&lt;br /&gt;estudo. A ele voltaremos na próxima edição da revista, vendo seu conteúdo. É&lt;br /&gt;importante que isto seja feito, para podermos saber o que os primeiros&lt;br /&gt;cristãos cantavam. Mas hoje já podemos ver algumas questões. Cantamos que&lt;br /&gt;somos o povo de Deus, que ele tem um propósito para nós, que ele e só ele&lt;br /&gt;deve ser bendito, que Jesus Cristo é o canal de bênçãos para este mundo. Que&lt;br /&gt;tudo que fazemos é para o louvor da sua glória. Por tudo isto, que não haja&lt;br /&gt;estrelismo nem banalidade no nosso culto. Ele deve ser uma profunda&lt;br /&gt;reflexão sobre o agir de Deus em seu propósito eterno. Ele tem um plano&lt;br /&gt;para o mundo. Nós, sua Igreja, fazemos parte deste propósito e por isso o&lt;br /&gt;louvamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos cultos precisam ter uma visão do atacado, não apenas do&lt;br /&gt;varejo. Não é apenas o que Deus faz por mim, mas o que Deus faz em nível&lt;br /&gt;histórico, ao longo dos tempos, conduzindo tudo para submissão a Cristo. A&lt;br /&gt;Igreja celebra esta verdade: a história está nas mãos de Deus e ela serve a este&lt;br /&gt;Deus poderoso que engendrou seu plano “antes da fundação do mundo”&lt;br /&gt;(1.4). Que maravilha servir e adorar a este Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;PARTE 2&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuamos considerando o texto de Efésios 1.3-14, estudado no&lt;br /&gt;número anterior. Naquele artigo consideramos aspectos lingüísticos e de&lt;br /&gt;estrutura do hino paulino. Hoje vamos analisá-lo por dois ângulos. O primeiro&lt;br /&gt;é sua perspectiva teológica, com uma visão trinitariana. É o que os teólogos&lt;br /&gt;chamam de “economia da Trindade”. O outro é o das bênçãos que temos em&lt;br /&gt;Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;UMA VISÃO TRINITARIANA DO HINO CRISTOLÓGICO DE&lt;br /&gt;EFÉSIOS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As três pessoas da Trindade aparecem no texto. O Pai aparece nos&lt;br /&gt;versículos 3-6. O Filho, nos versículos 7-10, e o Espírito, nos versículos 13-14.&lt;br /&gt;Isto não é mera curiosidade textual ou diletantismo teológico. A fé cristã não é&lt;br /&gt;unitariana nem coloca uma das pessoas da Trindade sobre as demais. Já ouvi&lt;br /&gt;corinhos em que o Espírito era mostrado apenas como o “poder de Deus”,&lt;br /&gt;uma energia, uma coisa, não uma pessoa. Nossa fé é trinitariana, como o hino&lt;br /&gt;8 do HCC tão bem nos ensina. Aliás, muitos dos hinos do passado eram&lt;br /&gt;ensinos teológicos, com doutrina bem fundamentada. Muitos dos cânticos&lt;br /&gt;atuais são experiencialismo puro, exaltação de sentimentos e valorização de&lt;br /&gt;sensações. Cuidado com isso. Poderemos ter uma igreja sentimentalóide, mas&lt;br /&gt;vazia em seu credo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evitemos também compartimentalizar as pessoas da Trindade, em&lt;br /&gt;aspectos tão estanques que elas parecem nada ter a ver uma com a outra. Ficase&lt;br /&gt;com uma Divindade esquizofrênica, em conflito entre si.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;NÃO CANTEMOS O APLACACIONISMO!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta visão trinitariana, devemos evitar a heresia do aplacacionismo,&lt;br /&gt;segundo o qual o Filho veio para aplacar a cólera de um Pai iracundo, e opõe&lt;br /&gt;as duas pessoas. O Novo Testamento não diz que o Filho nos reconciliou&lt;br /&gt;com o Pai, mas que o Pai nos reconciliou consigo por Cristo (2Co 5.18-19). O&lt;br /&gt;Pai é o mentor da salvação. Ela nasceu em seu coração, na eternidade (v. 4).&lt;br /&gt;Não se pode passar a imagem de que o Pai condena e o Filho vem para se&lt;br /&gt;opor ao Pai e nos salvar. Não é como nos filmes americanos, “o policial mau e&lt;br /&gt;o policial bonzinho”. A Trindade é boa. Toda ela.O Pai ama, o Filho ama, o&lt;br /&gt;Espírito Santo ama. A igreja deve cantar uma Trindade harmônica, que ama o&lt;br /&gt;homem. Muitos cânticos mostram um Pai santo, exigente, e um Jesus meloso,&lt;br /&gt;bondoso, que aceita tudo. Cuidado com o Jesus que diz “Venha como está”&lt;br /&gt;ou “Venho como estou”. Pode vir como está, mas não para ficar como está.&lt;br /&gt;“Vai-te, e não peques mais”, disse Jesus (Jo 8.11). É para ser santo, pois para&lt;br /&gt;isto fomos eleitos (v. 4). Não podemos conflitar os atributos de Deus, menos&lt;br /&gt;6&lt;br /&gt;ainda as pessoas da Trindade, em nosso louvor. Nem pensar que uma&lt;br /&gt;condena o pecado e a outra passa a mão na cabeça do pecador.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;O FILHO NO CÂNTICO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Filho nos redime do tirano, que não é o Pai, mas o pecado (v. 7). O&lt;br /&gt;que foi feito do pecado em nossos cânticos? Parece se exaltar um evangelho&lt;br /&gt;psicológico, que faz a pessoa se encontrar existencialmente, ter sentido na&lt;br /&gt;vida, ser feliz. Mas e o poder do pecado, seu perigo sobre os crentes? Ele&lt;br /&gt;sumiu das pregações e dos cânticos. De um lado, pelo triunfalismo, em&lt;br /&gt;cânticos ingênuos mostrando uma vitória sobre o Diabo, ignorando a tensão&lt;br /&gt;da vida cristã entre o já e o ainda não. Há aspectos que já se concretizaram, mas&lt;br /&gt;outros ainda não. Simplifiquemos: a igreja ainda é militante, e não triunfante,&lt;br /&gt;em glória. A salvação ainda não chegou ao estágio da glorificação, que alguns&lt;br /&gt;cantam como já presente. Do outro lado, um evangelho mais voltado para o&lt;br /&gt;cotidiano, muito imanente, pouco transcendente. Está se cantando muito o&lt;br /&gt;aqui e o agora, e pouco o metafísico. Um evangelho que atende nossas&lt;br /&gt;necessidades psicológicas e emocionais (o sentir-se bem) e não seu aspecto&lt;br /&gt;transcendente (perdão dos pecados e libertação do poder do mal). Cuidado&lt;br /&gt;para não humanizar tanto o evangelho que ele passe a ser auto-ajuda.&lt;br /&gt;Pelo Filho conhecemos o “mistério” (v. 8). Paulo bate de frente com os&lt;br /&gt;gnósticos, que diziam “temos a chave para compreender o mundo”. Paulo&lt;br /&gt;mostra que o mistério para entender o mundo é Jesus. Cuidado com o Cristo&lt;br /&gt;esotérico, intimista, tão internalizado, que passa a ser um sentimento. Cristo é&lt;br /&gt;a chave para se entender o mundo. Nossos cânticos devem mostrar que nós&lt;br /&gt;entendemos o mundo pelo evangelho, que Jesus é a resposta divina às mazelas&lt;br /&gt;do pecado. Devemos evitar o esoterês evangélico, que vai se tornando comum&lt;br /&gt;em nosso meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O ESPÍRITO NO CÂNTICO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A igreja canta o Espírito. Ele sela a eleição (v. 13). A raça humana&lt;br /&gt;estava dividida entre judeus e gentios e Deus fez deles um só povo. E deu o&lt;br /&gt;Espírito a todos (a igreja deve cantar a universalidade do Espírito) para selálos&lt;br /&gt;em uma nova humanidade. O Espírito não é uma força, nem energia, nem&lt;br /&gt;o poder de Deus. É uma pessoa. Alguns de nossos corinhos parecem apontar&lt;br /&gt;para o Espírito como se fosse um fio desencapado, dando choque nas&lt;br /&gt;pessoas. Ele vem para eletrizar o culto, nesta visão distorcida. Ele é a prova de&lt;br /&gt;que a igreja é igreja. Ele une a igreja, não a divide. Aliás, quem a divide não&lt;br /&gt;tem o Espírito (Jd, 19).&lt;br /&gt;O Espírito mantém a igreja unida. Infelizmente, muita carnalidade e&lt;br /&gt;vaidade se disfarçam de “louvor” ou de “defesa da pureza da fé”, e divide as&lt;br /&gt;igrejas. O Pai nos fez um pelo Espírito. Está errada a letra do hino 564 HCC,&lt;br /&gt;pedindo que o Pai nos faça um. Ele já nos fez. Nós é que quebramos a&lt;br /&gt;unidade, mas ela foi feita na cruz, e é aplicada pelo Espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pai tem sido injustiçado em muitas pregações e cânticos&lt;br /&gt;evangelísticos. É uma parte destrambelhada da Trindade. O Filho tem&lt;br /&gt;recebido uma visão distorcida, como a parte da Trindade bem sentimental,&lt;br /&gt;edulcorada. Mas com o Espírito é pior: ele tem sido rebaixado a mera energia.&lt;br /&gt;A Trindade trabalha em harmonia. Os novos compositores fariam bem em ler&lt;br /&gt;um pouco sobre a Trindade e examinar os “ultrapassados” hinos trinitarianos&lt;br /&gt;do CC e do HCC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respeitosamente: compositores, procurem uma orientação teológica.&lt;br /&gt;Não ensinem o povo a cantar errado. Doutrina não é irrelevante. Sem ela&lt;br /&gt;saímos do aspecto real da fé e caímos em sentimentalismo, quando não em&lt;br /&gt;erro.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;O ASPECTO DAS BÊNÇÃOS QUE TEMOS EM CRISTO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto paulino lista as bênçãos de Deus para os cristãos. Temos&lt;br /&gt;pensado em bênçãos em termos materiais. Mas Paulo lista aqui as maiores&lt;br /&gt;bênçãos que o ser humano pode ter: eleição e predestinação (vv. 4, 5 e 11),&lt;br /&gt;redenção e remissão (v. 7) e significado correto da vida (v. 14).&lt;br /&gt;O verbo grego para “predestinar” é proorisos, “marcar antes”. Não se&lt;br /&gt;trata de arbitrariedade, mas de segurança. Nossos cânticos devem refletir a&lt;br /&gt;segurança de que a salvação não é intempestiva. Nem somos os cachorrinhos&lt;br /&gt;que recolhem as migalhas caídas da mesa. Alguns parecem pensar que quando&lt;br /&gt;Israel rejeitou Jesus, Deus ficou meio perdido: “Ora, com essa eu não&lt;br /&gt;contava!” e se voltou para os gentios e formou a igreja. Assim, somos&lt;br /&gt;herdeiros do restolho. A igreja deve nutrir esta fé e cantá-la com vigor: ela não&lt;br /&gt;é acidente. Ela existe no coração de Deus desde a eternidade. Deve cantar&lt;br /&gt;com júbilo por ser igreja. Todas as vezes que canto o hino 504 do HCC, “Da&lt;br /&gt;igreja o fundamento”, eu me comovo. Chego a chorar. Que alegria! Eu sou&lt;br /&gt;igreja de Jesus, ele me escolheu na eternidade e está trabalhando minha pedra&lt;br /&gt;bruta para me tornar uma pedra viva, que glorificará o nome de Jesus! Nossa&lt;br /&gt;fé deve ser cantada lembrando que fomos escolhidos e que Deus está&lt;br /&gt;trabalhando em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Redenção e remissão (v. 7) são termos muitos parecidos. Completam a&lt;br /&gt;idéia de comprar e de soltar. Devemos cantar nossa liberdade do poder do&lt;br /&gt;pecado (Jo 8.34,36) e o fato de que fomos tornados livres em Cristo. Nossos&lt;br /&gt;cânticos devem enfatizar que não somos mais escravos, mas filhos (v. 5).&lt;br /&gt;Nosso culto deve expressar esta profunda convicção: “Amados, filhos somos&lt;br /&gt;já de Deus...” (364 CC). Mas isto não é por bondade nem pelo louvor. Aliás,&lt;br /&gt;cuidado, o louvor tem se tornado “a quarta pessoa da trindade”. Ele não nos&lt;br /&gt;torna aceitáveis diante de Deus. Não é o que fazemos, mas o que ele fez.&lt;br /&gt;Somos filhos, sim, devemos cantar. Mas revelemos o preço: “pelo seu sangue”&lt;br /&gt;8&lt;br /&gt;(v. 7). Cuidado com o louvor caimita, de frutos da terra. O louvor deve&lt;br /&gt;expressar que somos aceitos por causa do sangue de Cristo. A morte vicária&lt;br /&gt;de Cristo não pode ser escondida nem subdimensionada. É por ela que nos&lt;br /&gt;vêm as bênçãos de Deus. É por causa dela que cultuamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;POR QUE TUDO ISTO?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para o louvor da sua glória” (vv. 6, 12 e 14). É para glória de Deus. Eis&lt;br /&gt;mais uma bênção. O sentido de tudo isto: passamos a viver com sign
